Faz hoje 84 anos que nasceu, em Vila Flor, João Baptista de Sá. Com pouco mais de 20 anos mudou a sua vida para a capital, onde ficou até à sua morte, ocorrida a 23 de Fevereiro de corrente ano. Ausente fisicamente da sua terra, o seu coração sempre aqui esteve e as suas mais sentidas palavras, em prosa ou em verso, foram dedicados ao seu torrão natal. A sua escrita é apaixonada, cheia de emoção, doce, atenta às coisas simples, dedicada a pessoas comuns, reinventando uma época e uma Vila repleta de sentimentos, lugares, cores e sons, que mesmo quem não a conheceu consegue sentir e viver aos desfolhar cada um dos seus livros.
Em 1989 numa das cartas que escreveu a seu tio Raul de Sá Coreia manifestava a vontade em adquirir um espaço no cemitério de Vila Flor, para aqui repousar após a sua morte. "Por aqui há muito barulho, não se "dorme" descansado", dizia ele. Nós últimos anos da sua vida houve algumas mudanças a este respeito, mas a vontade de regressar manteve-se. Isto porque há um lugar onde a "luz agita a manhã incendiando estevas e carquejas, urzes e arçãs, bela-luz e alfazemas". Um lugar onde é difícil "estabelecer uma linha demarcatória entre a matéria e o espírito, como se de repente se rasgassem campos magnéticos de infindáveis surpresas e tudo se fundisse numa liga de extrema perfeição".
Ao aproximar-se o aniversário do seu nascimento a Câmara Municipal decidiu homenageá-lo com um conjunto de atividades que se iniciaram no dia 1 de Novembro.
Às 15 horas foi aberta a Exposição sobre a Vida e Obra do Autor, exposição que se vai manter no foyer do Centro Cultural até ao dia 30 de Novembro. Durante a tarde aconteceram alguns momentos musicais protagonizados por jovens músicos locais. Às dezasseis horas o grupo Filandorra - Teatro Nordeste apresentou a Elegia a João de Sá, onde foram dramatizados contos, declamados poemas e apresentada uma foto-biografia do autor.
Além do grupo de atores participaram também nesta Elegia o Sr. Rogério Fernandes, a Sr. Isabel Machado, a Dr.ª Gracinda Peixoto e a atriz Cecília Guimarães.
Para terminar, e após usarem da palavra uma neta de João de Sá e o Sr. Presidente da Câmara de Vila Flor, amigo pessoal do escritor, foi lançada a segunda edição do livro "Flores para Vila Flor", que teve a primeira edição da pela Câmara Municipal em 1996.
Se o escritor João de Sá estivesse presente certamente diria que não merecia tal homenagem. Quase garantidamente diria que não fez mais do que a sua obrigação, que Vila Flor merece muito mais e que a sua escrita não é assim tão bela e importante. O que tenho mesmo a certeza é que ficaria imensamente contente com a reedição do seu livro, porque ele sabia que a sua escrita quando lida ganha forma, prolongando a sua própria vida.
Fiz questão de estar presente, até com algum sacrifício. Quando foi lançado o livro Cantos da Montanha não pude estar presente. Passados poucos dias fui surpreendido com um embrulho na caixa do correio, lá estava o livro! Na dedicatória lê-se "não experimentei o júbilo de o ver no lançamento dos meus livros"! Percebi o quanto os livros eram importantes para João de Sá.
O livro Flores para Vila Flor é um livro de poemas, todos sonetos (dois quartetos e dois tercetos). Embora esta forma, muito estruturada, não seja do agrado de toda a gente, é, talvez pela altura em que foi escrito, mais acessível, com linguagem mais clara, transparente e concreta. Nas suas últimas obras, o próprio autor o reconhecia, a escrita era mais elaborada, complexa e por vezes sombria.
Já publiquei vários dos sonetos que integram o livro e outros serão publicados com algum intervalo de tempo entre eles. Deixo no final deste texto uma ligação direta para cada um deles. Também criei, na margem direita do Blogue uma etiqueta própria - João de Sá - que faz uma listagem automática de todos os textos e poemas deste autor que fui publicando ao longo de 6 anos (ainda não está 100% funcional).
Livros publicados:
- Flores para Vila Flor (1996);
- Um caminho entre as oliveiras (1997);
- Mãe-d’Água. Ficções e memórias (2003);
- Assalto a uma cidade feliz (2006);
- Vila à flor dos montes (2008);
- Vozes além da fala (2008, edição do autor);
- E de repente é noite (2009, edição do autor);
- Pelo sinal da terra (2010, edição do autor);
- Cantos da montanha (2010).
Sonetos do livro Flores para Vila Flor já publicados no Blogue:
07 novembro 2012
01 novembro 2012
Douro
Novembro
também chegou
Podia ser outro
É Outono
Chegou - as parras empalideceram
Pálidas rosa avermelhado
O fumo dolente sobe pelos socalcos
Soprando pelas chaminés
Num bafo surdo
De um desabafo qualquer
Mas
As serras estão sempre aqui
Sempre os socalcos
Sempre as vinhas e olivais
As urzes e os carrascos
Carvalhos e arsãs
Sempre as casas de branco
Sem luto
Sem sombra
Sempre o rio
E as gentes
A gente
Sempre a miragem
De um sonho rasgado
Embutido na outra margem
Sempre a nossa terra
ainda província do outro Portugal
Queria adivinhar
Não sei qual dos segredos
Queria chegar
É-me fácil reconhecer as arsãs
Hoje
E todos os amanhãs
Poema de Manuel M. Escovar Triggo, natural do Vieiro, do livro "Acidentais", publicado em 1987 em Coimbra.
também chegou
Podia ser outro
É Outono
Chegou - as parras empalideceram
Pálidas rosa avermelhado
O fumo dolente sobe pelos socalcos
Soprando pelas chaminés
Num bafo surdo
De um desabafo qualquer
Mas
As serras estão sempre aqui
Sempre os socalcos
Sempre as vinhas e olivais
As urzes e os carrascos
Carvalhos e arsãs
Sempre as casas de branco
Sem luto
Sem sombra
Sempre o rio
E as gentes
A gente
Sempre a miragem
De um sonho rasgado
Embutido na outra margem
Sempre a nossa terra
ainda província do outro Portugal
Queria adivinhar
Não sei qual dos segredos
Queria chegar
É-me fácil reconhecer as arsãs
Hoje
E todos os amanhãs
Poema de Manuel M. Escovar Triggo, natural do Vieiro, do livro "Acidentais", publicado em 1987 em Coimbra.
e de repente é noite (XLIII)
Pousaram nenúfares na água do teu peito.
Estás na outra margem, onde já não há
memória doutras memórias. Aves nocturnas
procuram decifrar o imprevisível
do teu encontro marcado com o tempo
(que tempo? em que lugar?)
para o destruíres ou ele te destruir.
a que agora acontecesse não viria alterar
a sem-razão de tudo isto.
Seriam pequenas coisas. Tudo insignificante
ao lado da grandeza da morte.
Entanto, partilha comigo, ao menos,
o que de infinito ora visionas.
Que veja pelos teus olhos uma nesga
desse algo que me constrói e destrói,
para que me liberte da loucura.
Poema de João de Sá, do livro "E de repente é noite", 2008.
Estás na outra margem, onde já não há
memória doutras memórias. Aves nocturnas
procuram decifrar o imprevisível
do teu encontro marcado com o tempo
(que tempo? em que lugar?)
para o destruíres ou ele te destruir.
a que agora acontecesse não viria alterar
a sem-razão de tudo isto.
Seriam pequenas coisas. Tudo insignificante
ao lado da grandeza da morte.
Entanto, partilha comigo, ao menos,
o que de infinito ora visionas.
Que veja pelos teus olhos uma nesga
desse algo que me constrói e destrói,
para que me liberte da loucura.
Poema de João de Sá, do livro "E de repente é noite", 2008.
25 outubro 2012
Saudação
Trago-te a paz dos campos e a brancura
Das ermidas na imensidão das serras.
Que te sirvam de elmo em tuas guerras,
Saciem tua fome de lonjura.
A teus pés as deponho com ternura,
Pelos mais altos sonhos em que encerras
Prodígios de visões a que te aferras
Sem almejares o termo da procura!
Bem mereces a brisa que amacia,
Porque acreditas, amas e não esfria,
Em qualquer circunstância, o teu ardor.
Há, em ti, o impulso da semente:
Sulco de terra transformado em gente,
És Vila Flor servindo Vila Flor!
Poema do Dr. João de Sá, do livro "Flores para Vila Flor", 1996.
Fotografia: miradouro, em Vila Flor.
Das ermidas na imensidão das serras.
Que te sirvam de elmo em tuas guerras,
Saciem tua fome de lonjura.
A teus pés as deponho com ternura,
Pelos mais altos sonhos em que encerras
Prodígios de visões a que te aferras
Sem almejares o termo da procura!
Bem mereces a brisa que amacia,
Porque acreditas, amas e não esfria,
Em qualquer circunstância, o teu ardor.
Há, em ti, o impulso da semente:
Sulco de terra transformado em gente,
És Vila Flor servindo Vila Flor!
Poema do Dr. João de Sá, do livro "Flores para Vila Flor", 1996.
Fotografia: miradouro, em Vila Flor.
24 outubro 2012
23 outubro 2012
Vila Metafísica
Quase ao cimo desta pátria lusa
É Vila Flor, na voz rumores de serra,
Onde aprendi a dizer Mãe e Terra
E a estar presente mesmo na recusa.
Canto-te e sou, existo em minha Musa:
Medas de trigo onde o luar se encerra
E, de manhã, a luz do Sol desterra.
Odor a lar na rua mais escusa...
Sou deste chão de auroras de medronhos,
Átrio de Ser, esfera além dos sonhos,
A essência do verde por pronome.
Pulsa meu coração em consonância
Com a glicínia azul da minha infância.
Se tem nome a Beleza, és tu seu nome.
Poema do Dr. João de Sá, do livro "Flores para Vila Flor", 1996.
22 outubro 2012
Cogumelos - Vaquinha (Fistulina hepatica)
Língua-de-vaca, Vaquinha, Ventarola, Vitela Fistulina hepatica
O exemplar da fotografia foi encontrado no termo de Roios, a 21 de Outubro de 2012.
Características: o esporóforo carnudo com 10 a 30 cm de comprimento e 2 a 6 cm de espessura tem inicialmente forma de língua a forma de rim e toma a forma lobular ou de fígado ou de chapéu formando um pé afunilado no local de implante. No estado jovem o lado superior é cor de laranja ou cor-de-rosa; depois muda de cor para vermelho-sangue a vermelho-acastanhado e por fim castanho-escuro. No lado inferior encontram-se tubos muito finos cujos poros são inicialmente brancos a amarelados e depois cor-de-rosa, podendo tomar-se muitas vezes acastanhados ao toque ou quando velhos; no estado jovem, os poros segregam muitas vezes um líquido vermelho. A carne vermelho-sangue escuro percorrida por fibras mais claras ("veias") é tenra e suculenta; ao ser cortada, segrega uma seiva cor de sangue, fazendo com que o esporóforo se assemelha um pouco a carne de animal (daí o nome comum "Língua-de-vaca"). Os esporos arredondados a ovóides medem 4,5 a 5,5 x 3,5 a 4 µm; a esporada é acastanhada.Fonte: adaptado do Guia dos Cogumelos (Dinalivro)
Habitat Esta espécie cresce em árvores vivas, de preferência sobre carvalhos ou faias vermelhas velhas; os esporóforos surgem entre Agosto e Outubro.
Valor: Comestível no estado jovem. Quanto mais velho for o esporóforo, mais tempo tem de ser cozinhado, de modo a eliminar os taninos.
O exemplar da fotografia foi encontrado no termo de Roios, a 21 de Outubro de 2012.
19 outubro 2012
João de Sá - Um ano de Saudade
Arpa eólia
Se queres ouvir o tempo anda comigo,
A sua voz de hera feita idade,
Até à Fonte, está seco o pascigo
Que o vento arqueia e parte por metade.
Queiramos, sob a cúpula romana,
Da Úmbria antiga projecção sem génio,
Saber que a água é de nós que emana,
Desta vagabundagem sem remédio...
Depois, já sob o Arco desse Rei
Troveiro de canções de riso e pranto;
Apuremos o ouvido, a velha grei
É harpa eólia a repartir o canto...
E nada se resuma ao que entardece.
Cada olhar tenha o longe que merece!
Poema do Dr. João de Sá, do livro "Flores para Vila Flor", 1996.
16 outubro 2012
Freguesia Mistério n.º64
O Desafio Freguesia Mistério n.º63 decorreu durante o mês de Setembro. Não era fácil identificar o altar de uma capela, que ainda por cima, poucas vezes é aberta durante o ano. Mas, pelo menos agora, muita mais gente conhece o seu interior.
Foram poucos os participantes, 4 no total! As respostas foram:
Lodões (2) 50%
Roios (1) 25%
Vale Frechoso (1) 25%
O altar é da capela de S. Círiaco, no Mourão. Esta pequena aldeia tem um conjunto de 3 capelas, todas bastantes interessantes para além da igreja matriz, em que ainda não tive o prazer de entrar. A capela de S. Círico fica no largo com o mesmo nome, também conhecido como Largo da Praça, um dos pontos privilegiados da aldeia. Além do largo propriamente dito e da capela, há nas imediações uma fonte, que corre abundantemente, um tanque, a paragem dos autocarros, um cruzeiro em granito e um nicho do padroeiro da aldeia, S. João Batista.
A melhor altura para ver este espaço com vida e visitar a capela é no dia 23 de Junho, dia dos festejos de S. João, caracterizados no Mourão pela queima do vareiro, tradição já reportada neste blogue há alguns anos atrás.
Como se pode ver pela fotografia o interior da capela está muito cuidado, com o altar em talha restaurado. No exterior o elemento mais bonito é o pequeno campanário em granito, central, sem qualquer sineta.
O desafio para Outubro é uma fonte. Uma fonte de mergulho de descobri muito recentemente, porque nunca tinha encontrado nenhuma referência à sua existência. Encontrei-a por acaso, em estado muito pouco apresentável, razão pela qual a fotografia também não está muito bem enquadrada. Ainda faltam alguns dias para terminar o desafio, depois será revelado o mistério.
Em que freguesia do concelho de Vila Flor podemos encontrar esta fonte?
Os palpites ainda podem ser dados na margem direita do Blogue.
Lodões (2) 50%
Roios (1) 25%
Vale Frechoso (1) 25%
O altar é da capela de S. Círiaco, no Mourão. Esta pequena aldeia tem um conjunto de 3 capelas, todas bastantes interessantes para além da igreja matriz, em que ainda não tive o prazer de entrar. A capela de S. Círico fica no largo com o mesmo nome, também conhecido como Largo da Praça, um dos pontos privilegiados da aldeia. Além do largo propriamente dito e da capela, há nas imediações uma fonte, que corre abundantemente, um tanque, a paragem dos autocarros, um cruzeiro em granito e um nicho do padroeiro da aldeia, S. João Batista.
A melhor altura para ver este espaço com vida e visitar a capela é no dia 23 de Junho, dia dos festejos de S. João, caracterizados no Mourão pela queima do vareiro, tradição já reportada neste blogue há alguns anos atrás.
Como se pode ver pela fotografia o interior da capela está muito cuidado, com o altar em talha restaurado. No exterior o elemento mais bonito é o pequeno campanário em granito, central, sem qualquer sineta.
O desafio para Outubro é uma fonte. Uma fonte de mergulho de descobri muito recentemente, porque nunca tinha encontrado nenhuma referência à sua existência. Encontrei-a por acaso, em estado muito pouco apresentável, razão pela qual a fotografia também não está muito bem enquadrada. Ainda faltam alguns dias para terminar o desafio, depois será revelado o mistério.
Em que freguesia do concelho de Vila Flor podemos encontrar esta fonte?
Os palpites ainda podem ser dados na margem direita do Blogue.
13 outubro 2012
Pilão - Candoso

No dia 22 de setembro a caminhada foi a Candoso, ao marco geodésico do Pilão. Já anteriormente estranhei a designação de Pilão, em vez de Pelão, tal como dizem as pessoas de Freixiel em relação ao vale. A verdade é que em todos os documentos e mapas o marco geodésico aparece com a grafia Pilão, não podendo tratar-se de um simples lapso.
Havia a possibilidade de escolher o caminho mais curto, seguramente o mais rápido, mas a vontade de voltar às Olgas e ao ribeiro do Vimieiro, que alimenta a Ribeira da Redonda, foi mais forte. É uma zona baixa entre Samões e Freixiel de onde partem alguns caminhos rurais que levam a Candoso. Já percorri esses caminhos por várias vezes, a pé e em bicicleta.
A caminhada começou cedo, porque o tempo nunca sobra. O percurso é muito conhecido começando em Vila Flor, seguindo até à zona industrial e daqui a Samões.
O dia estava cheio de sol, mas fresco, isso ajudou a caminhada porque há uma subida acentuada desde o ribeiro do Vimieiro até perto de Valtorno.
Apesar de ter chovido pouco os lameiros dos terrenos mais baixos já apresentavam erva fresca, mas água no ribeiro, nem vê-la.
Já quase no final da subida aproveitámos para visitar um pomar de macieiras. Candoso, na zona mais alta da concelho, tem solos de origem granítica. Não são tão bons para a vinha, mas são melhores para outras culturas como a batata e a produção de fruta, principalmente maçã. Na aldeia já há uma produção assinalável destes frutos.
A passagem pela aldeia de Candoso foi rápida. O nosso objetivo situava-se um pouco mais longe na crista do vale Covo, com uma excelente vista para até à serra do Vieiro e até mais além.
Nas imediações do marco geodésico há algumas formações rochosas dignas de uma nota. Uma delas é uma rocha gigantesca, ligeiramente tombada que forma uma cabana natural onde se podem abrigar várias pessoas. Também os animais procuram aqui abrigo e as andorinhas fazem os seus ninhos no teto da cabana. Não muito distante há outras cavidades naturais, algumas também com alguma dimensão e que podem servir de abrigo a pessoas e animais. Também sobre as fragas há cavidades escavadas, formando curiosas marmitas.
Depois de saltitar de pedra em pedra, espreitar algumas cavernas e tentar escalar algumas rochas mais inacessíveis, chega-se ao ponto mais alto, o marco geodésico do Pilão. Na margem oposta do vale hé outro marco geodésico, perto de Mogo de Malta, chama-se Pedrianes e está a 785 metros de altitude.
A paisagem é de cortar a respiração. São 360º para admirar e o dia estava propício com um céu azul e muita luz.
Numa das primeiras vezes que estive no local fiz uma fotografia panorâmica que permite apreciar a grandeza da paisagem ao longo do Vale Covo. Tem estado offline durante muito tempo, mas decidi republicá-la. Aproveitámos a beleza da paisagem para descansarmos e para recuperar forças com um pouco de água e uma peça de fruta.
O marco geodésico está a 723 metros de altitude. Trata-se de um marco geodésico de 3.ª ordem que já não integra a rede nacional. Tem a forma mais habitual, constituída por uma estrutura em cimento, bem conservada e visível a grande distância.
O caminho de regresso a casa foi mais rápido e sem muita história para contar. Tivemos que voltar a Candoso porque não há nenhum caminho direto do marco geodésico a Carvalho de Egas. Quando chegámos a esta aldeia já a tarde estava adiantada e iríamos, certamente, chegar bastante tarde para o almoço. A solução foi pedir apoio e foram-nos buscar de automóvel junto do restaurante Os Lázaros. O percurso completo, ida e volta tem mais de 21 km e acabámos por fazer a pé um pouco mais de 15 km. Gastámos muito tempo a apreciar espécies vegetais, a ver rochas ou a apreciar a paisagem, também só assim é que tem piada, caso contrário seria melhor ir até à barragem e andar às voltas, como muita gente faz.
Foi uma boa caminhada para começar uma nova temporada. Há ainda muitos Pontos Altos para visitar e muitos km para percorrer, mas vamos com calma.
08 outubro 2012
Flor do Mês - Setembro de 2012
A borragem (Borago officinalis) é uma planta sobejamente conhecida, que desperta à atenção de quem por ela passe, quer pelo belo colorido das suas flores, quer pela quantidade de pelos que existem nas suas folhas. As flores são grandes, pediceladas, pendentes, azuis com escamas brancas e anteras violáceo-escuras. A floração ocorre de Janeiro a Outubro.
É frequente na proximidade das hortas, nos caminhos, nas encostas onde foram despejados restos de limpeza de quintais e entulho, sendo uma planta de crescimento fácil mesmo em terrenos pouco propícios.
É uma planta tipicamente mediterrânica mas as suas qualidades como planta medicinal fizeram com que se espalhasse pelo mundo.
As suas qualidades já eram conhecidas alguns séculos antes de Cristo, sendo muito utilizada pelos romanos. Era apreciada por fazer bem ao corpo, mas também ao espírito, espantando a melancolia e tornando as pessoas mais felizes.
Durante a idade média foi usada na alimentação e é possível que em Trás-os-Montes alguns ainda a conheçam como planta comestível, apesar do aspeto pouco atrativo das suas folhas. À exceção das raízes, toda a planta é utilizada tendo propriedades emolientes, sudoríferas e diuréticas, úteis no tratamento de sintomas relacionados com gripe, bronquite, infeções das vias urinárias, herpes e sarampo, entre outros. É usado o óleo, extraído das sementes e das folhas faz-se chá.
Ultimamente foram descobertas algumas propriedades que aconselham algum cuidado na utilização intensiva da borragem como planta medicinal, principalmente por grávidas.
As fotografias foram tiradas em Candoso, durante o mês de Setembro, mas a borragem é muito abundante nas hortas em redor das aldeias das do concelho.
Outras flores do mês
É frequente na proximidade das hortas, nos caminhos, nas encostas onde foram despejados restos de limpeza de quintais e entulho, sendo uma planta de crescimento fácil mesmo em terrenos pouco propícios.
É uma planta tipicamente mediterrânica mas as suas qualidades como planta medicinal fizeram com que se espalhasse pelo mundo.
As suas qualidades já eram conhecidas alguns séculos antes de Cristo, sendo muito utilizada pelos romanos. Era apreciada por fazer bem ao corpo, mas também ao espírito, espantando a melancolia e tornando as pessoas mais felizes.
Durante a idade média foi usada na alimentação e é possível que em Trás-os-Montes alguns ainda a conheçam como planta comestível, apesar do aspeto pouco atrativo das suas folhas. À exceção das raízes, toda a planta é utilizada tendo propriedades emolientes, sudoríferas e diuréticas, úteis no tratamento de sintomas relacionados com gripe, bronquite, infeções das vias urinárias, herpes e sarampo, entre outros. É usado o óleo, extraído das sementes e das folhas faz-se chá.
Ultimamente foram descobertas algumas propriedades que aconselham algum cuidado na utilização intensiva da borragem como planta medicinal, principalmente por grávidas.
As fotografias foram tiradas em Candoso, durante o mês de Setembro, mas a borragem é muito abundante nas hortas em redor das aldeias das do concelho.
Outras flores do mês
- Setembro de 2009 Cebola-albarrã (Urginea maritima L.)
- Setembro de 2008 Merendeiras (Colchicum montanum)
07 outubro 2012
Freguesia Mistério 63
A Freguesia Mistério do mês de Agosto foi uma das mais "difíceis" de sempre! Tratava-se de saber em que freguesia se encontrava determinada sinalética. Não teria escolhido a fotografia se não encontrasse nela algo invulgar, muito pouco frequente em Trás-os-Montes, onde todos os visitantes se queixam com falta de informação. Também não seria de admirar se as placas sinalizadoras estivessem em Vila Flor, invadida por obras de arte semelhantes trazidas pelas novas vias de acesso. O curioso da situação é que as placas se encontram numa aldeia, que, penso eu, terá muito pouco trânsito e onde os visitantes e residentes têm muito poucas hipóteses de se perderem.
Em que freguesia do concelho de Vila Flor pode pode ser encontrada sinalética? Vejamos as respostas, 17 no total.
Benlhevai (2) 12%
Carvalho de Egas (1) 6%
Lodões (1) 6%
Samões (1) 6%
Santa Comba de Vilariça (2) 12%
Trindade (1) 6%
Vale Frechoso (2) 12%
Vila Flor (5) 29%
Vilas Boas (2) 12%
Como vemos Vila Flor recebem 29% dos palpites, mas não se trata da resposta certa. A sinalética apresentada nas fotografias está na aldeia de Vale Frechoso, bem perto da igreja Matriz.
A avenida da Igreja é também a estrada Municipal 603 que faz a ligação a Santa Comba da Vilariça. A rua que parte em direção ao centro da aldeia não sei se também é a Francisco António Pereira.
Esta preocupação em sinalizar todos os espaços públicos da aldeia, até com algum exagero, é também notória nos números das casas, havendo portas com várias placas com o mesmo número.
A existência do Ecoponto e de várias placas para o não vazamento de lixo é um aspeto bastante positivo, é pena é que a fossa dos esgotos contamine com frequência as águas da ribeira (problema comum a muitas freguesias do concelho).
O desafio do mês de Setembro voltou-se (de novo) para o sagrado. É o interior de uma capela onde estive muito poucas vezes. Numa das aldeias mais distantes da sede de concelho.
Em que freguesia podemos encontrar a capela com este altar?
As respostas já foram dadas, em breve voltaremos ao assunto.
Já está no "ar" o desafio para Outubro. Trata-se de uma fonte de mergulho muito pouco conhecida da maioria das pessoas, até dos habitantes da própria aldeia. Onde se situa? Os palpites podem ser deixados na margem direita do blogue na Freguesia Mistério nº64.
Em que freguesia do concelho de Vila Flor pode pode ser encontrada sinalética? Vejamos as respostas, 17 no total.
Benlhevai (2) 12%
Carvalho de Egas (1) 6%
Lodões (1) 6%
Samões (1) 6%
Santa Comba de Vilariça (2) 12%
Trindade (1) 6%
Vale Frechoso (2) 12%
Vila Flor (5) 29%
Vilas Boas (2) 12%
Como vemos Vila Flor recebem 29% dos palpites, mas não se trata da resposta certa. A sinalética apresentada nas fotografias está na aldeia de Vale Frechoso, bem perto da igreja Matriz.
A avenida da Igreja é também a estrada Municipal 603 que faz a ligação a Santa Comba da Vilariça. A rua que parte em direção ao centro da aldeia não sei se também é a Francisco António Pereira.
Esta preocupação em sinalizar todos os espaços públicos da aldeia, até com algum exagero, é também notória nos números das casas, havendo portas com várias placas com o mesmo número.
A existência do Ecoponto e de várias placas para o não vazamento de lixo é um aspeto bastante positivo, é pena é que a fossa dos esgotos contamine com frequência as águas da ribeira (problema comum a muitas freguesias do concelho).O desafio do mês de Setembro voltou-se (de novo) para o sagrado. É o interior de uma capela onde estive muito poucas vezes. Numa das aldeias mais distantes da sede de concelho.
Em que freguesia podemos encontrar a capela com este altar?
As respostas já foram dadas, em breve voltaremos ao assunto.
Já está no "ar" o desafio para Outubro. Trata-se de uma fonte de mergulho muito pouco conhecida da maioria das pessoas, até dos habitantes da própria aldeia. Onde se situa? Os palpites podem ser deixados na margem direita do blogue na Freguesia Mistério nº64.
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