08 junho 2011

Cabeço - Ascenção do Senhor

No Cabeço, em Vilas Boas, celebram-se várias festas ao longo do ano. A mais importante, a que mais gente chama ao Santuário de Nossa Senhora da Assunção é a festa realizada a 15 de Agosto, mas há outras que também são marcantes e dignas de serem referenciadas.
No dia 5 de Junho a igreja Católica celebrou a Ascensão do Senhor. Esta festa religiosa leva ao santuário centenas de crentes vindos de distintos pontos do concelho e de concelhos limítrofes. Esta festa tem uma característica que a liga a este blogue, muitos dos crentes deslocam-se para o santuário a pé, em peregrinação.
Esta foi razão suficiente para a caminhada habitual de Domingo, da série "Peregrinações" fosse programada para o Santuário, em Vilas Boas.
Foram muitos os que connosco se cruzaram pelos caminhos; vindos de Vila Flor, Samões, Candoso, Freixiel ou Vieiro. A pé, ou de bicicleta, foram vários os meios, mas o destino foi o mesmo.
Este encontro, no alto de um monte, tem algum paralelismo com a festa celebrada. Há milhares de anos atrás, Jesus Cristo, ressuscitado, encontrou-se com os discípulos no alto do um monte, na Galileia.
Não chegámos a tempo de seguir o programa, chegando ao capela perto do meio dia, quando já a procissão Via lucis fazia o percurso descendente em direcção à base do santuário onde se celebrou a Eucaristia.
Fizemos também a pé o percurso de regresso a casa, a hora aceitável para o almoço.
Pela tarde abateu-se sobre Vila Flor ( e também Vilas Boas) um forte temporal, com chuva abundante e trovões, como é pouco habitual, mas que começa a ser frequente nesta Primavera.
Para mim foi uma realização, uma vez que, há 4 anos que planeava integrar-me  nesta peregrinação ao Cabeço.

07 junho 2011

Voz dos sinos

Como pastor atento dum rebanho
De mansas ovelhinhas, bom pastor,
Ergue-se a igreja matriz, dum tamanho
Que sobrepuja tudo ao seu redor,

Ali, na pia baptismal, um banho
Tomou a nossa alma, redentor;
E no sacrário brilha o Santo Lenho
E a Eucaristia, a dar-Se por amor.

Torres bem altas, azulejos finos,
Coruchéus e pilar's monumentais,
O templo é sentinela e oração

A tansmitir a'Deus pla voz dos sinos,
No repique festivo ou nos sinais,
As vibrações o nosso coração.

Soneto retirado do livro “Versos – Vila Flor”, impresso em Novembro de 1966, da autoria do Dr. Luís Manuel Cabral Adão.
Ouros poemas de Cabral Adão: Árvore em flor, Trovoada, Carícia real e Modelação

05 junho 2011

Ruralidades (02)

Em Fevereiro, no Arco, ainda se preparava a terra para as batatas, mas agora elas já cresceram, viçosas e cheias de promessas. Os plásticos servem para espantar os pássaros das ervilhas.

04 junho 2011

Ruralidades

Foi talvez em Fevereiro, junto à Rua dos Louseiros, em Vila Flor, que me deparei com esta cena digna de mais uma fotografia. As nabiças foram enterradas,foram alimentar a terra, mas a fotografia ficou e já correu mundo no Flickr e agora aqui. São cenas rurais, cheias de beleza e nostalgia.

03 junho 2011

Carvalho de Ega (01)

Aspeto da passagem inferior ao traçado do IC5 em Carvalho de Egas. Por aqui vai passar o caminho que sai da rua da Atafona/ ou igreja de Santa Catarina, em direção a Vila Flor ou Samões.
Este era o aspeto em Janeiro, agora está ligeiramente diferente, mas muito longe ainda de estar terminado. Junto à aldeia de Carvalho de Egas o traçado é escavado em granito bem rijo, sendo aberto à custa de muito dinamite.

02 junho 2011

Peregrinações – Capela de Nossa Senhora do Rosário (Samões)

A segunda peregrinação de Fevereiro aconteceu no dia 26 e teve como destino Samões. Tal como já disse anteriormente, as caminhadas realizadas nesse mês tiveram como destino locais onde havia probabilidades de se encontrarem amendoeiras em flor.
Um destino assim tão próximo, justificou a utilização de equipamento fotográfico de melhor qualidade, em oposição à máquina fotográfica de bolso, normalmente utilizada.
A sessão fotográfica começou antes da caminhada, uma vez que encontrei as primeiras amendoeiras em flor, aqui mesmo, quase no centro de Vila Flor, antes mesmo de me encontrar com o companheiro de "viagem". Pode parecer estranha a publicação de imagens destas, neta altura do ano, mas é "saboroso". É como sentir de novo o perfume das flores nas manhãs orvalhadas de Fevereiro.
O caminho é curto e sobejamente conhecido. É só o caminho mais interessante que liga a Vila Flor, mas parece-me que tem os dias contados! Andaram a arrancar as videiras em redor... parece-me que se vai tornar numa estrada.
Rapidamente chegámos a Samões. Acedemos à aldeia por detrás da igreja e não faltavam amendoeiras em flor nas imediações. Não fomos diretamente à capela escolhida como destino da nossa "peregrinação", antes escolhemos afastar-nos da aldeia em direção a poente. Nesta zona há bons terrenos agrícolas e eram várias as pessoas que se encontravam pelos campos a trabalhar. Ainda bem, o caminho que seguimos não tem continuidade e assim podemos pedir autorização para circular pelos terrenos.
Havia uma razão para querermos ir ali. Crescem no local imensas margaças, formando um manto muito extenso e bonito. Já em anos anteriores tirei algumas fotografias no local.
Mesmo antes de atingirmos os campos com margaças, chamava a atenção à distância uma amendoeira carregada de flores incrivelmente rosa. O dono do terreno, emigrante em Paris, facultou-nos o acesso e chegámo-nos mais perto. Além dos ramos repletos de flores rosa, tinha também alguns ramos com flores brancas, estas bem mais normais.
Pouco depois chegámos ao campo com margaças (mais conhecidas como margaridas). As joaninhas tinham chegado antes de nós e havia-as às dezenas! O terreno estava bastante encharcado obrigando a algum cuidado.
Um pouco mais à frente encontrámos algumas pessoas a limparem oliveiras, com quem conversámos bastante tempo sobre oliveiras, olival e azeite, num ano com uma produção baste boa.
O nosso objetivo era atingir um ponto bastante elevado entre o Carvalhal e a Moira. Nesse lugar há alguns amendoais mais recentes, mas a floração dessas amendoeiras é mais tardia. Sentámo-nos nas rochas a olhar para as Olgas enquanto comemos o magro farnel.
Regressámos à aldeia. A capela de Nossa Senhora do Rosário fica no fundo do povo. É uma bonita capela, que sofreu obras há muito pouco tempo. As pedras do seu cabido mostram bem a antiguidade deste templo. O seu interior também está muito bem cuidado.
No regresso a Vila Flor ainda passámos junto à capela de Nossa Senhora de Lurdes, bem situada junto à estrada nacional.
A caminhada realizada teve a extensão de cerca de 9km. O tempo esteve fantástico e encontrámos as amendoeiras em flor que esperávamos encontrar. Foi uma das mais interessantes caminhadas já realizadas.

01 junho 2011

Às crianças da minha terra

Todas as vezes que vos vejo
E me espelho em vós
Sinto cá dentro o desejo
De vos estreitar a sós!

Sinto saudades imensas
Apertar-se-me o coração
Dos tempos de inocências
E doutros que já lá vão!

Sinto lágrimas bailarem-me
De tantos dias felizes
Os embargos a sufocarem-me
Nestes meigos deslizes!

Vós sois na inocência
Madrigais em flor
Eu já sou a plangência
Cantando no Mundo a dor!

Há bem pouco, eu era então,
Miudinho como vós
Sentindo já no coração
Pesares, carpires e dós!...

Era assim criança imbele
Não sei bem... como dizer
Uma pombinha sem fel
Caída do Céu ao nascer!

Era assim gentil criança
Como vós o sois ainda
Uma saudade na lembrança
Dessa idade tão linda!


Brincava como vós brincais
Em doce paz e harmonia
Sem jamais soltar ais
Do romper ao fim do dia!

Ressaltava e pulava
Nesta Terra sem igual
Eu ainda mal falava...
Tinha o tamanho dum pardal!...

Era assim como vós
Uma florinha d'açucena
Um fiozinho de retrós
A bordar esta cena!...

Vinha p'la mão de meus Pais
A caminho da escola
Soltando longos ais
Ou brincando com a bola!...

As vezes p'la tardinha,
De penumbra doce ou fria
Seguia com minha Mãezinha
Rezar a Jesus e a Maria!

E depois, na brincadeira.
Como vós ainda brincais
A vida era tão fagueira
Como não encontrei mais!...

Poema do vilaflorense Cristiano de Morais, do livro Riquezas e Encantos de Trás-os-Montes, publicado em 1950.
As fotografias foram tiradas no dia 01-06-2009, na Escola EB2,3/S de Vila Flor.

31 maio 2011

Candoso (02)

Há dias, numa passagem por Candoso em mais uma "peregrinação", parei um pouco junto a um espaço com pequenas hortas que existe no centro da aldeia. É muito curiosa a forma esmerada com que tratam estes pequenos canteiros, apesar de cada vez haver menos gente a cuidá-los. Mas foi a roseira, coberta de rosas vermelhas, que foi a minha escolha para partilhar hoje. Isto também porque, em todas as aldeias, por estes dias, podemos apreciar bonitos jardins cheios de flores de todas as cores.

24 maio 2011

Cantos da Montanha ( VI -10 )


Um dia,
talvez nos encontremos
num espaço sem caminhos.
Terá de ser longe,
onde não chegue a chuva nem o vento,
mas onde se ouça o canto de uma fonte
em que bebamos, juntos,
e nossos lábios se unam
para sempre
na música reverberante da água.

Poema do livro do Dr. João de Sá, Cantos da Montanha (Canto VI, 10).
Fotografia: no alto do monte do Facho, em Vila Flor.

23 maio 2011

Peregrinações – Capela de Nossa Senhora do Carrasco (Nabo)

As caminhas do mês de Fevereiro tiveram um elemento extra de entusiasmo, as amendoeiras em flor. A primeira aconteceu a 12 de Fevereiro e teve como destino a capela de Nossa Senhora do Carrasco, no Nabo. Este destino, em direção a terras mais quentes da Vilariça, iria permitir encontrar as primeiras amendoeiras em flor, como de facto aconteceu.
O percurso seguido, ao contrário do habitual, é muito pouco utilizado por mim. A saída aconteceu ao fundo da vila, na Volta dos Tristes, por um caminho que segue para o Cardal, exatamente no ponto onde se desenvolvem grandes obras para a travessia do IC5. Utilizo poucas vezes este caminho mais por receio dos cães, que já me fizeram passar por alguns apertos. Como nesta caminhada éramos dois, sentia-me mais sossegado.
 Depois de algum tempo de caminhada em que apenas nos despertaram a atenção as cebolas albarrãs que despontavam com grande energia, e um rebanho de ovelhas que esperava o seu pastor, chegámos à estrada nacional 215, junto à Quinta do Ramalhão.
Atravessada a estrada, o percurso continua pela encosta, numa zona que penso que se chama Godeiros (há outros Godeiros, no junto à albufeira, no Nabo). Foi nesta zona que fomos surpreendidos pelas primeiras flores de amendoeira. Primeiro alguma meia dúzia, mas, depois, algumas árvores completas, em todo o seu esplendor.
A aldeia do Nabo, sempre visível, estava já rodeada de muitas amendoeiras floridas. Entrámos na aldeia pela Rua da Mãe d’Agua. Quisemos visitar a fonte de mergulho que existe do outro lado do ribeiro, mas, havia tanto lixo no caminho, que nos vimos mal para lá chegar.
A capela de Nossa Senhora do Carrasco fica situada numa elevação. No Roteiro de Vila Flor da autoria de Cristiano Morais é dito que se trata de antiga capela de Nossa Senhora do Rosário. Do grande carrasco que parece ter existido na parede do cabido da capela, e que deu origem ao nome de Senhora do Carrasco, não há vestígios. É um lugar muito tranquilo.
 A capela tem um aspeto robusto e parece recente embora seja românica. Não há nenhuma indicação da data em que foi erigida. O cabido exterior tem um bonito portão em ferro forjado que já fotografei por várias vezes. O largo em redor, espaçoso, chama-se simplesmente Largo da Capela.
O interior da capela também é muito bonito. O altar ocupa toda a parede frontal e destaca-se nele a imagem de Nossa Senhora do Carrasco com o Menino, que segura uma pomba. A capela está sempre muito bem cuidada.
 Depois de restabelecidas as forças, preparámo-nos para o percurso de regresso. Fizemo-lo seguindo pela Rua do Rebentão, em direção ao Arco. Embora tenha grande declive, trata-se de uma estrada, onde a progressão é sempre mais fácil.
Chegámos ao Arco já com a hora bastante adiantada pela tarde. Com a barriga a dar horas, pareceu-nos melhor pedir para nos irem buscar, e assim aconteceu. Regressámos a Vila Flor de carro, depois de termos percorrido um pouco mais de 10 km a pé.
O reencontro com as amendoeiras em flor muito gratificante e abriu perspetivas para as semanas seguintes.

22 maio 2011

Termo de Roios

Foi em Janeiro, entre Roios e Vale Frechoso algures perto do marco geodésico do Maragato. Durante a Primavera tenho passado várias vezes do mesmo local e, em contraste com as flores, recordo este dia de Janeiro em que o nevoeiro dava ao relevo e à vegetação visão diferente.

20 maio 2011

Coração na fala

Qualquer relevo ao sol é um altar.
Toda a curva de serra é um regaço.
O que nos vê tem júbilo de abraço.
Tempos e modos de alma, o verbo amar!

Ressuma ausência o acto de chegar.
Somos o centro e queremos mais espaço:
Acaso um outro mês antes de Março,
A fim de a Primavera antecipar.

Meu zénite de anjos verdadeiros,
Minha Vila Flor, alvares primeiros
De uma alba quase comungada!

Quero dizer-te mais, e fico mudo.
Não te descrevo, sinto-te - e é tudo.
Não te amo, adoro-te - mais nada!

Soneto de João de Sá, do livro Vila À Flor dos Montes (2008).
Fotografia: Pinheiros; próximo de Roios.