16 novembro 2010

Freguesia Mistério 41

A Freguesia Mistério n.º40 já lá vai há alguns dias. A pergunta não mereceu muitos adeptos, uma vez que só 10 arriscaram uma resposta. Isso leva-me a questionar: Os visitantes do Blogue não conhecem o concelho ou não têm pachorra para votarem? Tanto faz. O importante é que a Freguesia Mistério sirva de estímulo (quanto mais não seja, para mim) para mais algumas Descobertas pelo concelho.
O cruzeiro em questão está na freguesia de Seixo de Manhoses. Perto da capela de Nossa Senhora do Rosário, mesmo no centro do povo, segue-se para o Largo da Capela e, um pouco mais adiante está o Largo do Senhor dos Aflitos. É também este o nome do cruzeiro. Trata-se de uma cruz em granito, com cerca de dois metros e meio de altura, com aplicação de uma cruz mais pequena, em madeira, onde está Cristo crucificado (em metal).

 Está muito bem implantado, encostado a uma casa, na extremidade mais elevada do largo. Tem uma cobertura em telha, suportada por uma estrutura bastante grosseira, em cimento. Por trás do cruzeiro há azulejos. Não faltam flores frescas no local, e lateralmente do cruzeiro há pequenos espaços com jardim. Não falta o azeite para manter a chama acesa, certamente para iluminar as almas dos que andam perdidas em busca do seu Caminho.
Também se tem acesso a este cruzeiro pela Rua da Moreirinha. Só não entendo a designação de Rua Principal para a rua que começa no cruzeiro e se dirige para os terrenos agrícolas.
A votação ficou assim distribuída:
Carvalho de Egas (1) 10%
Lodões (1) 10%
Nabo (1) 10%
Sampaio (1) 10%
Seixos de Manhoses (2) 20%
Valtorno (3) 30%
Vila Flor (1) 10%
A Freguesia Mistério nº41 é, de novo, uma igreja, ou antes, uma pedra cravada no alçado lateral de uma bonita igreja. Não é uma igreja qualquer, mas sim uma igreja românica, bastante antiga, talvez anterior ao Séc. XVI. Foi um dos locais já visitados numa das minhas "Peregrinações".

Se ainda não votou, pode faze-lo aqui:


Freguesia Mistério 41

Em que freguesia podemos encontrar esta pedra na Igreja Matriz?

15 novembro 2010

O Som das Musas - Encerramento



Encerramento do ciclo de concertos Som das Musas
Fonte: Localvisão

Peregrinações – Nossa Senhora da Assunção (Vilas Boas)

Quando pensamos em Peregrinações, no concelho de Vila Flor, o que nos vem imediatamente à cabeça é o cabeço de Nossa Senhora da Assunção, em Vilas Boas. Não foi por acaso que escolhi uma fotografia do santuário para encabeçar este conjunto de caminhadas.
Desde o princípio que esteve prevista uma “Peregrinação” ao cabeço, mas, por ser um percurso curto foi ficando para trás à espera de uma oportunidade. Veio a acontecer a no dia 24 de Outubro.
O percurso escolhido previa um trajecto de Vila Flor ao Santuário praticamente sempre por caminhos rurais e o regresso por estrada. Todo o percurso é já muito conhecido de caminhadas anteriores (também o segui na “Peregrinação” a Vilarinho das Azenhas.
A caminhada começou cerca das nove horas da manhã. O caminho, tantas vezes seguido, em direcção à zona industrial surpreendeu-me por se encontrar limpo. Mas a surpresa durou pouco porque apenas cortaram as silvas numa centena de metros, partindo das traseiras do Ecomarché. Gosto muito de percorrer estes caminhos de bicicleta mas, as silvas que crescem sem cessar, são um perigo para as câmaras-de-ar.
Depois do Barracão a direcção é a Cooperativa de Olivicultores. Seguindo em frente rapidamente se encontra a estrada de Abreiro, mas, virando à esquerda em frente à cooperativa, segue-se um percurso bem mais interessante, já por mim seguido nalgumas provas de BTT do CCVF. Junto à aldeia de Samões vi, pela primeira vez(!), um enorme viveiro de faisões. Sou um apaixonado por aves e tentarei no futuro visitar o local (com a devida autorização). Ainda seguida surpreendido com o viveiro quando “esbarrei” com um roço na berma do caminho. Fiquei meio dividido se o devia colher, ou não. Optei por o levar comigo, correndo o risco de se machucar todo na mochila que sempre levo comigo.
Já perto da Quinta do Reboredo, a caminho de Vilas Boas, encontrei mais alguns cogumelos comestíveis. Foi também ao passar pela quinta que tive uma “visão” do paraíso: dois lindos cavalos brancos a pastar. Mesmo a grande distância arrisquei algumas fotografias.
Na continuação do caminho, aproveitei para subir a um morro e explorar de perto alguns rochedos que já me intrigaram há algum tempo. São formas naturais muito curiosas, que abundam um pouco por toda a zona granítica do concelho.
Já na aldeia, fiz um pequeno desvio para subir à igreja. Vilas Boas é uma aldeia que tem muito para admirar e percorrer as suas ruas é sempre um prazer. No entanto, o meu objectivo estava mais acima, no cabeço.
O percurso de Vilas Boas à capelinha de Nossa Senhora da Assunção é para ser feito devagar, não pelo esforço que requer, mas pela grande quantidade de pontos de interesse que se vão encontrando pelo caminho. Apesar de muitas pessoas se deslocarem com frequência ao Santuário, há muita coisa que desconhecem.
Um dos locais mais interessantes é a fonte de Nossa Senhora, quase junto à aldeia. Estava um sol brilhante quando lá chaguei. As folhas douradas dos plátanos criavam um ambiente acolhedor e apeteceu-me ficar ali sentado. Na fonte, a pequena imagem, no seu nicho, tinha sido presenteada com um ramo de flores frescas.
Depois de percorrer bonita e única alameda de eucaliptos entra-se no primeiro troço de escadas, onde podem ser apreciadas estátuas em granito, representando os doze apóstolos. Ali perto é um cruzeiro, simples, mas que marca o lugar da aparição de nossa senhora.
Quando se atinge o topo do cabeço, fica-se sem palavras (e sem fôlego). A paisagem que se avista deste santuário é única. A capela estava fechada. Normalmente está aqui um zelador, mas estava na hora de almoço e ele deve ter-se ausentado para almoçar.
Tal como tinha previsto, a manhã já estava adiantada e já passava do meio dia. O percurso de regresso a Vila Flor foi feito pela estrada em passo bastante acelerado.
Foi uma passeio muito agradável, num dia que se anunciava cinzento, mas que esteve bastante luminoso proporcionando mais uma caminhada memorável.
GPSies - VilaFlor_Cabeco_VilaFlor

11 novembro 2010

O valor das coisas

Esta postagem não serve para ilustrar caminhadas é mais uma desabafo de algumas preocupações que me perseguem já algum tempo.
O vilaflorence, por todos conhecido e por alguns admirado, Modesto Navarro, publicou recentemente no Diário de Notícias uma artigo intitulado Os desastres anunciados do IP2 e do IC5.
Entre outras coisas, chama a atenção para o traçado do IC5, nomeadamente no concelho de Vila Flor, onde vai causar estragos irreparáveis na paisagens e mesmo na economia.
Quem acompanha as minhas deambulações pelo concelho já se apercebeu de que, quando falo no IC5, não o faço com muito entusiasmo.
 Infelizmente não tenho a capacidade visionária de muitas pessoas (principalmente autarcas e outros ligados à política), que vêem progresso em tudo o que leva muito betão. Estou a falar das barragens do Sabor e do Tua, no IP2 e no IC5. Se no que toca às barragens a minha posição é totalmente contra, uma vez que penso que elas vão apenas servir para tornar mais arrogante uma empresa dominadora do mercado chamada EDP, que nos explora até não poder mais e que serve de refúgio a muitos políticos, no que toca às estradas tenho uma posição mais moderada. Reconheço a sua importância e a sua necessidade, não posso é deixar de questionar algumas opções, porque como cidadão contribuinte (e mais ou menos inteligente) a isso tenho direito.
Conheço todo o traçado do IC5. Atravessa concelhos onde vivo há mais de 40 anos e onde me movimento constantemente. Em nenhum concelho o estrago causado pelas opções no traçado é tão importante como no concelho de Vila Flor.
São muitas quintas, terrenos muito bons para a produção de vinho e azeite, que são devastados sem dó nem piedade, por enormes máquinas, que, do grandes que são, intimidam os automobilistas e nos (residentes) fazem sentir pequeninos e insignificantes. Além dos terrenos agrícolas, há dois empreendimentos turísticos de Vila Flor que serão bastante afectados: A Quinta da Pereira e a Valonquinta. Esta última, que se encontra inserida num meio rústico e rural, vai ver a sua propriedade rasgada a meio ficando com a estrada a cerca de 100 metros do edifício destinado ao turismo rural. A orientação do edifício, para sul, que regalava a vista de verde dos pinhos e medronheiros, onde as pombas se lançavam do seu pombal altaneiro, vai, de futuro, oferecer como vista principal uma estrada, quem sabe se entaipada por barreiras sonoras.
A questão não é que a estrada é boa ou má. Eu interrogo-me é se não havia alternativas de traçado que poupassem estes empreendimentos turísticos (um deles que está em actividade há menos de dois anos e foi feito com apoio do estado) e outras quintas, com alguns dos melhores terrenos que existem no concelho. Será que, mais uma vez, os mais fracos é que pagam a factura?

10 novembro 2010

Cavalos

Parece uma cena retirada de um filme de fantasia, mas trata-se de uma fotografia (editada) tirada numa das caminhadas que fiz durante o mês de Outubro, e que ainda não partilhei.
Os cavalos pertencem à Quinta do Reboredo, espaço destinado ao Turismo Rural, situada na freguesia de Vilas Boas.

09 novembro 2010

Frutos do bosque

A minha caminhada de domingo, em mais uma "peregrinação", culminou com uma entusiasmante recolha de cogumelos. Do caminho avistei uma pequena sancha. Entusiasmado com o achado fui-me aventurando no bosque descobrindo mais e mais, até juntar vários quilos de cogumelos de várias espécies.
Foi interessante a apanha, foi interessante fotografá-los, prepará-los e melhor ainda come-los. Sei que a apanha de cogumelos é uma actividade arriscada. No entanto, cresci a faze-lo e tenho total confiança nas espécies que aprendi a conhecer ao longo dos anos. Fora do meu meio e com novas espécies, não arrisco.
Espero arranjar algum tempo para mostrar em pormenor as espécies que colhi: sanchas (Lactarius deliciosus), canários (Tricholoma flavovirens), moncosos (Boletus edulis) e rocos (Macrolepiota procera).

08 novembro 2010

Cantos da Montanha ( IV - 6)


Oliveiras, minhas árvores serenas
em jeito de prece aprisionada
onde o tempo esfriou
esquecido do nome dos lugares,
até se tornar fio invisível de luz,
possível aceno de uma brisa
que passou longe
e nem sequer nos bafejou a fronte.

Árvores firmes na terra ardente
da cor da minha infância,
ansiando gotas de água
de uma nuvem distante.
Tuas mãos líquidas deslizando
na ardência do meu corpo,
devagar, tão devagar
como a aragem da tarde
tocando o silêncio dos nossos lábios,
sem interrogarem
o sentido dos caminhos percorridos.

Clarões extintos, porque nenhum olhar
foi digno de reter o brilho intenso.
Rostos do avesso da terra.
Poemas do indizível.
Concedei-me a vossa intimidade,
esse sacro mutismo de séculos.
Tornai-me vizinho dos deuses!

Em vossos troncos me reclino.
Rugosos mapas onde os meus sentimentos
circulam como rios.
Eis-me a caminho do que fui,
a ouvir-me numa estranha língua
que não me lembro de ter aprendido.
Ramos vergados de tanto retesarem
a linha dolente, quase triste
(e tudo se apaga e deixa de existir)
entre o amor e a morte.

Poema do mais recente livro do Dr. João de Sá, Cantos da Montanha (Canto IV, 6).

Fotografia: Oliveira entre a Ribeirinha e Vilarinho das Azenhas.

02 novembro 2010

Peregrinações – Nossa Senhora da Rosa (Sampaio)

Na continuação das caminhadas “Peregrinações”, no dia 10 de Outubro aconteceu mais uma, desta vez a capelinha de Nossa Senhora da Rosa, em Sampaio.
Mesmo inconscientemente, as aldeias situadas a quotas bastante inferiores às de Vila Flor são muito menos visitadas. Embora ir a Sampaio, ao Nabo ou à Ribeirinha é, sem dúvida muito agradável, mas, a dificuldade está em voltar a Vila Flor. Não podemos esquecer que estou a falar em deslocações em BTT ou a pé, uma vez que de automóvel este problema não se coloca.
A ideia para esta caminhada era que seria só de ida, uma vez que não haveria tempo suficiente para regressar a tempo fazer o almoço de Domingo em família.
Esta caminhada, com saída de Vila Flor pela estrada de Roios, proporcionou a oportunidade de percorrer grande parte da Vila, ao Domingo, de manhã cedo. É impressionante a calma que se respira! A vila tem muita frescura, de manhã cedo! Os primeiros raios de sol a beijarem os Paços do Concelho ou a igreja de Misericórdia, no Rossio, transportam o calor necessário para um acordar tranquilo.
Aproveitei também para fotografar o Solar dos Lemos. Foi das poucas vezes que não tinha uma camioneta estacionada à frente. A luz lateral realçava o rendilhado em granito. Desejei ter uma máquina fotográfica melhor, mas prometi a mim mesmo que estas caminhadas seriam feitas acompanhado somente pelo material fotográfico mais básico que se pode imaginar, correndo por vezes o risco de se perderem oportunidades de fazer registos com qualidade de momentos únicos.
O percurso continua com passagem por várias fontes (entre as quais a Fonte das Bestas) e também pela pequena capela de S. Sebastião, com a sua porta sempre enfeitada com flores.
Junto ao cemitério de Vila Flor, no local onde existiam umas Alminhas, que foram roubadas, foi colocada uma pequena cruz em granito. Gostaria de ver repostas as alminhas, ou as mesmas (coisa difícil) ou outras, as alminhas têm um simbolismo e uma história que não deve ser esquecido ou apagado.
Continuei pela estrada até ao complexo turístico Valonquinta. Mesmo pela estrada, a luz rasante por entre as oliveiras cintilava no orvalho da manhã. As paragens foram constantes e corri o risco de esgotar a bateria da máquina fotográfica no início da caminhada.
Contornei a Quinta do Valongo e meti por uma caminho, à direita, já meu conhecido do BTT. Pouco mais à frente atravessei aquilo que vai ser o IC5. Não me parece que este acesso se vá manter depois do IC5 feito. Infelizmente muitos caminhos vão deixar de ter seguimento.
Pouco depois os pinheiros dão lugar aos eucaliptos e todo o percurso até Sampaio, junto ao cemitério é feito pelo meio do eucaliptal. São caminhos abertos pela próprio explorador da floresta, que funcionam como quebra fogos, mas também para retirarem a madeira quando a mesma é cortada. Também a EDP procede à limpeza da vegetação sob as suas linhas de media a alta tensão. Neste local cruzam-se algumas linhas com alguma importância.
Em termos de paisagem, avista-se um grande espaço em direcção a Roios e Vale Frechoso. O que se destaca da paisagem é, mais uma vez, as obras que decorrem no traçado do IC5. Estão a ser construídos vários viadutos e pontes, para vencer o desnível do Vale da Vilariça, até às Portas do Sol, às portas de Vila Flor.
Deixei o eucaliptal a poucos metros do cemitério de Sampaio. Apesar de já por várias vezes ter descido o ribeiro de Roios em direcção a Sampaio, nunca tinha estado neste local.
Rapidamente se atinge a aldeia. As pessoas abandonavam a igreja, depois da missa dominical. Devia ter pedido a alguém que me facilitasse o acesso á capela de Nossa Senhora da Rosa, mas só mais tarde é que me lembrei disso.
O colorido das romãs chamou a minha atenção em vários locais, mas junto à capela (privada) de Nossa Senhora da Conceição.
O caminho para a capela de Nossa Senhora da Rosa, partindo dos armazéns das águas Frise é plano e sem possibilidades de engano. No entanto, não o segui, fazendo antes um desvio para passar junto ao que resta de uma das antas ou dólmen  referenciadas em Sampaio. A erva alta não permitiu fotografar o local com qualidade. Já falei com várias pessoas na aldeia e todos são de opinião que não é correcto assinar a anta junto à estrada nacional e depois não haver mais nenhuma indicação da sua localização. Quem pretende visitar a anta acaba por andar perdido pelos caminhos e raramente a encontra. Outro problema é a facilidade com que um alguém maldoso pode destruir o que pouco que resta de milhares de anos de história. A Junta de Freguesia e a Câmara Municipal deviam preocupar-se em identificar, proteger e mostrar este património. Não deve ser esquecida também a protecção legal.
A capela de Nossa Senhora da Rosa não tem grandes elementos arquitectónicos dignos de realce. Trata-se de uma construção recente, ou de uma reconstrução. É bastante grande, com uma porta larga no frontispício voltado a poente. O elemento mais característico é o pequeno campanário, com algumas semelhanças ao existente na capela de Nossa Senhora do Rosário, em Vilarinho das Azenhas, embora mais pobre. Não há nada que faça lembrar a importância desta capela como local de culto desde a idade média. Na verdade era um dos mais importantes de todo o Vale da Vilariça. Também aqui se realizava uma feira franca nos três primeiros dias de Maio. Havia um ermitério próximo da capela. Seria interessante ver este espaço cheio de gente. S e sonhar com uma feira, ou um arraial, é sonhar demais, o mesmo já não acontece com uma celebração religiosa e uma simples procissão. Estou convencido que o povo de Sampaio ficaria muito feliz, mas o pároco da freguesia não seja muito apologista da ideia.
Depois de fotografar uma interessante haste florida junto à capela, segui, caminho abaixo, paralelamente à Ribeira da Vilariça. Esta zona é incrivelmente fértil. É servida por um sistema de rega que permite uma produção hortícola intensiva e de qualidade. As couves são os vegetais mais abundantes, nesta época do ano.
Depois de ter percorrido alguns quilómetros em direcção a Sul, o caminho terminou no leito da ribeira. Tinha obrigatoriamente que atravessar a ribeira em direcção à Junqueira, ou então voltar para trás. Optei pela segunda alternativa.
Voltei atrás algumas centenas de metros até encontrar um caminho em direcção ao poente, que me levou à estrada nacional depois do Cabeço da Maria da Malta. Há, depois um interessante percurso que contorna todo o monte de Santa Marinha e vai reencontrar a estrada junto à Quinta do Caniço, já a meia encosta para Vila Flor. Foi aí que terminei a minha caminhada.
Seria fácil e interessante seguir da Quinta do Caniço, por entre os eucaliptos e chagar a Vila Flor junto à Quinta do Valongo, onde praticamente comecei a caminhada, mas a hora já estava adiantada e não queria almoçar muito tarde.
Fiz o resto de percurso (da Quinta do Caniço a Vila Flor) de automóvel.

GPSies - VilaFlor_NSRosa

27 outubro 2010

4.º Ciclo de concertos - O Som das Musas

Do dia 5 ao dia 12 de Novembro, vai decorrer no Centro Cultural em Vila Flor, o 4.º Ciclo de Concertos "O Som das Musas". São raras as oportunidades que temos para ouvir música de qualidade. Se falarmos em música clássica, então as oportunidades são raríssimas.  As propostas são variadas, todas em Vila Flor, às 21 horas e 30 minutos.

23 outubro 2010

Flores de Outono (01)

As flores de Outono já chegaram nos finais de Setembro. Algumas delas são as merendeiras ou noselhas, que fotografei no alto das capelas, em Vila Flor.

17 outubro 2010

Peregrinações – Nossa Senhora do Rosário (Freixiel)

Na senda das “Peregrinações” já realizadas, seguiu-se no dia 5 de Outubro, Nossa Senhora do Rosário em Freixiel.
Há várias razões para este santuário seja um dos mais importantes do concelho. Desde logo a importância histórica da aldeia de Freixiel, outrora sede de concelho com o mesmo nome, mas também a sua riqueza agrícola; a localização do pequeno “calvário” muito próxima da aldeia, fazendo mesmo parte dela e, não menos importante, a devoção dos habitantes a Nossa Senhora.
A ligação por caminhos rurais entre Vila Flor e Freixiel á dos mais simples, e talvez dos mais antigos. O percurso é feito quase em linha recta, aproveitando a geografia do terreno juntando-se, ou seguindo de perto os cursos de água. Trata-se de um percurso já feito e descrito no blogue por várias vezes. Desta vez houve uma novidade, foi a primeira vez que o fiz acompanhado.
Quase sem darmos por isso estávamos em Samões. Entrámos na aldeia por detrás da igreja e seguimos pela Rua do Salgueiral. Algumas das casas senhoriais estão a ser recuperadas mantendo as características originais, o que é de louvar. Numa delas encontra-se a Capela de S. Francisco, construída em 1872 e pertencente à família Almendra.
Um pouco mais abaixo, junto à fonte, ainda houve tempo para espreitar pela porta envidraçada da capela de Nossa Senhora do Rosário, com o seu cabido e púlpito exteriores.
Depois de abandonar a aldeia, o percurso é muito agradável. Um caminho muito bom, repleto de curiosidades naturais que surgem aqui e além, na berma do caminho. As ribeiras ainda não têm água corrente, mas a erva fresca já se manifesta por todo o lado.
Entre montados e fragas há bonitas vinhas que, este ano se apresentam repletas de suculentas uvas. Foram vários os grupos de vindimadores que encontrámos.
Já à chegada à aldeia de Freixiel fizemos um desvio para visitarmos a tão famosa (e singular) forca. Além do monumento em si, o promontório onde está situada é um excelente miradouro virado para a aldeia. Foi excelente a ideia de colocarem aqui um painel com uma fotografia panorâmica e a sinalização dos principais pontos de interesse.
Seguimos pela Rua do Ribeirinho e depois em direcção ao Pelourinho. Não sem antes termos visitado as antigas (e bonitas) fontes. O Pelourinho de Freixiel está classificado como Imóvel de Interesse Público. É um pelourinho quinhentista de «coluço», tipicamente manuelino.
Depois de uma curta paragem subimos à capela de Nossa Senhora do Rosário, destino final da nossa caminhada. Do alto da escadaria também se têm uma bonita visão da aldeia e de todos os terrenos que a rodeiam.
Nesta capela também existe uma janela de vidro que permite observar o seu interior. Tem até uma lâmpada que se acende quando detecta movimento, coisa pouco habitual em todas as “Peregrinações” já realizadas. Também notei que foi construída uma pequena cobertura por cima da porta que a protege da chuva. Não estava lá da última vez que visitei a capela.
Quando descemos à aldeia, já passava um pouco do meio-dia e meia hora. Seria impraticável tentar regressar a Vila Flor a caminhar. Depois de percorrermos algumas ruas e conversarmos com algumas pessoas, telefonámos para o “carro de apoio” que nos foi buscar a Freixiel a tempo de almoçarmos com a família.
Foi uma (curta) caminhada muito agradável, num dia também muito agradável. Além dos monumentos visitados, das paisagens admiradas e das pessoas com quem trocámos impressões é realçar as saborosíssimas uvas que comemos pelo caminho. As caminhadas no Outono têm alguns atractivos extra.

15 outubro 2010

Dr. Cabral Adão - Centenário da Vida e Obra

Está prestes a encerrar a exposição patente no Centro Cultural de Vila Flor, dedicada à vida e obra do Dr. Cabral Adão. Quem ainda não a visitou, tem ainda até ao dia 17 do corrente mês para o fazer.
Seguindo esta ligação poderão ficar a par da homenagem que a Câmara Municipal de Setúbal prestou ao Dr. Cabral Adão, em Julho de 2010, assinalando o centenário do seu nascimento (curiosamente a fotografia utilizada foi publicado por mim, neste blogue e mostras uma das suas últimas estadias em Vila Flor -  Maio de 1986).
Do seu livro Versos - Vila Flor transcrevi mais um bonito soneto que lembra as práticas de outros tempos quando as vinhas eram guardadas para que ninguém se apoderasse de tão precioso bem que eram as uvas.


Guardadores
Ao Virgílio de Morais

No cômoro da vinha mais cimeiro,
A cabana de colmo foi erguida
Plo guardador, antigo desordeiro,
De perna lesta e de alma destemida.

Mora ali, mais a foice e o rafeiro,
Ali faz de comer, lá tem dormida,
Ouvidos sempre atentos ao primeiro
Sinal de a vigilância ser traída.

«- Ai daquele que toque num só bago
Dos cachos que contados sempre trago -
- dizia - nesta vinha por í fora!»

Vem a vindima, cresce a lagarada,
E à última videira vindimada
Desocupa a cabana e vem-se embora.