O ano 2014 não tem sido simpático, principalmente para mim, amigo do espaços amplos, dos caminhos de terra batida e das estradas onde poucos gostam de circular. A luz, essa tem sido escassa e sem luz não há foto+grafia, essa arte mágica de captar a luz e mete-la dentro de uma caixa, num espaço de poucos centímetros quadrados.
Mas... quando o céu azul se mostra, tudo muda. As aves que estiveram caladas, expectantes, sobem aos pontos mais vistosos das árvores e começam a marcar território com os suas notas mais altas, nas suas sinfonias mais exuberantes. Dá gosto ouvir os melros, os tentelhões, mesmo a mais humilde milheirinha se mostra e se faz ouvir, agradecendo a luz, o calor, a pujança de vida que já faz florir os narcisos e jacintos.
Nos campos.. ouvem-se tractores que esventram a terra e até é possível ver um macho, ou um cavalo, atrelado a uma charrua mostrando um quadro rural já pouco visto, mas que nos faz recuar no tempo, sentir o cheiro da terra revirada.
E as encostas estão repletas de brancura. As amendoeiras mostram toda a sua beleza, tão imaculada que parece não ter havido frio, nem chuva, nem nevoeiro, nem vento. Cada árvore é um poema de palavras claras, de deleite para olhar, de energia que faz esquecer tudo, virar a cara para o sol... e sorrir.
As amendoeiras, no concelho de Vila Flor, estão no ponto máximo de floração. Este fim de semana (e os próximos dias) serão os melhores para visitar o concelho e apreciar este espectáculo magnífico. As amendoeiras não se confinam a nenhuma área específica do concelho. Estão espalhadas um pouco por todas as aldeias e, mesmo no coração de Vila Flor, se podem observar belos exemplares de amendoeiras em flor.
Muitos me perguntam - quais os melhores percursos? Todos aqueles onde se anda devagar, sem hora marcada, com espaço e tempo para paragens frequentes. O IC5 está fora de questão, serve apenas para chegar aos limites do concelho.
Hoje andei pelas aldeias do Arco e Seixo de Manhoses e fiquei impressionado. Há várias estradas que sobem do Vale da Vilariça para Vila Flor. Qualquer uma delas (sem ser o IC5) pode oferecer belas paisagens com amendoeiras em Flor. Mas também no vale do Tua há muitas amendoeiras. A zona de maior altitude, Samões, Candoso, Valtorno, Mourão e Alagoa é aquela onde a floração é mais tardia e será uma espécie de presente para aqueles que não puderem vira agora, porque agora é que é o momento.
Nos dias 8 e 9 de março haverá animação musical no centro da vila, mostra de artesanato e de produtos da terra (Mostra TerraFlor) onde se poder apreciar, saborear e comprar o que de melhor este concelho tem para oferecer. É uma boa "desculpa" para uma paragem na vila, que oferece também um centro histórico e um museu muito interessantes e cheios de magia, para um fim-de-semana inesquecível.
De que é que está à espera?
07 março 2014
02 março 2014
Mostra TerraFlor 2014
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| Somos Portugal - José Malhoa |
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| Somos Portugal - Nuno Eiró e Mónica Jardim |
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| Vinhos Quinta do Granjal |
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| Alheiras Fumeiro da Glória |
A organização dos espaços também foi nova, estando tudo em redor ou dentro do Centro Cultural, com a presença do palco em frente ao edifício da Câmara Municipal.
Durante a manhã do dia 23 tive oportunidade de visitar toda a área de exposição com bastante calma, porque os visitantes ainda eram poucos. Alguns expositores ainda davam os últimos retoques, o que reforça a ideia de que a televisão foi um factor importante.
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| Restaurante Fumeiro da Brasa |
O foyer do Centro Cultural estava repleto do artesanato, uma área que está em franca expansão no concelho. Pelo menos está a ter cada vez mais visibilidade com a organização de mostras mensais, que ocorreram durante o ano de 2013.
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| Cesto de cogumelos e legumes |
Foi levanta uma enorme tenda, a Tenda Gourmet e pela primeira vez vi uma aposta no gastronomia, com showcooking utilizando produtos de Vila Flor e apresentação de pratos regionais por restaurantes do concelho aderentes.
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| Artesanato Luísa Correia |
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| Vinhos Alto da Caroça |
Penso que as vendas, pelo menos de alguns produtos, foram consideráveis. Eu vi (e fotografei) alguns stands completamente vazios, porque esgotaram os seus produtos!
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| Fumeiro da Glória |
Eu vou estar por cá, e, se o tempo permitir, não vou deixar escapar a possibilidade de apreciar os montes e vales do concelho decorados com bonitas amendoeiras floridas.
23 fevereiro 2014
Um vendedor de felicidade - conto
Manhã. Feira dos Quinze. No bulício da Praça, um círculo de olhos deslumbrados, para onde convergiam as atenções dos feirantes, como se lá estivesse a redenção das suas faltas e o inicio de um destino feliz.Conto de João de Sá, do livro "Um caminho entre oliveiras", 1998
Meu padrinho oferecera-me dez tostões para comprar um automóvel de folha-de-flandres. O dinheiro fazia-lhe falta, pois vivia com dificuldades económicas, mas não gostava de me ver de cordelinho entre os dedos, pelas ruas, a puxar uma lata de conserva vazia. Os simulacros não eram do seu agrado. A tenda dos brinquedos ficava longe. Tinha tempo. As crianças têm sempre tempo, o que é uma enorme vantagem sobre os adultos. E a minha curiosidade compeliu-me a abrir uma fenda naquela verdadeira muralha humana.
Afastando as calças de burel e cotim com odores a terra estrumada, consegui colocar-me na primeira fila.
Um vento fresco levava para longe os clamores da feira, e, em volta da improvisada arena, tudo parecia suspenso das notas de um cornetim enrouquecido e oxidado. Nos sons, algo mais que vibrações de palhetas; a convocatória, a intimação dos antigos deuses. Tangia-o um homem de olhos cintilantes como os dos encantadores de serpentes.
Sentado na areia, entregue à infinitude de um outro sonho, um garoto debruava os brados do instrumento com rufos compassados de tambor.
Em volta, entre os assistentes, nem uma palavra. Todos, até os mais atilados, faziam o jogo do mago. Integravam-se, sem mínimo desajuste, no círculo expectante — cenário humano uma representação em que os aplausos eram substituídos pela dádiva dos olhares a explodir de pasmo.
O homem pousou o cornetim. Mas o rufo do tambor, numa cadência mais lenta, continuava a alimentar a chama do enigma.
Era o momento da domação do fogo, iniciado com a solenidade de um rito, para o qual o músico ambulante, como adivinho que se preza, cingira as espáduas com um manto de seda cuja cor fora bebida pelo sol e a chuva dos caminhos do mundo.
Então, às golfadas, começou por libertar chamas amarelas, verdes e azuis, que os seus dedos captavam depois, no espaço, fazendo-as regressar, inofensivas, ao ponto de partida.
O mistério, desnudado, oferecia-se à receptividade das imaginações: estava-se perante autêntica manifestação de triunfo sobre o baluarte inexpugnável do impossível.
Aos meus olhos de criança, na sua capa de seda desbotada, o estrangeiro personificava o poder ilimitado e adquiria um nimbo de sobrenaturalidade.
Após ter extinguido definitivamente as chamas, o homem aproximou-se, deixando cair dos olhos sinais de momentânea convivência com forças sobrenaturais, para além do espaço e do tempo.
O garoto suspendera o rufo do tambor. E a voz do mágico elevou-se nos sons inarmónicos da feira:
- Meus senhores, apenas por um escudo não deixem de comprar a felicidade! Não desprezem esta ocasião única! Amanhã estarei longe e o meu caminho jamais se cruzará com os vossos!
Algumas moedas de dez tostões tombaram no maravilhoso das suas mãos. Em troca entregava um papelinho colorido, cuidadosamente dobrado.
Aproximei-me mais. O encantador do fogo reparou em mim. Acariciou-me os cabelos. Senti-me transportado a um mundo maravilhoso. E os dez tostões saltaram-me dos dedos. Renunciara ao carrinho de lata reluzente, la pensando na justificação a dar a meu padrinho (sabia que era feio mentir), quando me voltasse a ver a arrastar a caixinha de conserva.
Já não me lembro do que dizia o meu quadradinho de papel. Sei que o guardei num bolso dos calções, cuidadosamente, e que também sorri para o céu sombrio onde a onde esfacelado por um sol enfraquecido.
E o dia passou.
À noite desejei voltar a ver o bruxo que assim dispunha da vida dos outros, lançando na aridez das suas almas, por pequenas quantias, sementes de perpétua ventura. Queria perguntar-lhe como conseguira aquele poder. Pedir-lhe que me considerasse seu discípulo, por instantes, pois desejava transformar tudo à minha volta! Era preciso que me transmitisse os seus recursos, mesmo sem lhe dar nada em troca, pelo simples facto de lhos prolongar e engrandecer. Era necessário vencer o ódio, a pobreza, a fome, a morte. Era urgente tornar todos os homens mais felizes. Mas todos. É que foram poucos, muito poucos os que, por acaso, vieram à feira dos Quinze.
A Praça estava deserta. Já não era a hora do encantamento. As tílias contorciam-se sob as sacudidelas do vento. E os despojos da feira cirandavam numa dança de negra solidão.
Num recanto, ao fundo, projectado pela abertura de uma barraca de lona, um triângulo de luz.
Espreitei.
Lá dentro, sentado num caixote, cabeça pendida sobre o peito, impotente e imóvel, o domador do fogo, o vidente do destino dos homens, velava o cadáver do filho.
A um canto, inútil, o tambor destruído pelos pneus da camioneta que, ao fim da tarde, ocasionara o desastre.
Voltei a lembrar-me do encontro com os silfos, na manhã deslumbrante e próxima, quando as nuvens, subitamente, se transformaram em fantasmagóricas edificações. E tinha presente, sobretudo, a razão por que voltara ali!
Era indispensável continuar a crer. O homem da transfiguração adiava, decerto, a pronúncia da frase mágica: "Levanta-te e caminha!"
Espreitei de novo.
O mago soerguera a cabeça. Colada no olhar, a impotência de todo o homem. Sulcos de lágrimas estriavam de vulgaridade a pasta branca da sua máscara de dor.
O meu ídolo chorava, como qualquer mortal, ante a evidencia do irremediável.
Caminhei ao longo da Praça, desencantado e vazio. Ninguém me transmitira o poder de transformar o mundo de um momento para o outro. A natureza revestia-se de exactidão. As nuvens eram apenas as nuvens e o vento era simplesmente o vento!
Procurei depois, nos bolsos, o papelinho do meu destino feliz. Amarfanhei-o nos dedos. E o vento arrastou-o para o mistério da noite.
Este foi um dos livros que o autor me autografou em em 2008, com as palavras "pelo que nos une no amor à terra". Em mais um aniversário do seu falecimento, as suas palavras continuam vivas e cheias de magia.
21 fevereiro 2014
Amendoeiras em Flor 2014
Está tudo pronto para se iniciarem amanhã as atividades do programa das Amendoeiras em Flor 2014. O programa deste ano é, de longe, um dos mais ambiciosos dos últimos anos e isso é bem visível nas estruturas que foram montadas ou adaptadas para acolherem expositores, espetáculos musicais e outras iniciativas.
A transmissão em direto pela TVI do programa Somos Portugal é sem dúvida um momento alto das atividades, mas não só. Há imensos espaços de exposição, que hoje ainda estavam vazios, mas amanhã estarão repletos do que de melhor se produz no concelho.
A diluição da feira TerraFlor em eventos que vão acontecendo ao longo do ano permite dar mais alento a estes pequenos certames que doutra forma nunca poderiam atingir a dimensão que pretendem alcançar.
Vamos esperar que o concelho consiga uma grande projeção e que os produtores e artesãos consigam boas vendas, porque a vida não está fácil.
A transmissão em direto pela TVI do programa Somos Portugal é sem dúvida um momento alto das atividades, mas não só. Há imensos espaços de exposição, que hoje ainda estavam vazios, mas amanhã estarão repletos do que de melhor se produz no concelho.
A diluição da feira TerraFlor em eventos que vão acontecendo ao longo do ano permite dar mais alento a estes pequenos certames que doutra forma nunca poderiam atingir a dimensão que pretendem alcançar.
Vamos esperar que o concelho consiga uma grande projeção e que os produtores e artesãos consigam boas vendas, porque a vida não está fácil.
03 fevereiro 2014
e de repente é noite (XXXIV)
Não é sono nem desmaio nem esquecimento.
Talvez a transmutação adiada da pedra.
Uma palidez que já não lembra
coisas deste mundo.
O pouco que de cá levou
só se adivinha no afilado dos dedos
extenuados de tanto voo
contra os portais da adversidade.
O resto é o que dela em nós ficou:
a paciência dos seus rumos solitários,
o som das suas fontes interiores.
O que se apaga deixa um espaço
para a fatalidade de outros gestos.
Por isso tudo em volta se concentra
numa harmonia apenas intuída,
porque já não ressoa nos sentidos.
Poema de João de Sá, do livro "E de repente é noite", 2008.
Fotografia: Cabeço de S. Pedro, Lodões.
Talvez a transmutação adiada da pedra.
Uma palidez que já não lembra
coisas deste mundo.
O pouco que de cá levou
só se adivinha no afilado dos dedos
extenuados de tanto voo
contra os portais da adversidade.
O resto é o que dela em nós ficou:
a paciência dos seus rumos solitários,
o som das suas fontes interiores.
O que se apaga deixa um espaço
para a fatalidade de outros gestos.
Por isso tudo em volta se concentra
numa harmonia apenas intuída,
porque já não ressoa nos sentidos.
Poema de João de Sá, do livro "E de repente é noite", 2008.
Fotografia: Cabeço de S. Pedro, Lodões.
09 janeiro 2014
08 janeiro 2014
e de repente é noite (XX)
Sabíamos a alba uma tela branca
a ser pintada pelas emoções
em desequilíbrio.
Fazíamos o sol
da casca das maçãs maduras,
segundo o molde de uma ventura
a escorrer-nos dos lábios.
E partilhávamos o espaço
do lugar certo dos ecos da manhã,
sobre as metamorfoses
dos degraus recém-acordados.
Poema de João de Sá, do livro "E de repente é noite", 2008.
Fotografia: Vilas Boas, desde o alto do Cabeço.
a ser pintada pelas emoções
em desequilíbrio.
Fazíamos o sol
da casca das maçãs maduras,
segundo o molde de uma ventura
a escorrer-nos dos lábios.
E partilhávamos o espaço
do lugar certo dos ecos da manhã,
sobre as metamorfoses
dos degraus recém-acordados.
Poema de João de Sá, do livro "E de repente é noite", 2008.
Fotografia: Vilas Boas, desde o alto do Cabeço.
06 janeiro 2014
Peregrinações - Síntese
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| Caminho no termo de Vale Frechoso |
Durante os anos de 2010, 2011 e 2012 foram palmilhados muitos caminhos, agrupados com o nome de Peregrinações. Desde que terminaram que pensava agrupar os vários percursos de forma a ter uma ideia mais global do que foi feito.
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| Altar-mor da igreja matriz de Freixiel, após o restauro. |
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| A caminho de Meireles, perdido algures no meio do nevoeiro. |
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| Capela de Santa Marinha, em Meireles |
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| Capela de Nossa Senhora do Rosário, em Lodões. |
- Capelas de Vila Flor (Vila Flor)
- Capela de S. Lourenço (Arco)
- Capela de Santa Marinha (Meireles)
- Capela de N. Sra do Rosário (Lodões)
- Capela de S. Sebastião (S.ta Comba da Vilariça)
- Capela do Santíssimo Sacramento (Assares)
- Capela de S. Gregório (Valbom)
- Capela de S. Luís (Folgares)
- Capela de S.to António (Ribeirinha)
- Ruínas da capela de S. Domingos (Vieiro)
- Capela de S.to António (Vilas Boas)
- Capela de N.Sra. da Assunção (Candoso)
- Capela de N. S. do Carrasco (Benlhevai)
- Capela de S. Plácido (Mourão)
- Capela de Santa Marinha (Sampaio)
- Capela de Santa Maria Madalena (Macedinho)
- Capela de N. Senhora do Rosário (Samões)
- Capela de N. Senhora do Carrasco (Nabo)
- Capela de N. Senhora das Graças (Roios)
- Igreja da Santíssima Trindade (Trindade)
- Capela de N. Senhora da Esperança (Benlhevai)
- Igreja Matriz de Santa Catarina (Carvalho de Egas)
- Ruínas da Capela de S. Cristóvão (Vilas Boas)
- Capela de N. S. de Fátima (Alagoa)
- Capela de Santa Cruz (Nabo)
- Capela de N. Senhora do Rosário (Seixo de Manhoses)
- Capela de N. Senhora de Lurdes (Vale Frechoso)
- Capela de N. Senhora da Assunção (Vilas Boas)
- Capela de N. Senhora da Rosa (Sampaio)
- Capela de N. Senhora do Rosário (Freixiel)
- Igreja de Nossa Senhora do Castanheiro (Valtorno)
- Santuário de N. Senhora da Assunção (Candoso)
- Santuário de Santa Cecília (Seixo de Manhoses)
- Santuário de N. Senhora dos Remédios (Vilarinho das Azenhas)
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| Igreja matriz de Valtorno (Nossa Senhora do Castanheiro) |
04 janeiro 2014
e de repente é noite (XLII)
XLII
Sentemo-nos na soleira da porta.
Há canções que atravessam a rua
acima do tempo, como se as horas
sobrassem do sempre deste instante.
A serra, vista daqui,
é serena parede de hera.
Paisagem para emoldurar
e pôr no quarto, contra os malefícios.
Tudo parece construído
sobre colunas eternas negando a natureza.
Como foi possível, neste espaço,
que todos tivessem morrido?
Poema de João de Sá, do livro "E de repente é noite", 2008.
03 janeiro 2014
Na serra do Vieiro
O mau tempo que se tem feito sentir nos últimos dias proporcionou a oportunidade para rever com mais calma algumas das "viagens" realizadas durante 2013 pelos caminhos do concelho. Foram muitas caminhadas, algumas viagens de automóvel e outras de bicicleta, mas em todas há uma máquina fotográfica, com mais ou menos pixels, que fixa o momento para mais tarde recordar.
No início de outubro de 2013 fiz uma caminhada à serra de Vieiro, com o objetivo de estudar o terreno para aí colocar uma pequena brincadeira do passatempo Geocaching. Não pensava demorar muito porque fui de carro até perto das ruínas da capela de São Domingos, fazendo depois a subida à serra a pé.
Estávamos em plena época da vindima, mas pensei que naquela zona já não houvesse uvas por vindimar, mas enganei-me. Logo na Palhona me apercebi que poderia ter sorte e conseguir alguns cenários fotográficos com que não estava a contar.
Independentemente da vindimas, o cenário visto do alto da serra é quase divino, beneficiado pela luz mágica de final de tarde. Apesar da caminhada se ter iniciado logo depois de almoço foi tão interessante que a noite caiu quando ainda me encontrava no ponto mais distante da serra, perto de uma zona chamada Serra Tinta, tendo que fazer o percurso de regresso já de noite.
O rio Tua corre a pouca distância, logo depois da aldeia do Vieiro, traçando uma fronteira natural entre os concelhos de Vila Flor e Mirandela. Conheço cada monte, cada caminho, no concelho de Vila Flor e percorrer com o olhar o Cabeço, o Faro, descer ao Vilarinho e regressar ao Vieiro trás-me à memória, caminhadas já distantes e cores de muitas estações. Pelo contrário, do lado de lá do Tua, praticamente tudo é desconhecido. À exceção de algumas visitas a Abreiro, Navalho e Barcel, o desconhecido atrai-me e sinto muita vontade de percorrer o horizonte até onde a vista chega, ao alto da serra dos Passos a mais de 900 metros de altitude.
Olhando para o lado voltado a sul, o cenário também costuma ser magnífico. Digo costuma porque praticamente toda a área que se avista ardeu no verão passado. As chamas consumiram tudo desde Samões, vale do Pelão, vale da Cabreira, Folgares, perdendo-se lá para a aldeia escondida de Pereiros, no concelho de Carrazeda de Ansiães. Doí o coração. É a zona mais recôndita do concelho, mas a mais tranquila, aquela onde os regatos ainda percorrem áreas onde o homem poucas marcas deixou e onde só passa quem tem mesmo uma forte razão para por ali passar. Grandes caminhadas (e cansativas) já fiz naqueles vales! E que triste me pareceu agora o vale das Mós!
Depois de "sentir" tudo o que se avista do alto da Sapinha (primeiro dos 3 cumes a percorrer) parti para a segunda etapa. Foi então que encontrei um rancho de vindimadores em plena vindima. Ao contrário dos podadores que ali encontrei em janeiro de 2013 que não apreciaram ser fotografados, os vindimadores não se sentiram incomodados e pude fazer algumas fotografias.
Entusiasmei-me e dei comigo a fotografar a preto e branco, tentando captar algo mais do que as cores, que já por si eram fantásticas. Não quis perturbar os trabalhos e segui o meu caminho em direção ao segundo cume, o marco geodésico de Freixiel (618 metros de altitude). Na caminhada que fizemos em fevereiro tínhamos como objetivo alcançar este marco geodésico, mas, por não haver um acesso marcado, acabámos por passar ao lado sem o encontrarmos. Ele é visível de longas distâncias, mas depois de estarmos perto, não o vemos. Desta vez consegui alcança-lo sem grande dificuldade.
Em redor do marco geodésico está sinalizada a existência de um castro. São visíveis algumas paredes, mas parecem-me muito recentes para serem atribuídas à idade do ferro.
Atingido o segundo pico regressei ao caminho voltando algumas centenas de metros para trás. Foi mais seguro do que seguir em corta-mato em direção ao terceiro. Não é fácil andar pelo meio das estevas e das carquejas, elas rasgam qualquer tecido e penetram na carne, se não tivermos cuidado.
Já na segurança do caminho passa-se junto ao retransmissor de televisão. Servia as povoações de Freixiel de Vieiro, mas não sei se ainda se encontra em atividade. Há também uma antena de rede wireless, mas o sinal é muito fraco. Consegui colocar algumas fotografias no Facebook! Continuei pelo caminho passando pela Fraga Amarela até encontrar um antena gigantesca da TMN. Esse local chama-se Feiteira, foi o terceiro pico da minha caminhada e o meu destino final. Curiosamente algumas aves fizeram ninho no alto da enorme antena! Seriam corvos, águias ou falcões? Gostaria de saber.
Posicionei-me no ponto mais elevado do monte e registei as coordenadas com a ajuda do GPS. Precisava das coordenadas para conseguir incluir este lugar num roteiro de locais a visitar no âmbito da prática do Geocaching.
E foi quando me encontrava neste local e fui surpreendido com a luz quente do sol em despedida. A constatação do fim do dia não me fez acelerar o passo, enfeitiçou-me continuei a tentar captar a magia da luz que fugia deixando o horizonte com tons rosa muito subtis.
Só quando já não via nada para fotografar, me convenci de que tinha que regressar. Felizmente bastava-me seguir o caminho inverso, sem qualquer possibilidade de me perder.
A certa altura, pareceu-me ver uma sombra junto dos meus pés. Disparei o flash e consegui captar uma pequena cobra que fugiu assustada (tanto quanto eu fiquei).
Depois desta minha caminhada, já outras pessoas visitaram o marco geodésico e a Feiteira, graças às minhas coordenadas.
Foi a quarta ou quinta vez que percorri aquela serra e gostei como se fosse a primeira. A natureza está sempre a surpreender-nos e caminhar sem relógio é das coisas mais "saborosas" que se podem fazer na vida.
No início de outubro de 2013 fiz uma caminhada à serra de Vieiro, com o objetivo de estudar o terreno para aí colocar uma pequena brincadeira do passatempo Geocaching. Não pensava demorar muito porque fui de carro até perto das ruínas da capela de São Domingos, fazendo depois a subida à serra a pé.
Estávamos em plena época da vindima, mas pensei que naquela zona já não houvesse uvas por vindimar, mas enganei-me. Logo na Palhona me apercebi que poderia ter sorte e conseguir alguns cenários fotográficos com que não estava a contar.
Independentemente da vindimas, o cenário visto do alto da serra é quase divino, beneficiado pela luz mágica de final de tarde. Apesar da caminhada se ter iniciado logo depois de almoço foi tão interessante que a noite caiu quando ainda me encontrava no ponto mais distante da serra, perto de uma zona chamada Serra Tinta, tendo que fazer o percurso de regresso já de noite.
O rio Tua corre a pouca distância, logo depois da aldeia do Vieiro, traçando uma fronteira natural entre os concelhos de Vila Flor e Mirandela. Conheço cada monte, cada caminho, no concelho de Vila Flor e percorrer com o olhar o Cabeço, o Faro, descer ao Vilarinho e regressar ao Vieiro trás-me à memória, caminhadas já distantes e cores de muitas estações. Pelo contrário, do lado de lá do Tua, praticamente tudo é desconhecido. À exceção de algumas visitas a Abreiro, Navalho e Barcel, o desconhecido atrai-me e sinto muita vontade de percorrer o horizonte até onde a vista chega, ao alto da serra dos Passos a mais de 900 metros de altitude.
Olhando para o lado voltado a sul, o cenário também costuma ser magnífico. Digo costuma porque praticamente toda a área que se avista ardeu no verão passado. As chamas consumiram tudo desde Samões, vale do Pelão, vale da Cabreira, Folgares, perdendo-se lá para a aldeia escondida de Pereiros, no concelho de Carrazeda de Ansiães. Doí o coração. É a zona mais recôndita do concelho, mas a mais tranquila, aquela onde os regatos ainda percorrem áreas onde o homem poucas marcas deixou e onde só passa quem tem mesmo uma forte razão para por ali passar. Grandes caminhadas (e cansativas) já fiz naqueles vales! E que triste me pareceu agora o vale das Mós!
Depois de "sentir" tudo o que se avista do alto da Sapinha (primeiro dos 3 cumes a percorrer) parti para a segunda etapa. Foi então que encontrei um rancho de vindimadores em plena vindima. Ao contrário dos podadores que ali encontrei em janeiro de 2013 que não apreciaram ser fotografados, os vindimadores não se sentiram incomodados e pude fazer algumas fotografias.
Entusiasmei-me e dei comigo a fotografar a preto e branco, tentando captar algo mais do que as cores, que já por si eram fantásticas. Não quis perturbar os trabalhos e segui o meu caminho em direção ao segundo cume, o marco geodésico de Freixiel (618 metros de altitude). Na caminhada que fizemos em fevereiro tínhamos como objetivo alcançar este marco geodésico, mas, por não haver um acesso marcado, acabámos por passar ao lado sem o encontrarmos. Ele é visível de longas distâncias, mas depois de estarmos perto, não o vemos. Desta vez consegui alcança-lo sem grande dificuldade.
Em redor do marco geodésico está sinalizada a existência de um castro. São visíveis algumas paredes, mas parecem-me muito recentes para serem atribuídas à idade do ferro.
Atingido o segundo pico regressei ao caminho voltando algumas centenas de metros para trás. Foi mais seguro do que seguir em corta-mato em direção ao terceiro. Não é fácil andar pelo meio das estevas e das carquejas, elas rasgam qualquer tecido e penetram na carne, se não tivermos cuidado.
Já na segurança do caminho passa-se junto ao retransmissor de televisão. Servia as povoações de Freixiel de Vieiro, mas não sei se ainda se encontra em atividade. Há também uma antena de rede wireless, mas o sinal é muito fraco. Consegui colocar algumas fotografias no Facebook! Continuei pelo caminho passando pela Fraga Amarela até encontrar um antena gigantesca da TMN. Esse local chama-se Feiteira, foi o terceiro pico da minha caminhada e o meu destino final. Curiosamente algumas aves fizeram ninho no alto da enorme antena! Seriam corvos, águias ou falcões? Gostaria de saber.
Posicionei-me no ponto mais elevado do monte e registei as coordenadas com a ajuda do GPS. Precisava das coordenadas para conseguir incluir este lugar num roteiro de locais a visitar no âmbito da prática do Geocaching.
E foi quando me encontrava neste local e fui surpreendido com a luz quente do sol em despedida. A constatação do fim do dia não me fez acelerar o passo, enfeitiçou-me continuei a tentar captar a magia da luz que fugia deixando o horizonte com tons rosa muito subtis.
Só quando já não via nada para fotografar, me convenci de que tinha que regressar. Felizmente bastava-me seguir o caminho inverso, sem qualquer possibilidade de me perder.
A certa altura, pareceu-me ver uma sombra junto dos meus pés. Disparei o flash e consegui captar uma pequena cobra que fugiu assustada (tanto quanto eu fiquei).
Depois desta minha caminhada, já outras pessoas visitaram o marco geodésico e a Feiteira, graças às minhas coordenadas.
Foi a quarta ou quinta vez que percorri aquela serra e gostei como se fosse a primeira. A natureza está sempre a surpreender-nos e caminhar sem relógio é das coisas mais "saborosas" que se podem fazer na vida.
22 dezembro 2013
Êxodo
- Sabes a última? O Antonho Botija, a esta hora, já lá está! Mandou-o ir o João da Fonte.
- Isso é que é vida, hein?
- Não fica cá ninguém. Espanha, Inglamanha, França, Canadá.
A mulher chorou e os filhos desconfiaram.
Disse que ia à feira dos três, a Mirandela. Mas não voltou.
Na esquina, um tipo manco, bigode de agulha, esperou-lhe os dez contos.
- Garantido?
- Garantidinho. Não se esqueça do homem com lenço vermelho no pulso!
Faça o que lhe disse, quando avistar o camião da carne!
Lá longe, o Antonho há-de aprender a fazer o caldo e duas batatas com borrego. Dormir, por favor, de meias com o Augusto, na mesma cama de pau, armada rente ao fogão.
As horas extraordinárias engordam-lhe os cheques dilatados os câmbios.
A mulher parte para ele. Os filhos andam a estuda e pouco dão, tirante a Alice que tem mais, caco.
- Mas estudar para quê, mulher? Não vês que ser-se funcionária para ganhar dois réis de mel coado não compensa?
- Não é bem assim. A posição é oitra.
- Não, não; não vou fintado em lonas.
No seu pais, na lavoura - palavra que não cresceu.
Ali, numa fábrica de sobressalentes para veículos.
- Um carro com F grande?
- Traz um espadinha, o tipo!
- Vês, há dos anos que foi e olha o que tem!
- Bem haja ele, que bem poupado é.
- Só lá boto mais cinco anos de contrata! Quero vir morrer às palhas em que me pariu a minha velha, Deus lhe perdoe!
Oxalá que sim.
Quando tal for, o carro aos franceses.
E compra um arado!
Artigo de José Nascimento Fonseca, nascido no Nabo em 22-12-1940.
Publicado no jornal Ènié, a 22-10-1975
Do mesmo autor:
- Isso é que é vida, hein?
- Não fica cá ninguém. Espanha, Inglamanha, França, Canadá.
A mulher chorou e os filhos desconfiaram.
Disse que ia à feira dos três, a Mirandela. Mas não voltou.
Na esquina, um tipo manco, bigode de agulha, esperou-lhe os dez contos.
- Garantido?
- Garantidinho. Não se esqueça do homem com lenço vermelho no pulso!
Faça o que lhe disse, quando avistar o camião da carne!
Lá longe, o Antonho há-de aprender a fazer o caldo e duas batatas com borrego. Dormir, por favor, de meias com o Augusto, na mesma cama de pau, armada rente ao fogão.
As horas extraordinárias engordam-lhe os cheques dilatados os câmbios.
A mulher parte para ele. Os filhos andam a estuda e pouco dão, tirante a Alice que tem mais, caco.
- Mas estudar para quê, mulher? Não vês que ser-se funcionária para ganhar dois réis de mel coado não compensa?
- Não é bem assim. A posição é oitra.
- Não, não; não vou fintado em lonas.
No seu pais, na lavoura - palavra que não cresceu.
Ali, numa fábrica de sobressalentes para veículos.
- Um carro com F grande?
- Traz um espadinha, o tipo!
- Vês, há dos anos que foi e olha o que tem!
- Bem haja ele, que bem poupado é.
- Só lá boto mais cinco anos de contrata! Quero vir morrer às palhas em que me pariu a minha velha, Deus lhe perdoe!
Oxalá que sim.
Quando tal for, o carro aos franceses.
E compra um arado!
Artigo de José Nascimento Fonseca, nascido no Nabo em 22-12-1940.
Publicado no jornal Ènié, a 22-10-1975
Do mesmo autor:
- Bênção (Poesia, 1961)
- Bênção (Poesia, 1961)
- Depois aquele homem vem para a rua... (Prosa, 1975)
- Salvé, Vila Flor (Poesia, 1960)
- A tua trança (Poesia, 1962)
- Fragas (Poesia, 1975)
- Crianças de hoje (Poesia, 1961)
- Chuva (Poesia, 1961)
- Conto - Aninhas (Prosa, 1961)
- Frio (Poesia, 1975)
- Esfinge (Poesia, 1969)
- Tradição do linho (Prosa, 1967)
- Pão sem côdea (Prosa, 1975)
- Só tu (Poesia, 1970)
- Retratos a Vila Flor - VIII Santa Comba da Vilariça (Prosa, 1971)
17 dezembro 2013
The Lost Village (Gavião)
A segunda caminhada da temporada aconteceu em setembro e e teve como destino a abandonada aldeia do Gavião no termo de Seixo de Manhoses.
Não seguiu o norma, tendo como destino um marco geodésico, por o mais próximo do Gavião é o vértice geodésico da Cheira, por mim visitado pela última vez em julho de 2012. O objetivo foi mesmo caminhar e aproveitar a viagem para procurar uma caixinha (Geocache) escondida algures entre as ruínas das casas.
O tempo estava espetacular, com um sol brilhante e nos campos ainda abundavam os frutos, em especial as uvas que se dão muito bem nas encostas do ribeiro grande. è mesmo uma doas zonas onde se produzem alguns dos melhores vinhos do concelho.
A primeira paragem do percurso aconteceu na Fonte do Olmo, junto ao Estádio Municipal. O espaço não estava propriamente apresentável, tal como o não está agora, porque ainda lá estive há poucos dias. Estes locais com algum interesse para serem visitados deveriam ser mais cuidados. É assim que se constrói uma imagem e se podem atrair pessoas.
No percurso ao lugar do Arco já avistámos muitas videiras carregadas de uvas. Este ano não foi um mau ano, tal como pude comprovar mais tarde participando na vindima na quinta Valtorinho.
A pequena aldeia do Arco parecia adormecida. Estendais de figos secavam ao sol. Aproveitámos para nos refrescar-mos com a água do fontanário da aldeia. Apesar de ter uma placa a indicar que é Imprópria para consumo, alguns habitantes insistem em bebe-la e a nós também não nos fez mal. Pareceu-me bem saborosa e fresquinha.
Nas hortas do fundo da aldeia ainda havia abóboras, nada mais.
O percurso do Arco ao Gavião é bastante interessante, com uma vista excelente para o Nabo e Vale da Vilariça e com vegetação rica em medronheiros e outras espécies vegetais que não são muito frequentes. Há mais do que uma alternativa de percurso; arriscarei a dizer que há pelo menos três, mais ou menos com o mesmo grau de dificuldade e a chegarem todas ao Gavião. Como as ruínas se veem ao longe, recortadas no horizonte, não há perigo de engano no caminho.
A sensação quando se chega ao Gavião é a de se estar numa aldeia fantasma, num cenário de um filme. A tristeza das paredes caídas é facilmente ultrapassada quando se olha a paisagem. As encostas estão, em grande parte, aproveitadas para a agricultura. Crescem aqui com grade facilidade as oliveiras, as videiras e as amendoeiras. E produzem também com abundância e qualidade. Os campos não sofreram o mesmo destino da aldeia e apresentam-se bastante cuidados. Direi até que com carinho, que se manifesta no cuidado na manutenção dos muros, na orientação e poda das árvores, na limpeza das silvas ou na abertura de novos e melhores acessos.
A procura da dita caixa, não muito maior do que um maço de tabaco, exige a utilização de um aparelho com GPS. Com alguma insistência e mais alguma atenção às pistas, ela acabou por aparecer, onde realmente deveríamos ter começado a procurar.
Ainda tentámos explorar alguns recantos, por entre as ruínas, mas as silvas vão tomando conta do espaço, servindo de consolo as amoras negras que ostentavam de forma quase provocadora.
Procurámos um bom miradouro para o vale. A barragem do Nabo/Ribeiro Grande é bem visível perto de Godeiros, onde está a famosa Pala do Conde.
Começámos o percurso de regresso. Dado o adiantado da hora não foi possível regressar a Vila Flor a pé, um carro de apoio foi buscar-nos à aldeia de Seixo de Manhoses.
O percurso entre o Gavião e o Seixo faz-se muito bem a pé, pode até ser feito de carro ligeiro, com algum cuidado. Há poucos anos falou-se que foi arranjado para poderem ser gravadas algumas cenas da telenovela "A Outra" no Gavião, mas a produção desistiu. Tinha sido um momento único para a Lost Village e muito agradaria às pessoas que ainda se recordam do tempo em que ali viveram.
O percurso feito a pé, com passagem pela Fonte do Olmo, Arco, Gavião e final em Seixo de Manhoses, perfaz 7,5 km, sempre por caminhos (e um pouco por estrada). É um bonito passeio que pode continuar pela barragem do Peneireiro e regresso à Vila, por isso não admira que possa ser repetido no futuro.
Não seguiu o norma, tendo como destino um marco geodésico, por o mais próximo do Gavião é o vértice geodésico da Cheira, por mim visitado pela última vez em julho de 2012. O objetivo foi mesmo caminhar e aproveitar a viagem para procurar uma caixinha (Geocache) escondida algures entre as ruínas das casas.
O tempo estava espetacular, com um sol brilhante e nos campos ainda abundavam os frutos, em especial as uvas que se dão muito bem nas encostas do ribeiro grande. è mesmo uma doas zonas onde se produzem alguns dos melhores vinhos do concelho.
A primeira paragem do percurso aconteceu na Fonte do Olmo, junto ao Estádio Municipal. O espaço não estava propriamente apresentável, tal como o não está agora, porque ainda lá estive há poucos dias. Estes locais com algum interesse para serem visitados deveriam ser mais cuidados. É assim que se constrói uma imagem e se podem atrair pessoas.
No percurso ao lugar do Arco já avistámos muitas videiras carregadas de uvas. Este ano não foi um mau ano, tal como pude comprovar mais tarde participando na vindima na quinta Valtorinho.
A pequena aldeia do Arco parecia adormecida. Estendais de figos secavam ao sol. Aproveitámos para nos refrescar-mos com a água do fontanário da aldeia. Apesar de ter uma placa a indicar que é Imprópria para consumo, alguns habitantes insistem em bebe-la e a nós também não nos fez mal. Pareceu-me bem saborosa e fresquinha.
Nas hortas do fundo da aldeia ainda havia abóboras, nada mais.
O percurso do Arco ao Gavião é bastante interessante, com uma vista excelente para o Nabo e Vale da Vilariça e com vegetação rica em medronheiros e outras espécies vegetais que não são muito frequentes. Há mais do que uma alternativa de percurso; arriscarei a dizer que há pelo menos três, mais ou menos com o mesmo grau de dificuldade e a chegarem todas ao Gavião. Como as ruínas se veem ao longe, recortadas no horizonte, não há perigo de engano no caminho.
A sensação quando se chega ao Gavião é a de se estar numa aldeia fantasma, num cenário de um filme. A tristeza das paredes caídas é facilmente ultrapassada quando se olha a paisagem. As encostas estão, em grande parte, aproveitadas para a agricultura. Crescem aqui com grade facilidade as oliveiras, as videiras e as amendoeiras. E produzem também com abundância e qualidade. Os campos não sofreram o mesmo destino da aldeia e apresentam-se bastante cuidados. Direi até que com carinho, que se manifesta no cuidado na manutenção dos muros, na orientação e poda das árvores, na limpeza das silvas ou na abertura de novos e melhores acessos.
A procura da dita caixa, não muito maior do que um maço de tabaco, exige a utilização de um aparelho com GPS. Com alguma insistência e mais alguma atenção às pistas, ela acabou por aparecer, onde realmente deveríamos ter começado a procurar.
Ainda tentámos explorar alguns recantos, por entre as ruínas, mas as silvas vão tomando conta do espaço, servindo de consolo as amoras negras que ostentavam de forma quase provocadora.
Procurámos um bom miradouro para o vale. A barragem do Nabo/Ribeiro Grande é bem visível perto de Godeiros, onde está a famosa Pala do Conde.
Começámos o percurso de regresso. Dado o adiantado da hora não foi possível regressar a Vila Flor a pé, um carro de apoio foi buscar-nos à aldeia de Seixo de Manhoses.
O percurso entre o Gavião e o Seixo faz-se muito bem a pé, pode até ser feito de carro ligeiro, com algum cuidado. Há poucos anos falou-se que foi arranjado para poderem ser gravadas algumas cenas da telenovela "A Outra" no Gavião, mas a produção desistiu. Tinha sido um momento único para a Lost Village e muito agradaria às pessoas que ainda se recordam do tempo em que ali viveram.
O percurso feito a pé, com passagem pela Fonte do Olmo, Arco, Gavião e final em Seixo de Manhoses, perfaz 7,5 km, sempre por caminhos (e um pouco por estrada). É um bonito passeio que pode continuar pela barragem do Peneireiro e regresso à Vila, por isso não admira que possa ser repetido no futuro.
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