Continuação de Reis 2011 (2)
O penúltimo grupo a entrar em cena representou Voltorno. É uma presença habitual nas galas, sempre com muita alegria e vozes afinadas. Pareceu-me ser o maior grupo em palco. Além da alegria das suas canções, chamou-me à atenção um enorme galheiro que transportavam. Era realmente grande e bastante recheado.
Interpretaram Estrela de Belém e Acordai, vinde ouvir cantar os Reis.
Estrela de Belém
Refrão
Guiados por uma estrela,
Já chegamos mais além.
Visitar o Deus Menino
Ao Presépio de Belém
Visitar o Deus Menino
Que Nossa Senhora tem.
I
Seguimos a nova estrela,
Que vimos brilhar nos céus
E foi guiados por ela.
Qu' encontrámos nosso Deus.
II
Senhores de Vila Flor
Atendei e ouvireis
É Valtomo e Alagoa
Quem vos vem cantar os Reis.
III
Nós vimos de nossas terras,
De lugar de bons pastores,
Vamos dar as Boas Festas
A todos estes senhores.
IV
Quem diremos nós que viva
Num copinho de cristal
Para não dizer quem viva,
Vivam todos em geral.
V
Glória a Deus lá nas alturas,
Glória a Cristo Redentor
E na terra, as criaturas,
Tenham paz, ventura e amor.
VI
Um raminho, dois raminhos,
Ao Deus Menino vou dar
Para Ele com seu jeitinho
No Céu nos dê um lugar!
VII
A gente da nossa terra
Num gesto de gratidão
Vem saudar esta Câmara
Porque a tem no coração.
VIII
Vimos dar as Boas Festas
Anunciar com alegria
Já nasceu o Deus menino,
Filho da Virgem Maria.
IX
Despedida, despedida
Deixou-a Cristo na Cruz
Adeus meus senhores todos
Fiquem na paz de Jesus!
Acordai, vinde ouvir cantar os Reis
Estais a dormir
Estais a descansar
São as Boas Festas
Que vos vimos dar
Estais acordados
Vinde cá ver
Trazei a caneca
P'ra gente beber.
I
Vimos dar as boas festas
Boas festas vimos dar
Com respeito ao Ano Novo
Temos muito que contar.
II
Ainda agora aqui cheguei
Pus o pé nesta escada
Logo o meu coração disse
Que aqui mora gente honrada.
III
Quem diremos nós que viva
Uma rosa branca ao peito
Viva o Senhor Presidente
Que é um homem de respeito.
IV
De quem é esta agulhinha
Que eu achei além do mar
E da Doutora Gracinda
Que lhe caiu de bordar.
V
De quem é esta caneta
Que eu achei naquele pomar
E do senhor Engenheiro
Que lhe caiu a trabalhar.
VI
A todos os que trabalham
Na Câmara de Vila Flor
Desejamos com carinho
Muita paz e muito amor.
VII
Não queremos ir embora
Sem deixar de elogiar
Todas estas Freguesias
Que aqui vieram cantar!
VIII
Quem diremos nós que viva
No grãozinho do arroz
Viva quem aqui está
Por muitos anos e "bos" Refrão
IX
Despedida despedida
Despedi vimos dar
Queira Deus que d'hoje a um ano
Nos voltemos a encontrar.
O último grupo da gala foi o Grupo de Música Tradicional da Associação Cultural e Recreativa de Vila Flor, uma das entidades organizadoras. Para além do seu afinado grupo de vozes e do seu alegre conjunto musical, colocaram em cena uma verdadeira cozinha tradicional. Não faltava a lareira, o pão e vinho, os feijões chicharos, os rojões, etc. Os rosquilhos estavam muito saborosos.
Interpretaram duas canções, com letras escritas expressamente para a gala: Os anjos também cantam e São de Pedra os Degraus.
Os anjos também cantam
1) Nós vimos cantar os Reis
Nesta noite estreladinha,
Desejar as Boas-Festas
À gente desta casinha.
Refrão-1
Dormindo à lareira,
Cobertos com um véu,
Acompanhadinhos
Com os anjos do céu.
Ó anjos do céu,
Que tão bem cantais,
Cantai aos meninos,
Benditos sejais.
2) Ó da casa, nobre gente,
Abri-nos e ouvireis
Vinde ouvir vossos amigos,
Que vos vêm cantar os Reis.
3) Levantai-vos meus senhores
Desses banquinhos de prata.
Vinde-nos dar as Janeiras,
Que está um frio que mata.
4) Nesta casa vive gente,
Sai fumo da chaminé
O coração não nos mente,
Estão a ouvir-nos -8e pé.
5) Partilhar nesta alegria
E o calor que sentimos.
Noite de Reis é magia,
São os Reis que vos pedimos.
6) Nós trazemos amizade,
Trazemos recordações.
Na voz trazemos saudade,
Revivemos tradições.
7) Votos que sejam felizes,
Paz e amor no vosso lar.
São do Povo, são raizes,
Os Reis que vimos cantar.
8) Tradições que o Povo sente,
Que aqui vimos recordar.
Vila Flor está presente.
Bom Ano vos desejar.
Refrão 2
Dormindo à lareira,
Coberios com um véu,
A companhadinhos
Com os anjos do céu.
Ó Reis de Israel
Cantai em Belém,
Como os pastores
Cantaram também.
Ó anjos do céu,
Que tão bem cantais,
Cantai aos meninos,
Benditos sejais.
São de pedra os degraus
1) São de pedra os degraus
Desta escada e porta aberta,
O fumeiro preso em paus,
A nossa entrada está certa.
Refrão 1
Em canto dizemos
O que nós sentimos,
A cantar os Reis,
P'ró ano aqui vimos.
Um bom Ano Novo,
Com paz e amor,
Janeiras do povo
São de Vila Flor.
2) Gente boa, concerteza,
Os Reis vos vamos cantar,
Pedaço de pão na mesa,
Para nós é um manjar.
3) À luz viva dum facheiro,
E com frio de rachar,
A pé de pedra em toleiro,
P'la noite fora a cantar.
4) Obreiros de tradições,
Levamos longe a nossa voz
Alegramos corações,
Desejo de todos nós.
5) Nós vimos da Terra Quente,
Com perfume d'amendoeiras,
Vila Flor está presente,
P'ra vos cantar as Janeiras.
6) Por entre pedras e canelhos,
Estrumeiras de palha crua,
Em grupo, novos e velhos,
Em coro, de rua em rua.
7) Janeiras são união,
Janeiras são amizade,
São cultura e tradição,
São recordações e saudade.
8) São alegria também,
É cantar, é reviver.
Os mais velhos sabem bem,
Os mais novos aprender.
9) Vinde pastores da serra,
Ajudar-nos a cantar
Nossos Reis na vossa terra
E boas-festas desejar.
10) Trazei-nos a Boa Nova
Mensagens de Alegria,
O vosso canto é a prova
De viver o novo dia.
Refrão 2 (Final)
Cantemos os Reis,
Sabemos cantar,
O nosso grupo
Vai retirar.
Fiquem sorrindo
De saudade,
Com a família
Junta no lar.
No final da gala subiram ao palco o Dr. Pimentel e a Dr.ª Gracinda, para distribuírem os prémios de presença a todos os grupos mas também para atribuir os prémios do Concurso de Presépios e do Concurso de Montras. Não houve grandes novidades nas entidades que participaram nestes dois concursos, assim como nos vencedores. Seria interessante se mais instituições participassem, poderia dar mais alegria e cor à época natalícia. Como a Câmara Municipal tem de novo um sítio web operacional, poderia também divulgar as entidades concorrentes, fotografias dos presépios e montras e também a sua localização, para que outras pessoas pudessem visitá-los.
Este ano apenas vi o presépio da Associação Alegre Atitude, de Carvalho de Egas, montado junto à estrada nacional, no centro da aldeia.
20 janeiro 2011
19 janeiro 2011
Reis 2011 (2)
Continuação de Reis 2011 (1).
O quarto grupo a actuar na 17.ª Gala dos Reis foi um grupo estreante, Coro de S. Sebastião. Este grupo acompanha as celebrações eucarísticas dominicais na igreja matriz e, este ano, decidiram também juntar-se para cantarem os Reis. Vestidos com trajes tradicionais e acompanhadas de alguns instrumentos musicais, cantaram Noite de Reis e P'ra Belém corre o pastor.
As suas gargantas afinadas, habituadas ao canto, animaram a plateia.
Noite de Reis
Refrão
Aqui estamos nós,
Esperamos que gosteis.
A cantar p'ra vós,
Não estaremos sós
Na noite de Reis.
1) Era uma vez um Menino,
Dos outros muito diferente,
Tinha uma divina luz,
Era o Menino Jesus,
Iluminou toda a gente.
2) Vinde Reis, vinde pastores,
Vinde adorar o Menino.
Ele vai fazer-se grande,
Queira Deus qu'Ele nos mande
Os seus anjos protectores.
3) Se o Menino hoje nascesse,
Seria em Vila Flor!
Seu caminho aqui faria
E ninguém o mataria
Porque aqui teria amor!
4) Boas festas, com saúde,
Haja comida na mesa!
Para melhor tudo mude,
Que Deus sempre nos ajude,
A luz da paz bem acesa!
P'ra Belém corre o pastor
Aleluia, Aleluia
Venham todos a Belém
Adorar o Deus Menino
Que Nossa Senhora tem
Filho da Virgem Maria
D' imaculada verdade
Paz, Amor e Alegria
Prá toda a humanidade
Refrão
P'ra Belém corre o pastor
Ver Deus menino que é salvador
Corre a Belém vai ver Jesus
Seguir a estrela que o conduz
Um anjo desceu do Céu
Deu boa nova ao pastor
Que em Belém à meia-noite
Nasceu Jesus salvador
Linda notícia ele teve
Jubilou de alegria
Para Belém ele correu
Saudar a Virgem Maria
Filho de Deus, meu Jesus
Nascido de amor divino
A estrela que o conduz
Leva-o a Deus Menino
Venho de Belém agora
Venho de lá admirado
Venho de ver Deus menino
Numas palhinhas deitado
Sobre as palhilhas deitado
Recebe nosso calor
A família ao seu lado
Rezava em seu louvor
Eu hei-de ir àquele jardim
Àquele jardim sagrado
A colheras três flores
Todas três num pé pegado
Uma é p'ra virgem mãe
Outra é p'ra S. José
Outra é p'ra Deus Menino
Que é filho de Nazaré
O grupo que se seguiu representou Vale Frechoso. Este é um grupo habitual nas galas dos Reis, apresentando sempre muita musicalidade e alegria. De alguns anos para cá apresenta também um grupo de jovens que tocam variados instrumentos, sobretudo de cordas. São jovens que frequentam aulas de música na freguesia.
Este ano o grupo desafiou a plateia a cantar com eles Vamos Cantar as Janeiras, de Zeca Afonso.
Cantam também os Reis:
Refrão
Pastores Pastores
Que prendas trazeis
Pra dar ao menino
Na noite de Reis
No jardim colhidas
Trazemos flores
No jardim colhidas
Pra dar ao menino
Das mais floridas
I
Ó pastores que andais no monte
Não corteis o rosmaninho
Onde a virgem estende os panos
Os panos do Deus Menino
II
Viemos de Vale Frechoso
Rodeado de olivais
Também há centeio e trigo
Vinho tratado, e muito mais
III
Senhores que nos ouvis
Com atenção redobrada
É com prazer que cantamos
Para esta gente honrada
IV
Cantemos os reis antigos
Na noite fria, mas não sós
Foi assim que nos ensinaram
À lareira dos nossos avós
V
À noite de rua em rua
Em silêncio e hora morta
Cantamos os reis antigos
Batendo de porta em porta
VI
Os reis na nossa terra
São de grande tradição
Cantam velhos e novos
Com alegria e emoção
VII
Vamos dar a despedida
Com amor e lealdade
Nós somos de gente humilde
Viemos com amizade.
O Grupo de Danças e Cantares de Vila Flor é também um grupo habitual. Além dos seus trajes e cantares, apresentou, de novo, o presépio ao vivo. Os elementos estavam muito bem trajados, chegando ao pormenor de a "Nossa Senhora" entrar no palco e sair montada numa "burra" (metálica). São um agrupo muito apreciado que consegue arrancar francas gargalhadas ao público.
Este ano cantaram: Nós andamos toda a noite (uma repetição do ano passado) e Cantar os Reis em Vila Flor.
De Vila Flor somos, sabei,
Viemos historia contar:
Um Menino que era rei, Bis
Reis que foram adorar!
A chuva caía, caía
E fazia frio a valer.
No burro, José e Maria, Bis
Mais Jesus que ia nascer.
A Belém já todos chegaram,
Não havia alojamento.
Só um abrigo encontraram, Bis
Com uma vaca e um jumento.
O Menino está bem deitado,
Nas palhinhas, muito quentinho,
O burro e a vaquinha ao lado, Bis
E os pais d'ele bem pertinho.
É uma historia de encantar
Como todos já sabeis
Jesus nasceu pobre, sem lar, Bis
Mas na companhia de reis!
Os Reis Magos foram chamados,
P'ra eles a estrela brilhou.
Ao menino foram levados, Bis
Por essa luz que os guiou.
Gaspar, Belchior, Baltazar.
Testemunhas d'um tempo novo.
Os Reis viemos festejar, Bis
Com Vila Flor e seu bom povo.
Em terra filha do rei D. Dinis,
Que Deus vos dê ano farto e feliz.
Que todos tenham saúde e amor, Bis
Paz e alegria para Vila Flor.
Continua - Reis 2011 (III)
O quarto grupo a actuar na 17.ª Gala dos Reis foi um grupo estreante, Coro de S. Sebastião. Este grupo acompanha as celebrações eucarísticas dominicais na igreja matriz e, este ano, decidiram também juntar-se para cantarem os Reis. Vestidos com trajes tradicionais e acompanhadas de alguns instrumentos musicais, cantaram Noite de Reis e P'ra Belém corre o pastor.
As suas gargantas afinadas, habituadas ao canto, animaram a plateia.
Noite de Reis
Refrão
Aqui estamos nós,
Esperamos que gosteis.
A cantar p'ra vós,
Não estaremos sós
Na noite de Reis.
1) Era uma vez um Menino,
Dos outros muito diferente,
Tinha uma divina luz,
Era o Menino Jesus,
Iluminou toda a gente.
2) Vinde Reis, vinde pastores,
Vinde adorar o Menino.
Ele vai fazer-se grande,
Queira Deus qu'Ele nos mande
Os seus anjos protectores.
3) Se o Menino hoje nascesse,
Seria em Vila Flor!
Seu caminho aqui faria
E ninguém o mataria
Porque aqui teria amor!
4) Boas festas, com saúde,
Haja comida na mesa!
Para melhor tudo mude,
Que Deus sempre nos ajude,
A luz da paz bem acesa!
P'ra Belém corre o pastor
Aleluia, Aleluia
Venham todos a Belém
Adorar o Deus Menino
Que Nossa Senhora tem
Filho da Virgem Maria
D' imaculada verdade
Paz, Amor e Alegria
Prá toda a humanidade
Refrão
P'ra Belém corre o pastor
Ver Deus menino que é salvador
Corre a Belém vai ver Jesus
Seguir a estrela que o conduz
Um anjo desceu do Céu
Deu boa nova ao pastor
Que em Belém à meia-noite
Nasceu Jesus salvador
Linda notícia ele teve
Jubilou de alegria
Para Belém ele correu
Saudar a Virgem Maria
Filho de Deus, meu Jesus
Nascido de amor divino
A estrela que o conduz
Leva-o a Deus Menino
Venho de Belém agora
Venho de lá admirado
Venho de ver Deus menino
Numas palhinhas deitado
Sobre as palhilhas deitado
Recebe nosso calor
A família ao seu lado
Rezava em seu louvor
Eu hei-de ir àquele jardim
Àquele jardim sagrado
A colheras três flores
Todas três num pé pegado
Uma é p'ra virgem mãe
Outra é p'ra S. José
Outra é p'ra Deus Menino
Que é filho de Nazaré
O grupo que se seguiu representou Vale Frechoso. Este é um grupo habitual nas galas dos Reis, apresentando sempre muita musicalidade e alegria. De alguns anos para cá apresenta também um grupo de jovens que tocam variados instrumentos, sobretudo de cordas. São jovens que frequentam aulas de música na freguesia.
Este ano o grupo desafiou a plateia a cantar com eles Vamos Cantar as Janeiras, de Zeca Afonso.
Cantam também os Reis:
Refrão
Pastores Pastores
Que prendas trazeis
Pra dar ao menino
Na noite de Reis
No jardim colhidas
Trazemos flores
No jardim colhidas
Pra dar ao menino
Das mais floridas
I
Ó pastores que andais no monte
Não corteis o rosmaninho
Onde a virgem estende os panos
Os panos do Deus Menino
II
Viemos de Vale Frechoso
Rodeado de olivais
Também há centeio e trigo
Vinho tratado, e muito mais
III
Senhores que nos ouvis
Com atenção redobrada
É com prazer que cantamos
Para esta gente honrada
IV
Cantemos os reis antigos
Na noite fria, mas não sós
Foi assim que nos ensinaram
À lareira dos nossos avós
V
À noite de rua em rua
Em silêncio e hora morta
Cantamos os reis antigos
Batendo de porta em porta
VI
Os reis na nossa terra
São de grande tradição
Cantam velhos e novos
Com alegria e emoção
VII
Vamos dar a despedida
Com amor e lealdade
Nós somos de gente humilde
Viemos com amizade.
O Grupo de Danças e Cantares de Vila Flor é também um grupo habitual. Além dos seus trajes e cantares, apresentou, de novo, o presépio ao vivo. Os elementos estavam muito bem trajados, chegando ao pormenor de a "Nossa Senhora" entrar no palco e sair montada numa "burra" (metálica). São um agrupo muito apreciado que consegue arrancar francas gargalhadas ao público.
Este ano cantaram: Nós andamos toda a noite (uma repetição do ano passado) e Cantar os Reis em Vila Flor.
De Vila Flor somos, sabei,
Viemos historia contar:
Um Menino que era rei, Bis
Reis que foram adorar!
A chuva caía, caía
E fazia frio a valer.
No burro, José e Maria, Bis
Mais Jesus que ia nascer.
A Belém já todos chegaram,
Não havia alojamento.
Só um abrigo encontraram, Bis
Com uma vaca e um jumento.
O Menino está bem deitado,
Nas palhinhas, muito quentinho,
O burro e a vaquinha ao lado, Bis
E os pais d'ele bem pertinho.
É uma historia de encantar
Como todos já sabeis
Jesus nasceu pobre, sem lar, Bis
Mas na companhia de reis!
Os Reis Magos foram chamados,
P'ra eles a estrela brilhou.
Ao menino foram levados, Bis
Por essa luz que os guiou.
Gaspar, Belchior, Baltazar.
Testemunhas d'um tempo novo.
Os Reis viemos festejar, Bis
Com Vila Flor e seu bom povo.
Em terra filha do rei D. Dinis,
Que Deus vos dê ano farto e feliz.
Que todos tenham saúde e amor, Bis
Paz e alegria para Vila Flor.
Continua - Reis 2011 (III)
10 janeiro 2011
Reis 2011 (1)
Realizou-se hoje mais uma gala de Cantar dos Reis, a 17ª edição. Este é um acontecimento marcante, que traz a Vila Flor muita gente das aldeias e que mexe muito com os grupos participantes uma vez que exige mobilização, organização e gosto para trazer, em cada ano, novas canções mas sempre a mesma alegria e boa disposição.
Se já no ano passado tive a sensação que havia muito público, este ano o auditório do Centro Cultural foi pequeno, mesmos as escadas estavam cheias de pessoas sentadas.
Mais uma vez a apresentação da gala esteve a cargo de Eulália Moreira e Susana Silva.
O primeiro grupo a entrar em palco foi a Escola de Música Zécthoven. Os muitos alunos que frequentam a escola apresentaram-se divididos em dois grupos. Apesar dos problemas de som no arranque do espectáculo, as crianças e jovens arrancam sempre calorosos aplausos ao público.
O Medley das Janeiras já era conhecido mas foi um momento de alegria e uma boa possibilidade dos alunos, vestidos com trajes tradicionais, mostrarem a sua evolução na escola.
O segundo grupo a actuar representou Carvalho de Egas. A designação do grupo mudou, apresentou-se este ano como Associação Alegre Atitude. Também vestindo trajes tradicionais, colocaram em palco uma encenação do presépio e um conjunto de acessórios típicos desta época: várias cestas cheias de produtos da terra, um galheiro e alguns objectos tradicionais.
Já Nasceu Jesus
Já nasceu Jesus
Neste lindo dia
Está com José
E a Virgem Maria
Já nasceu o Deus Menino
Com uma estrelinha ao pé
P’ra guiar os Reis Magos
P’ra Belém de Nazeré
S. José vê o Menino
Deitado nestas palhinhas
Ai, ele é Rei dos Anjos
O Amor das criancinhas
A Estrela que está no alto
Brilha que parece um guia
Brilha tanto, tanto, tanto
É a nossa Virgem Maria
Ai os reis que tu me deste
Vou dá-los aos pobrezinhos
Precisam mais do que eu
Do pão para os seus filhinhos
Boas noites meus senhoras
A todos que aqui estão
Vimos cantar os Reis
A toda a Organização.
Foram os Reis e os Pastores
Foram os reis e os pastores
Que adoraram o Deus Menino
Trouxeram muitos louvores
Porque ele é Deus Divino (Bis)
Foi Dia de Natal
Que o Deus Menino nasceu
Mas para salvar o Mundo
Pela Páscoa Ele morreu
Aos presidentes do Mundo
Queria que fosseis capaz
De acabar com as guerras
E transformá-las em paz.
Nós vimos cantar os Reis
Para toda esta gente
Desejamos Boas Festas
Para o Senhor Presidente
Vimos da nossa terra
Guiados por luz Divina
Somos de Carvalho de Egas
Temos Santa Catarina
Vamos a cantar os Reis
Por aquela rua acima
Também vamos a cantá-los
Para a Doutora Gracinda
Despedida, despedida
Vou dar a toda a gente
Queira Deus que de hoje a um ano
Estejam todos presentes.
O terceiro grupo representou Seixo de Manhoses. Um grupo com bastantes elementos, sem grande apoio musical mas com uma bonita harmonia vocal. Apresentaram também uma representação do presépio e o Menino Jesus a aprender carpintaria com S. José.
Este grupo, também presença já habitual nestas galas dos Reis interpretou Mais Um Ano e Cantando Com Alegria.
Cantando Com Alegria.
Refrão
Boas festas, boas festas
Cantamos nós com alegria,
Um bom ano para todos
Cheio de paz e harmonia
1º
Já os reis aqui chegaram
Com vontade de cantar,
Se vocês nos dão licença
Vamos todos começar
2º
Vimos cantar as Janeiras
Boas festas desejar,
Que tenham muita saúde
No ano que está entrar.
3º
Nós somos gente bondosa
Pra todos vimos cantar,
Com amizade e alegria
Boas festas vimos dar.
4º
Nós vimos cantar os Reis
Não é por vinho nem pão,
Nós vimos cantar os Reis
P’ra manter a tradição
5º
Para o nosso Presidente
Vão as nossas saudações,
Para que possa guardar
As melhores recordações.
6º
Vizinhos da nossa terra
A todos queremos saudar,
Esperamos que tenham gostado
Que é pró ano cá voltar
Mais um Ano
Refrão
Durante mais um ano
Não há noite mais valor
Vamos cantar os reis
Ao presépio do senhor
1°
.inda agora aqui cheguei
Pus o pé nesta escada
Logo meu coração disse
Casa nobre, gente honrada
2°
Viemos, aqui viemOs
Viemos que bem sabeis
Vimos dar as boas festas
E também cantar os reis.
3°
Os três reis do Oriente
Toda a noite caminharam
À procura do menino
Em Belém o encontraram
4°
A velhinha faz na meia
Noite e dia sem parar
A meia que ela faz
É p'ro menino calçar
5°
Boas Festas, Boas Festas
Por cima do Laranjal
Viva a gente do Concelho
Vivam todos em geral
6°
Despedida, despedida
Recordem as nossas vozes,
Se querem saber quem somos
Somos Seixo de MANHOSES.
Continua em Reis 2011 (2)
Se já no ano passado tive a sensação que havia muito público, este ano o auditório do Centro Cultural foi pequeno, mesmos as escadas estavam cheias de pessoas sentadas.
Mais uma vez a apresentação da gala esteve a cargo de Eulália Moreira e Susana Silva.
O primeiro grupo a entrar em palco foi a Escola de Música Zécthoven. Os muitos alunos que frequentam a escola apresentaram-se divididos em dois grupos. Apesar dos problemas de som no arranque do espectáculo, as crianças e jovens arrancam sempre calorosos aplausos ao público.
O Medley das Janeiras já era conhecido mas foi um momento de alegria e uma boa possibilidade dos alunos, vestidos com trajes tradicionais, mostrarem a sua evolução na escola.
O segundo grupo a actuar representou Carvalho de Egas. A designação do grupo mudou, apresentou-se este ano como Associação Alegre Atitude. Também vestindo trajes tradicionais, colocaram em palco uma encenação do presépio e um conjunto de acessórios típicos desta época: várias cestas cheias de produtos da terra, um galheiro e alguns objectos tradicionais.
Já Nasceu Jesus
Já nasceu Jesus
Neste lindo dia
Está com José
E a Virgem Maria
Já nasceu o Deus Menino
Com uma estrelinha ao pé
P’ra guiar os Reis Magos
P’ra Belém de Nazeré
S. José vê o Menino
Deitado nestas palhinhas
Ai, ele é Rei dos Anjos
O Amor das criancinhas
A Estrela que está no alto
Brilha que parece um guia
Brilha tanto, tanto, tanto
É a nossa Virgem Maria
Ai os reis que tu me deste
Vou dá-los aos pobrezinhos
Precisam mais do que eu
Do pão para os seus filhinhos
Boas noites meus senhoras
A todos que aqui estão
Vimos cantar os Reis
A toda a Organização.
Foram os Reis e os Pastores
Foram os reis e os pastores
Que adoraram o Deus Menino
Trouxeram muitos louvores
Porque ele é Deus Divino (Bis)
Foi Dia de Natal
Que o Deus Menino nasceu
Mas para salvar o Mundo
Pela Páscoa Ele morreu
Aos presidentes do Mundo
Queria que fosseis capaz
De acabar com as guerras
E transformá-las em paz.
Nós vimos cantar os Reis
Para toda esta gente
Desejamos Boas Festas
Para o Senhor Presidente
Vimos da nossa terra
Guiados por luz Divina
Somos de Carvalho de Egas
Temos Santa Catarina
Vamos a cantar os Reis
Por aquela rua acima
Também vamos a cantá-los
Para a Doutora Gracinda
Despedida, despedida
Vou dar a toda a gente
Queira Deus que de hoje a um ano
Estejam todos presentes.
O terceiro grupo representou Seixo de Manhoses. Um grupo com bastantes elementos, sem grande apoio musical mas com uma bonita harmonia vocal. Apresentaram também uma representação do presépio e o Menino Jesus a aprender carpintaria com S. José.
Este grupo, também presença já habitual nestas galas dos Reis interpretou Mais Um Ano e Cantando Com Alegria.
Cantando Com Alegria.
Refrão
Boas festas, boas festas
Cantamos nós com alegria,
Um bom ano para todos
Cheio de paz e harmonia
1º
Já os reis aqui chegaram
Com vontade de cantar,
Se vocês nos dão licença
Vamos todos começar
2º
Vimos cantar as Janeiras
Boas festas desejar,
Que tenham muita saúde
No ano que está entrar.
3º
Nós somos gente bondosa
Pra todos vimos cantar,
Com amizade e alegria
Boas festas vimos dar.
4º
Nós vimos cantar os Reis
Não é por vinho nem pão,
Nós vimos cantar os Reis
P’ra manter a tradição
5º
Para o nosso Presidente
Vão as nossas saudações,
Para que possa guardar
As melhores recordações.
6º
Vizinhos da nossa terra
A todos queremos saudar,
Esperamos que tenham gostado
Que é pró ano cá voltar
Mais um Ano
Refrão
Durante mais um ano
Não há noite mais valor
Vamos cantar os reis
Ao presépio do senhor
1°
.inda agora aqui cheguei
Pus o pé nesta escada
Logo meu coração disse
Casa nobre, gente honrada
2°
Viemos, aqui viemOs
Viemos que bem sabeis
Vimos dar as boas festas
E também cantar os reis.
3°
Os três reis do Oriente
Toda a noite caminharam
À procura do menino
Em Belém o encontraram
4°
A velhinha faz na meia
Noite e dia sem parar
A meia que ela faz
É p'ro menino calçar
5°
Boas Festas, Boas Festas
Por cima do Laranjal
Viva a gente do Concelho
Vivam todos em geral
6°
Despedida, despedida
Recordem as nossas vozes,
Se querem saber quem somos
Somos Seixo de MANHOSES.
Continua em Reis 2011 (2)
05 janeiro 2011
Peregrinações – Nossa Senhora do Rosário (Seixo de Manhoses)
Uma das minhas “Peregrinações” aconteceu já no dia 14 de Novembro de 2010. O destino foi a capela de Nossa Senhora do Rosário, em Seixo de Manhoses. A escolha do destino deveu-se a dois factores: nos anos que levo a percorrer o concelho nunca tinha entrado na referida capela; a partida de Vila Flor aconteceu bastante tarde, não dando para fazer grandes distâncias.
Apesar da indecisão quanto ao estado do tempo, a manhã revelou-se lavada, cheia de sol, o que me permitiu admirar toda a cor que o sumagre que ladeia o caminho que conduz à Barragem Camilo Mendonça.
As folhas ganham tonalidades flamejantes, que não me canso de olhar, a cada Outono que passa. Mas não foram apenas as cores do sumagre que pude admirar, as vinhas da Quinta de S. Domingos também ofereciam uma bela imagem de Outono.
À passagem pela albufeira no sítio do Peneireiro, fui brindado com a visão de alguns corvos marinhos que procuravam afincadamente o seu alimento. Trata-se de aves marinhas, de porte considerável, que vêm do Norte da Europa. Alimentam-se de peixe e deslocam-se quase sempre em grupos.
Uma imagem interessante é quando se põem com as asas esticadas ao sol, depois de uma sessão de pescaria. Embora já os tenha visto várias vezes na Barragem de Fontelonga (Carrazeda de Ansiães), foi a primeira vez que os vi nesta barragem. O nome científico destas aves é Phalacrocorax carbo.
O caminho que segui foi o mesmo que já utilizei por diversas vezes principalmente nos meus passeios de bicicleta. Entrei no Seixo, exactamente junto à Fonte Sangrinho, uma das curiosidades da aldeia.
Como o meu objectivo era visitar a capela, procurei uma pessoa que tem a chave para me abrir a porta. Fiz-me acompanhar por uma pessoa da aldeia, minha conhecida, minha conhecida, o que facilitou as coisas e me poupou a grandes explicações sobre o meu interesse em visitar a capela.
É uma capela barroca, com um altar em talha dourada do séc. XVII. A talha é muito bela mas está bastante deteriorada. O tecto, o chão, mesmo o exterior foi tudo intervencionado há relativamente pouco tempo, só o altar, parte mais importante mas também a mais onerosa se mantém à espera de melhores dias. O interior estava muito limpo e com flores frescas naturais. A capela, nos meses em que se reza o terço, é utilizada para esse fim.
Há quem afirme que esta capela foi a primeira igreja da aldeia.
De regresso a casa, procurei um caminho alternativo. Parti de novo de junto da Fonte Sangrinho mas segui pelo fundo do vale, acompanhando o ribeiro com o mesmo nome, em direcção a Norte. Há alguns caminhos curiosos, muito estreitos, com as rochas desgastadas pelo tempo e pelas ferraduras dos animais que por ali devem ter passado durante séculos.
Já perto da barragem da barragem acabei por regressa ao caminho de ida depois de rilhar algumas castanhas que rebusquei num souto jovem, onde havia bastantes. Nos arredores da barragem, quase sem querer, apanhei bastantes sanchas, e só não apanhei mais, porque já estava atrasado para o almoço.
Apesar da indecisão quanto ao estado do tempo, a manhã revelou-se lavada, cheia de sol, o que me permitiu admirar toda a cor que o sumagre que ladeia o caminho que conduz à Barragem Camilo Mendonça.
As folhas ganham tonalidades flamejantes, que não me canso de olhar, a cada Outono que passa. Mas não foram apenas as cores do sumagre que pude admirar, as vinhas da Quinta de S. Domingos também ofereciam uma bela imagem de Outono.
À passagem pela albufeira no sítio do Peneireiro, fui brindado com a visão de alguns corvos marinhos que procuravam afincadamente o seu alimento. Trata-se de aves marinhas, de porte considerável, que vêm do Norte da Europa. Alimentam-se de peixe e deslocam-se quase sempre em grupos.
Uma imagem interessante é quando se põem com as asas esticadas ao sol, depois de uma sessão de pescaria. Embora já os tenha visto várias vezes na Barragem de Fontelonga (Carrazeda de Ansiães), foi a primeira vez que os vi nesta barragem. O nome científico destas aves é Phalacrocorax carbo.
O caminho que segui foi o mesmo que já utilizei por diversas vezes principalmente nos meus passeios de bicicleta. Entrei no Seixo, exactamente junto à Fonte Sangrinho, uma das curiosidades da aldeia.
Como o meu objectivo era visitar a capela, procurei uma pessoa que tem a chave para me abrir a porta. Fiz-me acompanhar por uma pessoa da aldeia, minha conhecida, minha conhecida, o que facilitou as coisas e me poupou a grandes explicações sobre o meu interesse em visitar a capela.
É uma capela barroca, com um altar em talha dourada do séc. XVII. A talha é muito bela mas está bastante deteriorada. O tecto, o chão, mesmo o exterior foi tudo intervencionado há relativamente pouco tempo, só o altar, parte mais importante mas também a mais onerosa se mantém à espera de melhores dias. O interior estava muito limpo e com flores frescas naturais. A capela, nos meses em que se reza o terço, é utilizada para esse fim.
Há quem afirme que esta capela foi a primeira igreja da aldeia.
De regresso a casa, procurei um caminho alternativo. Parti de novo de junto da Fonte Sangrinho mas segui pelo fundo do vale, acompanhando o ribeiro com o mesmo nome, em direcção a Norte. Há alguns caminhos curiosos, muito estreitos, com as rochas desgastadas pelo tempo e pelas ferraduras dos animais que por ali devem ter passado durante séculos.
Já perto da barragem da barragem acabei por regressa ao caminho de ida depois de rilhar algumas castanhas que rebusquei num souto jovem, onde havia bastantes. Nos arredores da barragem, quase sem querer, apanhei bastantes sanchas, e só não apanhei mais, porque já estava atrasado para o almoço.
28 dezembro 2010
27 dezembro 2010
Cantos da Montanha ( VI -1 )
Não sei se só existe na minha lembrança
o monte de Faro, nula juventude renovada
com simulacros de árvore de cartolina verde.
De qualquer modo é na curvatura da distância
que está pousado em seus premonitórios fulgores
a acender os castiçais mortiços da manhã.
Que este breve instante
de evocação de magnas raízes
me traga as asas dos milhafres refractando o sol
de setembros flagrantes de mosto.
E de novo vá buscar pequenos pinheiros
de sagrar natais perdidos nos olhos
cegos de tanto se fecharem
no contemplar da sua inexistência.
Poema do mais recente livro do Dr. João de Sá, Cantos da Montanha (Canto VI, 1).
Fotografia: montes entre Vilas Boas e Vilarinho das Azenhas.
26 dezembro 2010
Cogumelos - Moncoso (Suillus granulatus)
O tempo foi passando e não cheguei a terminar a série de postagens que estava a fazer sobre os principais cogumelos espontâneos, do concelho. Há mais dois de que tinha pensado falar, e hoje vou apresentar mais um: o moncoso. Embora a sua identificação no terreno seja relativamente simples, também pela película escorregadia que lhe conferem este tão pouco dignificante nome, é aquele em que tenho mais dificuldade em dizer com precisão o nome científico.É sem dúvida um boleto, pertence ao género suillus, mas na espécie não tenho a certeza de que se trata do Suillus granulatus.
Nalguns anos é muito frequente encontrando-se muitas vezes em grupos bastante numerosos, não sendo difícil encher uma cesta deles. O seu aspecto viscoso não é muito atractivo e as coisas pioram quando depois de se apanharem alguns a pele dos dedos que com ele contactaram fica negra. Contudo, depois de bem limpos e cozinhados, são dos meus preferidos.
O himenóforo (local onde se encontram os esporos)situado por baixo do guarda-chuva ou campânula e é constituído por tubos ao contrário das sanchas que têm lâminas. Quer a película que cobre o guarda-chuva quer esta camada de tubos por baixo devem ser retirados, ficando os cogumelos com um bonito aspecto de cor amarelo-pálida.
Nalguns anos é muito frequente encontrando-se muitas vezes em grupos bastante numerosos, não sendo difícil encher uma cesta deles. O seu aspecto viscoso não é muito atractivo e as coisas pioram quando depois de se apanharem alguns a pele dos dedos que com ele contactaram fica negra. Contudo, depois de bem limpos e cozinhados, são dos meus preferidos.
O himenóforo (local onde se encontram os esporos)situado por baixo do guarda-chuva ou campânula e é constituído por tubos ao contrário das sanchas que têm lâminas. Quer a película que cobre o guarda-chuva quer esta camada de tubos por baixo devem ser retirados, ficando os cogumelos com um bonito aspecto de cor amarelo-pálida.
Características: o chapéu, inicialmente hemisférico e mais tarde convexo e baixo, tem 4 a 10 cm de diâmetro e uma cor castanha-amarelada, avermelhada ou ainda vermelha-acastanhada. A cutícula é pegajosa quando seca e fortemente gordurosa quando cl1ove, sendo a carne branca a amarelada. Os tubos ligeiramente decorrentes começam por ter um tom amarelo-vivo, passando mais tarde a acre ou amarelo-acastanhado; os poros angulares, muito pequenos quando jovens, são da mesma cor dos tubos. Os esporos fusiformes têm 7 a 10 x 3 a 4 µm de tamanho; o pó dos esporos é acastanhado a oliva. O pé cilíndrico tem 3 a 7 cm de comprimento e 1 a 1,5 cm de espessura, apresentando cor branca a amarelada, tomando-se muitas vezes acastanhada na idade adulta. Os pés dos exemplares mais jovens exsudam umas gotas leitosas que muitas vezes adquirem uma tonalidade escura com a queda do pó dos esporas conferindo, de-
pois de secas, a granulação castanha típica do pé.
Habitat: Esta espécie frequente nalguns locais nasce principalmente sob pinheiros bravos; os corpos frutíferos surgem entre Junho e Novembro.
Valor: Comestível e muito saboroso.
Fonte: adaptado do Guia dos Cogumelos (Dinalivro)
24 dezembro 2010
22 dezembro 2010
Frio
Já há alguns dias que não dou "sinais de vida" no blogue, mas, felizmente, a minha actividade À Descoberta de Vila Flor, não terminou, nem sequer baixou. Simplesmente conjugaram-se um conjunto de factores que fizeram com que a minha actividade de Bloguer tenha diminuído.
Hoje, volto, e com palavras do mesmo autor que publiquei na última postagem. Dia 22 de Dezembro é também o aniversário do nascimento do vilaflorense José do Nascimento Fonseca (22-12-1940). Juntamente com os votos de um Bom Natal, lanço também o desafio para que seja feita uma compilação, e publicação em livro, das muitas contribuições que deixou espalhados por vários jornais da região. Seria uma grande homenagem.
Hoje, volto, e com palavras do mesmo autor que publiquei na última postagem. Dia 22 de Dezembro é também o aniversário do nascimento do vilaflorense José do Nascimento Fonseca (22-12-1940). Juntamente com os votos de um Bom Natal, lanço também o desafio para que seja feita uma compilação, e publicação em livro, das muitas contribuições que deixou espalhados por vários jornais da região. Seria uma grande homenagem.
Rangem portas desengonçadas nos portais da vida.Publicado no jornal Enié a 3 de Setembro de 1975.
Um cão ladra. E foge com medo de ser homem.
Na esquina, ela vendia laranjas, duas a croa, é para quem quere, leve que são boas.
A chuva cai. Chuva de molhar tolos.
- Que chova hoje tudo para ser claro o nevoeiro que amanhã virá.
- Quem és tu? Foge de mim, ser abandonado. Quiseste-me para prazer, odeio-te, vai-te embora, deixa a tua sombra.
Do relógio na sala rolam horas empurradas por tectos abertos. Uma manta esburacada cobre aquela criança que segura um pano de alça atravessada.
A terra está quente. Os lençóis frios.
A mulher que vendia laranjas já morreu.
Poque não havia quem as quisesse e duas a croa.
Ela partiu.
No testamento, uma lágrima de sal até ao canto da boca de pedra. Na sepultura, o epitáfio da sua vida no murmúrio da voz eterna nos remorsos dos culpados - duas a croa, é para quem quere, leve que são boas.
08 dezembro 2010
Conto - Aninhas
Hoje, dia de Nossa Senhora da Conceição, dia santo, foi uma boa oportunidade de sair à Descoberta de mais algum recanto do concelho. Mas, tal não aconteceu. Os dias têm estado cinzentos, frios e chuvosos. Juntamente com as luzes que piscam nas ruas e nas janelas das casas, vem a saudade do calor da lareira, recordações longínquas da matança do porco, das brincadeiras de criança, de histórias contadas (e nunca escritas) de mouras encantadas, amores que partiam para a guerra e ... príncipes e princesas.
Hoje também é um dia especial para uma assídua visitante do Blogue. Por isso decidi brindá-la com um conto. Não é um conto qualquer, mas sim um conto que, tenho a certeza, representará muito. Na impossibilidade de lhe poder oferecer flores, brindo-a também com alguma das pequenas maravilhas que captei, em momentos de primavera, tal como o conto, em volta do local onde vivo, algumas na borda dos passeios.
É um pouco de Primavera, antes que o Inverno chegue.
Em tempos remotos, numa casa modesta e afastada do grande rumor da aldeia próxima, vivia uma esbelta rapariga com sua mãe viúva.
Era bela. Fascinava. Dezoito anos. Tranças pendentes sobre os ombros, de um cabelo negro e ondulado. Face morena, mas mimosa. Olhos castanhos, bem feitos, sobrepostos por cerradas sobrancelhas. Sedutores contornos do corpo, magro e bastante alto.
Frequentes vezes foi assaltada pelo amor de um conde, além de outros amores ardentes que lhe caldeavam o coração. No entanto, o apetite matrimonial era fraco, sendo bem mais intenso o desejo de sua Mãe, empenhada, dia a dia, em dá-la ao conde, que amorosamente a procurava. Apesar de este se prender fortemente a ela, Aninhas continuava fria, em assunto de semelhante espécie. Mas «água mole em pedra dura, tanto dá até que a fura»...
O Conde via, passados meses poderem transformar-se em reais os seus sonhos dourados. Uma fresca manhã ao dealbar da aurora, aparece a bater à porta do casebre. Pedia esmola, feito mendigo. Todo roto. Grossa bengala na mão esquerda. Olhos fechados, a fingir-se cego. Tronco dobrado, a fazer-se velho. Cabeça coberta por enorme chapéu cinzento, todo esburacado, com um remendo branco pregado a linhas pretas numa das abas.
Bate e começa a pedir, cantando em voz suave. Aninhas acorda, estremunhada, e sente-se atraída por aquele canto. Escuta. Parece conhecer a voz. A Mãe, sabia de tudo, pois fora ela que combinara com o conde vir ali, daquela forma.
A chama crepitante do amor vai-se acendendo. E, tocada de repente por vagos pensamentos diz para a mãe:
A Mãe volta a dialogar com a filha, apontando o que havia de fazer:
Os melros assobiavam, deliciosamente. A rola começava a gemer nos ninhos. O rouxinol entoava melodias encantadoras. A água cristalina ciciava , na verde relva que cobria os campos. Bandos de pombas entrecortavam o espaço. Andorinhas deslizavam, velozes, no céu. Tudo era manso e belo, naquela madrugada.
Calcorreados longos caminhos, os pés quase esfalfados, Aninhas acaba por dizer.
Vislumbra-se o lugar onde são esperados pela família do conde e fidalguia amiga. Pelo que vê, ao longe, julgando tratar-se dalguma festa, canta a donzela:
Julgam-se felizes. A família recebe-os carinhosamente. A nobreza saúda-os. O cortejo principia a desfilar. Um cavalo novo, sela e freios dourados, transporta-os direcção à morada.
O conde louco de amor, sente-se feliz como nunca. Uma alegria imensa invade-lhe o espírito. Já possui a riqueza tão suspirada.
Aninhas, coração mais sensível vendo-se deste modo presa para sempre àquele que lhe conquistou o coração, profere o seu adeus. Sentimentos sinceros. Saudades.
O conde sorriu para ela, tomando-a nos braços.
Conto recolhido no Nabo, publicado por J. N. Fonseca no jornal Mensageiro de Bragança, a 2 de Junho de 1961.
Hoje também é um dia especial para uma assídua visitante do Blogue. Por isso decidi brindá-la com um conto. Não é um conto qualquer, mas sim um conto que, tenho a certeza, representará muito. Na impossibilidade de lhe poder oferecer flores, brindo-a também com alguma das pequenas maravilhas que captei, em momentos de primavera, tal como o conto, em volta do local onde vivo, algumas na borda dos passeios.
É um pouco de Primavera, antes que o Inverno chegue.
Em tempos remotos, numa casa modesta e afastada do grande rumor da aldeia próxima, vivia uma esbelta rapariga com sua mãe viúva.
Era bela. Fascinava. Dezoito anos. Tranças pendentes sobre os ombros, de um cabelo negro e ondulado. Face morena, mas mimosa. Olhos castanhos, bem feitos, sobrepostos por cerradas sobrancelhas. Sedutores contornos do corpo, magro e bastante alto.
Frequentes vezes foi assaltada pelo amor de um conde, além de outros amores ardentes que lhe caldeavam o coração. No entanto, o apetite matrimonial era fraco, sendo bem mais intenso o desejo de sua Mãe, empenhada, dia a dia, em dá-la ao conde, que amorosamente a procurava. Apesar de este se prender fortemente a ela, Aninhas continuava fria, em assunto de semelhante espécie. Mas «água mole em pedra dura, tanto dá até que a fura»...
O Conde via, passados meses poderem transformar-se em reais os seus sonhos dourados. Uma fresca manhã ao dealbar da aurora, aparece a bater à porta do casebre. Pedia esmola, feito mendigo. Todo roto. Grossa bengala na mão esquerda. Olhos fechados, a fingir-se cego. Tronco dobrado, a fazer-se velho. Cabeça coberta por enorme chapéu cinzento, todo esburacado, com um remendo branco pregado a linhas pretas numa das abas.
Bate e começa a pedir, cantando em voz suave. Aninhas acorda, estremunhada, e sente-se atraída por aquele canto. Escuta. Parece conhecer a voz. A Mãe, sabia de tudo, pois fora ela que combinara com o conde vir ali, daquela forma.
A chama crepitante do amor vai-se acendendo. E, tocada de repente por vagos pensamentos diz para a mãe:
- Levante-se, minha Mãe,Replica a Mãe, em resposta:
Desse leve dormir,
Se quer ouvir o cego,
A cantar e a pedir.
- Se canta e pede,Diz o falso mendigo, em tom de pedinte:
Dá-lhe pão e vinho,
E o ttriste cego
Lá vai a caminho.
- Não quero seu pão,O Sol, imenso disco refulgente, surge, pouco a pouco, por entre a vasta cordilheira de montes aguçados. A capoeira começa de pôr-se alvoroçada. A aurora vai desabrochando lentamente, prometendo um sossegado dia azul de Maio.
Nem quero seu vinho.
Só quero que a Aninhas
Me ensine o caminho.
A Mãe volta a dialogar com a filha, apontando o que havia de fazer:
- Anda, anda, Aninhas,A filha levanta-se. Cumpre as ordens maternas. E, beijada a mãe, parte, acompanhando o pobre. Parecia uma tenra açucena encostada a um tronco velho e podre.
Veste a saia branca,
Carrega a roca de linho.
Ensina o caminho
Ao triste ceguinho...
Os melros assobiavam, deliciosamente. A rola começava a gemer nos ninhos. O rouxinol entoava melodias encantadoras. A água cristalina ciciava , na verde relva que cobria os campos. Bandos de pombas entrecortavam o espaço. Andorinhas deslizavam, velozes, no céu. Tudo era manso e belo, naquela madrugada.
Calcorreados longos caminhos, os pés quase esfalfados, Aninhas acaba por dizer.
- Aacabou-se-me a roca,
Esfiou-se-me o linho.
Adiante, ó cego,
Lá vai o caminho.
- Anda, anda, Aninhas,
Mais um pouquinho.
Sou curto da vista,
Não vejo o caminho.
Vislumbra-se o lugar onde são esperados pela família do conde e fidalguia amiga. Pelo que vê, ao longe, julgando tratar-se dalguma festa, canta a donzela:
Valha-me DeusEla, pensando um momento, julga ter de unir-se, irremediavelmente ao companheiro. Então principia de lamentar os tempos de outrora. Podia ter casado, feliz, com um conde e, agora, vê-se junto de um velho, pobre, sem coisa alguma:
Ea Virgem Maria.
Quanta gente passa
Para a romaria.
- Anda, anda, Aninhas,
Mete-te debaixo desta capinha.
Quanta gente vai
Para a romaria!
- De duques e condesChegou o momento asado do conde se revelar. Abraça a jovem pesarosa e canta:
Eu era pretendida.
Agora dum triste cego
Me vejo rendida.
Eu nunca fui cegoPerante os olhares perscrutadores de Aninhas, atira com os farrapos para longe. Abre os olhos e sorri para ela, que o reconhece.
Nem Deus tal permita.
Sou um destes condes
Que lucrar-te queria.
Julgam-se felizes. A família recebe-os carinhosamente. A nobreza saúda-os. O cortejo principia a desfilar. Um cavalo novo, sela e freios dourados, transporta-os direcção à morada.
O conde louco de amor, sente-se feliz como nunca. Uma alegria imensa invade-lhe o espírito. Já possui a riqueza tão suspirada.
Aninhas, coração mais sensível vendo-se deste modo presa para sempre àquele que lhe conquistou o coração, profere o seu adeus. Sentimentos sinceros. Saudades.
- Adeus, minhas casas,O tempo passa e Aninhas recolhe à doçura abençoada do seu lar. Naquele instante, uma campainha retiniu nove badaladas, dentro do castelo.
Adeus pedra de montar.
Enquanto o mundo for mundo,
Pedra me há-de alembrar.
Adeus, minhas casas,
Meus lindos arredores.
Adeus, meus irmãos,
Meus belos amores...
Adeus, minhas casas,
Adeus aias minhas.
Adeus, minha mãe,
Que tão mal me querias.
Adeus, minhas casas,
Minhas lindas janelas.
Adeus, minha Mãe,
Que tão falsa me eras...
O conde sorriu para ela, tomando-a nos braços.
Conto recolhido no Nabo, publicado por J. N. Fonseca no jornal Mensageiro de Bragança, a 2 de Junho de 1961.
06 dezembro 2010
Chuva
Cai chuva lentamente
Na rua
E sobre os campos...
Dentro de mim
Também cai chuva
De dó de tanta gente
Que vejo na rua,
Desnudada
De luz. Já sem encantos.
Quem dera cobrir
Tanta gente que anda assim.
Fazer bem
E fazer rir
Crianças sem terem mãe.
Iluminar
Tantas que dormitam
No fourel do ninho
Inábeis para voar...
Cai chuva lentamente,
Miudinha e compassada
Na rua
E sobre a gente
Que caminha na estrada
Sem saber o seu caminho...
J. N. Fonseca
Outono/61
Poema publicado no jornal Notícias de Mirandela, a 19/11/1961.
Na rua
E sobre os campos...
Dentro de mim
Também cai chuva
De dó de tanta gente
Que vejo na rua,
Desnudada
De luz. Já sem encantos.
Quem dera cobrir
Tanta gente que anda assim.
Fazer bem
E fazer rir
Crianças sem terem mãe.
Iluminar
Tantas que dormitam
No fourel do ninho
Inábeis para voar...
Cai chuva lentamente,
Miudinha e compassada
Na rua
E sobre a gente
Que caminha na estrada
Sem saber o seu caminho...
J. N. Fonseca
Outono/61
Poema publicado no jornal Notícias de Mirandela, a 19/11/1961.
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