08 setembro 2013

Procissão de Nossa Senhora do Rosário - Freixiel

No dia de 11 de agosto aproveitei o o fato de me encontrar em Vila Flor para visitar Freixiel e acompanhar a procissão das festas em honra de Nossa Senhora do Rosário.
O dia esteve extremamente quente, abafado e mesmo ao fim da tarde, só com dificuldade se aguentava ao sol.
A eucaristia aconteceu ao depois das 17 horas e seguiu-se-lhe a procissão que integrou grande número de andores.
A procissão saiu da igreja matriz para o santuário de Nossa Senhora do Rosário, local central das festas.
Depois dos primeiros estandartes, por detrás da Santa Cruz, seguia o Rancho Folclórico de Freixiel. Seguiam-se os diferentes andores, com o de Nossa Senhora do Rosário no final, o senhor padre Belmiro e a Banda Filarmónica de Carrazedo de Montenegro acompanhado-o de perto.
 Apesar de muita gente já não participar nestas cerimónias religiosas, a procissão contou com a participação e presença de muitas pessoas. Mesmo aquelas que assistiram à passagem da procissão mostraram bastante respeito.
Todos os andores estavam ricamente enfeitados com flores naturais de cores combinadas com as imagens que embelezavam.
Ao aproximar-se o por do sol os andores subiam a rua do santuário em direção ao mesmo criando um ambiente de grande nostalgia e emoção.
Os andores foram colocados lateralmente à pequena capela e o andor de Nossa Senhora à frente. Foi feito um sermão que terminou com a bênção de uma imagem de S. José e com o descerramento de uma placa comemorativa dos 50 anos da Festa em Honra de Nossa Senhora do Rosário.
Já com o sol a esconder-se, abafado com o fumo espalhado pelo céu vindo de incêndios da região, atuou o rancho da aldeia com a alegria contagiante que sempre o caracteriza.
A animação continuou pela noite fora.

05 setembro 2013

Parabéns! Sete anos À Descoberta...

Uma estrada, convite à aventura (Vieiro)
 Completam-se hoje 7 anos da existência deste blogue. Parece que foi ontem, mas se comparar a fotografias dos meus filhos, tirada no dia 5 de setembro de há 7 anos atrás com uma de hoje é que se tem a visão de quanto as coisas e as pessoas podem mudar neste espaço de tempo.
Mas não faz muito sentido falar do início, reportemo-nos apenas ao último ano. Cada ano é único, fruto do Descoberto nos anos anteriores e influenciado pelo dia a dia.
Praça da República, Vila Flor
O Blogue foi sempre um projeto pessoal, muitas vezes quase um diário de do que me foi acontecendo no concelho de Vila Flor. Por isso isso acho que há duas visões e que ambas se vão alterando: aquela que me diz respeito e aquelas que os visitantes procuram.
Ribeira da Cabreira, Freixiel
No último ano houve poucas novidades que me fizessem vibrar de entusiasmo. Continuei a percorrer os caminhos do concelho, quase sempre a pé, visitando os Pontos Altos do concelho, que são os marcos geodésicos. Estas caminhadas servem para explorar a fauna e flora, também a geologia, sempre numa vertente fotográfica complementada com alguma investigação, em casa. Isto é que é a razão de ser do Blogue. A maior dificuldade é a escrita, não sendo propriamente um ato de prazer para mim, exige esforço e tempo, sendo difícil conseguir as duas coisas.
Artesanato de Vila Flor
O Blogue, ou os blogues, estão numa fase descendente de entusiasmo, perdendo visitantes a cada dia que passa (havendo algumas mas muito boas exceções). Se por acaso eu publicasse as razões porque as pessoas visitam o blogue, que desde o início tenho acompanhado, muitos ficariam surpreendidos. Muitos dos visitantes chegam por razões que pouco ou nada têm a ver com Vila Flor, ao contrário do que acontecia nos primeiros anos. Isso significa que os visitantes têm-se alterado.
Cogumelos selvagens
Juntando as duas partes: porque é que eu tenho menos tempo e disposição e porque é que os visitantes estão menos atentos? São as mudanças dos tempos e também da própria Internet. Hoje quer-se tudo pronto, rápido e à medida (esqueci-me de completamente novo). Poucos têm tempo para "desfolhar" blogue, ler mais de 3 linhas de texto seguidas e muito menos para esboçar um pensamento e escrever um comentário que vá para além de um simples clique vulgo like. Todo o mundo se virou para o fenómeno mundial chamado Facebook e o blogue também.
Forca, Freixiel
Paralelamente ao blogue foi criada a página Vila Flor, concelho. Se o objetivo era chamar a atenção para o Blogue, de repente passou a assumir mais protagonismo do que o próprio. A publicação é mais fácil, a visualização também, o acesso é mais democrático, então o que é que tem de mal? É muito impessoal e efémero. As fotografias transmitem muita coisa, chegam a muitas pessoas, mas no dia seguinte são história e há que "alimentar" o "monstro". Para complicar as coisas algumas pessoas pensam que a página representa a autarquia (apesar de dizer na descrição "página não oficial") e até me acusam de falta de caráter e ouras coisas piores.A página é pessoal e apartidário, tal como o Blogue.
Eu mesmo à procura do melhor ângulo
O balanço anual mostra alguns números em queda, mas há um que se destaca em alta, o número de fotografias tiradas durante um ano, mais de 24 mil! Até eu fiquei admirado. Há um ano atrás tive azar com um computador novo e perdi alguns meses de fotografias. A minha "vingança" foi tirar ainda mais, mas não recuperei as que perdi.
Queijos, um transmontanos, outros nem tanto. Quinta de Valtorinho, Seixo.
Quanto ao futuro, tal como anteriormente, nada posso prometer. Este é um projeto por paixão, que me leva muito tempo e mesmo algum dinheiro. Se me dá algum prazer, como o que sinto em muitas aldeias, quando me recebem como amigo, também me dá alguns dissabores de que é melhor nem falar. Enquanto o balanço for "positivo", vou continuar a percorrer e a fotografar o concelho, no ensejo de Descobrir as pequenas coisas que me fazem feliz.
Nos últimos anos tenho tido a companhia do amigo Helder Magueta que continua com vontade de caminhar pelo concelho e nos concelhos vizinhos. Tenho que lhe agradecer pela motivação e companhia.
Gostaria de recomeçar com os meus percursos em BTT, aliando o prazer da fotografia com o da bicicleta, mas é complicado voltar a 2007.
Flora, um dos motivos mais representativos no blogue
A página no Facebook cresce a bom ritmo, embora não tenha a participação de muitas pessoas. Não era minha intenção que ela substituísse o Blogue. Continuo a dar muita importância às palavras e o Facebook não me agrada neste aspeto. Entretanto, novas redes vão aparecendo e vamos estar atentos a todas as formas de comunicar e mostrar o concelho, porque esse é também um dos grandes objetivos do Blogue.
Caminhada escolar. Há que ter mais iniciativas deste género.
Uma palavra de apreço a todos os que se têm mantido fieis a este espaço. Através do Blogue já conheci pessoas, já descobri locais, já li livros, já senti emoções que de outra forma nunca chegaria a sentir. São coisas que não têm preço e que justificam algumas gotas de suor que seja preciso soltar para escalar os pontos mais altos ou percorrer os caminhos mais longos.
Vamos continuar a encontrar-nos por aí.

Números do 7.ºano:
Páginas vistas - 69 791
Visitantes - 38 995
Comentários - 137
Postagens -  65
Km percorridos em BTT - 81
Km percorridos a pé - 172
Fotografias tiradas - 24 022
Fotografias publicadas - 659

Números totais (7 anos):
Páginas vistas - 679 386
Visitantes - 313 395
Postagens - 1 112
Km percorridos em BTT - 2 247
Km percorridos a pé (3 anos) -  752
Fotografias tiradas - 130 305 

22 agosto 2013

TerraFlor 2013

Começa hoje a Feira de Produtos e Sabores, TerraFlor, na sua X edição. Este evento, que tem passado por diversas transformações, entre as quais a mudança no calendário anual e o local do evento, não deixa de ser a maior oportunidade do concelho mostrar o seu melhor, com destaque para os produtos agrícolas, o artesanato e o folclore.
O azeite é o produto rei, aparece em grande no cartaz, embora não se verifique nenhuma atividade que lhe seja especialmente dedicada.
A feira aparece, tal como em 2011, em simultâneo com as Festas em Honras de S. Bartolomeu, padroeiro de Vila Flor e o feriado municipal, que é 24 de Agosto. Desta forma a animação serve dois princípios, chama gente para a feira e anima as pessoas da festa, sendo desnecessária a destrinça onde começa uma e ou acaba a outra.
Como novidade desta edição surge a recriação histórica de uma feira medieval quinhentista. As expetativas são muitas e como acontece numa altura em que ainda há muita gente no concelho, pode ser que seja uma atividade muito participada e apreciada.
Já habitual é o dia dedicado ao Mundo Rural, dia 25 de agosto. Não percebo a numeração dos concursos de ovelha churra e de cabra serrana, que já iam na XXI edição (o de cabra serrana) e VII edição (o de ovelha churra) e voltam ambos à VII. O Cão de Gado Transmontano também vai estar presente, não em concursos, como era habitual, mas numa mostra/leilão.
A animação musical está em partes iguais atribuída a grupos locais e a outros não locais. Merece destaque no dia 23, hoje, a apresentação de vários grupos tradicionais. Hoje é o dia do folclore (pelo menos no Brasil). O grande nome está prometido para o dia 23 e é ele GNR (Grupo Novo Rock), que não precisa de apresentações. É uma boa oportunidade para as bandas locais chegarem a mais pessoas, são elas Our Stone, Os Troika e Autarkia
Completam o evento um seminário e um colóquio, que espero sejam participados e uma atividade desportiva, cicloturismo.
No que toca à festa de S. Bartolomeu, e uma vez que muito do programa é comum, destaca-se a Eucaristia e a majestosa procissão pelas artérias da vila. Será, sem dúvida um dos momentos altos do fim de semana em Vila Flor.

17 agosto 2013

Senhora da Esperança, em Benlhevai (Vídeo)

Vem Senhora da Esperança, vem
Vem abençoar

Nossos caminhos vem iluminar,
Nossa capela bem abençoar,
Nossos trabalhos vem iluminar,
O nosso mundo vem abençoar.

A nossa igreja vem iluminar,
Os imigrantes bem abençoar,
Nossa famílias vem abençoar,
A nossa vida vem abençoar.

A nossa terra vem iluminar,
Nossa crianças vem abençoar,
Os nossos jovens vem iluminar,
Todo este povo vem abençoar.

Inauguração da capela da Senhora da Esperança, em Benlhevai, no dia 11 de Agosto de 2013.

15 agosto 2013

Expo- Benlhevai 2013

Benlhevai teve durante os dias 9, 10 e 11 de agosto uma série de atividades integradas na Expo- Benlhevai 2013. Este evento vai já na terceira edição, com uma adesão crescente por parte da população da aldeia.
No dia 9 abriu a exposição de artesanato e no dia 10 a festa foi animada com o grupo Troika Música Pimba. Tenho pena de não ter visto a exposição de artesanato, mas só estive em Benlhevai no dia 11 e já não havia nada exposto.
O programa do dia 11 iniciou-se com a celebração da Eucaristia celebrada pelo P. Leite. À entrada da capela-mor estava o andor com a imagem de Nossa Senhora da Esperança, imagem que se destinava à capela de Nossa Senhora da Esperança, situada a curta distância da aldeia e recentemente recuperada.
Terminada a Eucaristia o andor foi levado em procissão até à capela, que foi benzida. Todo o espaço estava decorado com flores naturais, com bancos e preparado para receber a imagem de Nossa Senhora. A imagem foi colocada no local próprio, na capela mor, para grande regozijo da população.
O poder autárquico também estava representado, uma vez que a recuperação do espaço teve um forte envolvimento da Câmara.
Terminada a cerimónia toda a população regressou a aldeia para onde já estavam colocadas as mesas para "merenda", que foi mais um bom almoço. Havia de tudo: frango no churrasco, fêveras, barriga de porco, sardinhas, pão quentinho, vinho, água e várias variedades de frutas. Também havia uma grande quantidade e variedade de sobremesas doces porque toda a população foi convidada a participar, levando uma sobremesa.
À medida que as pessoas comiam mais carne a mais sardinhas foram preparadas. Estava tudo muito saboroso. A refeição foi longa permitindo momentos de muito convívio entre diferentes gerações e entre emigrantes e residentes.
Terminada a refeição, alguns pares ensaiam alguns passos de dança, mas o calor era intenso não favorecendo o baile.
A meio da tarde chegou o Grupo de Cantares de Alfândega da Fé. Depois de encontrado um lugar à sombra encantaram os presentes com as suas músicas e canções durante o resto da tarde.
Estão de parabéns a Associação Cultural e Desportiva de Benlhevai, Associação de Caça, Junta de Freguesia, Fábrica da Igreja, bem como toda a população que se envolveu e participou nas diferentes atividades.
Os meus agradecimentos pessoais à Junta de Freguesia pela sua amabilidade para comigo.

14 agosto 2013

Capela de Nossa Senhora da Esperança - Benlhevai

Visitei pela primeira vez a capela de Nossa Senhora da Esperança em Setembro de 2007. Na altura achei que esta merecia melhor destino do que aquele a que estava votada. A minha descrição da visita dizia:
"Com cuidado entrei no interior completamente invadido de mato. Algumas árvores mais possantes, como carvalhos, vão engrossando as raízes, pondo em risco o pouco que resta. As paredes, que resistiram impávidas à passagem do tempo, ficam fragilizadas porque a água das chuvas lhe penetra nas entranhas, arrastando-lhe o barro."
 Os documentos oficiais descrevem-na assim:
"Planta composta por nave única retangular e capela-mor também retangular. Não apresenta cobertura, mas esta seria de duas águas, conforme empena no frontispício. O aparelho, que o mau estado do reboco descobre, é em alvenaria de xisto com silhares graníticos nos cunhais, cornijas e vãos. Fachada principal orientada, portal em arco pleno de nove aduelas largas sendo a chave mais delgada. Impostas salientes e, sob a do lado S., cruz de malta em baixo relevo. Alçado N. cego e os virados a E. e S. possuem uma pequena fresta de voamento na capela-mor. Interior sem pavimentos e rebocos. O arco correspondente ao portal é, pelo interior, abatido, apresentando nos saimeis cavidade para o girar dos gonzos. O arco triunfal é pleno com 13 aduelas argamassadas e impostas salientes."
Da sua origem pouco se sabe. Não data escrita em nenhum lugar e apenas pelos elementos arquitetónicos é possível fazer uma possível datação. Também o seu elemento mais interessante, a cruz da Ordem de Malta gravada do lado direito da porta pode dar uma ajuda, ainda que vaga. A ordem de malta esteve na península Ibérica do Séc. XIV ao Séc XIX. Os técnicos dos Monumentos Nacionais indicam os finais do Séc. XV como altura provável da sua construção.
A sua situação é muito boa erigida numa pequena elevação com excelente vista para a aldeia e para o vale da Vilariça. Interessante será pensar como e onde seria o povoado no Séc. XV. Em redor da capela é possível encontrar restos de cerâmica e foram também encontrados dois machados de pedra polida, que apontam para a ocupação da zona em épocas muito anteriores às da construção da capela.
Em andanças que fiz por Benlhevai encontrei pessoas que casaram na capela e que dela têm ainda uma boa lembrança*. Toda a população da aldeia está convencida que a capela foi a primeira igreja matriz. Ela é alguns séculos anterior à atual igreja e é bem possível que fosse a única, quando a aldeia se formou e que em determinadas épocas tenha substituído a atual igreja matriz, em obras ou com falta de condições. Ao longo dos séculos tudo dá muitas voltas. De qualquer forma o termo - matriz - significa que havia outras igrejas, capelas, dependentes dela o que me parece ser pouco provável.
Mas vamos ao que interessa. A bonita capela foi recuperada. A Junta de Freguesia há muito tempo que ansiava por recuperar este património da freguesia e, com o apoio da autarquia, as obras na capela terminaram já algum tempo. Recentemente foi arranjado o espaço em frente à capela e está quase concluído a baixada que vai levar luz elétrica ao local. O terreno em redor é particular o que não permite fazer um melhor arranjo envolvente.
No dia 11 de agosto foi feita a inauguração da capela, com colocação da imagem de Nossa Senhora da Esperança.
A cerimónia iniciou-se com a celebração da Eucaristia na igreja matriz, seguida de procissão, bênção da capela e colocação da imagem no altar.
Na iconografia de Nossa Senhora da Esperança está sempre presente o Menino Jesus (esperança também é sinónimo da parto) e muitas vezes uma pomba (Espírito Santo). Outra interpretação é a esperança que Jesus representa para a humanidade. O Menino alimenta a pomba (humanidade) com bagos de uva que Nossa Senhora Segura na mão esquerda.
Um grupo de crianças e jovens vestidos a preceito participaram na eucaristia, acompanharam o andor de nossa, senhora e no final da inauguração distribuíram à assembleia bagos de uvas, como simbologia da colheita dos frutos, mas também de dons espirituais.
A cerimónia foi presidida pelo Sr. P. Leite e contou com a participação da esmagadora maioria da população da aldeia, todos muito satisfeitos por verem concretizada uma vontade de algumas décadas.
Ficou saber se será instituída uma festa anual em hora de Nossa Senhora da Esperança. Ouvi de algumas pessoas essa vontade, mas vamos esperar para o verão de 2014 para vermos como as coisas evoluíram.
Foi um momento bonito o que se viveu em Benlhevai.

*Devo ter interpretado mal. Segundo informações mais recentes, foi a Capela de Nossa Senhora do Carrasco que substituiu a igreja Matriz durante algum tempo.

06 agosto 2013

Ânsia

 Amanheceu. No píncaro do monte,
Saudava com amor a luz do dia.
Um véu azul, do val' se desprendia
Pra que um ninho de amor cedo desponte.

Um dentinho de sol, súbito, ria
Na diáfama linha do horizonte
Vindo louvar em cânticos de fonte
A minha terra - alvura e louçania!

Olho de cá do alto a vila, o ninho
De que me sinto ledo passarinho
Com ânsia de voar, sempre voar...

Dar volta ao mundo todo, aos quatro cantos,
E, fatigado dos maiores encantos,
Ao torrão que me deu, vir descansar!

 Soneto retirado do livro “Versos – Vila Flor”, impresso em Novembro de 1966, da autoria do Dr. Luís Manuel Cabral Adão.
 Notas: Luís Cabral Adão nasceu em Vila Flor, Trás-os-Montes, no dia 24 de Junho de 1910, tendo falecido em Almada a 6 de Agosto de 1992. Os restos mortais foram sepultados no cemitério da terra natal, assim se concretizando um anseio que expressamente havia manifestado.


27 julho 2013

Só tu

Só Tu,
Nos dias infelizes,
Nas horas de Dor,
Quando no barco sem vela
Navegar em redor...
Quando, semi-nu,
Chorar o meu Destino
E ao vento ensinar
As covas do caminho...
A sós, no deserto,
Cruel e esmagado,
Olha-me com a piedade,
O amor e a doçura
Que na vida,
Fugida,
Me deste,
Só Tu...

Texto de Nascimento Fonseca*, publicada no jornal Mensageiro de Bragança, a 06-03-1970.
Fotografia: Estrada entre Carvalho de Egas e Samões

*José do Nascimento Fonseca nasceu no Nabo a 22-12-1940 e faleceu a 27-07-1983.

21 julho 2013

Faro - Vilarinho das Azenhas

Uma das caminhadas que ficou por relatar no Blogue aconteceu nos primeiros dias de janeiro (tempo fresquinho) e teve lugar num dos pontos de maior altitude do concelho, o Faro. Embora o Cabeço do santuário de Nossa Senhora da Assunção seja bastante alto, quando se está nele não pode deixar de se admirar a cadeira montanhosa que se ergue a Norte, e o seu ponto mais alto, o Faro, onde se ergue um marco geodésico que já não consta nas mais recentes listas da rede geodésica.
 É um marco diferente de todos os outros do concelho, maior, de maior diâmetro e de forma completamente diferente, não possuindo a base de maior diâmetro que quase todos os outros têm. Está meio desfeito no topo e não dá para ver bem como seria, mas pode ser que o que dele resta hoje seja exatamente a base. Esta afirmação deves-se essencialmente ao facto de ter a nascente umas escadinhas metálicas, podendo o verdadeiro cone ter estado colocado sobre esta estrutura.
A ida até lá não é fácil. Alguns dos que se aventuram serra acima deixaram pintadas no marco recordações da sua presença, a par de alguns símbolos nazistas.
Embora o marco esteja no topo da serra, no termo de Vilarinho das Azenhas, a melhor forma de lá chegar talvez seja partindo de Vilas Boas, de junto da estátua de S. Cristóvão, junto à queijaria. O caminho sobe encosta acima, sem grande esforço, passando junto às ruínas da antiga capela de S. Cristóvão e terminando a algumas centenas de metros do topo do monte. Este percurso é alternativo a outro que sobe pela encosta mais lentamente, mas é mais longo, por onde subi, mesmo em BTT, nas primeiras vezes em que fui ao Faro. A serra foi reflorestada há pouco tempo e parece que foi aberta uma saída para a vertente da serra virada para o Vilarinho, mas não posso confirmar.
Em janeiro estava um lindo sol, mas como é habitual nesta época do ano, o nevoeiro cobria todas as partes mais baixas da paisagem. O nível atingido pelo nevoeiro seria a quota dos 550 metros de altitude o que deixava a descoberto o Cabeço de Nossa Senhora da Assunção, o Cabeço de S. Cristóvão, e a maior distância o Reboredo (Moncorvo) a serra de Bornes (Alfândega da Fé) e a serra dos Paços, lá para os lados de Mirandela. mesmo para um transmontano habituado a muitos invernos por montes e vales a paisagem é surpreendente.
As últimas centenas de metros antes de atingir o março geodésico têm que ser feitos em corta mato. Apesar de já lá ter subido perto de meia dúzia de vezes nunca consigo seguir o mesmo trilho. Botas de montanha e calças fortes são recomendadas por há muito mato, algumas silvas e muitas pedras cortantes e escorregadias.
Depois de se atingir o cume da serra do Faro quase se conseguem ver 360º de maravilhamento. Só em direção ao Cachão, como a cordilheira se prolonga até se precipitar no Tua, é que não é possível avistar a paisagem a muitos quilómetros de distância.
Não apetece sair deste ponto de observação. Não admira que os humanos primitivos aqui tivessem vindo erguer um castro, com muralha, para se protegeram de outras tribos hostis. Ainda há alguns vestígios da muralha.
Os javalis também gostam de aqui vir, porque está sempre tudo fossado, em busca de raízes ou de pequenos animais.
Fazendo o percurso mais longo para voltar ao ponto de partida, pela vertente virada a Meireles, são algumas centenas de metro mais. Tudo, ou seja, partindo da estátua de S. Cristóvão e voltando ao mesmo lugar, são perto de seis quilómetros. O caminho mais curto é mais íngreme e exige algumas paragens para repor a respiração. O mais longo é mais descansado, permitindo apreciar a vegetação composta essencialmente por estevas, carquejas e medronheiros. Aos sobreiros que foram plantados não foi dada muita atenção. A maior parte secou, outros foram arrancados pelos javalis. Estou curioso para verificar se sobreviveu algum.