03 junho 2011

Carvalho de Ega (01)

Aspeto da passagem inferior ao traçado do IC5 em Carvalho de Egas. Por aqui vai passar o caminho que sai da rua da Atafona/ ou igreja de Santa Catarina, em direção a Vila Flor ou Samões.
Este era o aspeto em Janeiro, agora está ligeiramente diferente, mas muito longe ainda de estar terminado. Junto à aldeia de Carvalho de Egas o traçado é escavado em granito bem rijo, sendo aberto à custa de muito dinamite.

02 junho 2011

Peregrinações – Capela de Nossa Senhora do Rosário (Samões)

A segunda peregrinação de Fevereiro aconteceu no dia 26 e teve como destino Samões. Tal como já disse anteriormente, as caminhadas realizadas nesse mês tiveram como destino locais onde havia probabilidades de se encontrarem amendoeiras em flor.
Um destino assim tão próximo, justificou a utilização de equipamento fotográfico de melhor qualidade, em oposição à máquina fotográfica de bolso, normalmente utilizada.
A sessão fotográfica começou antes da caminhada, uma vez que encontrei as primeiras amendoeiras em flor, aqui mesmo, quase no centro de Vila Flor, antes mesmo de me encontrar com o companheiro de "viagem". Pode parecer estranha a publicação de imagens destas, neta altura do ano, mas é "saboroso". É como sentir de novo o perfume das flores nas manhãs orvalhadas de Fevereiro.
O caminho é curto e sobejamente conhecido. É só o caminho mais interessante que liga a Vila Flor, mas parece-me que tem os dias contados! Andaram a arrancar as videiras em redor... parece-me que se vai tornar numa estrada.
Rapidamente chegámos a Samões. Acedemos à aldeia por detrás da igreja e não faltavam amendoeiras em flor nas imediações. Não fomos diretamente à capela escolhida como destino da nossa "peregrinação", antes escolhemos afastar-nos da aldeia em direção a poente. Nesta zona há bons terrenos agrícolas e eram várias as pessoas que se encontravam pelos campos a trabalhar. Ainda bem, o caminho que seguimos não tem continuidade e assim podemos pedir autorização para circular pelos terrenos.
Havia uma razão para querermos ir ali. Crescem no local imensas margaças, formando um manto muito extenso e bonito. Já em anos anteriores tirei algumas fotografias no local.
Mesmo antes de atingirmos os campos com margaças, chamava a atenção à distância uma amendoeira carregada de flores incrivelmente rosa. O dono do terreno, emigrante em Paris, facultou-nos o acesso e chegámo-nos mais perto. Além dos ramos repletos de flores rosa, tinha também alguns ramos com flores brancas, estas bem mais normais.
Pouco depois chegámos ao campo com margaças (mais conhecidas como margaridas). As joaninhas tinham chegado antes de nós e havia-as às dezenas! O terreno estava bastante encharcado obrigando a algum cuidado.
Um pouco mais à frente encontrámos algumas pessoas a limparem oliveiras, com quem conversámos bastante tempo sobre oliveiras, olival e azeite, num ano com uma produção baste boa.
O nosso objetivo era atingir um ponto bastante elevado entre o Carvalhal e a Moira. Nesse lugar há alguns amendoais mais recentes, mas a floração dessas amendoeiras é mais tardia. Sentámo-nos nas rochas a olhar para as Olgas enquanto comemos o magro farnel.
Regressámos à aldeia. A capela de Nossa Senhora do Rosário fica no fundo do povo. É uma bonita capela, que sofreu obras há muito pouco tempo. As pedras do seu cabido mostram bem a antiguidade deste templo. O seu interior também está muito bem cuidado.
No regresso a Vila Flor ainda passámos junto à capela de Nossa Senhora de Lurdes, bem situada junto à estrada nacional.
A caminhada realizada teve a extensão de cerca de 9km. O tempo esteve fantástico e encontrámos as amendoeiras em flor que esperávamos encontrar. Foi uma das mais interessantes caminhadas já realizadas.

01 junho 2011

Às crianças da minha terra

Todas as vezes que vos vejo
E me espelho em vós
Sinto cá dentro o desejo
De vos estreitar a sós!

Sinto saudades imensas
Apertar-se-me o coração
Dos tempos de inocências
E doutros que já lá vão!

Sinto lágrimas bailarem-me
De tantos dias felizes
Os embargos a sufocarem-me
Nestes meigos deslizes!

Vós sois na inocência
Madrigais em flor
Eu já sou a plangência
Cantando no Mundo a dor!

Há bem pouco, eu era então,
Miudinho como vós
Sentindo já no coração
Pesares, carpires e dós!...

Era assim criança imbele
Não sei bem... como dizer
Uma pombinha sem fel
Caída do Céu ao nascer!

Era assim gentil criança
Como vós o sois ainda
Uma saudade na lembrança
Dessa idade tão linda!


Brincava como vós brincais
Em doce paz e harmonia
Sem jamais soltar ais
Do romper ao fim do dia!

Ressaltava e pulava
Nesta Terra sem igual
Eu ainda mal falava...
Tinha o tamanho dum pardal!...

Era assim como vós
Uma florinha d'açucena
Um fiozinho de retrós
A bordar esta cena!...

Vinha p'la mão de meus Pais
A caminho da escola
Soltando longos ais
Ou brincando com a bola!...

As vezes p'la tardinha,
De penumbra doce ou fria
Seguia com minha Mãezinha
Rezar a Jesus e a Maria!

E depois, na brincadeira.
Como vós ainda brincais
A vida era tão fagueira
Como não encontrei mais!...

Poema do vilaflorense Cristiano de Morais, do livro Riquezas e Encantos de Trás-os-Montes, publicado em 1950.
As fotografias foram tiradas no dia 01-06-2009, na Escola EB2,3/S de Vila Flor.

31 maio 2011

Candoso (02)

Há dias, numa passagem por Candoso em mais uma "peregrinação", parei um pouco junto a um espaço com pequenas hortas que existe no centro da aldeia. É muito curiosa a forma esmerada com que tratam estes pequenos canteiros, apesar de cada vez haver menos gente a cuidá-los. Mas foi a roseira, coberta de rosas vermelhas, que foi a minha escolha para partilhar hoje. Isto também porque, em todas as aldeias, por estes dias, podemos apreciar bonitos jardins cheios de flores de todas as cores.

24 maio 2011

Cantos da Montanha ( VI -10 )


Um dia,
talvez nos encontremos
num espaço sem caminhos.
Terá de ser longe,
onde não chegue a chuva nem o vento,
mas onde se ouça o canto de uma fonte
em que bebamos, juntos,
e nossos lábios se unam
para sempre
na música reverberante da água.

Poema do livro do Dr. João de Sá, Cantos da Montanha (Canto VI, 10).
Fotografia: no alto do monte do Facho, em Vila Flor.

23 maio 2011

Peregrinações – Capela de Nossa Senhora do Carrasco (Nabo)

As caminhas do mês de Fevereiro tiveram um elemento extra de entusiasmo, as amendoeiras em flor. A primeira aconteceu a 12 de Fevereiro e teve como destino a capela de Nossa Senhora do Carrasco, no Nabo. Este destino, em direção a terras mais quentes da Vilariça, iria permitir encontrar as primeiras amendoeiras em flor, como de facto aconteceu.
O percurso seguido, ao contrário do habitual, é muito pouco utilizado por mim. A saída aconteceu ao fundo da vila, na Volta dos Tristes, por um caminho que segue para o Cardal, exatamente no ponto onde se desenvolvem grandes obras para a travessia do IC5. Utilizo poucas vezes este caminho mais por receio dos cães, que já me fizeram passar por alguns apertos. Como nesta caminhada éramos dois, sentia-me mais sossegado.
 Depois de algum tempo de caminhada em que apenas nos despertaram a atenção as cebolas albarrãs que despontavam com grande energia, e um rebanho de ovelhas que esperava o seu pastor, chegámos à estrada nacional 215, junto à Quinta do Ramalhão.
Atravessada a estrada, o percurso continua pela encosta, numa zona que penso que se chama Godeiros (há outros Godeiros, no junto à albufeira, no Nabo). Foi nesta zona que fomos surpreendidos pelas primeiras flores de amendoeira. Primeiro alguma meia dúzia, mas, depois, algumas árvores completas, em todo o seu esplendor.
A aldeia do Nabo, sempre visível, estava já rodeada de muitas amendoeiras floridas. Entrámos na aldeia pela Rua da Mãe d’Agua. Quisemos visitar a fonte de mergulho que existe do outro lado do ribeiro, mas, havia tanto lixo no caminho, que nos vimos mal para lá chegar.
A capela de Nossa Senhora do Carrasco fica situada numa elevação. No Roteiro de Vila Flor da autoria de Cristiano Morais é dito que se trata de antiga capela de Nossa Senhora do Rosário. Do grande carrasco que parece ter existido na parede do cabido da capela, e que deu origem ao nome de Senhora do Carrasco, não há vestígios. É um lugar muito tranquilo.
 A capela tem um aspeto robusto e parece recente embora seja românica. Não há nenhuma indicação da data em que foi erigida. O cabido exterior tem um bonito portão em ferro forjado que já fotografei por várias vezes. O largo em redor, espaçoso, chama-se simplesmente Largo da Capela.
O interior da capela também é muito bonito. O altar ocupa toda a parede frontal e destaca-se nele a imagem de Nossa Senhora do Carrasco com o Menino, que segura uma pomba. A capela está sempre muito bem cuidada.
 Depois de restabelecidas as forças, preparámo-nos para o percurso de regresso. Fizemo-lo seguindo pela Rua do Rebentão, em direção ao Arco. Embora tenha grande declive, trata-se de uma estrada, onde a progressão é sempre mais fácil.
Chegámos ao Arco já com a hora bastante adiantada pela tarde. Com a barriga a dar horas, pareceu-nos melhor pedir para nos irem buscar, e assim aconteceu. Regressámos a Vila Flor de carro, depois de termos percorrido um pouco mais de 10 km a pé.
O reencontro com as amendoeiras em flor muito gratificante e abriu perspetivas para as semanas seguintes.

22 maio 2011

Termo de Roios

Foi em Janeiro, entre Roios e Vale Frechoso algures perto do marco geodésico do Maragato. Durante a Primavera tenho passado várias vezes do mesmo local e, em contraste com as flores, recordo este dia de Janeiro em que o nevoeiro dava ao relevo e à vegetação visão diferente.

20 maio 2011

Coração na fala

Qualquer relevo ao sol é um altar.
Toda a curva de serra é um regaço.
O que nos vê tem júbilo de abraço.
Tempos e modos de alma, o verbo amar!

Ressuma ausência o acto de chegar.
Somos o centro e queremos mais espaço:
Acaso um outro mês antes de Março,
A fim de a Primavera antecipar.

Meu zénite de anjos verdadeiros,
Minha Vila Flor, alvares primeiros
De uma alba quase comungada!

Quero dizer-te mais, e fico mudo.
Não te descrevo, sinto-te - e é tudo.
Não te amo, adoro-te - mais nada!

Soneto de João de Sá, do livro Vila À Flor dos Montes (2008).
Fotografia: Pinheiros; próximo de Roios.

16 maio 2011

Peregrinações - Capela de Nossa Senhora das Graças (Roios)

Foi já no longínquo Janeiro que partimos em mais uma "Peregrinação" à Descoberta do concelho.
O destino estava muito próximo:  Roios, mesmo por detrás da serra. Na selecção deste destino pesou o estado do tempo, muito inconstante a tender para o chuvoso e a hora adiantada da partida, não permitindo grandes distâncias. Como habitualmente escolhemos como destino uma local religioso, neste caso a capela de Nossa Senhora das Graças.
Para ir de Vila Flor a Roios, sem ser pela estrada normal, há várias alternativas, todas elas atravessando a serra, terreno que me faz lembrar histórias de encantar, onde os lobos são presença quase obrigatória. Os tempos mudaram e, cada vez que percorro este espaço agreste sonho encontrar-me com algum desta ser desta espécie, mas nunca aconteceu.
Escolhemos para chegar a Roios um caminho muito interessante, contornando a serra por Norte. É um caminho muitas vezes utilizado que parte das traseiras do Ecomarché e vai sair à zona industrial, no Barracão. De junto das instalações que actualmente ocupam os bombeiros voluntários parte um caminho que contorna o Facho, passando junto ao depósito de aterro que existia atrás da serra.
Verificámos que o espaço estava fechado e vedado mas, infelizmente, os efeitos verificavam-se ao longo dos caminhos. Com o aterro fechado o linho foi despejado noutros locais não muito distantes, mostrando a falta de civismo que ainda é apanágio de muitas pessoas que por aqui habitam. Não há interesse nas autoridades em identificar e punir os culpados, porque o que não faltavam eram facturas e outros documentos que permitiriam facilmente chegar à origem dos lixos.
Como a descer todos os santos ajudam, rapidamente chegámos ao centro de Roios. Questionámos algumas pessoas sobre quem nos poderia facultar o acesso à capela de Nossa Senhora das Graças. Batemos às portas certas mas, por má vontade, ou por desconfiança acabámos por não ter acesso ao interior da capela. Trata-se de uma capela do início do século XVIII. Segundo Cristiano Morais a antiga capela estava junto ao ribeiro e foi mudada e ampliada porque a ela acorriam muitos romeiros. A água da fonte junto da capela era considerada miraculoso. Ainda hoje existe uma fonte de mergulho situada por debaixo do recinto da capela, a que se tem acesso descendo por degraus em pedra ao leito do ribeiro. Em cima, por detrás da capela, está uma fonte mais recente.
Não conseguimos ter acesso à capela mas facultaram-nos o acesso à igreja matriz. Já estive no interior desta igreja por várias vezes e já a considerei uma das mais bonitas do concelho.
Os altares em talha dourada e o tecto da capela-mor são aspectos dignos de serem admirados. Há um altar já no corpo da igreja que não parece ser contemporâneo dos restantes.
De volta zona da capela, entrámos no café para saciarmos a sede. O dono do estabelecimento já se encontrava a almoçar. Um prato bem típico da nossa região nesta época: batatas cozidas, com grelos e alheira (não faltando o vinho e o azeite).
Foi com água na boca que iniciámos o caminho de regresso a Vila Flor. Subir de Roios às Caplinhas é um bom exercício físico e obriga a várias paragens para recuperar o fôlego. Depois de atingirmos o santuário ainda parámos mais um pouco para restaurar o ritmo cardíaco. Restou-nos descer, calmamente à vila para o almoço, quem sabe se uma bela alheira grelhada.

Percurso (11,5 km, realizado no dia 15 de Janeiro de 2011)
GPSies - VilaFlor_Roios_VilaFlor

15 maio 2011

Freguesia Mistério 47

A Freguesia Mistério n.º 46 foi uma das menos participadas de sempre. Não sei de foi pela dificuldade em identificar a freguesia ou se por qualquer outro motivo, mas, um dos objectivos desta brincadeira é que as pessoas se interroguem e procurem saber/conhecer um pouco mais do concelho de Vila Flor.
Os palpites dos 5 participantes ficaram distribuidor da seguinte forma:
Freixiel (1) 20%
Nabo (1) 20%
Sampaio (2) 40%
Santa Comba de Vilariça (1) 20%
Sampaio tem realmente umas alminhas. Ainda não apareceram na Freguesia Mistério porque nunca consegui uma fotografia delas do meu agrado, e já fiz muitas tentativas.
As alminhas que a fotografia mostram são na Trindade. Durante muitos anos anos a passar pelo local, uma vez que as alminhas estão junto à estrada nacional foi com grande espanto que as descobri. acredito que o mesmo se passe com muitas pessoas. Já devem ter passado no local dezenas ou centenas de vezes, mas nunca reparam neste marco religioso que se encontra a poucos metros do portão de entrada para a antiga Escola Primária e do cruzamento com a estrada que vem do vale da Vilariça. A estrutura é muito simples e o painel em azulejo faz-me lembrar as alminhas existentes em Benlhevai, que deve ser a freguesia com mais "alminhas" no concelho.
O desafio seguinte é, quanto a mim, bem mais fácil. É mais um painel de azulejos mas representa uma Nossa Senhora (estamos no mês de Maria) muito venerada no concelho. Talvez o mais fácil seja mesmo identificar a imagem da Senhora, porque depois é fácil saber a aldeia (isto se conhecerem minimamente as festas e romarias do concelho, ou se têm estado atentos a este blogue). O painel está num sítio muito visível e por mim muito visitado.
Os palpites já começaram mas espero que quem ainda não o fez, mostre que conhece o concelho ou arrisque um palpite.
Em que freguesia podemos encontrar um painel em azulejo com esta imagem?

10 maio 2011

As cores do momento

No dia 30 de Abril participei numa caminhada no alto da Serra de Bornes, organizada pela Câmara Municipal de Alfândega da Fé. Quando me dirigia para a serra, ainda bastante cedo, não resisti a fazer algumas paragens pelo caminho para registar o momento e o local. Duma destas paragens resultou este trabalho. Foi conseguido próximo de Vale Frechoso. O monte, ao fundo, é o grandioso Faro, vigilante do Cabeço de Nossa Senhora da Assunção.

09 maio 2011

A caminho da Trindade

Estas são mais algumas imagens que realizei em Janeiro quando realizei uma caminhada de Vila Flor à Trindade. Apesar do mau tempo e das dificuldades que senti, foi uma aventura muito entusiasmante e que me proporcionou alguns momentos fotográficos únicos com o nevoeiro que esteve sempre presente ou mais próximo, ou à distância.
A igreja da Tindade é românica
Rolos de arame retirados de uma vinha, próxima da Trindade.