
Deixei Vila Flor por um caminho de terra batida que começa um pouco abaixo da estátua de D. Dinis. O objectivo era ver a vila de encontro à montanha, do meio das vinhas a caminho da barragem. A paisagem não correspondeu às minhas expectativas: as amendoeiras estão feias e as videiras quase já não têm folhas. O céu estava feio, branco, sem nenhum contraste.

Rapidamente cheguei ao parque de merendas da barragem. Que espaço agradável! Claro que este vai ser um espaço de eleição para os meus passeios de bicicleta.
Contornei a barragem, está praticamente vazia. Procurei uma estrada, estava ainda com forças para ir mais além. Encontrei uma estreita que decidi seguir. De repente o xisto desapareceu e começaram a aparecer rochas graníticas e pinheiros. Decidi tentar a minha sorte. Rapidamente encontrei algumas sanchas, mas não tinha forma de as transportar e abandonei a busca.

Felizmente não me perdi. A paisagem era magnífica. Mesmo com tempo cinzento vi o Vale da Vilariça a meus pés de um ângulo que eu nunca tinha visto. Recortada na encosta avistei as ruínas da tal aldeia abandonada. Comecei a visita pela capela, onde ainda se pode ver o que resta do altar. Vasculhei todas as ruínas. Encontrei o lagar, o pio, o forno, o poço, a eira… quase pude ver a azáfama das pessoas que ali viveram. Imaginei o ladrar dos cães, o gritar das crianças a brincarem na eira, o som da água a correr de socalco em socalco.

Abandonei a aldeia e segui por outro caminho passando ao lado do cemitério onde algumas senhoras limpavam e colocavam flores. Cheguei ao Seixo de Manhoses. Nas ruas havia muita gente, fiquei surpreendido. Esta aldeia não é propriamente como as aldeias do concelho de Miranda do Douro, de ruas planas, fáceis de percorrer. São ruas muito inclinadas, mas com bom piso.

Cheguei a Vila Flor bastante cedo mas já anoitecia. Completei a minha primeira saída de bicicleta. Percorri 19 quilómetros a uma velocidade média bastante baixa, mas valeu a pena.
2 comentários:
Olá. Grande passeata. pela descrição imaginava ter andado aí uns 30 km, mas foram só 19, pequem«nom passeio para tanta, e tão bela, descrição. Descobriste, e disso nos dás conta, de qie o gavião perdeu as asas por essa bandas. O que levaria as gentes a abandonar esse local?
Pelos muros que fotografaste parece ter sido um local que deu trabalho a erguer. A partir de hoje, embora abandonado, deixou de ser incógnito pelo menos para mim.
Um abraço
Li Malheiro
olá! Curiosamente numas das minhas deambulações transmontanas...entrei por terras de Gavião!
Numa descoberta pedonal achamos uma aldeia solitária entre vinhas, oliveiras e amendoeiras...mas com uma panorâmica de cortar a respiração.
Cumprimentos aos transmontanos, lutadres de alma e coração!
Um abraço
Ana Maricato
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