12 abril 2012

Rebanho

Rebanho de ovelhas, próximo de Lodões.

11 abril 2012

Vila Flor - Av Marechal Carmona

Aspeto pouco habitual da Av. Marechal Carmona, em Vila Flor. A avenida esteve em obras mas já foi reaberta ao trânsito de cara lavada. O estacionamento continua algo desordenado!

10 abril 2012

Equilíbrios difíceis

A Natureza encontra sempre um equilíbrio (quando o Homem não está por perto).
Uma das muitas curiosidades naturais que existem no termo de Samões.

09 abril 2012

Cartas (João de Sá - Cabral Adão)

Quanta beleza se esconde em certas cartas, trocadas entre parentes, entre amigos, modestos correspondentes! É um género literário como qualquer outro. O género epistolar que se perde, as mais das vezes, num cesto de papéis depois da necessária leitura do destinatário, deixando nele apenas uma recordação, relembrada em certas frases mais modelares, de acento mais fundo e expressivo.
Eu não quero essa responsabilidade - e estou a pensar numa carta escrita corrente calamo que recebi do meu amigo, conterrâneo e prestimoso beneficente Dr. João de Sá, morador em Lisboa, onde é professor liceal de reconhecido valor. Prefiro correr o risco duma indiscrição, do que silenciar tão bela peça de paisagística viva, bem assim portadora duma saudade que só os que vivem pelo coração e pelo espírito sabem sentir:
“Prezado amigo
Em Agosto findo, quando o calor abrandou, ainda estivemos uns dias em Vila Flor. Foram poucos mas tiveram o gosto incomparável dos reencontros apetecidos. De quando em vez é preciso demandarmos a terra-mãe para desfazermos o torniquete da nostalgia e acertarmos o relógio efémero pela sábia exactidão das ampulhetas dos pinheiros…
De facto, nunca serei um homem da beira-mar. A sua mobilidade perturba-me. Por lá, não, tudo tão vivo e interpelante é ao mesmo tempo seguro, estável, fundamental. Uma funda conversão à autenticidade.
Trouxe a mais bela impressão de um passeio matinal à Serra. Percorria-a sob um sol de ouro e mel, do Frade à Senhora da Lapa, onde já não ia há anos. Quanta saudade remoí num dentro inlocalizável, ao ver de novo a caverna do Frade onde, em outros Invernos idos aos Domingos dava lições de História Universal e sobre “Os Lusíadas” a dois companheiros da jornada incolor, julgando, por esse meio, transformar o mundo!
Por lá andei até ao almoço, fundido na mestria do essencial, nesse reino do imutável. E a luz que explodia na solidão dos montes penetrou até às mais remotas camadas do meu ser. E ainda hoje ao lembrá-la, neste Inverno frio, me concede uma serena solidez que me pacifica”.
Eu tinha o mesmo sentir quando me deslocava à minha querida Vila Flor, esse telurismo sereno dos pinhais e dos pomares, das searas dos chãos e das urzes das ravinas. E até poetei dum jeito que terminava assim:

Cantem os outros o Mar
Que eu canto a terra bravia.
Foi ela que me ensinou
A cantar lá longe… um dia!

Está conforme com o original a que me reporto, arquivado com um lacre de azul-saudade.
Cabral Adão

Nota: Publicado no jornal por Cabral Adão, a respeito de uma carta que recebeu de João de Sá. Não consegui identificar o jornal, que seria quase de certeza da zona de Setúbal, nem a data, possivelmente nos anos 50.

08 abril 2012

Súplica


Manda-me um grão, um só, da terra querida
Tatuada de voos de narcejas.
Meneios de pinheiros e carquejas.
Algo que tenha ritmos de vida.

Não esqueças o bálsamo da ferida
Que ainda me lacera. E as cerejas,
Em folhas de videira, em que tu estejas
Mesmo em cor e aroma resumida...

E um copo de resina e os dedos
- Os mais hábeis no jogo das sementes -
Afeitos à tormenta, à dor, aos medos.

Manda-me o que puderes e me desperte
Para um novo incêndio de poentes
Que com a minha terra me concerte!

Soneto de João de Sá, do livro Vila À Flor dos Montes (2008).
Fotografia: Pinhal, Traz da Serra.

03 abril 2012

Freguesia Misterio n.57

O desafio Freguesia Mistério n.º56 decorreu durante o mês de fevereiro. Consistia em identificar uma fonte, antiga, de mergulho, um pouco como outras que já fui mostrando, espalhadas pelo concelho.
Responderam ao desafio 7 pessoas que distribuíram os seus palpites desta forma:
Seixos de Manhoses (1) 14%
Vale Frechoso (1) 14%
Valtorno (1) 14%
Vila Flor (3) 43%
Vilas Boas (1) 14%
Como se pode ver, apesar da pouca participação, quase 50% inclinou-se para Vila Flor, que é a resposta certa. Esta fonte está na na berma da estrada que sai de Vila Flor para Roios, a curta distância da vila. Encontra-se antes das alminhas, onde se vira para o cemitério.
Tentei saber que a fonte tem algum nome pelo qual seja conhecida, mas ninguém me deu essa informação.
Trata-se de uma fonte de mergulho, quase completamente escondida. Este ano está seca, mas também não é local onde a água seja muito abundante. É possível, que em tempos a estrada estivesse a uma quota mais baixa e que o acesso à fonte fosse mais fácil.
Quando o espaço envolvente está limpo é relativamente fácil apercebermo-nos da sua presença, mas quando há muita vegetação espontânea é possível que as pessoas passem por ela sem a verem (quando se deslocam de automóvel).
A grade de proteção destina a evitar que alguém ou algum animal caia para dentro da fonte. A água, quando a tem, deve ser imprópria, porque os adubos e herbicidas não devem andar longe.
O desafio que decorreu durante o mês de março foi bastante fácil. Tratava-se de saber em que freguesia existe a construção que a fotografia mostra. Brevemente divulgarei os resultados.
Entretanto, já está colocado o desafio para o mês de abril.
Em que freguesia do concelho de Vila Flor pode ser encontrado o cruzeiro da fotografia?
Responda na margem direita do Blogue.

01 abril 2012

Vila Flor

Centro Cultural de Vila Flor, em Vila Flor.

29 março 2012

VI Rota da Liberdade

Passeio de Natal, 2011
O Clube de Ciclismo de Vila Flor vai realizar no dia 15 de Abril a VI Rota da Liberdade, prova de BTT que trás a Vila Flor, muitos praticantes da modalidade e os seus amigos e familiares que os acompanham.
Desde início que este blogue esteve ligado às duas rodas, não na vertente competição, mas porque a bicicleta é proporciona uma forma diferente de conhecer o concelho.
Nas provas de BTT aparecem pessoas muito diferentes. Grupos de amigos que integram clubes e que se deslocam e participam, pelo prazer de conviver e conhecer; praticantes sérios da modalidade, que lutam pelos segundos e pouco se importam pela paisagem; amantes das duas rodas que curtem a tecnologia, as marcas, os acessórios; pessoas de meia idade que usam o BTT como prática física para manter a saúde, apreciadores do convívio e da natureza e da comida, etc. Não sei bem em qual me incluir, mas, a verdade é que é muito bom andar de bicicleta, vencer os obstáculos, sentir o vento na cara e percorrer os caminhos mais impensáveis, nos cantos mais remotos.
Em todas as edições o traçado das diferentes provas variou, percorrendo grande parte do concelho. A Maratona com uma extensão entre os 60 e os 70 km é normalmente a mais atrativa, em termos de paisagem e de grau de dificuldade, mas, não é para todos, uma vez que exige bastante.
Além da possibilidade de fazer uma prova mais longa ou mais curta (meia-maratona) há, por norma, um passeio pedestre para os acompanhantes dos atletas, que não sejam adeptos das duas rodas.
O traçado ainda não é conhecido, mas vai valer a pena.


Blogue do Clube de Ciclismo de Vila Flor
Blogue da Rota da Liberdade

Vila Flor

Vila Flor, largo do 7.º Centenário.

28 março 2012

Amendoeiras em flor - Despedida

A primavera chegou e a natureza vai-se transformado, seguindo o ritmo da vida. As amendoeiras, que fizeram as delícias de milhares de visitantes que por aqui passaram, também perdem o seu alvor; Mas ainda há algumas flores, para alguém que esteja atrasado.
No fim de semana passado o passeio foi ao Mourão e em Valtorno e Mourão ainda havia bonitas amendoeiras em flor.
Com estas fotografias me despeço. Adeus até p'ró ano.

27 março 2012

Flor do Mês - Março de 2012

Procurei para Março de 2012 uma flor à altura de representar um concelho com o nome de Flor. A maior representante de Março é, sem dúvida, a flor da amendoeira, mas essa já foi escolhida par Flor do Mês de Fevereiro de 2008. Mas, Março é já um mês florido e as candidatas são mais do que os dedos das mãos.
Decidi escolher uma que penso que foge ao conhecimento geral. Apostei mais na raridade do que na representatividade em termos de área. A flor do mês é um narciso, mais conhecidos entre nós como campainhas. O seu nome científico é Narcissus rupicola. Descobri os primeiros exemplares no concelho de Carrazeda de Ansiães, há alguns anos atrás. Encontrei depois alguns pés em Miranda do Douro e fiquei eufórico quando os vi pela primeira vez no termo de Samões. Em todos os locais em que os encontrei a população resumia-se a uma mancha no topo de uma formação rochosa. Por mais que tenha procurado em redor, não encontrei mais exemplares!
No dia onze de Março desloquei-me ao termo de Samões, de propósito para fotografar esta flor. Não o fiz ao acaso, uma vez que, desde 2007 que tenho alguns pés numa vaso, em casa. Nunca consegui uma flor, nem para a amostra, mas este ano foi a exceção. Floriram em força, com as suas flores amarelo-canário, para meu contentamento. Pensei que a floração no meio natural aconteceria alguns dias mais tarde, mas por pouco não apanhava nada. Não sei se pela seca, se pelo calor, a floração aconteceu cedo, mas ainda consegui alguns exemplares no auge da floração.
A planta pertence à ordem das Iridales, família Alliaceae. É natural da Península Ibérica e do Norte de África (principalmente Marrocos). Inicialmente pensei tratar-se da espécie Narcissus calcicola, mas, tal como o nome indica, esta é típica do calcário, ao contrário da rupícola, que prefere a altitude acima dos 600 metros. Até agora tenho seguido a notação do Jardim Botânico da UTAD, mas, foi recentemente posto on-line um sítio web puramente espetacular, cheio de ilustrações que é dirigido a pessoas com poucos conhecimentos (O endereço é http://www.flora-on.pt). A classificação agora atribuída é: Ordem: Asparagales; Família: Amaryllidaceae; Género: narcissus. Várias espécies de narcisos abundam pelos campos e pelos jardins, nesta época. Também lhe chamamos junquilhos. Existiam no canteiro em meia-lua em frente à Câmara, quem desce para a Praça da República, mas foram arrancados há poucos dias. A maior parte dos narcisos são de cor amarela-choque, inconfundíveis.
A sua reprodução faz-se por bolbos, quer nas espécies de jardim, quer nas espécies selvagens. Na espécie que representa este mês, os pedúnculos raras vezes atingem os 10 cm de altura, uma vez que crescem nas frestas ou em cima das fragas, com escassos centímetros de terra.
Ao contrário de outras espécies que tenho escolhido, não encontrei nenhuma referência à utilização do narciso para fins medicinais ou culinários. A sua utilização é só ornamental sendo comercializados bolbos de muitas espécies, entre as quais esta, que faz um vaso lindíssimo. A sua beleza é tal que convém lembrar um pouco da origem do termo narciso e narcisista. Narciso era um belo jovem (na mitologia Grega) que se apaixonou pela sua imagem refletida nas águas. Ainda hoje os narcisos têm a sua flor virada para o solo, como que a admirarem a sua imagem refletida. Narcisista é a pessoa que tem paixão por si próprio. É um conceito muito conhecido da psicologia e da psicanálise, sendo apontado como uma característica comum a todos, principalmente nos adolescentes, mas que vai desaparecendo com a passagem para a vida adulta. Psicologia à parte... os narcisos são muito bonitos e dão mais cor ao mês de Março.

Outras flores de março:

26 março 2012

Peregrinações - Capela de Santa Marinha (Meireles)

Já vai longa a lista de Peregrinações, restando apenas uma das inicialmente previstas. Trata-se da capela de Santa Marinha, na aldeia de Meireles, freguesia de Vilas Boas.
Apesar desta aldeia estar situada a poucos quilómetros de Vila Flor, o acesso a Meireles, por caminhos rurais, é complicado, para não dizer impossível. Todas as vezes que tentei fazer Vila Flor-Meireles ou Meireles-Vila Flor, quer a pé, quer de bicicleta, nunca o consegui. Não conheço nada a que se possa chamar um caminho que faça a ligação da estrada N214 (Samões - Trindade) a Meireles. Por várias vezes foram feitas provas de todo-terreno que abriram alguns trilhos, mas, com o passar do tempo, acabam por ser cobertos pela vegetação espontânea. Não seria preciso muito para abrir uma ligação, faltando abrir talvez menos de dois quilómetros.
Com tanta facilidade, até pode parecer que seria um curto passeio até Meireles, mas, para o melhor e para o pior, o nevoeiro decidiu marcar presença, proporcionando boas fotografias e alguma dificuldade em encontrar Meireles, não muito longe,  mas escondida no nevoeiro. O elemento mais emocionante foi mesmo o nevoeiro, porque a falta de chuva faz com que os campos tenham um aspeto bastante triste.
O percurso tinha alguns desvios para o tornar mais longo e acabou por proporcionar bonitas paisagens, vistas de locais com alguma altitude.
À saída de Vila Flor já havia algum nevoeiro. Não cobria toda a vila, aproximando-se timidamente vindo do Nabo. É uma paisagem bastante habitual, com o nevoeiro a chegar às Portas da Vila, às vezes cobrindo metade dela, mas não conseguindo fazer frente a outras correntes que sopram do Barracão.
Subimos às Capelinhas, e depois ao miradouro. Embora Vila Flor seja sempre bonita quando vista daqui, pela manhã, a luz entra pelas Portas do Sol e é ainda mais esplendorosa. O nevoeiro não a deixava romper, mas, mesmo assim o cenário era digno de admiração.
Pela crista da montanha  chega-se ao marco geodésico do Facho, bem no alto da Quinta das Escarbas. Depois, o caminho chega ao fim. Há alguns anos atrás o Clube de Ciclismo de Vila Flor abriu um trilho para por ali passar a Rota da Liberdade e tenho-o utilizado desde então. Não é fácil segui-lo porque as silvas estão a tomar conta dele, mas é de grande ajuda. Passámos depois pelo lugar onde existia o aterro, entretanto selado. A cenário é sempre muito triste. Como não têm  acesso ao aterro, despejam o lixo em qualquer parte da serra.
Atingimos a estrada e seguimo-la durante algum tempo. O nevoeiro espreitava, vindo do Cachão, cobrindo Meireles. Deixámos a estrada por algum tempo para subirmos ao Cabeço dos Gaviões, perto da Fonte de Seixas. Não podíamos escolher melhor miradouro! A visão encheu-nos a alma. Quando pensei nesta série de caminhas/peregrinações não pensei sentir tantas emoções a percorrer os caminhos, que até já conhecia.
Já perto do cruzamento para Vale Frechoso deixámos a estrada em direção à Fraga Amarela. Mais uma vez o cenário ficou admirável.
Quando nos aproximámos do local onde precisamente termina o caminho, entrámos no nevoeiro. Eu aprecio o nevoeiro, em termos fotográficos, mas deixou-nos completamente "às aranhas". Neste caso, havia a topografia do terreno que não deixava dúvidas - para chegar a Meireles seria necessário descer. O local onde nos deslocávamos ardeu no verão passado. A vegetação não causava problemas, mas havia muitas rochas, quartzíticas afiadas que descemos com todo o cuidado. Orientámo-nos pelo canal de uma ribeira temporária que estava completamente seca. Passámos num local, penso que se chama Feteira, com enormes sobreiros, que no meio do nevoeiro pareciam monstros gigantescos.
Quando chegámos a terreno mais seguro, o nevoeiro não se via, estava por cima. Encontrámos alguns aldeãos que ficam muito surpreendidos quando nos viram sair do nevoeiro. Encontrámos a Ribeira de Meireles, já minha conhecida de outras viagens que fiz a Meireles.
Eram quase duas da tarde e ainda não tínhamos chegado a Meireles! Não foi pela distância, nem pelas dificuldades do percurso, foi sim pela beleza das paisagens. Por várias vezes subimos ao alto das fragas e ficámos durante muitos minutos a admirar a distância. Que bom é poder saborear estes momentos...
Entrámos em Meireles pelo fundo do povo, exatamente onde se encontra a capela.
A construção é simples, caiada de branco, possivelmente da segunda metade do Séc. XIX. O estilo é barroco. Em granito apenas a torre sineira, central, muito simples, com dois pináculos e uma cruz em trevo. Não foi possível entrar na capela. Ainda andámos quase meia hora pela aldeia e não encontrámos um único habitante! A fotografia que mostro foi tirada em 2008 e mostra como o interior é simples mas muito luminoso e bonito. Na falta de altar, a cruz de Cristo está em lugar de destaque. Tenho dificuldade em identificar a imagem de Santa Marinha, sem os seus elementos característicos. A história da vida desta santa é fantástica, embora seja difícil saber até onde vai a verdade e onde começa a lenda. Ainda há poucos dias que fotografei uma pintura de Santa Marinha, ao lado das suas oito irmãs, na bonita igreja de Lavandeira, concelho de Carrazeda de Ansiães.
Caminhámos pela aldeia para nos aproximarmos da estrada, onde nos foram buscar de carro. A fome, o cansaço e o adiantado da hora, não permitiram olhar a aldeia como ela merece. Terei que voltar a Meireles.

GPSies - VilaFlor_Meireles