08 setembro 2012

Santa Comba da Vilariça - S. Bernardo

As festas em honra de S. Bernardo, em Santa Comba da Vilariça, tiveram lugar nos dias 17 e 18 de Agosto. Aproveitei o fato de estar em Vila Flor para fazer uma visita à aldeia e acompanhar a procissão.
Santa Comba da Vilariça é uma grande aldeia, que me dá muito prazer fotografar e encontra-se refastela no belo e fértil vale da Vilariça, de horizontes largos e céu azul.
 Cheguei a Santa Comba a meio da tarde. O movimento nas ruas era pouco e só a banda de música de Rebordelo alegrava o largo enquanto os poucos ouvintes se refugiavam nas sombras das árvores.
Na igreja já os andores estavam preparados para a majestosa procissão. As pessoas da aldeia em geral e as zeladoras dos altares, em particular, têm muito brio na decoração dos andores., em grande número, mais de uma dúzia! Estavam todos espetaculares, com flores naturais das mais variadas espécies e cores, todos muito harmoniosos com as imagens, que diferem bastante em tamanho umas das outras.
Curiosamente não foi dado qualquer destaque ao andor de S. Bernardo, que se encontrava no meio dos restantes sem nada que o identificasse ( a quem não conhecesse a imagem). Tenho visto nalgumas festas, e aprecio, a colocação de uma pequena placa identificativa das imagens nos altares. Algumas não são uma tarefa fácil para leigos (e mesmo para estudiosos de arte sacra). Não raras vezes as imagens não corresponde ao santo venerado.
O andor de Santa Comba, estava ao fundo da igreja. É de realçar que Santa Comba não é a padroeira da aldeia. A sua imagem até já esteve na sacristia, mas agora está na capela mor, lateralmente, do lado do evangelho, perto do padroeiro S. Pedro. Não sei as origens da festa a S. Bernardo, mas penso que não existe na aldeia nenhuma capela devota a esta santo.
Gostei de ver a imagem de S. Jorge, montado no seu cavalo. Numa das últimas vezes que passei por Santa Comba em bicicleta a sua capela andava em obras. Gostava de um dia lhe fazer uma visita.
Menos familiares para mim, e que necessitei de alguma ajuda para identificar as imagens foram S. Lúcio e S. Judas Tadeu. Além dos andores que já referi havia ainda o de S. Sebastião (com uma capela no Calvário), Menino Jesus, Nossa Senhora do Rosário, Santo António, Nossa Senhora de Fátima, Sagrado Coração de Jesus, Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores. Claro que o mais importante na religião cristã é a fé e não o tamanho da imagem ou os enfeites do andor, mas foi impossível não notar a beleza dos arranjos.
 Vadiei pela aldeia, espreitando alguns recantos. O sol escaldante foi adormecendo e com ele a luz, elemento primordial da fotografia (tal como a fé para a igreja). Temi que quando a procissão saísse já o sol estaria adormecido para os lados de Vale Frechoso.
Notei que as pessoas de Santa Comba têm bastante vaidade nas suas casas. Estão muito arranjadas (salvo raras exceções) e as ruas limpas.
A procissão começou a sair da igreja às 19 horas. Alguém "plantou" um carro no largo em frente à igreja! Falta de estacionamento ou excesso de protagonismo? Coisas destas acontecem em todo lado, então em Vila Flor... nem se fala...
A volta pelas ruas da aldeia é longa e demorada. Quando os primeiros andores chegaram à Rua do Cais já o sol os pintava de dourado no seu último adeus e havia ainda muito caminho para percorrer.
Se devo louvar a o empenho no arranjo e transporte de andores, bandeira e estandartes não posso deixar de referir que muitas pessoas assistem ao "espetáculo" das suas varandas. Não estarei eu a contribuir para essa cultura? É possível. É o fruto dos tempos que atravessamos. Parece-me que há que reformular as práticas religiosas.
Quando a procissão recolhei à igreja matriz abandonei Santa Comba. À noite houve muita animação com o grupo Golpe de Estado, que já se fazia ouvir quando passei pelo largo da Eiras.

05 setembro 2012

Parabéns! Seis anos À Descoberta...

Mais um ano se completou desde que a aventura pelos caminhos e aldeias do concelho de Vila Flor iniciou. Parece pouco tempo, mas, basta ver as fotografias do meu filho António, que há 6 anos atrás frequentou o 2.ºano  na escola EB1 de Vila Flor nº1 e compará-las com uma atual, para verificar que passou imenso tempo. Mas foi tempo bem passado.
Neste ano que agora termina, que se iniciou em setembro de 2011, tentei desenvolver algumas atividades que me ajudassem a descobrir um pouco melhor o concelho, que me permitissem tirar algumas (boas) fotografias, que me proporcionassem algum exercício físico e que me proporcionassem assuntos interessantes para manter o envolvimento no blogue e a quantidade de visitantes. Grande parte dos objetivos foram conseguidos, outros ficaram à quem do previsto.
 O conjunto de caminhadas, "Peregrinações", que estava previsto para um ano, acabou por ocupar quase dois e muitas mais haveria para fazer.  A última aconteceu em maio. Não cheguei (ainda) a publicar um apanhado de todas as Peregrinações, mas foram 23 caminhadas, muito interessantes, pelos caminhos mais bonitos e solitários do concelho. Seguiu-se, depois, outro conjunto de percursos pedestres, "Pontos Altos" que tinham por destino marco geodésicos. Apenas foram feitos 3, há muitos outos planeados para o ano que agora se inicia.
 Mantive-me um pouco mais afastado dos eventos que foram acontecendo, quer na vila, quer nas aldeias. Não é que esses eventos não sejam interessantes, ou não proporcionem bons momentos fotográficos, mas porque já há mais pessoas a fazer esse tipo de reportagens e eu gosto de fazer coisas com alguma originalidade. As notícias só têm interesse para o blogue se se enquadrarem no espírito de descoberta do concelho. A própria autarquia quando recolocou online a sua página web institucional deixou de me enviar os cartazes e programas das festas e atividades.
 O panorama da Internet também se alterou bastante. Os visitantes do Blogue, inicialmente vilaflorenses na diáspora, vão dando cada vez mais lugar a pessoas "estranhas" que procuram informação sobre o concelho, nomeadamente sobre as amendoeiras em flor ou sobre o parque de campismo. Os blogues estão a perder importância de forma gradual, muito também porque as Redes Sociais são mais fáceis, embora muito mais vazias de conteúdo. Uma boa fatia de visitantes vem diretamente do Facebook, graças também à criação de uma Página - Vila Flor, Concelho - que nos últimos tempos tem dado mais trabalho do que o blogue. Nada se consegue sem esforço, a não ser que seja roubado (isso também acontece na Internet). Quando se quer divulgar algo original é preciso despender esforço, imenso tempo e algum dinheiro (a gasolina está cada vez mais cara).
 Os números mostram que o caminho seguido tem dado alguns frutos. Ao contrário do que seria de esperar, o Blogue bateu o seu recorde de visitantes, com mais de 61 000, num ano. Foi o melhor dos seis anos! Confesso que não estava à espera e só posso agradecer a todos os que visitam o Blogue - acreditem que isso é um grande, mas mesmo grande incentivo.
Pessoalmente não vejo o concelho de Vila Flor à parte dos concelhos limítrofes e este foi um ano excecional na Descoberta de outros concelho, principalmente Carrazeda de Ansiães, mas também Torre de Moncorvo e Alfândega da Fé. Participei em muitas passeios pedestres e outros eventos, graças ao emprego que tenho, que me dá algum tempo livre (e dinheiro), mas também à minha família, espetacular,  que já se habituou a ter em casa um Transmontano À Descoberta, sempre disposto a percorrer montes e vales na companhia de uma máquina fotográfica. São uns amores.
 Fiz um esforço para regressar à BTT. Apenas percorri pouco mais de 100 km em bicicleta, mas já foi mais do que no ano anterior. A bicicleta permite fazer saídas mais distantes, podendo parar em qualquer lugar e não gastando gasolina.
Este ano também foi marcado pela morte do escritor vilaflorense João de Sá. Penso que ninguém escreveu tanto e tão bem de Vila Flor. As suas palavras são uma inspiração para mim e vejo-as projetadas nas paisagens em muitos dos percursos que faço. Continuarei a divulgar aqui os seus poemas, tal como os de outros autores que me toquem com as suas palavras.
 Não há projetos para o futuro, mas há algumas ideias organizadas porque há ainda  imensas coisas para conhecer e mostrar, espalhadas pelo concelho de Vila Flor. As fotografias são fáceis de conseguir e de colocar online, mas escrever sobre pessoas, coisas  e acontecimentos  já não agrada a todos. Por isso manterei um equilíbrio entre as imagens e as palavras. O À Descoberta assume-se como um bom exercício físico, mas também um bom exercício estético e de escrita (enquanto houver leitores).
Antes da divulgação dos números que marcaram o ano que agora termina, agradeço a todos os que me incentivam na manutenção do À Descoberta de Vila Flor, especialmente o colega e amigo Helder Magueta que me acompanhou na maior parte dos percursos pedestres realizados.

Números do 6.ºano:
Páginas vistas - 102 067
Visitantes - 61 457
Comentários - 122
Postagens - 157
Km percorridos em BTT - 110
Km percorridos a pé - 207
Fotografias tiradas - 10 565
Fotografias publicadas - 380

Números totais (6 anos):
Páginas vistas - 610 986
Visitantes - 266 439
Postagens - 1 031
Km percorridos em BTT - 2 166
Km percorridos a pé (2 anos) - 580
Fotografias tiradas - 106 263

29 agosto 2012

Flor do Mês - Julho de 2012

 Chegados os meses de mais calor as plantas perdem o "entusiasmo" para exibirem as suas vistosas flores. A maior parte dos terrenos tem pouca humidade e as temperaturas são altas. Por outro lado há imensos insetos, que é uma aspeto positivo. Não é que em junho não tenha havido flores, mas não são tão visíveis e representativas como noutros meses.
Escolhi para representar o mês de julho a Mantissalca ou Erva-de-Salamanca, que tem de nome científico Mantisalca salmantica. Pertence à ordem Asterales, família Asteraceae, que contribuiu com algumas centenas de espécies, das mais conhecidas na flora portuguesa.
Trata-se de uma planta rasteira mas que lança hastes florais a cerca de um metro de altura (no segundo ano de vida). Habita terrenos pobres secos e pedregosos, sendo frequente na beira dos caminhos, local onde a encontro com mais frequência. É ruderal.
Em Portugal é mais frequente no centro e sul do país, aparecendo também nas ilhas, mas foi introduzida. A floração ocorre de maio a setembro.
Não encontrei grandes curiosidades sobre esta planta. A que é mais vezes referida tem a ver com o seu nome uma vez que Mantisalce e Salmantica terem as mesmas sílabas, mas em ordem diferente. Salmantica é uma referência a Salamanca, cidade espanhola mão muito distante daqui.
Em Espanha a planta tem muitos nomes, alguns bem curiosos como pão-do-pastor, drama, centauria, erva das vassouras, cabeçudas, varredouras, etc. Estes nomes sugerem algumas utilizações que  não consegui comprovar em Portugal. As hastes florais (as flores serão as tais cabeças) atadas, depois de secas, são usadas como vassouras. As folhas basais são comestíveis em guisados (isso justifica o nome pão-do-pastor). As flores são usadas, em decoção (fervura de substâncias de que se quer extrair as partes solúveis) contra os diabetes, para baixar o açúcar no sangue.
Comprova-se, assim, que mesmo as espécies mais improváveis têm múltiplas aplicações.
As flores apresentadas foram tiradas junto a Vila Flor, num caminho que vai até à Barragem do Peneireiro.

Outras flores de julho:

Museu Municipal de Vila Flor



Direção do Museu:
Museu Municipal de Vila Flor
Largo Dr. Alexandre Matos
5360-325 Vila Flor

Contactos:
Telefone: 278512 373
eMail: museu.berta.cabral@mail.telepac.pt

Horário de funcionamento:
Todos os dias excepto feriados
Manhã - 09:30h às 12:30h
Tarde - 14:00h às 17:30
Entrada gratuita

16 agosto 2012

Imagens que marcaram o dia 15

 A 15 de agosto realizam-se as grandiosas festas em honra de Nossa Senhora da Assunção, no santuário, em Vilas Boas.
Um dos momentos autos dos festejos é o lançamento de fogo de artifício.
Visita de Dom Manuel Cordeiro, bispo da diocese Miranda- Bragança em visita à exposição "Vilas Boas na Idade Média", da autoria de Jorge Delfim, patente no santuário.

14 agosto 2012

Azul e ...palha

Está a fazer um ano que ardeu uma grande área no concelho de Vila Flor, abrangendo as freguesias de Vilas Boas, Arco e Vale Frechoso. O aspeto dessa área é ainda mais desolado agora que a erva secou. Esperemos pelas chuvas.

07 agosto 2012

Histórias de Benlhevai



José Maria Sousa Fernandes lançou a 5 de agosto "Histórias de Benlhevai"

06 agosto 2012

É d'agora viva!!!

O acontecimento mais importante daqueles dias monótonos lá da terra, a quebrar a pasmaceira habitual das tardinhas mornas, era a chegada, à praça central, da camioneta da carreira. Logo que se ouvia ao longe aquele silvo roufenho da buzina, despontavam das portas meio fechadas das mercearias, pátios e farmácia, uns tantos pasmados que, de chapéu sobre os olhos, andar lento e dedos nas cavas do colete ou no cinto das calças, se chegavam para um dos topos do rectângulo, onde costumava parar o carro.
Aí, sob as tílias frondosas da borda, já esperavam as sardinheiras, de cócoras, lenços desapertados sobre as fartas cabeleiras, de tranças enroscadas em puxo, blusas de riscado desbotado, mais puído nos seios, saias de grande roda, com remendos quadrados na barra, descendo até aos pés descalços, a mostrar o calcanhar rachado. Conversavam sobre o negócio, dando que dando às rodilhas de trapo distraidamente suspensas das mãos.
- Mas tu esperas, ó Janota?
- Pois atão não havera de esperar? Se ele o meu fornecedor mandou-me uma parte, por telegrama, a dizer que vinham...
- A minha vem-me mais cara. Sessenta e tal mel reis o milheiro. Mas eu cá subo-lhe também ao preço. Olaré! Quem quiser que as plante! E ninguém gosta de trabalhar para aquecer.
- Lá isso é verdade - anuíu a Moga, a Esperança. - Vá que uma pessoa ganhe quinze mel reis. Vá lá mesmo, doze mel reis com uma coroa, em cada caixa. Mas menos, isso é que não!
- É! - reforçou a Maria da Júlia. - Vejam lá aquela paspalhona da Recha a vender a sardinha barata, a sete à coroa, por causa dum despique, e não chegou a tirar, forros, uma libra com um quartinho. Quem é que está por isso? Também se amolou, que a sardinha estava tão ardida que ninguém a podia «levar». Ora toma! E os fregueses olham agora para o peixe dela, desconfiados...
Com estas e com outras, parou ali mesmo a camioneta. Saíram alguns passageiros (três caixeiros viajantes e o pagador das Obras Públicas), abriu-se o rolo dos jornais que os assinantes, ávidos, reclamavam, para desandar depois, a ler os títulos da primeira página; e das coxias e de sob os bancos, o «chauffeur» tirava caixas de sardinha, com as tábuas húmidas, salgadas, espalhando no veículo um salitre e um fedor horríveis!
Distribuídas as caixas às suas destinatárias, as mulherzinhas abaixaram-se e despregavam-lhes as tábuas do cimo com um calhau, ou com qualquer escoprozito que levavam adrede no bolso da saia. Depois... caixas à cabeça, sobre as rodilhas, e elas aí vão a correr, divergindo para os quatro pontos cardeais do povoado.
- É d'agora viva!
- É vivinha!
- Quem merca a sardinha fresca?
- Quem n'a quer fresquinha?

O resto da história pode ser lida no livro O Homem da Terra, da autoria de Luís Cabral Adão, publicado em 1986.
1ª fotografia - Praça da República em 1921 (Arquivo do Museu Berta Cabral)
2.ªfotografia - Homenagem ao Dr. Cabral Adão, em Vila Flor, a 18-09-2010.

05 agosto 2012

Seixo de Manhoses

Vista parcial da aldeia de Seixo de Manhoses.

03 agosto 2012

Pão sem côdea


 - É da minha lembrança, o pão de dois vinténs. Não vale a pena a gente andar a matar-se. Os burritos são da casa , mas que importa!? Os adubos caros como o lume. Pessoal, de grilo! O filho anda na guerra, quem o fabrica?

- Vá, homem anda lá! dou-te uma ajuda. A segada é dura.
- O apetite não existe!
- Anda, anima-te! Come p´ra diante, carrega-lhe no presunto.
- A pinga é valente, é o que me vai valendo. Sangue da videira.
Na eira a máquina trabalha. A máquina vomita. Palha e grão, palha e grão. O motor não pára.
Sacos sobre sacos. O carro já espera.
- Deitar água, depressa, ide a buscar mais! Ai o meu pãozinho - fujam - o motor estoirou.
- Água!
- Água!
- Água!
O fogo de várias línguas lambe e come até fartar.
Tudo estala e foge. O lume assa Julho.
O pão ardeu. Dos sacos nem baraços.
Choros e mãos a abanar.
- Que será de nós?
Tinha de não ter côdea. Não volta a fabricar.

N. Fonseca.

Texto publicado no Jornal Énié, a 08-10-1975

02 agosto 2012

Freguesia Mistério n.º61

A Freguesia Mistério n.60 esteve "no ar" durante o mês de junho. O enigma era um painel de azulejos que dizia:
Tendo nascido engegado
De muito longe aqui vim
Tomei banho e bebi água
Com saúde forte vou assim.
Os azulejos estão colados na frente de uma capela, da devoção de Santa Cruz (ou Senhora da Conceição), muito antiga, situada a alguma distância da aldeia do Nabo. A quadra não se refere à capela, ou unicamente à capela, mas sim a uma fonte que existia no local (e que ainda existe) com água supostamente com puderes curativos. Estas fontes eram procuradas por pessoas que sofriam de grandes males, muitas vezes de pele, que procuravam a cura, tanto nos puderes medicinais das águas,  como na fé (principalmente nesta). Existe outra fonte com igual fama em Roios, junto à capela de Nª Sª do Rosário.
Não muito longe da capela de Santa Cruz ficam as águas de Bem Saúde, em Sampaio.
Não mostro fotografias da capela, mas já há várias no blogue (Fotografia 1 - Fotografia 2 - Fotografia 3)
Em resposta à pergunta "Em que freguesia do concelho de Vila Flor pode pode ser encontrado este painel em azulejo?", 5 pessoas arriscaram um palpite.
Carvalho de Egas (1) 20%
Freixiel (1) 20%
Nabo (1) 20%
Seixos de Manhoses (1) 20%
Trindade (1) 20%
Como se pode ver cada uma das cinco pessoas"apostou" numa freguesia diferente! A resposta certa era Nabo, que teve 1/5 das respostas.
O próximo desafio é um relógio de sol. Já não é o primeiro com  relógios de sol, mas sim o terceiro.
Freguesia Mistério n.º 4 - Relógio de Sol em Vilas Boas
Freguesia Mistério n.º 6 - Relógio de Sol em Vila Flor
Este desafio também já terminou, vamos ver qual será o seguinte.

01 agosto 2012

Flor do Mês - Junho de 2012

A representar o mês de junho está uma bela planta que dá pelo nome de Gala crista. O seu nome cientifico é Salvia verbenaca, e tem como nomes vulgares Erva-crista, Crista de galo,  Jarvão, Salva-dos-caminhos, etc.
Aqui vemo-la em flor, porque é de flores que falamos. É percetível a semelhança da flor desta espécie com a da arçã, a do alecrim ou mesmo a do tomilho, são todas da mesma família (lamiaceae). Como planta muito próxima da vulgar salva (Salvia officinalis) deve possuir muitas das suas caraterísticas medicinais. Não esquecer que salvia deriva de salvere, portanto "estar com saúde", "estar salvo".
Trata-se de uma planta abundante em todo o país, que cresce em terrenos incultos e encostas. Tal como um dos nomes vulgares indica, cresce na borda dos caminhos, e é nesse ambiente que a tenho encontrado mais vezes. Em Vila Flor costumo fotografá-la numa espécie de prado que existe em volta da Fonte do Olmo, mesmo junto o Estádio Municipal. Ocupa uma grande área e forma um conjunto harmonioso com outras flores primaveris, papoila, camomila, pimpilros, etc. A floração pode ocorrer (segundo a base de dados da UTAD) quase todo o ano, mas é mais frequente em maio e junho.
A principal curiosidade desta espécie está nas suas sementes. Eram usadas para fazer a limpeza dos olhos, quer contra pó,  pólen, ou contra outras coisas que invadissem os olhos. As pequenas sementes eram colocadas diretamente no olho, por debaixo das pálpebras, sendo depois retiradas com a sujidade, funcionando como uma "vassoura".  Podia ser retirada do olho com a ajuda de uma pena de ave! A semente passa de negro a branca, porque com a humidade há libertação de algumas substâncias! Esta utilização é muito conhecida em Trás-os-Montes, mas também noutras zonas do país. Em Espanha chega a receber o nome "hierba de los ojos" ou "hierba del ciego".
Procurei alguma ligação entre esta planta e os galos, ou as galinhas, que explicasse a designação gala (de galo ou galinha) e crista. Parece-me muita coincidência. Será que a haste floral se assemelha a uma crista de galo ou de galinha?
Foi também a Espanha que fui buscar a informação de que a infusão das sementes também é usada como cicatrizante, por aplicação direta sobre as feridas, quente, com a ajuda de um pano, como emplastro. Esta compressa é renovada quando arrefece. No pós guerra chegou a ser fumada, como tabaco!

Outras flores de junho: