27 novembro 2011

Medronhos

Os medronhos abundam em grande parte do concelho. Nesta altura do ano são a delícia da passarada, já que os humanos não lhe ligam muita importância. Para quem goste de coisas doces, licor de medronho é muito bom.

24 novembro 2011

Encontros com a História - 2

Uma imagem vale mais de que mil palavras é o que me ocorre quando vejo registos como este que hoje partilho.  Trata-se de uma fotografia restaurada digitalmente a partir do original existente no Museu Berta Cabral, em Vila Flor.
A fotografia representa a Praça da República, em dia de feira. É uma imagem para ser olhada demoradamente. Há muita coisa diferente, mas também há algumas características que ainda hoje se mantêm.

23 novembro 2011

e de repente é noite (XLIV)

Ergue as palmas de um saber feito
de resíduos de inimagináveis séculos
a este séquito de dúvidas.
Mas continua atenta aos queixumes dos choupos,
sinais da tragédia da água
a querer tornar-se seiva.
Sustenta nossas ténues certezas
com os fios do êxtase das rosas.
Não pertencemos àqueles a quem mais damos,
como os frutos silvestres.
Medem-se as oferendas pelos segredos
que revestem, não pelo que, aos sentidos,
em nudez entregam.
Cada coisa tem uma medida que completa,
perto ou longe,
o seu invisível contrário.

Poemas do Dr. João de Sá,  retirada do livro "E de repente é noite". Edição do autor; 2008.
Fotografia: frutos silvestres em carvalhos; Roios.

20 novembro 2011

Flor do Mês - Novembro (2011)

Novembro não é decididamente um bom mês para procurar flores no campo. As poucas que se encontram, ou são pouco significativas, ou já falei delas em anos anteriores. Aparecem aqui, e ali alguns exemplares, nem sempre fáceis de identificar, para quem não é especialista na matéria.
Escolhi para representar o mês de Novembro de 2011 uma bonita flor, de nome vulgar boca-de-lobo
(Antirrhinum graniticum Rothm). Nas primeiras vezes que as vi pensei tratar-se de flores de jardim que algum agente de dispersão espalhou pelos campos, mas a frequência com que as tenho encontrado levou-me a pensar que são realmente espontâneas. Esta planta pertence à família das Scrophulariacea, que compreende muitos géneros e numerosas espécies que existem nos nossos campos. Dão flores bastante bonitas e possivelmente falarei delas nos meses de primavera. 
Esta espécie, tal como outras do género Antirrhinum têm uma distribuição mediterrânica com grande ênfase na Península Ibérica. Em Portugal existem 6 espécies. 
 Preferem zonas de mato, e montanhosas. Tenho-as encontrado essencialmente nas bordas dos caminhos, às vezes sobrevivendo no meio das silvas. A floração ocorre durante todo o verão, prolongando-se pelo outono e chegando ao inverno muito poucos exemplares floridos. Mas, mesmo assim, e porque se trata de flores bastante bonitas que deram origem a exemplares de jardim de muitos tamanhos e cores, parece-me interessante falar desta planta. Além do seu poder decorativo, hibridam-se com facilidade, dando origem a novas cores.
Contrariamente a muitas plantas que tenho fotografado, não encontrei, neste caso, nenhuma referência a qualquer utilização para fins medicinais. 

Novembro 2009 -
Novembro 2008 - Medronheiro (Arbutus unedo)

14 novembro 2011

O V Ciclo de concertos "O Som das Musas" chegou ao fim


Terminou mais um ciclo de concertos "O Som das Musas", desta vez o V, levado a cabo no Centro Cultural, em Vila Flor. Foi um ciclo marcado por alguma contenção económica, dado o período difícil que atravessamos, mas houve uma grande preocupação em manter a qualidade e em apresentar espetáculos destinados a diferentes tipos de públicos, em eixos temáticos, apresentados como, Raíz-Identidades (fado), Concertos de Memória (música medieval, O Cancioneiro del-rei D. Dinis 1261-1325) e concerto de Jovens Talentos (música clássica).
No primeiro concerto era esperado um número elevado de espetadores, dada a frequência com que tem sido ouvido fado em Vila Flor. O facto de há poucos dias se ter realizado o  funeral de uma pessoa querida na vila, pode ter tido alguma influência, porque a sala não chegou a encher.
O nome do ciclo "O Som das Musas" encaixa na perfeição no espetáculo de Cuca Roseta uma vez que é uma jovem, muito bonita, e com uma voz de encantar, atributo próprio do canto das sereias. Foi uma verdadeira musa.

O segundo espetáculo, no dia 12, teve em palco o grupo La Batalla. Foi um momento único para apreciar a verdadeira música medieval, a servir de fundo às Cantigas de Amor, Cantigas de Amigo, de Escarnho e de Maldizer, algumas composta por uma figura ímpar na história de Portugal, o próprio rei D. Dinis. Não se tratando de música muito acessível a ouvidos pouco habituados, quem se deixa embeber pelo som instrumental e pelas vozes sente-se levado para a corte medieval, onde as cores e as vestes envergadas pelos executantes faziam todo o sentido.
No terceiro, e último espetáculo, a Orquestra Esproarte de Mirandela encantou o público presente. O espetáculo começou com o Concerto em Sib M. para Oboé e Orquestras, de Bach. O diálogo entre os violinos e violoncelos com o melancólico instrumento de sopro cativaram de imediato o público. A solista a foi Adriana Castanheira. O palco foi-se compondo ao longo do espetáculo, ficando completamente cheio, já com instrumentos de sopro e percussão, para a última música, Finlândia, de J. Sibelius. O maestro Humberto Delgado fez um paralelismo entre a execução da orquestra e uma açorda. Tal como numa açorda os ingredientes pimenta, azeite, alho e pão, são todos necessários para construir um todo saboroso, também numa orquestra são necessários os vários grupos de instrumentos para executar um peça musical com qualidade, com um som cheio e envolvente.
O espetáculo foi de tal maneira arrebatador que toda a gente sentiu que o tempo passou rápido e que apetecia ouvir a orquestra durante algum tempo.

No final do terceiro concerto tive o prazer de conversar com o diretor artístico do ciclo O Som das Musas, Pedro Caldeira Cabral, também fundador e diretor do grupo La Batalla.
 Este festival surgiu através de um convite pessoal do presidente da Câmara Dr. Pimentel a Caldeira Cabral, constatado o sucesso que o Festival de Música Medieval estava a ter em Carrazeda de Ansiães.
Inicialmente o ciclo O Som das Musas ocupava dois fins de semana na época das vindimas. Dirigia-se a um tipo de público já apreciador que, para além e escasso, já assistia a espetáculos semelhantes noutros locais não se conseguindo o público desejado.
Este tipo de eventos pretende criar "dinâmicas sociais e e económicas e promover o encontro entre as pessoas". Não se pode esperar despreza imediata/receita imediata, uma vez que os resultados só serão visíveis ao fim de alguns anos. Só aí se poderá fazer o verdadeiro balanço. É necessário proporcionar este tipo de ofertas com regularidade, de forma que as pessoas as vão integrando nos seus hábitos.
Houve a necessidade de fazer alguns ajustes que se traduziram no corrente ano com na realização dos concertos por altura do S. Martinho, também sempre a pensar em chamar gente a Vila Flor.
Em 2011 comemoram-se os 750 anos do nascimento de D. Dinis, rei com uma visão invulgar e com muito significado para Vila Flor, uma vez que lhe concedeu o foral em 1286. Também a ele se deve o topónimo Vila Flor, que tanto encanta os naturais e residentes. Esta vertente foi explorado no Concerto Memória.
 Para Caldeira Cabral o festival foi um sucesso. Em todos os espetáculos houve perto de duas centenas de espetadores. No primeiro dia foi possível ouvir a fabulosa voz de Cuca Roseta. Esta fadista está a ter uma carreira brilhante e, futuramente, será muito difícil voltar a traze-la a Vila Flor. No segundo concerto, com o grupo La Batalla, foi ouvida música erudita. Usando de alguma teatralidade, o grupo constituído por 8 elementos, entre músicos multi instrumentistas e cantores, conseguiu "agarrar" o público. Isso foi notório no silêncio com que as várias peças foram ouvidas. Era um espetáculo destinado a um público mais exigente, mas as expectativas foram superadas.
Quanto ao futuro do festival, quer, a autarquia quer o seu mentor; Pedro Caldeira Cabral mostraram interesse na sua continuação. Este disse mesmo já ter algumas ideias que pretende implementar numa próxima edição, negando-se, no entanto, a divulgá-las sem as ter apresentado e discutido como a Câmara Municipal, organizadora do evento.
A nós, habitantes em permanência deste Reino Maravilhoso, só nos resta desfrutar de tudo que nos for possível viver e esperar que o Som das Musas, venha outra vez alimentar-nos a alma.
Nota: Os vídeos são da Localvisão TV.

08 novembro 2011

V Ciclo de Concertos “Som das Musas”

Vai acontecer no Centro Cultural, em Vila Flor, nos dia 11, 12 e 13 de Novembro o V Ciclo de Concertos “Som das Musas”. Estes ciclos de concertos têm a direcção artística do músico e compositor Pedro Caldeira Cabral.
Em 2011 os espectáculos musicais vão acontecer durante 3 dias, e todos na sede de concelho. Em edições anteriores o número de espectáculos foi maior e também mais descentralizados.
Os concertos representam três géneros musicais que são o fado, a música medieval e a música clássica. Sabemos que o fado tem tido grande aceitação em Vila Flor, patente em vários espectáculos que já se realizaram. Quanto à música medieval e à música clássica a aceitação tem sido razoável, longe do desejável e não justificando o investimento. Esperamos que este ano, com menos concertos, os ouvintes sejam em maior número.
Os artistas/grupos presentes são: Cuca Roseta e Guitarristas (fado, dia 11), La Batalla (música medieval, dia 12) e Orquestra Esproarte de Mirandela (música clássica, dia13). À excepção da Orquestra Esproarte de Mirandela, que já tive o prazer de ouvir várias vezes e que, para além de ser transmontana, integra muitos jovens da região (não sei se algum do concelho). É uma referência para os que sentem vocacionados para a música, em Trás-os-Montes.
Cada vez aprecio mais a música medieval. Acho que para isso têm contribuído as feiras medievais que tenho visitado, nomeadamente em Carrazeda de Ansiães e Miranda do Douro. Posso dizer que ouço diariamente este género musical, mas numa versão bastante popular, com raízes celtas, fácil de ouvir. Penso que não será essa que será interpretada aqui.
Quanto ao fado, gosto, mas só de algum. A julgar pelas amostras que entrei no Youtube, acho que vale a pena estar presente no concerto. Se o som for este, já me contento com o acompanhamento.
Sobre o grupo La Batalla sei muito pouco. O grupo é liderado por Pedro Caldeira Cabral e já esteve no encerramento do VI Festival de Música Medieval, em Carrazeda de Ansiães, em 2007. Penso que irão interpretar música a partir do Séc. XII, usando verdadeiras réplicas dos instrumentos medievais. Aqui fica também um vídeo do grupo La Batalla.
Os concertos realizar-se-ao todos às 21 horas e 30 minutos, no Centro Cultural.

01 novembro 2011

Entre concelhos

A segunda caminhada do mês de Outubro aconteceu no dia 8 e teve um traçado bastante diferente do habitual: tratou-se de um regresso a casa. Habitualmente todos os percursos que faço a pé têm início em Vila Flor, mas desta vez a caminhada iniciou-se no concelho de Carrazeda de Ansiães, mais concretamente na aldeia de Vilarinho da Castanheira.
O cabeço onde se situa o santuário de Nossa Senhora da Assunção eleva-se a quase 850 metros de altitude e é visível de uma grande extensão do concelho de Vila Flor. No alto da capela há uma cruz de néon, azul, que assinala a posição de Vilarinho da Castanheira a muitos quilómetros de distância, durante a noite. Como é uma aldeia a que me desloco com alguma frequência, já tinha pensado em fazer a ligação entre Vilarinho e Vila Flor a pé, mas nunca tinha surgido a oportunidade.
No dia 8, pouco depois da hora de almoço, parti do fundo da aldeia do Vilarinho com ideia de caminhar até Vila Flor. Não fiz, como normalmente faço, a planificação do trajecto, nem a contabilização da distância a percorrer. Quanto mais quilómetros percorro, maiores distância me apetece percorrer, desafiando as distâncias e os limites da resistência física. O entusiasmo, a adrenalina, estão dependentes da incerteza, da aventura, caso contrário seria como caminhar em volta da barragem, para queimar algumas calorias. A única parte do percurso completamente desconhecida seria até ao Mourão.
A primeira parte do percurso foi feita ainda em território do concelho de Carrazeda de Ansiães. Orientei-me pela topografia do terreno. Sabia que as linhas de água me conduziriam junto da barragem Mourão-Valtorno. Depois de cruzar a estrada que liga Vilarinho a Castedo e Lousa, no lugar das Laceiras, encontrei com facilidade um caminho que seguia da direcção certa. Nestas paragens é tudo muito selvagem. Há alguns pinheiros e sobreiros e poucas mais marcas do homem se avistam. Uma centena de metros à direita está a linha imaginária que separa os termos de Torre de Moncorvo e de Carrazeda de Ansiães, uma vez que o de Vila Flor só se inicia mais próximo da barragem (segue depois em direcção a S. Sampainho, contornando a elevação onde se situa Alagoa).
 A certa altura deixei de encontrar o caminho! Reencontrei-o poucos metros mais adiante já em terreno ascendente, conduzindo ao Mourão. Não era um trajecto que quisesse seguir, mas era terreno conhecido e segui-o durante algum tempo. Logo que pude contornei o Mourão por sul e cheguei à Barragem.
É um local agradável, muito sossegado, onde apetece descansar, mas sabia que ainda tinha muitos quilómetros para percorrer.
 Da barragem até Seixo de Manhoses é sempre a subir. A vegetação estava seca e cheia de pó, não convidando à fotografia. Fui esgotando as reservas de água a contar em reabastecer-me na aldeia do Seixo. Já por várias vezes recolhi água em perto da fonte do Sangrinho. Desta vez não foi possível, porque o tubo de que me sirvia não corria. Até a própria fonte, de mergulho, estava praticamente seca. Nunca tinha visto a água tão baixa.
Para não voltar para trás continuei, mesmo sem água. O carreiro paralelo à ribeira do moinho, que tantas vezes tenho seguido, foi a alternativa escolhida. Depois de mais algum esforço, atingi de novo a cota dos 700 metros de altitude, pouco antes de chegar à barragem do Peneireiro. Ao chegar à barragem aproveitei para repor a água. O resto do percurso foi feito em velocidade de passeio a saborear o cair da tarde.
 Fazem-se os arranjos (quase) finais nos acessos ao IC5. Os caminhos que percorri nos últimos 5 anos já não existem. Sinto um misto de tristeza e de saudade. Nada será como antes e as novas estradas vão permitir-nos chegar mais depressa, mas, cada vez vamos ter mais falta de tempo.

Percurso:
GPSies - VilarinhoCastanheira_VilaFlor

31 outubro 2011

Ruínas da capela de S. Domingos (Vieiro)

As Ruínas da capela de S. Domingos, no Vieiro, freguesia de Freixiel, foram o destino da Peregrinação do dia 24 de Setembro, mas já anteriormente tinha estado no local. Foi numa dessas visitas que fiz a fotografia que hoje publico.

26 outubro 2011

Flor do Mês - Outubro (2011)

Depois de passados os meses de verão são poucas as plantas com forças para se cobrirem de flores. A excepção está nalgumas bolbosas, que mostram as flores mesmo antes das folhas, mas de que já falei nos anos anteriores. Neste mês de outubro tenho encontrado várias plantas em flor, mas são todas pouco significativas. São algumas espécies que começam a floração no final da primavera ou no verão e que a prolongam praticamente até chegar o inverno.
A minha escolha para o mês de outubro de 2011 recaiu sobre o Trovisco ou Trovisqueira (Daphne gnidium L.). Não necessito de procurar muito para encontrar esta planta em flor. O trovisco aparece com muita facilidade na berma dos caminhos, talvez mais visível pelo colorido dos seus frutos do que pela cor das suas flores.
O trovisco é um arbusto persistente, muito abundante em todo o território português e toda a Europa mediterrânica. Pode atingir dois metros de altura, mas o que costumo encontrar têm aproximadamente um metro. As flores são brancas, agrupadas em cachos. Os frutos são inicialmente verdes, passando pelo laranja, vermelho, tornando-se negros quando completamente maduros. São drupas.
Esta planta não tem grande utilidade, na região, mas, tal como muitas de que já falei, não lhe faltam atributos. A primeira curiosidade prende-se com o nome que lhe foi dado há alguns séculos atrás: Daphne era uma ninfa-das-montanhas grega, perseguida pelo deus Apolo, para a seduzir. Na fuga foi transformada num loureiro. Daphne é o nome grego dado ao loureiro. O trovisco tem poucas semelhanças com o loureiro, mas do nome é que não se livra!
As plantas do género daphne têm características antisépticas, cicatrizantes e insecticidas. Há pessoas que as usam o trovisco para curar verruga ou para cicatrizar feridas. Tem que ser usado com moderação pois pode provocar queimaduras e intoxicações. Esta característica tóxica é usada na utilização da planta para a pesca ilegal, por envenenamento dos peixes! A utilização em trás-dos-montes é bem mais inocente, uma vez que se se pensava que queimar trovisco afastava o nevoeiro.
Mesmo tratando-se de uma planta tóxica, há pessoas que a têm nos quintais, ligada às mais variadas utilizações. Para a obtenção da planta podem usar-se as sementes, estacas do caule ou a raiz. Se se usarem sementes, o fruto têm que ser colhido quando ainda estiver verde.

Outubro 2009 - Açafrão (Crocus sativus)
Outubro 2008 - Jacinto (Scilla autumnalis L.)

25 outubro 2011

Freguesia Mistério n.º52

A Freguesia Mistério n.º51 esteve a votos durante o mês de Setembro de 2011.  A resposta não era fácil, mas também não era difícil, principalmente para quem está minimamente atento às andanças do Blogue. A participação foi boa, até acima do habitual, com 13 visitantes a darem a sua opinião.
Os palpites ficaram distributivos da seguinte forma:
Carvalho de Egas (1) 8%
Nabo (1) 8%
Roios (5)38%
Seixos de Manhoses (1) 8%
Trindade (1) 8%
Vale Frechoso (1) 8%
Valtorno (2) 15%
Vilarinho das Azenhas (1) 8%
A resposta certa era freguesia de Roios. A capela de Nossa Senhora das Graças, em Roios, foi o destino da Peregrinação realizada em 29-09-2010. Apesar das diligências efectuadas, não foi possível visitar o seu interior, pelo que apenas me posso ficar pela impressão com que fico após mais de uma dúzia de passagens pelo local. A capela "Foi construída cerca de 1780, conforme data inscrita numa janela. Terá substituído templo anterior existente no local. É um templo barroco, de nave única e capela-mor reentrante. A fachada termina em empena rematada por sineira de um arco. O portal e a janela apresentam uma elegante decoração. No interior, o tecto é em abóbada de madeira. O altar-mor é em talha." Os elementos mais interessantes no fontíspício são os dois óculos quadrifólios. Sobre a torre sineira deve ter havido em tempos uma cruz, no meio dos dois pináculos.
Como curiosidades da capelo podemos acrescentar: em "1844 D. Maria Angélica Pinto de Magalhães, natural de Roios, deixava no seu testamento...à Senhora da Graça 24.000 reis para a compra de um cálice." Em 1905 "morre em Roios Pedro Gomes de Magalhães Pegado e é sepultado na capela".
O desafio para o mês de Outubro é algo mais abrangente, a vista parcial de uma aldeia. Se reparar nos pormenores de alminhas, cruzeiros, igrejas, etc. não é coisa fácil, pode não ser mais simples a identificação de uma aldeia, até porque, por vezes, as fotografias são tiradas de locais muito pouco frequentados pelas pessoas e longe dos acessos principais. No entanto, nas fotografias como esta há sempre elementos que quando analisados isoladamente fornecem pistas que não deixam qualquer dúvida. Por se tratar de uma aldeia, não significa que ela seja freguesia, o que leva a que seja necessário conhecer a composição das freguesias de Vila Flor. Quem não conhece a constituição das freguesias de Vila Flor, não perca tempo. Está em marcha um estudo que conduzirá à reestruturação das freguesias do concelho. Este estudo está a ser conduzido de forma discreta, até porque há que fazer as contas (aos habitantes e votos). Os partidos políticos pensam pouco na economia e no serviços prestados, estão mais preocupados com o limite de mandatos que quase todos os presidentes de junta já atingiram!
Ainda estão a tempo de arriscar um palpite na Freguesia Mistério n.º 52, na margem direita do Blogue.

24 outubro 2011

Peregrinações - Ruínas da capela de S. Domingos (Vieiro)

As caminhadas marcaram o 5º ano do Blogue. Com o recomeço de uma nova etapa, achei que devia dar continuidade a estes momentosos inesquecíveis pelos caminhos do concelho, pelo menos até percorrer todas as localidades, freguesias e anexas. Foi com este intuito que programei mais alguns percursos, no seguimento das Peregrinações do ano passado.
O destino escolhido para o dia 24 de Setembro foi as ruínas da capela de S. Domingos, no lugar de Vieiro, freguesia de Freixiel (a capela está a 4km de Freixiel). Fiz a primeira visita a esta capela em 2007, nas primeiras descobertas do concelho. Posteriormente, sempre que passo no local, mais propriamente na estrada do Vieiro, a poucos quilómetros da aldeia, paro o carro e espreito para as ruínas. Por vezes desço alguns metros de encosta admirando-a mais de perto. Ir até à ao local, desde Vila Flor, a pé, foi a primeira vez que que o fiz.
Sinto-me um privilegiado quando percorro os caminhos às primeiras horas da manhã! A luz é fantástica e a paisagem não parece tão seca como poucas horas depois. Com o outono já bastante avançado, o colorido vem sobretudo dos frutos, alguns cultivados, outros selvagens. Muitas vinhas ainda estavam por vindimar, mas as uvas não pareciam tão boas como noutras zonas do concelho.
 Aproveitei esta deslocação para visitar outro local onde já não ia há bastante tempo: o marco geodésico do Pessegueiro. Está situado no ponto mais alto (822 metros) acima da pedreira que está situada perto da estrada. Marca o estremo entre as freguesias de Vilas BoasFreixiel. Neste local agreste, cheio de pó, nesta altura do ano, avista-se uma grande extensão de paisagem, proporcionando uma bela vista de Freixiel e uma grande extensão de terreno do outro lado do Tua, até à linha do horizonte. O local é tão fantástico e tão isolado que um melro azul o escolheu para sua casa. O seu território preferido é mais em Vale Carneiro e Borralho (Samões), mas avistei-os várias vezes nesta caminhada.
 Também os fornos dos figos são presença constante nesta zona do concelho. Encontrei alguns, mas é possível que muitos passem despercebidos, tapados pela vegetação espontânea.
No local conhecido pela Palhona há um enorme cruzeiro em granito. É impossível passar por ali sem notar a sua presença. Muitos cruzeiros marcam locais onde morreram pessoas, não sei se é este o caso, mas penso que não, porque tem grandes dimensões. Esta localização também se pode dever à confluência de vários caminhos neste local. Além da estrada atual, a ligação entre Freixiel e Vilas Boas, por caminhos rurais, pode ser feita passando pela Palhona.
 A algumas centenas de metros, por um caminho que segue quase paralelo à estrada, ficam situadas as ruínas da capela de S. Domingos. Estão situadas numa zona bastante mais baixa do que a estrada. É esta a razão de muita gente passar no local e poucos se aperceberem da existência das ruínas. Pelo que dizem os "livros", por ali passava a estrada real Porto-Moncorvo. A capela tinha um alpendre e estava sempre aberta, recebendo os viajantes que circulavam nesta estrada. Foi reconstruida ali entre 1744 e 1766. Existe a convicção de que a sua localização primitiva seria no local S. Domingos, onde existe um habitat romanizado.
A capela apresenta alguns elementos barrocos bastante bonitos. É muito pequena e merecia ser recuperada. Se já há muitos anos era um local de alguns assaltos, sou levado a pensar que nos dias de hoje era capaz de não resistir ao vandalismo. Se pensarmos que mesmo o Santuário de Nossa Senhora da Assunção foi assaltado há poucos dias atrás, notamos que estamos numa época sem valores, em que nada, nem ninguém está seguro.
 Terminada a minha caminhada, depois de percorridos cerca de 10 km, subi à estrada e esperei pela minha boleia, junto à fonte de 1955 mas que ainda jorra água abundantemente. Aproveitei para me refrescar.

21 outubro 2011

Sobreiro

Sobreiro, no Parque de Campismo de Vila Flor.