09 julho 2011

Peregrinações – Capela de S. Plácido (Mourão)

No primeiro dia do mês de Maio teve lugar mais uma longa caminhada, desta vez à freguesia do Mourão, bem nos limites do concelho de Vila Flor.
O dia 1 de Maio é muito simbólico, não só por ser o Dia do Trabalhador, mas também porque a ele estão associados um conjunto de tradições de que não se conhece bem a origem. Na noite de 30 de Abril para um de Maio são colocados ramos de giestas em flor (maias) na entrada das habitações.
Este gesto simbólico, cheio de superstições tem várias origens talvez nenhuma delas verdadeira ou todas verdadeiras no seu conjunto. Há quem aponte esta origem a questões de religião, nomeadamente a passagem bíblica em que Herodes manda matar a criança da casa assinalada com um ramo de giesta, aparecendo de manhã todas as casas enfeitadas com  giesta, impedindo os soldados de cumprirem a cruel tarefa de matarem o menino. Maia era uma deusa grega. Na mitologia romana também existe a deusa Maia. Festejada a 15 de Maio, é considerada a deusa da fecundidade, da Primavera, sendo-lhe dedicados o primeiro e o décimo quinto dias do mês.

A verdade é que no primeiro dia do mês de Maio a maioria das casas das aldeias (e também na vila) aparecem enfeitadas com um ramo de giesta em flor. Este gesto é tido como protecção contra o infortúnio trazendo segurança e fartura às casas. Curiosamente não são só as casas de habitação que são "protegidas" com as maias; é possível ver as cortes dos animais e mesmo as viaturas ostentando o tradicional ramo de giesta em flor.
Caminhar até ao fim do termo do Mourão parece um grande desafio. Apesar de haver aldeias mais distantes geograficamente da sede de concelho, o relevo dita que algumas vivam mais distanciadas de Vila Flor, principalmente fruto das vias de comunicação, que não negam a história, conduzindo a outros locais. Se traçarmos uma linha recta entre Vila Flor e Mourão, ela passará no Seixo de Manhoses seguindo de perto o traçado de caminhos centenários usados em feiras e romarias desde a idade média até ao século XX, quando as deslocações se começaram a fazer de automóvel.
Palmilhar estes caminhos é uma oportunidade de reviver a história, mas também são momentos único de contacto com a Natureza (e com as pessoas) luxuriante nos meses de Primavera.
Contrariamente ao que aconteceu ao longo da semana, no dia 1 o clima não se mostrou nada acolhedor. Muitas nuvens e alguma chuva foram presença constante durante toda a manhã de Domingo.
O traçado não é nenhuma novidade: Vila Flor - Barragem Camilo Mendonça - Seixo de Manhoses - Barragem Mourão-Valtorno - Mourão - Capela de S. Plácido. É um excelente traçado, mesmo para BTT, com o desafio de descer à barragem e subir depois ao Mourão, com alguma dificuldade.
Ao longo dos caminhos era impossível ficar indiferente à explosão de vida e cor. Madres-silvas espalhavam o seu aroma tal como outras plantas aromáticas. O céu escuro ameaçava com chuva, mas a pujante vegetação parecia pedi-la. A passagem pela albufeira Camilo Mendonça foi rápida mas inspiradora.
O meu colega Helder acompanhava-me nesta "Peregrinação", por isso optei pelo caminho que conduz ao Seixo pelo ribeiro do Sangrinho, que tanto me tinha agradado na "Peregrinação" de 14 de Novembro de 2010. Uma novidade nesta caminhada foi a visão de tritões (penso que o tritão-marmoreado - Triturus marmoratus) e outras espécies animais que encontrámos em vários locais ao longo da caminhada. Com a erva molhada rapidamente ficámos com o calçado encharcado, mas isso é só mais um dos elementos que é necessário aprender a suportar.
No Seixo ainda tivemos tempo para um reconfortante café, antes de nos aventurarmos a caminho do barragem Mourão-Valtorno. Este troço do caminho já era nosso conhecido duma das primeiras caminhadas.
Depois do cruzeiro no caminho que desce para a barragem, há muito espinheiros. Contrariamente àquilo que eu previa não estavam em flor. Em volta da barragem sim, havia muitas giestas em flor e a água transbordava com enorme barulho.
Seguiu-se depois a etapa mais penosa da caminhada, até à aldeia do Mourão. Para a subida não ser tão íngreme, acabou por ser mais longa, uma vez que contornámos o cume onde se encontra o cemitério e entrámos pela aldeia quase a sul, onde também há um cruzeiro exposto a sul. Este caminho já o segui em anteriores ocasiões.
Na aldeia encontrámos pouca gente. Depois de pedirmos algumas orientações quanto à localização da capela de S. Plácido posemo-nos a caminho. Não há nada que enganar, basta seguir o caminho. Mas, para complicar as coisas perdemo-nos. Nunca tinha feito o trajecto Mourão - S. Sampainho. Sempre que fui à capela de S. Plácido fazia o percurso pela estrada de Vilarinho da Castanheira, da qual se avista, sendo fácil encontrá-la. Quando nos pareceu que já tínhamos andado demais, desviámo-nos do caminho, tentando encontrar a capela caminhando pelos terrenos. Foi uma grande asneira. Encharcámo-nos quase até à cintura e acabámos por encontrar a capela algumas centenas de metros mais adiante, na borda do caminho que iniciámos e que depois abandonámos.
Os últimos metros já foram bastante angustiantes. A somar ao cansaço havia a fome, porque a tarde já há muito tinha começado. Com o mau tempo existente também não havia disposição para fazer as coisas com calma e discernimento.
Junto à capela existem ruínas daquilo que resta do antigo lugar de S. Sampainho, presentemente abandonado mas que ainda era habitada no Séc. XVIII. A capela de S. Plácido foi recuperada e descaracterizada. A maior curiosidade está nas duas carrancas antropomórficas na fachada. Nas traseiras há uma pedra decorada que já mencionei numa anterior visita.
Quando atingimos a capela já o carro que nos havia de trazer de volta a Vila Flor esperava há muito tempo na estrada do Vilarinho da Castanheira. Depois de entrarmos no carro todos os cansaços passam e só ficam as peripécias interessantes da viagem. Foram mais de 14 km num ambiente completamente adverso, mas o desafio foi superado e já se planeavam outras "Peregrinações".

Percurso:
GPSies - VilaFlor_SPlacido

07 julho 2011

Freguesia Mistério



Já está disponível o desafio n.º 49 da FREGUESIA MISTÉRIO (na margem direita do Blogue).
Participe dando o seu palpite sobre a freguesia que se encontra representada na fotografia.

Foi detectado um erro  na votação de Freguesia Mistério n.º 49. Agradeço à pessoa que me alertou (Lurdes). Por esse motivo, mesmo as pessoas que já tinham votado, podem fazer uma nova escolha. Peço desculpa pelo erro e agradeço a participação.

03 julho 2011

Peregrinações – Capela de Santa Marinha (Sampaio)

Numa das Peregrinações do Mês de Abril foi escolhido como destino as ruínas da Capela de Santa Marinha, em Sampaio. À excepção dos habitantes da aldeia, poucos são os que conhecem a existência destas ruínas. A história segue o seu rumo, as coisas nascem e morrem e isto acontece com tudo. A devoção a Santa Marinha foi muito forte em determinado período da história, depois foi diminuindo e hoje mantém-se em muito poucas freguesias. Muitas capelas desapareceram e já nem as populações sabem da sua existência. No caso de Sampaio, sobrevive o nome do monte, do marco geodésico que nela existe (chamado também de Santa Marinha), as ruínas da capela ainda bem visíveis e a imagem de Santa Marinha, ainda existente na igreja matriz.
A escolha do destino também teve a favor o deslumbramento que senti na primeira vez que visitei o local a 25 de Março de 2007. As giestas em flor estavam magníficas e a visão do vale é indescritível. Voltar a um lugar assim é gratificante.
Este percurso fi-lo acompanhado, no dia 9 de Abril. A ideia foi fazer um bonito passeio até à aldeia de Sampaio; tentar ver a imagem de Santa Marinha na igreja Matriz e subir ao alto do monte para visitar as ruínas da capela.
O caminho seguido até Sampaio foi uma repetição do já percorrido na altura em que visitei a Capela de Nossa Senhora da Rosa, mas nessa altura fui sozinho. Apesar de não ser adepto da cultura do eucalipto a Quinta do Caniço proporciona bonitos percursos uma vez que tem muitos caminhos por entre a grande plantação de eucaliptos. É mesmo possível seguir percursos diferentes para chegar ao mesmo destino. Seguimos pela estrada de Roios até depois da Valonquinta, depois metemos à direita, atravessámos as obras do traçado do IC5 e seguimos pelos montes. O dia estava muito quente e isso proporcionou-nos a primeira surpresa: na borda do caminho havia uma enorme cobra ao sol. O susto foi grande.
Com a Primavera em pleno, só na bordadura do eucaliptal é que ela se manifestava em força. Estevas, linho, arçâs, sargaços, papoilas, roseiras bravas, tudo explodia em flor fazendo a delícia dos insetos. Além daqueles que se alimentam de pólen, fecundando as flores, há também os que se alimentam delas, comendo estames e pétalas com grande voracidade. Foi na observação de toda a vida que fervilhava em redor que nos esquecemos do caminho e chegámos sem dar por isso junto ao cemitério de Sampaio.
A curiosidade pelos sabores ao encontrarmos alguns espargos selvagens levou-nos a provar as amêndoas (ainda leitosas) e as azedas. Acontece que estas azedas (Oxalis pes-caprae), não são as azedas a que estamos habituados em Trás-os-Montes, mas sim o que o colega de caminhada conhecia como azedas, da região de Aveiro. Provei, e gostei. Ao contrário das nossas azedas, em que são as folhas que são comestíveis, nesta espécie, são os longos pedúnculos das flores que têm um sabor ácido, desagradável ao principio, mas suportável depois.
Chegámos à aldeia à hora de almoço. Não encontrámos ninguém a quem pedir informações para termos acesso à igreja e ainda pretendíamos subir ao alto do monte. Optámos por seguir caminho e esquecemos a imagem de Santa Marinha.
Com a pressão da hora adiantada não fizemos as melhores opções para subirmos ao alto do monte de Santa Marinha. A princípio havia um bom caminho por entre pinheiros e sobreiros, mas que terminou no meio do nada, bastante longo do nosso destino. A solução foi fazer o resto do percurso em linha recta, abrindo caminho com alguma dificuldade. O calor era insuportável e a água já não era muita. Atingimos o alto do monte completamente esgotados, com o coração aos pulos e cheios de sede.
Não é difícil localizar as ruínas da capela. As paredes são bem visíveis e pelas mensagens nela escritas são muito visitadas. Num buraco da parede havia mesmo uma vela! Não sei se alguém a deixou ali acesa, mas seria muito perigoso, poderia causar um incêndio.
Sentados junto do marco geodésico comemos alguma fruto e bebemos o resto da água que ainda tínhamos. A hora já ia adiantada e o calor apertava. O pequeno planalto que existo no topo do monte não apresentava o aspecto esperado e que vi em 2007. Na altura a visita aconteceu um pouco mais cedo.
Seria impensável fazer o caminho de regresso a Vila Flor, agora a subir, com tanto calor e sem almoçar. A solução foi telefonar para casa para nos irem buscar à Quinta do Caniço.
Descemos o monte e seguimos pela estrada (já bastante cansados) até que a boleia chegou.
Caminhámos perto de 12 quilómetros mas esta ficou guardada como uma das caminhadas mais cansativas que já fizemos.

Percurso:
GPSies - VilaFlor_SMarinha

27 junho 2011

Parque de Campismo de Vila Flor (2011)

Com o calor a apertar, tornando-se mesmo sufocante nos últimos dias, são muitos os que procuram locais mais frescos como o complexo de existente em Vila Flor, junto à albufeira do Peneireiro.
O Parque de Campismo de Vila Flor encontra-se junto à albufeira ocupando uma área de cinco hectares completamente arborizada que proporciona uma temperatura agradável a par de momentos únicos de contacto com a natureza. São carvalhos, castanheiros, medronheiros, choupos, etc. num ambiente integrado e natural mas com os equipamentos necessários para um Campismo/Caravanismo com qualidade. Tem 3 balneários bem distribuídos, um bar com esplanada, mini-mercado, campos de ténis, campo de futebol, etc.
Aos campistas é facultado o acesso gratuito à piscina, situada a poucos metros da entrada do parque. É um lugar único para mergulhar, apanhar banhos de sol e rodeada de árvores, permitindo boas sombras nas horas de maior intensidade solar.
Para quem queira manter a forma, há em volta da albufeira um circuito de manutenção. Este circuito também é excelente para calmos passeios ao fim da tarde saboreando o fresco da noite e os cheiros da natureza. Também é possível a prática de pesca.
Para descobrir o concelho, nada como planear algumas visitas com a ajuda deste Blogue. São altamente recomendados: um passeio por Vila Flor, descobrindo o seu museu e as suas ruas mais típicas; uma visita ao santuário de Nossa Senhora da Assunção,em Vilas Boas, local com uma vista única do território transmontano; uma subida às Capelinhas e ao miradouro, em Vila Flor, apreciando o adormecer da Vila ao fim da tarde.
Para levar de Vila Flor, não faltarão recordações mas há bom vinho, azeite, azeitonas, queijo e outras iguarias que podem ser apreciadas nos restaurantes do concelho ou compradas para levar um pouco de Vila Flor para casa.
As taxas praticadas pelo Parque de Campismo são as mesmas do ano passado.
Como praticante e apreciador da prática do campismo há coisas que me desgostam profundamente. Nem todos os campistas têm a mesma idade (nem a mesma educação) e o respeito pelos outros é meio caminho andado para arranjar bons amigos. O respeito pelo horário de silêncio é, para mim, um dos melhores indicadores de um bom Parque de Campismo. Também o respeito pelas instalações, traduzido numa adequada utilização, não vandalizando, ou sujando de forma expressa, é um sinal de boa educação que, infelizmente, deixa muito a desejar.

25 junho 2011

Festa de S. João no Mourão

No dia 23 de Junho realizaram-se no Mourão as tradicionais festas de S. João. Este ano coincidiram com um dia feriado, o que me permitiu acompanhar de perto estas festividades.
Cheguei à aldeia a meio da tarde e a paz era tanta que eu pensei ter-me enganado na data. O palco montado na Largo de São Ciriaco desfez as minhas dúvidas. Depois de um largo passeio pela aldeia apercebi-me que as actividades estavam a decorrer no campo de futebol.
Nesse local decorreu uma animada disputa dos jogos da malha e do cepo, de que acompanhei a parte final. Estes jogos têm os seus adeptos habituais, que jogam como poucos e têm gosto em jogar. Estou habituado a vê-los, por exemplo na Festa das Maias, em Folgares. Em jogo estavam prémios como presuntos e cabritos, que já esperavam pelos vencedores dentro da casa dos milagres.
No largo preparavam-se tudo para um grande arraial. O porco no espeto começava a espalhar o seu aroma pelas redondezas. Preparavam-se as mesas e partia-se o pão. Mais tarde assaram-se as as sardinhas e barriga de porco.
Ao início da noite foi erguido o enorme mastro, um pinheiro com cerca de 10 metros de altura. Depois de revestido por palha, elevou-se às alturas com a força dos braços dos homens, já habituados a esta prática antiga.
Pouco depois das oito da noite, já com os prémios dos torneios entregues, iniciou-se o jantar. Parecia que a população de Mourão tinha triplicado! Na verdade havia pessoas de todo o concelho e até pessoas do concelho de Carrazeda de Ansiães!
O grupo musica, penso que se chamava "Terceira Geração", tocava música popular, nem sempre com grande afinação. É um grupo de jovens, irreverentes, que por vezes levaram o apimentado das músicas a excessos, mas poucos deviam estar com atenção às letras. A maior parte das pessoas dançava animadamente porque a noite estava muito fria, e, ou se aquecia o corpo com uns copos de vinho, ou com danças animadas ao som da concertina.
 Já depois da meia noite foi pegado fogo ao vareiro. Estava vento e as chamas devoraram rapidamente a palha. Mal o pote de barro preso nas alturas caiu ao chão e se desfez em mil pedaços, também a multidão debandou, restituindo à aldeia a sua habitual pacatez.
A queima do vareiro é uma prática levada a cabo em muitas localidades de Portugal, mas na maior parte delas faz-se por altura do Carnaval (embora se faça também nos Santos Populares). Tentei falar com algumas pessoas e saber mais pormenores sobre a tradição mas, não encontrei grande receptividade. A organização desconhecia a existência deste blogue e tive alguma dificuldade em justificar a minha presença e o porquê de tantas fotografias.
Foi uma boa oportunidade para Descobrir mais do Mourão, mas acredito que as pessoas são mais recetivas e abertas do que o que senti. Voltarei, logo que haja outra oportunidade.

23 junho 2011

Peregrinações – Capela de Santa Maria Madalena (Macedinho)

No dia 26 de Março de 2011 fiz uma longa caminha até Macedinho, freguesia da Trindade. Quase sempre há algo que justifique a escolha para a caminhada, neste caso, foi somente vontade de voltar a Macedinho, onde já não ia a algum tempo. Não é um daqueles destinos que escolho com frequência, mas ainda há uma séria de coisas que gostava de conhecer melhor, como o Castelo.
Macedinho fica a alguns quilómetros de Vila Flor, por isso a caminhada foi só de ida e desta vez sozinho.
Os caminhos percorridos começam a ser bastante repetitivos, mas nunca são iguais. Quer a paisagem em redor, que muda com as estações do ano, quer o próprio piso, que no Inverno se cola às botas em forma de lama e de Verão está repleto de sementes secas que se agarram às meias e se tornam incomodativas.
Estávamos nos finais de Março, com a Primavera já em andamento, mas o dia estava pouco simpático, cheio de nuvens e a ameaçar chover. Nas Capelinhas as glicínias lançavam as primeiras flores, ainda timidamente. Atrás da serra eram as campainhas que cobriam o manto de musgo aveludado sob os pinheiros e castanheiros. Perto de Roios apareceu a carqueja, em plena floração, a torga, em grande quantidade e campos de nabiças em flor.
Depois de ter passado Roios começou a chover. Apesar de estar preparado para a chuva, acabei por ficar com as botas completamente encharcadas, o que me dificultou baste toda a caminhada. Subi a calçada em direcção à Quinta do Dr. Pimentel, que fica a poucas centenas de metros da estrada Vila Flor - Macedo. Na borda do que restava de um pinhal que estava a ser cortado para madeira encontrei umas pequenas orquídeas. Depois de algumas caminhadas que tenho feito nas margens do Rio Sabor, onde tenho encontrado algumas espécies de orquídeas selvagens, tenho-me empenhado mais na sua busca no concelho de Vila Flor, mas não tenho tido muito sucesso. Embora nunca tenha dado notícias disso, há algumas espécies bastante abundantes, embora poucas pessoas olhem para elas como orquídeas. A verdade é que o são.
 Quase sem dar por isso cheguei a Vale Frechoso. Junto da capela de Nossa Senhora de Lurdes começa um caminho que leva à estrada, mesmo na direcção certa. Este foi único troço novidade do percurso, porque o restante já o tinha feito em bicicleta ou a pé.
Passei junto à Penha do Corvo, tendo em vista o marco geodésico da Pedra-luz. Durante muito tempo avistei ao longo do caminho pegadas bastante profundas. Seriam de um lobo ou de um cão? Não cheguei a descobrir, mas senti alguns arrepios, como se o animal me estivesse a observar. Vi várias vezes lobos em liberdade nas minha juventude.
Cheguei ao marco geodésico conhecido por Pedra-luz, perto das duas das tarde, com cerca de 14 quilómetros percorridos. Pelo caminho já tinha comido a merenda, mas a bateria da máquina fotográfica já estava com falhas e o entusiasmo já não era muito. Tentei adiantar caminho descendo quase em linha recta em direcção à aldeia, mas foi asneira. Aquelas montanhas são muito perigosas, cheias de poços da exploração mineira. Curiosamente há evidências de prospeções recentes com tubos novos, com menos de um ano! A vegetação é muito densa e impossível de penetrar. Mesmo cansado, voltei a trás e segui o caminho que já conhecia, que me levaria entre Macedinho e Vale da Sancha. Foi então que algo apareceu para animar a minha peregrinação. Foi mais uma planta, cheia de botões prestes a explodir de côr. Não era uma planta qualquer mas sim Peónias, também conhecidas por ramos-de-raposa, ou rosa-albardeira (Paeonia officinalis). Foi um achado! Já tinha percorrido aquelas encostas pelo menos 3 vezes, mas nunca tinha tido a sorte de encontrar esta espécies, totalmente desconhecida para mim no concelho de Vila Flor. Enquanto descia a encosta fui encontrando mais exemplares desta planta.
Este achado animou-me bastante e cheguei a Macedinho perto das três da tarde.A tranquilidade no pequeno povoado era total. Circulei durante algum tempo por entre as casas sem ver ninguém (o que não quer dizer que não sejamos vistos).
A capela está situada no centro da aldeia, perto de outra, mais pequena, de S. António. Já a visitei várias vezes, mas foi recuperada em 2008. No frontispício está uma placa em mármore evocativa desse restauro. Trata-se de uma capela maneirista e barroca, com uma planta longitudinal composta por uma nave, uma capela-mor e uma sacristia rectangular adossada. Na fachada principal, destaca-se uma pequena sineira e um portal de verga recta e, no interior, um retábulo-mor de barroco.
Esta foi uma das mais demoradas caminhadas realizadas nesta série "Peregrinações", embora não seja a mais longa. O mau tempo e o terreno acidentado foram os maiores problemas, mas o balanço foi muito positivo.
Mais tarde voltei a Macedinho, de carro. Subi ao alto da colina em busca das peónias mas fotografei outras espécies. Foi uma tarde fotográfica memorável.

GPSies - VilaFlor_Macedinmho

18 junho 2011

Agenda Cultural - 19 de Junho 2011

Amanhã realiza-se mais uma Feira de Gastronomia Artesanato e Produtos da Terra, em Freixiel. A Agenda Cultural do Município indica que é a IV edição, mas a mim parece-me que é a V. Numeração à parte esta feira é uma boa opção para a passagem da tarde de domingo de forma agradável. O artesanato, os produtos da terra, entre eles o pão e o vinho, que são muito bons em Freixiel e depois a animação, com música, folclore quase obrigatório, são as vertentes que preenchem o dia a dão animação à aldeia que já foi sede de concelho.
Actuação do Rancho Folclórico de Freixiel na III Feira de Gastronomia, Artesanato e Produtos Regionais, no dia 28 de Junho de 2009.




Também amanhã, vai realizar-se a festa religiosa da Santíssima Trindade, na Trindade. Não será, com certeza, uma grande festa, uma vez que se trata de uma das mais pequenas aldeia do concelho. Além dos actos religiosos, Eucaristia e procissão com os andores da Santíssima Trindade e do Sagrado Coração de Jesus, este pode ser um bom dia para visitar e conhecer a bonita igreja matriz da Trindade, românica, uma das mais interessantes construções religiosas do concelho.

Esta manhã estive na Trindade. O largo da igreja, centro da aldeia, já estava engalanado para a festa.

16 junho 2011

Freguesia Mistério n.º 48

O desafio Freguesia Mistério, na sua edição número 47 teve 13 participantes. Decorreu durante o mês de Maio e consistia em identificar a freguesia onde existi um painel de azulejos com a imagem de uma Nossa Senhora. Quando coloquei este desafio estava convencido que seria muito, muito fácil de adivinhar, mas os resultados mostram o contrário. A tendência de voto inclinou-se para Vale Frechoso, talvez porque já coloquei outros painéis de azulejos dessa aldeia em desafios anteriores. Eu dei a pista que seria importante descobrir de que Nossa Senhora se tratava: é Nossa Senhora do Castanheiro. Com esta informação parece-me que seria relativamente fácil relacioná-la com a freguesia de Valtorno, que seria a resposta correta.


Os votos ficaram distribuídos desta forma:
Nabo (2) 15%
Trindade (2) 15%
Vale Frechoso (9) 69%
A imagem pintada no painel tem muitas semelhanças com a existente no interior da igreja matriz. Este painel de azulejos encontram-se ao fundo do caminho que dá acesso à igreja, através de uma alameda. É facilmente visível para quem passa no cruzamento que dá acesso à estrada do Mourão. É pena que alguns vândalos tenham causado alguns estragos, mas também há quem aqui acenda velas e deposite flores, como a fotografia ilustra.

O desafio que está a decorrer desde o início do mês consta, mais uma vez, na identificação de umas alminhas. Trata-se de um marco, que não deve ser muito antigo, junto a uma das principais estradas do concelho, à entrada de uma aldeia.
Em que freguesia podemos encontrar estas alminhas?
Participe com o seu palpite  (na margem direita do blogue).