30 novembro 2012

As cores do Novembro

 Prestes a chegarmos ao fim do mês de novembro vale a pena "olhar para trás" e recordar algumas das imagens com que vivemos o dia-a-dia. às "portas" da Vila as vinhas pintaram-se de uma paleta de cores admiráveis. E não foram só as vinhas, tivemos também as cerejeiras, o sumagre e temos ainda com bastante cor, os castanheiros, mas estes últimos nas zonas mais frias do concelho.
Não faltarão as fotografias do colorida das folhas dos castanheiros, mas hoje ficamos com as vinhas.
Não é fácil captar a subtileza das cores que os nossos olhos observam. Ainda mais difícil é quando no pouco tempo livre que tive o estado do tempo piorou e não me deixou fotografar como/quando eu queria, mas, mesmo assim, vale a pena recordar.

26 novembro 2012

Maragoto - Roios

Tenho andado um pouco "afastado" do blogue, por várias razões mas uma tem a ver com um azar que tive com o computador. Comprei uma máquina nova, com um disco de maior capacidade... e não é que se avariou ao fim de mês de uso!... O disco não teve recuperação possível, foi substituído por outro, mas as fotografias de Setembro e Outubro (e algumas de Agosto) perderam-se. Nunca me tinha acontecido nada semelhante e fiquei um pouco abalado e triste.
Uma das reportagens que se perdeu, foi a de uma caminhada que fiz ao marco geodésico do Maragôto, no dia 21 de Outubro. Escaparam duas ou três que tinha postado no Facebook. Não foi a primeira vez que estive no local, creio que foi a terceira, por isso, fotografias do marco geodésico é o que não falta.
Este marco está situado a norte da aldeia de Roios, perto do separação do termo com o de Vale Frechoso. É um dos locais de passagem da maior parte das caminhadas em direção a Benhevai, Trindade, Vale Frechoso e Santa Comba, não propriamente nos rochedos onde está o marco, mas nos caminhos que contornam o  morro.
O acesso não é difícil, um carro ligeiro pode ir até muito próximo, partindo da estrada N214 para a Quinta do Galego. Daí até ao cume dos rochedos não é muita distância, mas não há propriamente um caminho.
Saí de Vila Flor pela rua do Carriço. Atravessar a Serra é sempre uma emoção. As cores outonais estavam por todo o lado e os sabores também, porque uma uva rebuscada na vinha tem um sabor muito superior ao que tinham em tempos de abundância. Este ano há poucos medronhos, mas os medronheiros são abundantes no Facho.
Onde me entusiasmei mais foi no percurso que sobe de Roios até à Quinta do Galego, acompanhando de perto o curso de um ribeiro. Milhares de flores (crocus) despontavam nos lameiros. Também procurei alguns rocos, mas a busca foi infrutífera.
No alto dos rochedos há vestígios de uma atalaia. Nas minhas primeiras visitas ao local fiquei desconfiado, mas agora tenho a certeza. No Portal de Arqueologia pode ler-se o seguinte: "Possível atalaia, localizada no topo de um cabeço isolado e dominante na paisagem. O topo do cabeço estende-se de Noroeste para Sudeste. A extremidade Sudeste é uma pequena plataforma elevada, com dois afloramentos quartzíticos destacados, num dos quais se encontra um marco geodésico. Existem duas zonas de acesso para esta plataforma, e em ambas se encontra o derrube de uma estrutura, presumivelmente uma muralha. Não se encontraram materiais de superfície, e não parece haver evidências da existência de um povoado. Tendo em conta a exiguidade do espaço da plataforma muralhada e a implantação estratégica do local, supomos que este sítio se trate de uma pequena atalaia fortificada, provavelmente medieval."
O marco geodésico está parcialmente destruído. Há muito que deve ter sido abandonado, porque muitos foram recuperados e este não. A paisagem que se avista em direção ao vale da Vilariça, passando por Alfândega da Fé, até Mogadouro, já vale a pena escalar o local. Para Norte apenas se vislumbra o aponta do cabeços da Senhora da Assunção e outros circundantes. Também é o melhor local para ver Vale Frechoso.
Alguém limpou um zimbro e colocou nele a bandeira nacional! Deve ter sido há algum tempo porque o tecido da bandeira já se desfez.
Foi já quando me dirigia para a estrada, onde me foram buscar, que encontrei uma "vaquinha" no tronco de um castanheiro! Foi a primeira que encontrei e fiquei bastante contente.
O percurso, linear, desde Vila Flor, passando por Roios, pelo marco geodésico e terminando na estrada nacional, tem aproximadamente 8 km. Será para repetir mais tarde, fiquei com muita pena das fotografias que perdi.

22 novembro 2012

Vila Flor

 Nas capelinhas, no dia 21 de Novembro de 2012.

07 novembro 2012

João de Sá

 Faz hoje 84 anos que nasceu, em Vila Flor, João Baptista de Sá. Com pouco mais de 20 anos mudou a sua vida para a capital, onde ficou até à sua morte, ocorrida a 23 de Fevereiro de corrente ano. Ausente fisicamente da sua terra, o seu coração sempre aqui esteve e as suas mais sentidas palavras, em prosa ou em verso, foram dedicados ao seu torrão natal. A sua escrita é apaixonada, cheia de emoção, doce, atenta às coisas simples, dedicada a pessoas comuns, reinventando uma época e uma Vila repleta de sentimentos, lugares, cores e sons, que mesmo quem não a conheceu consegue sentir e viver aos desfolhar cada um dos seus livros.
Em 1989 numa das cartas que escreveu a seu tio Raul de Sá Coreia manifestava a vontade em adquirir um espaço no cemitério de Vila Flor, para aqui repousar após a sua morte. "Por aqui há muito barulho, não se "dorme" descansado", dizia ele. Nós últimos anos da sua vida houve algumas mudanças a este respeito, mas a vontade de regressar manteve-se. Isto porque há um lugar onde a "luz agita a manhã incendiando estevas e carquejas, urzes e arçãs, bela-luz e alfazemas". Um lugar onde é difícil "estabelecer uma linha demarcatória entre a matéria e o espírito, como se de repente se rasgassem campos magnéticos de infindáveis surpresas e tudo se fundisse numa liga de extrema perfeição".
Ao aproximar-se o aniversário do seu nascimento a Câmara Municipal decidiu homenageá-lo com um conjunto de atividades que se iniciaram no dia 1 de Novembro.
Às 15 horas foi aberta a Exposição sobre a Vida e Obra do Autor, exposição que se vai manter no  foyer do Centro Cultural até ao dia 30 de Novembro. Durante a tarde aconteceram alguns momentos musicais protagonizados por jovens músicos locais. Às dezasseis horas o grupo Filandorra - Teatro Nordeste apresentou a Elegia a João de Sá, onde foram dramatizados contos, declamados poemas e apresentada uma foto-biografia do autor.
Além do grupo de atores participaram também nesta Elegia o Sr. Rogério Fernandes, a Sr. Isabel Machado, a Dr.ª Gracinda Peixoto e a atriz Cecília Guimarães.
Para terminar, e após usarem da palavra uma neta de João de Sá e o Sr. Presidente da Câmara de Vila Flor, amigo pessoal do escritor, foi lançada a segunda edição do livro "Flores para Vila Flor", que teve a primeira edição da pela Câmara Municipal em 1996.
Se o escritor João de Sá estivesse presente certamente diria que não merecia tal homenagem. Quase garantidamente diria que não fez mais do que a sua obrigação, que Vila Flor merece muito mais e que a sua escrita não é assim tão bela e importante. O que tenho mesmo a certeza é que ficaria imensamente contente com a reedição do seu livro, porque ele sabia que a sua escrita quando lida ganha forma, prolongando a sua própria vida.
Fiz questão de estar presente, até com algum sacrifício. Quando foi lançado o livro Cantos da Montanha não pude estar presente. Passados poucos dias fui surpreendido com um embrulho na caixa do correio, lá estava o livro! Na dedicatória lê-se "não experimentei o júbilo de o ver no lançamento dos meus livros"! Percebi o quanto os livros eram importantes para João de Sá.
O livro Flores para Vila Flor é um livro de poemas, todos sonetos (dois quartetos e dois tercetos). Embora esta forma, muito estruturada, não seja do agrado de toda a gente, é, talvez pela altura em que foi escrito, mais acessível, com linguagem mais clara, transparente e concreta. Nas suas últimas obras, o próprio autor o reconhecia, a escrita era mais elaborada, complexa e por vezes sombria.
Já publiquei vários dos sonetos que integram o livro e outros serão publicados com algum intervalo de tempo entre eles. Deixo no final deste texto uma ligação direta para cada um deles. Também criei, na margem direita do Blogue uma etiqueta própria - João de Sá - que faz uma listagem automática de todos os textos e poemas deste autor que fui publicando ao longo de 6 anos (ainda não está 100% funcional).
Livros publicados:
- Flores para Vila Flor (1996);
- Um caminho entre as oliveiras (1997);
- Mãe-d’Água. Ficções e memórias (2003);
- Assalto a uma cidade feliz (2006);
- Vila à flor dos montes (2008);
- Vozes além da fala (2008, edição do autor);
- E de repente é noite (2009, edição do autor);
- Pelo sinal da terra (2010, edição do autor);
- Cantos da montanha (2010).

Sonetos do livro Flores para Vila Flor já publicados no Blogue:

01 novembro 2012

Douro

Novembro
também chegou
Podia ser outro

É Outono
Chegou - as parras empalideceram
Pálidas rosa avermelhado
O fumo dolente sobe pelos socalcos
Soprando pelas chaminés
Num bafo surdo
De um desabafo qualquer

Mas
As serras estão sempre aqui
Sempre os socalcos
Sempre as vinhas e olivais
As urzes e os carrascos
Carvalhos e arsãs
Sempre as casas de branco
Sem luto
Sem sombra
Sempre o rio

E as gentes

A gente
Sempre a miragem
De um sonho rasgado
Embutido na outra margem
Sempre a nossa terra
ainda província do outro Portugal

Queria adivinhar
Não sei qual dos segredos
Queria chegar
É-me fácil reconhecer as arsãs
Hoje
E todos os amanhãs


Poema de Manuel M. Escovar Triggo, natural do Vieiro, do livro "Acidentais", publicado em 1987 em Coimbra.

e de repente é noite (XLIII)

Pousaram nenúfares na água do teu peito.
Estás na outra margem, onde já não há
memória doutras memórias. Aves nocturnas
procuram decifrar o imprevisível
do teu encontro marcado com o tempo
(que tempo? em que lugar?)
para o destruíres ou ele te destruir.
a que agora acontecesse não viria alterar
a sem-razão de tudo isto.
Seriam pequenas coisas. Tudo insignificante
ao lado da grandeza da morte.
Entanto, partilha comigo, ao menos,
o que de infinito ora visionas.
Que veja pelos teus olhos uma nesga
desse algo que me constrói e destrói,
para que me liberte da loucura.

  Poema de João de Sá, do livro "E de repente é noite", 2008.

25 outubro 2012

Saudação

Trago-te a paz dos campos e a brancura
Das ermidas na imensidão das serras.
Que te sirvam de elmo em tuas guerras,
Saciem tua fome de lonjura.

A teus pés as deponho com ternura,
Pelos mais altos sonhos em que encerras
Prodígios de visões a que te aferras
Sem almejares o termo da procura!

Bem mereces a brisa que amacia,
Porque acreditas, amas e não esfria,
Em qualquer circunstância, o teu ardor.

Há, em ti, o impulso da semente:
Sulco de terra transformado em gente,
És Vila Flor servindo Vila Flor!

Poema do Dr. João de Sá, do livro "Flores para Vila Flor", 1996.
Fotografia: miradouro, em Vila Flor.

24 outubro 2012

Samões - Cruzeiro

Cruzeiro, em Samões, no concelho de Vila Flor.

23 outubro 2012

Vila Metafísica


Quase ao cimo desta pátria lusa
É Vila Flor, na voz rumores de serra,
Onde aprendi a dizer Mãe e Terra
E a estar presente mesmo na recusa.

Canto-te e sou, existo em minha Musa:
Medas de trigo onde o luar se encerra
E, de manhã, a luz do Sol desterra.
Odor a lar na rua mais escusa...

Sou deste chão de auroras de medronhos,
Átrio de Ser, esfera além dos sonhos,
A essência do verde por pronome.

Pulsa meu coração em consonância
Com a glicínia azul da minha infância.
Se tem nome a Beleza, és tu seu nome.

Poema do Dr. João de Sá, do livro "Flores para Vila Flor", 1996.

22 outubro 2012

Cogumelos - Vaquinha (Fistulina hepatica)

Língua-de-vaca, Vaquinha, Ventarola, Vitela Fistulina hepatica
Características: o esporóforo carnudo com 10 a 30 cm de comprimento e 2 a 6 cm de espessura tem inicialmente forma de língua a forma de rim e toma a forma lobular ou de fígado ou de chapéu formando um pé afunilado no local de implante. No estado jovem o lado superior é cor de laranja ou cor-de-rosa; depois muda de cor para vermelho-sangue a vermelho-acastanhado e por fim castanho-escuro. No lado inferior encontram-se tubos muito finos cujos poros são inicialmente brancos a amarelados e depois cor-de-rosa, podendo tomar-se muitas vezes acastanhados ao toque ou quando velhos; no estado jovem, os poros segregam muitas vezes um líquido vermelho. A carne vermelho-sangue escuro percorrida por fibras mais claras ("veias") é tenra e suculenta; ao ser cortada, segrega uma seiva cor de sangue, fazendo com que o esporóforo se assemelha um pouco a carne de animal (daí o nome comum "Língua-de-vaca"). Os esporos arredondados a ovóides medem 4,5 a 5,5 x 3,5 a 4 µm; a esporada é acastanhada.
Habitat Esta espécie cresce em árvores vivas, de preferência sobre carvalhos ou faias vermelhas velhas; os esporóforos surgem entre Agosto e Outubro.
Valor:  Comestível no estado jovem. Quanto mais velho for o esporóforo, mais tempo tem de ser cozinhado, de modo a eliminar os taninos.
Fonte: adaptado do Guia dos Cogumelos (Dinalivro)
O exemplar da fotografia foi encontrado no termo de Roios, a 21 de Outubro de 2012.

19 outubro 2012

João de Sá - Um ano de Saudade


Arpa eólia

Se queres ouvir o tempo anda comigo,
A sua voz de hera feita idade,
Até à Fonte, está seco o pascigo
Que o vento arqueia e parte por metade.

Queiramos, sob a cúpula romana,
Da Úmbria antiga projecção sem génio,
Saber que a água é de nós que emana,
Desta vagabundagem sem remédio...

Depois, já sob o Arco desse Rei
Troveiro de canções de riso e pranto;
Apuremos o ouvido, a velha grei
É harpa eólia a repartir o canto...

E nada se resuma ao que entardece.
Cada olhar tenha o longe que merece!

Poema do Dr. João de Sá, do livro "Flores para Vila Flor", 1996.

16 outubro 2012

Freguesia Mistério n.º64

O Desafio Freguesia Mistério n.º63 decorreu durante o mês de Setembro. Não era fácil identificar o altar de uma capela, que ainda por cima, poucas vezes é aberta durante o ano. Mas, pelo menos agora, muita mais gente conhece o seu interior. Foram poucos os participantes, 4 no total! As respostas foram:
Lodões (2)     50%
Roios (1)     25%
Vale Frechoso (1)      25%
O altar é da capela de S. Círiaco, no Mourão.  Esta pequena aldeia tem um conjunto de 3 capelas, todas bastantes interessantes para além da igreja matriz, em que ainda não tive o prazer de entrar. A capela de S. Círico fica no largo com o mesmo nome, também conhecido como Largo da Praça, um dos pontos privilegiados da aldeia. Além do largo propriamente dito e da capela, há nas imediações uma fonte, que corre abundantemente, um tanque, a paragem dos autocarros, um cruzeiro em granito e um nicho do padroeiro da aldeia, S. João Batista.
A melhor altura para ver este espaço com vida e visitar a capela é no dia 23 de Junho, dia dos festejos de S. João, caracterizados no Mourão pela queima do vareiro, tradição já reportada neste blogue há alguns anos atrás.
Como se pode ver pela fotografia o interior da capela está muito cuidado, com o altar em talha restaurado. No exterior o elemento mais bonito é o pequeno campanário em granito, central, sem qualquer sineta.
O desafio para Outubro é uma fonte. Uma fonte de mergulho de descobri muito recentemente, porque nunca tinha encontrado nenhuma referência à sua existência. Encontrei-a por acaso, em estado muito pouco apresentável, razão pela qual a fotografia também não está muito bem enquadrada. Ainda faltam alguns dias para terminar o desafio, depois será revelado o mistério.
Em que freguesia do concelho de Vila Flor podemos encontrar esta fonte?


Os palpites ainda podem ser dados na margem direita do Blogue.