01 novembro 2006

Descobri a aldeia abandonada de Gavião

Finalmente o primeiro passeio de BTT em Vila Flor aconteceu no dia 30 de Outubro de 2006. A manhã esteve radiosa mas só saí depois de almoço. A tarde não esteve tão solarenga, até foi melhor, porque esteve mais fresca.
Deixei Vila Flor por um caminho de terra batida que começa um pouco abaixo da estátua de D. Dinis. O objectivo era ver a vila de encontro à montanha, do meio das vinhas a caminho da barragem. A paisagem não correspondeu às minhas expectativas: as amendoeiras estão feias e as videiras quase já não têm folhas. O céu estava feio, branco, sem nenhum contraste.
O percurso até encontrar a estrada alcatroada que vai para a Barragem do Peneireiro foi bastante difícil. Algumas subidas e muitas pedras espalhadas, fruto das recentes chuvadas que têm caído por todo o país.
Rapidamente cheguei ao parque de merendas da barragem. Que espaço agradável! Claro que este vai ser um espaço de eleição para os meus passeios de bicicleta.
Contornei a barragem, está praticamente vazia. Procurei uma estrada, estava ainda com forças para ir mais além. Encontrei uma estreita que decidi seguir. De repente o xisto desapareceu e começaram a aparecer rochas graníticas e pinheiros. Decidi tentar a minha sorte. Rapidamente encontrei algumas sanchas, mas não tinha forma de as transportar e abandonei a busca.
Depois de algum tempo por essa estrada, cheguei a uma aldeia. Pensava ir ter ao Santuário de Santa Cecília mas afinal cheguei directamente ao Seixo de Manhoses. À entrada da aldeia encontrei uma placa que indicava a Aldeia Abandonada de Gavião. Hesitei um pouco: - Mas não ando à descoberta? Segui pelo caminho sem saber onde iria parar.
Felizmente não me perdi. A paisagem era magnífica. Mesmo com tempo cinzento vi o Vale da Vilariça a meus pés de um ângulo que eu nunca tinha visto. Recortada na encosta avistei as ruínas da tal aldeia abandonada. Comecei a visita pela capela, onde ainda se pode ver o que resta do altar. Vasculhei todas as ruínas. Encontrei o lagar, o pio, o forno, o poço, a eira… quase pude ver a azáfama das pessoas que ali viveram. Imaginei o ladrar dos cães, o gritar das crianças a brincarem na eira, o som da água a correr de socalco em socalco.
Ainda há algumas casas com tecto e fechadas. Talvez quatro. Sinal de que a aldeia não está completamente abandonada.
Abandonei a aldeia e segui por outro caminho passando ao lado do cemitério onde algumas senhoras limpavam e colocavam flores. Cheguei ao Seixo de Manhoses. Nas ruas havia muita gente, fiquei surpreendido. Esta aldeia não é propriamente como as aldeias do concelho de Miranda do Douro, de ruas planas, fáceis de percorrer. São ruas muito inclinadas, mas com bom piso.
Decidi inicial o regresso. Ainda passei em frente à escola de 1.ºciclo onde ouvi o barulho das crianças. Fiquei contente, esta escola ainda está viva!
Cheguei a Vila Flor bastante cedo mas já anoitecia. Completei a minha primeira saída de bicicleta. Percorri 19 quilómetros a uma velocidade média bastante baixa, mas valeu a pena.

2 comentários:

Li Malheiro disse...

Olá. Grande passeata. pela descrição imaginava ter andado aí uns 30 km, mas foram só 19, pequem«nom passeio para tanta, e tão bela, descrição. Descobriste, e disso nos dás conta, de qie o gavião perdeu as asas por essa bandas. O que levaria as gentes a abandonar esse local?
Pelos muros que fotografaste parece ter sido um local que deu trabalho a erguer. A partir de hoje, embora abandonado, deixou de ser incógnito pelo menos para mim.
Um abraço
Li Malheiro

ana paula disse...

olá! Curiosamente numas das minhas deambulações transmontanas...entrei por terras de Gavião!
Numa descoberta pedonal achamos uma aldeia solitária entre vinhas, oliveiras e amendoeiras...mas com uma panorâmica de cortar a respiração.
Cumprimentos aos transmontanos, lutadres de alma e coração!
Um abraço
Ana Maricato