18 janeiro 2012

Freguesia Mistério n.55

A Freguesia Mistério n.º 54 aconteceu durante o mês de dezembro. O enigma estava representado pela imagem parcial de uma aldeia, questionando de que freguesia se tratava. Acredito que não seja tarefa fácil identificar os locais com uma simples fotografia, ainda por cima em tamanho minúsculo. Além de que as possibilidades de fotografar uma aldeia são infindáveis. A aldeia representada era Freixiel.
A localização geográfica de Freixiel, rodeada por montanhas de altitude considerável, fazem com que seja possível ver a aldeia dos mais diversos ângulos, qual deles o mais bonito. Mas esta possibilidade não ocorre só ao longe, havendo "miradouros" perto da aldeia, ou mesmo dentro dela. São o caso do promontório onde se eleva a Forca e o Santuário de Nossa Senhora dos Remédios. A fotografia em questão foi tirada ainda de mais perto, perto da igreja matriz, junto ao Lar Santa Maria Madalena. As casas que se vêm pertencem à Rua Queimada que se prolonga em direção ao vale da Cabreira. Formação rochosa sempre atenta e dominante é o Pé-de-cabrito, já em território de Ansiães, mas que se destaca no perfil do horizonte.
Responderam à pergunta 10 pessoas. Os seus palpites ficaram distribuídos desta forma:
Assares (1) 10%
Freixiel (4) 40%
Roios (1) 10%
Sampaio (1) 10%
Valtorno (1) 10%
Vilas Boas (2) 20%
Embora a tendência tenha seguido na direção certa, não ultrapassou os 40%! Há que continuar a estar atento ao blogue, para ir conhecendo aos poucos os povoados que integram o concelho de Vila Flor.
O desafio que se segue, em janeiro de 2012, representa mais uma aldeia. Desta vez não é sede de freguesia. É uma vista que muitos dos habitantes do concelho já viram, falta saber é se estavam atentos o suficiente para se lembrarem dela.
A freguesia pertence a aldeia mostrada na fotografia?
Participem, indicando o vosso palpite, até ao fim do mês de janeiro, na margem direita do blogue.

17 janeiro 2012

A caminho do Facho

Numa das caminhadas de janeiro, após deixar o nevoeiro que pairava sobre a vila, admirei os raios de sol que penetravam por entre os pinheiros e sobreiros da encosta. No alto do Facho, próximo de Vila Flor, o sol era intenso, mas o ar estava frio.

11 janeiro 2012

Vira da azeitona


A azeitona cai no tolde varejada
Vai encher o galeão
Ela é preta redondinha
Dá saltinhos pelo chão

Vai de roda vai de roda
Cada qual com o seu amor
Não há vira mais bonito
Que o vira de Vila Flor

Haja azeite com fartura
Nós pedimos ao Senhor
Para nunca ser esquecido
O azeite de Vila Flor

Vai de roda vai de roda
Cada qual com o seu amor
Não há vira mais bonito
Que o vira de Vila Flor

Nesta feira de sabores
Mantém-se a tradição
Mostrando os bons produtos
Desta nossa região

Vai de roda vai de roda
Cada qual com o seu amor
Não há vira mais bonito
Que o vira de Vila Flor

Esta canção é cantada e dançada pelo Grupo de Danças e Cantares de Vila Flor (esta versão foi adaptada para ser cantada na TerraFlor, feira de Produtos e Sabores).
A fotografias  foi tirada em Samões.

10 janeiro 2012

Peregrinações - Capela de S. Luís (Folgares)

No dia 15 de outubro o desafio foi uma caminhada entre Vila Flor e Folgares, em mais uma Peregrinação, tendo como destino a capela de S. Luís, na pequena aldeia de Folgares. Este trajeto já tinha sido feito numa caminhada que realizei em novembro de 2008, quase na mesma altura do ano. Nessa altura fiquei entusiasmado com alguns trilhos que encontrei, escavados na rocha granítica. Voltar ao vale da Cabreira à procura dos mesmos trilhos foi quase como procurar uma agulha num palheiro, mas valia a pena tentar.
As dificuldades deste trajeto são várias. Uma, bastante preocupante ter a ver com os cães dos pastores, que, certamente, estariam a guardar as cortes existentes entre Samões e Freixiel. Outra dificuldade é encontrar o caminho certo no vale da Cabreira. É uma zona agreste como poucas no concelho e sem todos os caminhos têm seguimento. A terceira dificuldade é o traçado da encosta do vale com uma inclinação tão acentuada que causa dores só de pensar em subi-la. Para piorar as coisas, a maior dificuldade está no final do percurso, quando o cansaço já é muito. Estas dificuldades não são motivo para desânimo, antes pelo contrário. As dificuldades foram um incentivo a começar a caminhada bastante cedo, ainda o sol não tinha surgido no horizonte.
O dia estava quente e a progressão foi rápida. Depois de termos deixado Samões para trás, o trajeto até Freixiel já foi percorrido muitas vezes, não havendo dificuldades de orientação. Os cães pastores lá estavam, onde eram esperados, mas pareciam meios adormecidos àquela hora do dia. Felizmente para nós...
Em Freixiel ainda tivemos tempo para subir à Forca, visitar a igreja matriz, a fonte romana e o Pelourinho. Casa um destes elementos seria motivo para se gastar algum tempo na sua admiração, mas não havia tempo a perder.
Mesmo não sendo o trajeto mais lógico, subimos ao santuário de Nossa Senhora do Rosário. Este foi o destino da nossa Peregrinação de 17 de outubro de 2010, mas também é um ótimo miradouro para a aldeia e um bom ponto de partida para entrar no vale. No recinto ainda havia lixo. Terminada a festa de verão parece que ninguém se preocupa em limpar o que ficou do fogo da artifício, mas, este espetáculo não é agradável.
Apanhado o caminho em direção ao coração do vale surpreenderam-nos na beira do caminho algumas inscrições nas pedras do muro. Não foi a primeira vez que por ali passei, mas nunca tinha reparado nessas inscrições. São várias pedras gravadas, onde se vê claramente várias cruzes e o ano de 1891. Serão marcas do local do falecimento de alguém? É possível.
O caminho seguido não era muito íngreme. O mais incomodativo era o pó, de alguns centímetros de espessura, mais parecendo farinha! Mesmo sem subir muito, o cansaço não demorou em chegar. Encontrámos uma pessoas que regressava a casa e que nos deu algumas orientações sobre o percurso a seguir. Afastámo-nos do percurso que tinha feito em 2008 e começámos a ter algumas dúvidas se estávamos a caminhar na direção certa. A subida começou a tornar-se mais difícil obrigando a paragens frequentes. O coração parecia querer saltar pela boca e começámos a racionar a água disponível. Por várias vezes hesitámos e mudámos de direção. Sabíamos que Folgares é no alto da encosta e só havia uma direção possível, a que subia.
Pelo caminho fomos encontrado uma série de rochas curiosas. Aliás o vale da Cabreira está repleto de obras de arte naturais juntamente uma grande quantidade de fornos de secar figos.
Nunca saímos do caminho. Em locais como este não se pode andar ao acaso. E foi na berma do caminho, quase sem querer que me pareceu ver o começo de um dos tais trilhos que tanto queria encontrar. De um dos lados do caminho o trilho descia em direção ao vale, do outro subia pela encosta, contornando as rochas, em direção, supostamente, a Folgares. O entusiasmo foi muito e decidimos seguir o trilho. Escavado no granito por séculos de rudes botas e pelas ferraduras dos cascos dos animais, serpentava encosta acima, apresentando nalguns pontos mais de 20 cm de profundidade!
Subindo o trilho encontrámos um idoso. Regressava no seu lento passo à aldeia e fizemos-lhe companhia.
A hora já ia adiantada e não havia tempo sequer para um curto passeio pela aldeia. Enquanto procurávamos por alguém que nos facultasse a entrada na pequena capela de S. Luís, encontrámos uma senhora a fazer pão.
Falámos com 4 ou 5 pessoas, a quem colocámos algumas perguntas sobre a capela e as lendas a ela ligadas. A capela fica no centro da aldeia. Os documentos dizem que outrora foi capela de S. Gens, pelo menos até ao séc. XIX. Cristiano Morais na sua monografia sobre a Freixiel publicada em 1995, refere-se a esta capela em diversos pontos. Em 1744 a capela estava num estado deplorável, não sendo possível aí celebrar. Foram indicados dois moradores para que no prazo de dois meses a mandassem caiar e rebocar e procedessem às necessárias obras para aí poderem ser administrados os sacramentos. Já a quando da visita do comendador Frei Dom José Telles, em 1766, tinha um "retábulo dourado cuja pintura e douradura se acham renovados". As imagens destacadas eram a de S. Gens, padroeiro, e a de Santa Bárbara. A mudança para a devoção de S. Luís deve ter ocorrido nos finais do séc. XIX ou inícios do Séc. XX.
Na mesma obra ficamos a conhecer a lenda da Cerejeira de S. Gens. Junto da capela havia uma cerejeira que tinha dois ramos a caírem sobre a capela. Produzia frutos em junho à exceção dos dois ramos, que apresentavam frutos maduros exatamente dia 25 de Agosto, no dia de S. Gens! Quem comesse as cerejas dos ditos ramos antes dessa data era atormentado por fortes maleitas, mas quem as comesse depois ficava curado de qualquer mal que padecesse.
 As pessoas da aldeia conhecem vagamente esta crença, narrada em "Memórias de Ansiães", mas não têm memória de nenhuma cerejeira. No adro da pequena capela não vi nenhuma árvore de fruto, mas havia junto da porta um tomateiro que ostentava dois enormes tomates!
A capela foi recentemente restaurada. O interior está impecável, em todos os aspetos e o exterior tem as pedras de granito lavadas, depois de estarem durante anos caiadas de branco.
Depois da visita à capela restabelecemos as forças junto à fonte, próxima dali. Regressámos a Vila Flor de carro, pela estreita estrada que liga a sede de freguesia, Freixiel, a esta antiga quinta, Folgares.
 Foi uma caminhada memorável, mas, percorrer o vale da Cabreira no sentido contrário ao da ribeira com o mesmo nome, talvez subir ao Pé-de-cabrito é um desafio que ainda ficará para outra altura.
Diferenças de Altitudes

Percurso:16,12 km
Diferenças de Altitudes: 398 Meter (Altitude desde 331 Meter para 729 Meter)
Subida acumulada: 546 Meter
Descida acumulada: 410 Meter

09 janeiro 2012

Peregrinações - Capela de Sto António (Ribeirinha)

Quando em Setembro de 2011 fiz o balanço do 5.ºano À Descoberta do Concelho de Vila Flor, deixei no ar a promessa de completar a volta por todas as aldeias do concelho, com pelo menos uma Peregrinação.
Depois disso não fui dando muitas notícias, mas, na verdade, as caminhadas nunca pararam. Certo é que houve uma diminuição na sua frequência, quer motivada pelo facto de aos Domingos ser dia de caça, o que causa alguns constrangimentos, quer pelas condições atmosféricas, mesmo não havendo muita chuva, o nevoeiro é um forte condicionante, limitando a orientação e mesmo as condições desejáveis a quem quer fazer fotografias. Mas, durante os meses de novembro e dezembro realizei algumas caminhadas que, mesmo não sendo muito longas, proporcionaram momentos fotográficos assinaláveis que terei muito gosto em partilhar.
Foi já no longínquo dia 1.º Outubro que fiz, juntamente com o meu colega de Peregrinações, uma caminhada que nos levou de Vila Flor à Ribeirinha, na freguesia de Vilas Boas. Seguimos um percurso em parte já mostrado, em parte novo, mas que há muito que desejava conhecer. Nas vezes em que me desloquei entre Vilas Boas e o Vieiro, ou mesmo na linha do Tua, entre Ribeirinha e Abreiro, ficava por conhecer uma área bastante agreste, nas encostas do rio Tua. Confesso que tinha bastante vontade de percorrer essas paragens a pé.
Na primeira metade do percurso seguimos mais ou menos o trajeto da Peregrinação do dia 24 de Setembro, à capela de S. Domingos, no Vieiro. O dia estava muito quente a ainda se fazia a vindima das últimas uvas.
O nosso destino era a capela de Stº. António, na Ribeirinha, onde chegámos perto do meio dia. Embora o percurso seja na sua maioria descendente, passámos junto à pedreira de Freixiel ( ou de Vilas Boas), ponto mais alto de onde se vislumbram terras de além-Tua. Também podem ser encontrados muitos antigos fornos de figos.
Tal como previa, as aldeias do Vieiro e da Ribeirinha, não estão tão afastadas entre si, como pode parecer. O caminho existe, é muito antigo, mas cada vez é menos percorrido. À exceção de alguns veículos todo-o-terreno, já ninguém se aventura por estas paragens com animais de carga e os carros de tração animal não são mais de que uma imagem na memória de muitos de nós.
Há entrada do povoado há um nicho recente, penso que seja dedicado a Nossa Senhora dos Bons Caminhos. Um pouco mais abaixo fica um dos espaços mais conhecidos do "pobo", o café Luke Luke, onde se podem comer alguns petiscos.
A capela de Stº António, segundo consta uma ermida do Séc. XVII, já foi por mim visitada há alguns anos atrás. O seu interior é simples e agora até o Stº António abandonou o seu lugar cimeiro, após uma queda que danificou bastante a imagem. Embora a Ribeirinha disponha de outro local de culto, uma capela nova também dedicada a Stº António, este espaço não está esquecido, antes pelo contrário. Todos os espaços possíveis estavam cheios de flores naturais (na sua maior parte sécias).
Embora o cansaço fosse bastante e o tempo escasso, houve ainda tempo para fazer um curto percurso pelo povoado. De salientar a existência de uma fonte de mergulho, arcada, que me passou despercebida em visitas anteriores. O espaço onde se encontra foi arranjado, mas a fonte apresentava-se cheia de ervas e suja, com ar de abandono. Acredito que pouca gente passe pelo local para admirar este património, mas espero encontra-lo mais apresentável da próxima vez que lá voltar.
A nossa viagem terminou junto ao apeadeiro da Ribeirinha, da Linha do Tua. Não sequer houve tempo para visitar o sr. Abílio, grande conversador e último guardião desta linha centenária que todos os autarcas anseiam por afogar.
O regresso a Vila Flor foi feito de carro. Foi mais uma Peregrinação a um dos locais mais remotos do concelho, onde poucos vão só pelo prazer de descobrir. Mas vale a pena, porque aqui até parece que o tempo corre mais devagar!

Percurso:
Diferenças de Altitudes 422 Meter (Altitude desde 194 Meter para 616 Meter)
Subida acumulada 112 Meter
Descida acumulada 486 Meter

06 janeiro 2012

Do melhor que a terra dá

Nesta altura do ano é bom lembrar um dos melhores produtos que o concelho de Vila Flor produz, o azeite. Aliás, é bom lembrar que na votação realizada em 2007 neste blogue, a respeito das "7 Maravilhas" do concelho, o azeite se classificou nada mais, nada menos do que em 6.º lugar, curiosamente atrás das Amendoeiras em flor, espetáculo digno de se ver, e de que em breve voltarei a dar notícia.

05 janeiro 2012

Presépio - Benlhevai

O sr. Padre José Rodrigues e o presépio, em Benlhevai.

04 janeiro 2012

Peditório do Menino Jesus - Seixo de Manhoses

Na freguesia de Seixo de Manhoses sobrevive há muitas década um ritual único no concelho que acontece a cada dia um de janeiro, conhecido como o peditório do Menino Jesus. Esta tradição foi-se alterando com a evolução dos tempos, mas, no dia de ano novo, cumpriu-se mais uma vez a tradição.
Todos os anos é nomeado o mordomo do Menino Jesus. É sempre um menino, com cerca de 10 anos de idade, que é acompanhado de perto no desempenho da sua "missão" pelo pai, uma vez que a tarefa exige responsabilidade.
Ao raiar do dia um ou dois foguetes anunciam o início do peditório. Todas as famílias aguardam à porta de casa pela chegada do menino, com o Menino Jesus, uma vez que a criança (com o seu pai) levam a imagem do Jesus a abençoar todos os lares da aldeia. Não se trata da imagem do Menino, típico do presépio, mas sim uma imagem maior, representando Jesus mais crescido. Esta imagem está permanentemente num dos altares laterais da igreja matriz.
Os membros da família juntam-se na sala, muitas vezes junto do presépio, onde beijam a imagem do Menino Jesus que o mordomo transporta. A entrada na casa é acompanhada de palavras como "Boas Festas, Bom Ano Novo" ou "O Menino Jesus abençoa esta casa".
Se neste momento a volta pela aldeia é dada unicamente pelo jovem mordomo e pelo seu pai, uma vez que apenas é recolhido dinheiro, que o adulto vai guardando numa bolsa, nem sempre foi assim. Tradicionalmente o peditório recolhia os mais variados géneros alimentares, que se destinavam a um grande leilão, realizado no centro da aldeia. Vários homens transportavam cestos de verga revestidos com tolhas brancas onde depositavam as dádivas. Os produtos mais abundantes eram fruta, queijos, fumeiro e orelhas de porco. Também era recolhida grande quantidade de batatas, azeite, vinho e feijões. Todos estes produtos eram postos a leilão, em pequenas quantidades no largo de Santo António, junto de uma grande fogueira. Algumas pessoas aguardavam por este dia, porque era uma boa oportunidade de comprarem a bom preço produtos da terra que não produziam e de que iriam necessitar ao longo do ano. O vinho não era leiloado, circulava de mão em mão, por aqueles que "picavam" os produtos em leilão, aquecendo o corpo e os ânimos.
Antigamente a aldeia estava mais concentrada, mas havia que ir ao Gavião, porque quem lá morava também gostava de receber o Menino Jesus em sua casa. Durante a volta pela aldeia havia necessidade de ir esvaziar os cestos por várias vezes, o que era feito nos baixos de alguma casa perto do largo. Este trabalho de auxílio ao mordomo era compensado com o almoço, servido depois de terminada a volta e antes de ter início o leilão. A responsabilidade de alimentar estes homens estava a cargo do mordomo. Também a cargo do mordomo estava um dos elementos mais característicos desta tradição, o galheiro. Este objeto era usado em muitas aldeias, nomeadamente pelos cantadores dos Reis. Tratava-se de um ramo de árvore, com uma certa quantidade de galhos, onde eram penduradas as ofertas arrecadadas de porta em porta. Neste caso, no peditório do Menino Jesus, o galheiro era da total responsabilidade do mordomo que o "vestia" de produtos o mais atrativos que podia, com alguma vaidade e em despique com os dos anos anteriores, de forma a conseguir que rendesse bom dinheiro, quando fosse arrematado no final do leilão. O importante era que mal se conseguisse ver a madeira e para isso contribuíam as uvas, maçãs, rebuçados, bolachas, vinho fino e tudo o mais que fosse possível arranjar e pendurar.
Terminado o leilão, não terminava a festa. Em tempos remotos eram os acordeões, os realejos ou as violas que animavam os bailes, depois chegaram as aparelhagens e os grupos musicais.
Todos este ritual foi-se adaptando ao ritmo dos tempos. À medida que os párocos foram deixando de receber a côngrua em géneros e passaram a recolher apenas dinheiro, o leilão foi morrendo e a tradição do galheiro também. Manteve-se o mais simbólico, a visita do Menino Jesus à casa das pessoas, abençoando-as para um novo ciclo. O dinheiro arrecadado é entregue à igreja.
Terminada a sua "missão", o pequeno mordomo indica o seu sucessor para o ano seguinte. O mordomo é sempre um rapaz, havendo memória de uma única exceção, em que as funções foram desempenhadas por uma rapariga, no cumprimento de uma promessa.
As origens desta tradição são desconhecidas. O culto do Menino Jesus, ou do Menino Deus como antigamente era chamado é muito antigo. No século XVIII o culto ao Menino Deus já era referenciado em Seixo de Manhoses, mas também é verdade que ele existia em mais de metade dos povoados do concelho e em muitos da região. Há nesta tradição do peditório do Menino Jesus, do galheiro, do mordomo rapaz, do início do ano, ligações a outras tradições remotas espalhadas pelas mais diversas aldeias da região (festas do ramo, festas de S. Estêvão, charolo, etc.). Um antropólogo seria capaz de interpretar estas ligações.
Em 2012 a tarefa de mordomo, coube ao Ruben. Já não usou o galheiro, nem leilão, mas a volta pela aldeia foi demorada. Ao fim da tarde consegui encontrá-lo já quando estava prestes a terminar. Andou o dia todo de casa em casa (incluindo o santuário de S. Cecília), mas estava satisfeito por ter sido o mordomo do Menino Jesus.

02 janeiro 2012

Ano novo, vida nova

Ano novo, vida nova - a expressão é conhecida, mas na aldeia de Benlhevai ela assume um significado de festa, convívio e encontro.
A história remonta há 16 anos atrás quando a Junta de Freguesia decidiu fazer um convívio, fornecendo o almoço a toda a população da aldeia. O objetivo primeiro era o de aproximar as pessoas, uma vez que havia algumas desavenças políticas. "À mesa" é mais fácil a aproximação.
A festa profana conjuga-se com a festa religiosa do primeiro dia de Janeiro, Dia de Santa Maria, dia de Ano Novo. Logo pela manhã começa a azáfama. Não é fácil preparar o almoço para tanta gente, mas a experiência já começa a dar os seus frutos e a grande fogueira está presente, para que não falte o combustível.
Pela manhã celebra-se a Eucaristia. A igreja está bem preservada e já é grande para a população da aldeia. Termina com cânticos ao Menino Jesus e com toda a gente a beijar o Menino e a sair pela porta da sacristia. Seguia-se depois a "arrematação das leiras". Os bens da igreja (terrenos de pasto, cultivo, colheita, alugueres e rendas) eram arrematados, renovando-se o ciclo anualmente. Esta arrematação já não se faz.
 Toda a gente se dirige para o largo da aldeia, próximo da igreja, onde as mesas já estão postas e a comida acabada de fazer. Toda a aldeia está convidada e os visitantes também são bem-vindos.
A ementa foi variando ao longo dos ano, havendo mesmo a preocupação de não a repetir: num ano matou-se um porco, noutro comeu-se entrecosto de vitela, salsichas assadas com pão de forno, ou borrego estufado com batata cozida com casca, caldeirada de borrego, etc. Este ano marcaram presença frango e barriga de porco no churrasco e sopa de couve e feijão vermelho, feita em enormes panelas de ferro no lume da fogueira. Vinho e pão também nunca faltaram.
Este são convívio parece ter a aprovação das forças dívinas, uma vez que, nos 16 anos consecutivos em que se realizou nunca a chuva impediu o convívio.
A festa continua pela tarde e prolonga-se pela noite. Em edições anteriores houve a presença de ranchos folclóricos, grupos musicais, ou, a aparelhagem da junta de Freguesia animou a malta, prolongando a festa e o convívio.
Para acentuar a singularidade deste convívio em Benlhevai falta lembrar que os elementos da Junta são eleitos como independentes. Talvez em 2012 se tenha assistido ao encerramento de um ciclo, ou talvez não... vamos esperar por 1 de Janeiro de 2013.
Parabéns à Junta de Freguesia e a toda a população participante. A fraternidade de que tanto se fala na quadra natalícia não deve ficar só pelas intensões.

31 dezembro 2011

Um ano 2012 feliz


Numa altura em que tudo parece desabar, tornando o futuro cada vez mais incerto é dentro de nós e das pessoas que nos rodeiam que temos que procurar as energias necessárias para iluminar e colorir os 365 dias de 2012.
Contem comigo.
Um excelente 2012 para todos.