12 março 2012

Ainda há amendoeiras em flor

Estão a terminar as iniciativas dos municípios relacionados com a Amendoeira em Flor. Como habitualmente, foram muitos os que percorreram a região, principalmente em autocarros.
Se no início as minhas expectativas quanto ao espetáculo natural eram algumas, com o passar dos dias, e como nos locais onde vivo e onde trabalho há amendoeiras em redor, elas foram-se dissipando. A falta de chuva não diminuiu a beleza das amendoeiras, apenas a floração foi atrasada, mais pelo frio do que pela falta de chuva.
Longe de terminar, o espetáculo ainda vai a meio. Ontem foi a primeira vez que saí, máquina às costas, com o objetivo de fotografar as amendoeiras em flor. Fiquei realmente satisfeito. Há manchas muito bonitas, embora as pétalas já estejam a cair.
 Tal como sempre disse, a floração é escalonada em altitude e ainda vai haver amendoeiras em flor durante muitos dias. Neste momento o máximo de floração está ao nível de Vila Flor, mas nas zonas de maior altitude do concelho de Vila Flor e de Carrazeda de Ansiães a floração ainda se vai prolongar por mais uma semana.
Espero ter oportunidade de ainda me deslocar ao concelho de Carrazeda a ver como estão por lá as coisas, entretanto, deixo algumas das imagens de captei ontem, em Samões, Arco e Vila Flor.

11 março 2012

A história do dia

A história do dia decorrido foi contada pelo homem sentado à mesa do café. O papel aceitou as palavras e o cigarro apagou-se. Calma sem mentiras invadiu o recinto e não houve quem dissesse miséria.
Chegou o cão e quis carícias. O homem baixou a mão esquerda e passou-a pelo focinho e pelos olhos e pelo corpo daquele ser que chegava atraído pela solitária figura do homem ali sentado, que viera de longe, daquele lugar que fica para lá das montanhas e parece diferente; deixou tudo o que escutava e dizia palavras eloquentes e veio sem saber por entre nuvens; o Sol rompeu finalmente e nos rostos dos companheiros de viagem nada se modificou: estavam mortos.
Agora, o cão adormeceu debaixo da mesa. Todos se vão embora e ficam os dois, esquecidos, dormindo.
A história está escrita e só necessita de ser apreendida para que um grito soe, longínquo.
As conversas são finalidades implicadoras com a hora de adormecer e no cinema muita gente boceja. A fita é pouco divertida, embora lhe tivessem dado os prémios que os cartazes anunciam.
Há quem tenha remorsos, mas continue a encarar a vinda do Sol como uma passagem diária. Então, a Lua fica escondida, tão envergonhada e triste que pede caridade às nuvens. E elas sentem o dever de não lhe descobrirem as lágrimas e vão por caminhos indirectos até ao fim da noite, sempre cuidadosas e macias. Descobrem, por fim, que já não existem faces cavadas pelo sofrimento alheio, e choram.
A história espera. O cão dorme. E o homem também...

Do livro Libelo Acusatório, da autoria de Modesto Navarro.
A primeira edição deste livro aconteceu em 1968, pela Prelo Editora, e a segunda em 1999 pela Caminho.
Fotografia: Oliveiras, em Roios.

09 março 2012

Carnaval 2012 (1)

O desfile de Carnaval com os as crianças do pré-escolar, primeiro e segundo ciclos, aconteceu no dia 17 de Fevereiro, em Vila Flor. Embora fotografar no meio da multidão e do barulho não seja uma coisa que faço habitualmente, houve momentos e "quadros" que pode valer a pena recordar. Aqui vemos duas crianças vindas de Samões, com as suas vistosas jubas de leão!

08 março 2012

Fonte Romana - Vila Flor

Fonte Romana - Vila Flor
Conjunto hidráulico de planta em U invertido, delimitado por muro em cantaria de granito, em aparelho irregular, terminado em friso e cornija, que constitui o seu capeamento, integrando ao centro da ala central fonte de espaldar e tendo adossado à ala esquerda tanque bebedouro e à direita banco de cantaria, junto à qual, e já fora do espaço que o U delimita, se ergue fonte de mergulho sobreposto por mirante. FONTE DE MERGULHO de planta quadrangular simples, em cantaria de granito, de aparelho regular, com as juntas preenchidas a cimento, superiormente terminada em moldura de perfil curvo. Face principal virada a N., rasgada por vão em arco de volta perfeita, com a zona inferior protegida por pequeno murete em granito e fechado com portão em ferro, pintado de verde, decorado com volutas estilizadas e tendo a inscrição: "CM / MCMXCIV"; no interior, possui a nascente a 3 m de profundidade. Sobre a fonte de mergulho, ergue-se um mirante alpendrado, igualmente de planta quadrada, suportado por quatro pilares de faces almofadadas, tendo adossados meios colunelos de capitéis jónicos, e, a meio de cada uma das faces, por quatro colunelos iguais, assentes em soco com cornija saliente, e suportando arquitrave, com friso decorado por carrancas nos ângulos e, nas faces viradas a E. e N. por outras carrancas com trombetas, tendo ainda a do lado E. a inscrição "1578 ANOS". Cobertura em domo, de tijolo, rebocado e coroado por pináculo, coroado por volutas jónicas, interiormente rebocada e pintada de branco, assente em trompas de ângulo. FONTE DE ESPALDAR, de planta rectangular e corpo em cantaria de granito, de aparelho regular, com face principal delimitada por pilastras toscanas, coroadas por plintos paralelepipédicos, rematados por esferas de cantaria, e terminado em empena contracurvada, com cornija, integrando ao centro escudo, decorado por outro mais pequeno ostentando flor-de-lis, rematado por cartela recortada e ornamentada por ramo de três flores em alto relevo. Tem inferiormente, junto às pilastras, duas bicas de configuração circular, ostentando canalização recente. Em frente do espaldar surge tanque de planta rectangular, bastante baixo. Esta fonte é ladeada por dois pequenos vãos, em arco de volta perfeita e gradeados, rasgados no pano do muro, ao nível do pavimento. Ao longo de toda a ala esquerda do U e extravasando a mesma, dispõem-se o TANQUE BEBEDOURO, de planta rectangular, cujo muro forma espaldar, tendo a meio cartela rectangular com a inscrição "O. P. A. S. S. H. 1934"; o tanque possui as paredes em cantaria de granito, de aparelho irregular, com bordo bastante saliente e facetado. O recinto delimitado pelo U apresenta pavimento desnivelado e em terra.

Fonte do texto e mais informação: SIPA

07 março 2012

Flor do Mês - Fevereiro de 2012

Fevereiro já lá vai e a Flor de Fevereiro ficou por escolher. Não que não tenham aparecido por aí algumas espécies a mostrarem um pouco da sua graça, mas a quantidade e a qualidade das flores não facilitou a tarefa. Assim, bastou fazer uma busca no mês de Fevereiro de anos anteriores (e já lá vão 6!) para encontrar algumas espécies capazes de representarem o referido mês. A escolha recaiu na Margaça (Chamaemelum fuscatum), Margaça-de-Inverno ou Margaça-fusca.
O nome margaça é também utilizado na região para a camomila, mas a Margaça-de-Inverno, tal como o nome indica, floresce em pleno inverno, estendendo-se a floração de Dezembro a Agosto. Durante o mês de Janeiro observei os primeiros exemplares nas zonas mais quentes do concelho, nas Peregrinações a Assares e Santa Comba da Vilariça. Embora seja abundante em todo o concelho (e em todo o Portugal) é junto à aldeia de Samões que tenho encontrado os mais belos campos repletos desta planta. São muito frequentes em olivais e vinhas, mas também em terrenos de poisio. Gostam de terrenos encharcados.
Pertence à ordem Asterales, família Asteraceae eu prefiro dizer que é da família das Compostas, porque foi assim que aprendi. As pétalas são brancas e o disco central é amarelo vivo com inflorescências hermafroditas e tubulosas. Os frutos formam aquénios.
Desde criança que conheço esta flor. Brincávamos com elas ao bem-me-quer, mal-me-quer, enquanto arrancávamos as pétalas uma, a uma.
Apesar de ter as mesmas caraterísticas medicinais de outras margaças como a mançanila (Chamaemelum nobile), não é usada como tal. Não conheço nenhuma utilização para esta bonita planta, no entanto, noutras regiões, ela é utilizada não como medicinal, mas como comestível, mas com o nome vulgar de pamposto. As suas folhas podem ser aproveitadas para confecionar vários pratos, sendo utilizadas como legume, nomeadamente em sopas! Encontrei pelo menos duas receitas com pampostos, da zona de Rio Maior.
 Por aqui, onde as até a vila é Flor, estas e outras flores são apenas aproveitadas para regalo dos nossos olhos, principalmente quando formam mantos brancos visíveis à distância.

Outras Flores de Fevereiro:

  • Fevereiro de 2009 - Campainha (Narcissus bulbocodium. L.) 
  • Fevereiro de 2008 - Amendoeira (Prunus dulcis)

05 março 2012

Peregrinações - Capela de S. Sebastião (Santa Comba)

Quase um ano após a reinauguração a capela de S. Sebastião, em Santa Comba da Vilariça foi o destino de mais uma caminhada da série Peregrinações, a 14 de Janeiro.
Para não variar, o dia estava muito frio, para não dizer gelado. O nevoeiro nem sequer foi esperado, porque apareceu mal demos os primeiros passos em direção à Serra. Quer o gelo, quer o nevoeiro, longe de se tornarem uma dificuldade, acabaram por ser elementos que proporcionaram momentos únicos, fezendo desta caminhada uma das mais marcantes, em termos fotográficos.
Para evitar erros anteriores, devidos ao nevoeiro, a solução seria seguir apenas por caminhos já conhecidos e, não havendo outra hipótese, utilizar as estradas.
Mais uma vez o percurso consistiu na subida à Serra, Roios, Vale Frechoso, Benlhevai e, depois, Santa Comba da Vilariça.
Gilbardeira (Ruscus aculeatus)
O raios de sol que tentavam penetrar por entre as árvores e o nevoeiro que tentava apagá-los, obrigaram-me a paragens frequentes e demoradas, pelo que os primeiros quilómetros da caminhada não foram muito rápidos. Depois de passarmos Roios as coisas melhoraram e rapidamente atingimos Vale Frechoso. Os lameiros que antecedem a aldeia, ao longo do curso de água, apresentaram-se nesse dia com uma beleza diferente, proporcionada pelo nevoeiro. Ofereciam cenas cheias de mistério, dignas de fazerem parte de um filme.
A passagem pela aldeia foi rápida. Havia tanto nevoeiro que apenas alguns gatos se aperceberam da nossa presença. Decididamente não estava um dia convidativo para as pessoas saírem para a rua.
Optámos por um dos caminhos alternativos que nos levaram ao Alto da Serra, praticamente onde começam os soutos dos castanheiros que tanto caracterizam Benlhevai. E foi no Alto da Serra (há aí um marco geodésico que marca os 690 metros de altitude) que tivemos o atrevimento de fazer o que não tínhamos ideia de fazer - seguir por um caminho completamente desconhecido. Entretidos a observar os cogumelos que ainda eram abundantes, apesar de a maior parte estar estragado pelo gelo, seguimos por um caminho descendente pelo meio do pinhal.
Perto de Vale Frechoso
Rapidamente perdemos toda a orientação. No meio do nevoeiro, sem ver o alto dos montes que sempre são os pontos de referência para a orientação, começámos a ponderar termos que virar para trás. Para piorar as coisas, o caminho terminou de repente num olival. Era difícil andar no meio das giestas porque estavam encharcadas. Procurámos uma saída em redor do olival  e acabámos por seguir por um trilho estreito que nos levou a um verdadeiro caminho. Respirámos de alívio. Com sorte o caminho levar-nos-ia a Benlhevai ... e assim aconteceu. Entretanto passámos por locais com uma beleza difícil de descrever, mas que as fotografias ilustram (com alguma dificuldade).
Já na aldeia, decidimos seguir até Santa Comba da Vilariça por estrada. Tínhamos perdido muito tempo e já passava da uma hora da tarde. Assim fizemos.
Não houve muito tempo para apreciar o IP2 e os belos pomares de fruteiras, à medida que nos aproximávamos da aldeia. A vontade era mesmo chegar ao destino. Os quilómetros já eram muitos. calçado estava molhado e cheio de lama, mas como o percurso era agora alcatroado e descendente, não havia grande grandes problemas.
Sanchas (Lactarius deleciosus)/Canários (Tricholoma equestre)
Chegámos às primeiras casas às duas horas menos um quarto, da tarde. A fome já tinha passado e, desta vez, comemos a fruta que normalmente levamos e raramente comemos!
A capela de S. Sebastião está situada à entrada de Santa Comba, para quem se aproxima vindo de Benlhevai. Fica numa pequena elevação a que chamam Calvário. Ali perto está uma padaria e um dos cruzeiros medievais, o tal que se pensava ser um Pelourinho e que perdeu a classificação de Monumento Nacional.
A capela de S. Sebastião reabriu ao culto em Janeiro de 2011, depois de ter sido alvo de recuperação e de ter sido arranjado todo o espaço envolvente. A primeira impressão é muito positiva. Há canteiros para jardim, bancos e espaço para estacionamento de automóveis. Tudo arranjado para que a pequena capela, virada a poente, possa "respirar".
 Capela de S. Sebastião (Santa Comba da Vilariça)
No exterior não há grandes elementos arquitetónicos a referir, além de torre sineira, central, mas sem qualquer sino. É elegante e tem alguns motivos gravados.
No interior o altar em talha dourada do Séc. XVII contrasta com as paredes caiadas de branco. Foram instalados dois focos nas paredes laterais que iluminam a imagem de S. Sebastião e fazem brilhar os dourados do altar. Numa das paredes laterais está um altar com a imagem de Santo António. Completam o conjunto de imagens uma de Nossa Senhora de Fátima e outra do Sagrado Coração de Jesus.
Todo o interior respira beleza e mostra o carinho e atenção com que é cuidada, bem evidente nos arranjos de verdes e flores que tinha. Esta capela, é, sem dúvida, mais um elemento de vaidade para os habitantes de Santa Comba e eu pude ver estampada no rosto de alguns habitantes no Calvário com quem falei.
 Interior da capela de S. Sebastião (Santa Comba da Vilariça)
Terminada a visita à capela., percorremos o espaço que nos separava da Escola de 1.ºCiclo, implementada no largo mais espaçoso da aldeia. Foi aí o ponto de encontro com o transporte que nos trouxe de volta a Vila Flor.

Perfil de altitude (altimetria)
Diferenças de Altitudes 428 Metros (Altitude desde 276 Metros para 704 Metros)
Subida acumulada 474 Metros
Descida acumulada 762 Metros
GPSies - VilaFlor_SantaComba

03 março 2012

Chove em Vila Flor!

Poderá não ser uma grande coisa, mas é um bom motivo de satisfação. Neste ano, completamente atípico, esta é a primeira vez que vejo algumas gotas de chuva nos últimos meses. Ainda terça-feira passei pela barragem do Peneireiro e o cenário é preocupante. As estatísticas dizem que em 2005 estivemos pior, mas, nunca na minha vida vi as reservas de água tão em baixo.
Acho qu não vai chover significativamente, mas que seja uma amostra para que março e abril compensem estes meses de seca absoluta. Também é importante para o blogue. Ele segue os ritmos da natureza e precisa que a natureza esteja bem, para poder mostrar as belezas deste concelho que se que apresenta como paraíso natural.

Coração na Fala


Qualquer relevo ao sol é um altar.
Toda a curva de serra é um regaço.
O que nos vê tem júbilo de abraço.
Tempos e modos de alma, o verbo amar!

Ressuma ausência o acto de chegar.
Somos o centro e queremos mais espaço:
Acaso um outro mês antes de Março,
A fim de a Primavera antecipar.

Meu zénite de anjos verdadeiros,
Minha Vila Flor, alvores primeiros
De uma alba quase comungada!

Quero dizer-te mais, e fico mudo.
Não te descrevo, sinto-te - e é tudo.
Não te amo, adoro-te - mais nada!

Soneto de João de Sá, do livro Vila à Flor dos Montes, 2008.
Fotografia: Atrás da Serra.

02 março 2012

A caminho do Vieiro

Um dos tantos caminhos percorridos, por belas paisagens do concelho. Este fica em território de Vilas Boas, perto do marco geodésico do Pessegueiro (por cima da pedreira).

01 março 2012

Albufeira da Laça

Albufeira da Laça, na ribeira com o mesmo nome. Fica numa zona pouco conhecida do concelho, algures entre Roios e Vale Frechoso. Penso que não é visível de nenhuma estrada, mas o traçado do IC5, pouco antes de chegar a Lodões, sobre uma ponte altíssima, passa sobre a Ribeira da Laça.

29 fevereiro 2012

Peregrinações - Capela do Santíssimo Sacramento (Assares)

Bem que gostaria de visitar Assares mais vezes, mas, dada a localização da aldeia, é dos locais do concelho que menos conheço. Não estou a falar nas dificuldades em chegar à aldeia de carro, nisso até está bem servida, mas estou a falar sobretudo a pé ou de bicicleta (sem ser pela estrada). Por isso foi com bastante entusiasmo que no início de janeiro parti para uma "Peregrinação" até Assares.
As dificuldades seriam, mais uma vez, as zonas com arame farpado em território de Vale Frechoso e ... o nevoeiro. Este espreitava lá do vale, subindo de vez em quando até aos pontos mais altos, quer assomando-se vindo do Cachão, quer estendendo-se por Sampaio ameaçando inundar todo o vale.
Subimos às capelinhas (eu e o colega de caminhadas Helder Magueta). Os caminhos por detrás da serra já são bem nossos conhecidos e fazemos os possíveis por variar o percurso. Curiosamente, os cogumelos que procurei sem sucesso em novembro e dezembro, vim a encontrá-los em janeiro e fevereiro! A falta de chuva atrasou o seu desenvolvimento, mas havia grande quantidade.
Depois de passarmos Roios decidimos seguir um pouco mais para norte do que o habitual. A ideia era fazer todo o caminho que vai da aldeia  até à Quinta do Galego quase junto da estrada que segue para a Trindade. É um caminho que já fiz muitas vezes sozinho, mas que nunca foi feito desde que começaram as "Peregrinações". Estávamos a mais de 600 metros de altitude, quando queríamos descer perto dos 200, em Assares.
Pouco depois de deixar-mos a referida quinta, havia duas hipótese de percurso: seguir por um dos caminhos habitais até Vale Frechoso e depois seguir para Assares; tentar descobrir um caminho mais em linha reta passando pela Quinta de Sto  Estêvão e pela Quinta do Prado. Este último tinha muito mais lógica (e aventura) e acabámos por optar por ele. A questão que nos preocupava era se conseguiríamos contornar a o arame farpado da Quinta de Sto Estêvão, porque os caminhos por aqui não abundam. O caminho que seguimos era muito bom e estava e mostrava ser muito utilizado, mas, de repente, acabou junto a uma cerca. O que temíamos vei-o a acontecer.
As alternativas aram voltar para trás e ir até Vale Frechoso ou tentar contornar a cerca pelo sul, junto à pequena Barragem da Laça. É um local de má memória, e, mais uma vez revelou-se uma zona difícil. A única coisa favorável foi o facto do nevoeiro não nos ocultar a paisagem, permitindo-nos alguma orientação, caso contrário nunca teríamos podido seguir em frente.
Respirámos de alivio quando nos encontrámos junto à Ribeira das Duas Quintas, já em terrenos da Quinta do Prado. Para não cometermos o mesmo erro que me levou a Lodões na caminhada que fiz no dia 26 de novembro, quando pretendia chegar a Santa Comba, aventurámo-nos mais para o interior da quinta. A certa altura foi quase impossível evitar passar pelas habitações no centro da quinta. ´Foi uma coisa que não nos agradou, porque não é bonito invadir propriedade privada e também pode ser perigoso. A nossa sorte foi que fomos avistados a grande distância por um responsável pela quinta, que foi ter connosco. Havia quase meia dúzia de enormes cães que não sei o que nos teriam feito se nos aproximássemos sem a presença do responsável. Até assim nos arrepiámos.
Um pouco mais à frente, nos limites da Quinta do Prado decorria uma batida ao javali. Esta era outra situação que não contávamos encontrar. Começámos a fazer as caminhadas ao sábado precisamente para evitar a caça ao tordo, que acontece ao domingo! Felizmente que não tivemos que passar onde decorria a batida, limitando-nos a contornar um dos caçadores que estava numa das portas mais a sul.
Neste ponto encontram-se os caminhos que vêm da quinta e o que vem de Vale Frechoso, pelo Alto da Vinha, seguindo juntos até Assares. De repente o vale abriu-se a nossos pés!
O caminho era bom  (e sem barreiras!). Em poucos minutos chegámos à aldeia depois de passarmos sobre uma ponte que atravessa o IP2.
Estava na hora de almoço e não se via ninguém na rua. Constatei, mais uma vez que as rolas turcas gostam muito de Asares. Voam aos bando de um edifício para outro, mesmo no centro da aldeia, onde um enigmático edifício chama à atenção. É um edifício novo, que foi construido penso que para museu! Está terminado e ... vazio, há vários anos. Assares é uma das mais pequenas aldeias do concelho, mas ainda terá gente capaz de dar vida a este edifício, sendo museu ou outra coisa qualquer. Entretanto, espera-se não sei pelo quê.
A capela que era o nosso destino está mesmo no centro da aldeia e não foi difícil dar com ela. Esta capela tem funcionado como matriz. Segundo Cristiano Morais o altar é do Séc. XVII e pertencia a uma antiga matriz que caiu. Esta capela foi reconstruida em meados do Séc. XVIII. O exterior é muito simples chamando apenas à atenção a  data escrita em numeração romana na padieira da porta MDCCLXXVII, um pequeno óculo em granito, encimado por uma cruz e a torre sineira, central, pequena, e muito elegante (com dois pináculos e uma cruz). Já houve por cima da padieira uma pedra saliente com o ano 1777 gravado, mas curiosamente já não está lá!
É no interior da capela que está a sua riqueza. As imagens são quase todas muito antigas. Uma das mais recentes tem lugar de destaque no único altar lateral (de 1905) que existe, o Sagrado Coração de Jesus. O altar central é uma bela peça em talha. O dourado já não brilha, mas adivinha-se que seria esplêndido. É possível que alguns elementos possam ter sido acrescentados ao altar original. como uma pomba dourada e um quadro representando o Sagrado Coração de Jesus. Na porta do sacrário está representado um cordeiro. Tratando-se de uma capela dedicada o culto do Santíssimo Sacramento esperava encontrar símbolos identificativos desse culto, mas não são evidentes. Possivelmente por cima do sacrário, onde agora está uma cruz com Cristo Crucificado devia ser colocada a custódia ou ostensório, com a hóstia consagrada. O próprio desenho envolvente, em estrela, fazendo lembrar uma custódia, vem reforçar esta minha ideia.
A poucos metros da frente da capela, orientada a nascente,  há um cruzeiro em granito, num patamar elevado em relação ao largo onde há um fontanário e tanques para lavar. Ainda estavam no centro do largo os restos da fogueira do Natal.
A nossa caminhada terminou perto da antiga Escola Primária, onde há umas alminhas que gosto sempre de visitar, porque são um caso único de conservação no concelho.
Regressámos a Vila Flor de carro.

28 fevereiro 2012

Amendoeiras em Flor 2012

Chegou uma das épocas mais bonitas no concelho de Vila Flor e nos concelhos limítrofes. As amendoeiras floridas proporcionam um espetáculo pouco frequente noutras regiões do pais e de rara beleza, para quem tem tempo e espírito para se aventurar a percorrer as estradas do sul do distrito de Bragança.
Este ano é um ano atípico. Como tenho registo fotográfico de anos anteriores, não necessito dos dados meteorológicos para saber que o que se passa não é normal. De qualquer forma, mesmo com mais de uma semana de atraso, quase duas, as amendoeiras começam a mostrar um ar da sua graça. No fim de semana passado fotografei as primeiras flores em Torre de Moncorvo e neste fim de semana apareceram as primeiras florem em Vila Flor.
Se os primeiros turistas que vieram este fim de semana se sentiram um pouco defraudados, no próximo fim de semana o espetáculo já vai valer a pena, com as encostas cobertas de amendoeiras floridas proporcionando uma visão paradisíaca deste canto agreste de Portugal. A par das amendoeiras em flor, há muito para ver na região. Todas as autarquias, incluindo a de Vila Flor, prepararam um conjunto de iniciativas que vão desde a animação musical, aos espetáculos de de folclore, exposições de artesanato, feiras de produtos locais etc. Acima do Douro (não contando Foz Côa, que se assume como capital da amendoeira em flor), todos os concelhos têm algo a mostrar. Visitar Freixo de Espada à Cinta, Mogadouro, Torre de Moncorvo, Alfândega da Fé, Vila Flor ou Carrazeda de Ansiães é uma boa oportunidade para apreciar a paisagem mas também visitar o património histórico, apreciar a gastronomia e comprar os produtos da região, que são algo de extraordinário. Podemos falar do vinho, do azeite, do fumeiro, da doçaria tradicional, mas também do artesanato. Não esquecer que os municípios situados na zonas mais frias, como parte de Vila Flor, Alfândega da Fé e Carrazeda de Ansiães terão uma época de floração da amendoeira mais tardia, prolongando-se talvez até aos finais de março, dependendo de se a chuva vai aparecer ou não.
Em Vila Flor haverá animação todos os fins de semana. O programa é variado e promete. Também os concelhos limítrofes de Alfândega da Fé, Carrazeda de Ansiães e Torre de Moncorvo têm as suas próprias propostas. Além das atividades do programa, em Vila Flor, não é de dispensar um passeio pela parte antiga da vila, uma visita ao Museu Berta Cabral, um passeio pela complexo natural envolvente à Barragem Camilo Mendonça e uma subida ao Cabeço do santuário de Nossa Senhora da Assunção, em Vilas Boas, a 6 km de distância de Vila Flor.

Atenção aos mapas das estradas que poderão estar desatualizados, não mostrando o recente traçado do IC5 e IP2, já em funcionamento nalguns troços. Usar os IP's e IC's pode não ser a melhor solução para apreciar as amendoeiras em flor, mas pode ser uma boa alternativa para atingir as sedes de concelho e partir daí por estradas nacionais ou municipais onde o espetáculo é mais maior e onde se pode parar a qualquer altura.
Não deixo sugestões de percursos, porque já fiz isso em anos anteriores e os amendoais são os mesmos. Ficam algumas ligações de coisas que já publiquei em anos anteriores sobre as Amendoeiras em Flor.

    2011
    2010
    2009

    2008Espero ter tempo para conseguir algumas fotografias interessantes para mostrar aqui.