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19 junho 2013

Navalheiro e Santa Marinha

No mês de abril aconteceu mais uma caminhada da série Pontos Altos. Desta vez não teve como destino um marco geodésico, mas dois! Trata-se de marcos geodésicos relativamente próximos de Vila Flor e por isso 2 em 1 pareceu-me uma boa ideia, tudo sem muito esforço (pelo menos assim parecia).
Ambos os marcos geodésicos eram já meus conhecidos de caminhadas anteriores. O primeiro está situado a pouco mais de um quilómetro de Vila Flor, num lugar próximo do Alto da Caroça. Este nome é conhecido das pessoas e também é uma marca de vinho engarrafado em Samões.
Eleva-se a cerca de 600 metros de altitude e parece-me ser o único marco geodésico do concelho que ainda integra a rede, ou terá sido o último a ser abandonado. É conhecido pelo nome de Navalheiro e visitei-o pela primeira vez em 2007.
 Na altura a primavera estava a despontar e havia muitas flores. Depois da Volta dos Tristes toda a veiga estava cheia de flores amarelas no chão e nas árvores dominavam as flores de pereira.
O acesso ao marco pode ser feito por um veículo todo o terreno. Há caminho mesmo até junto dele. Nesse ponto separa-se o termo de três freguesias Vila Flor, Sampaio e Roios. Fica também nos limites da Quinta do Caniço, repleta de eucaliptos. Dada a situação, no alto da serra mesmo junto à ravina, permite apreciar a paisagem para a Vilariça, mas apenas ao longe, em direção à Foz do Sabor.
Descemos pelo eucaliptal para a segunda etapa, o marco geodésico de Santa Marinha, no alto do monte com o mesmo nome.

 O dia estava nublado e ficou cada vez mais escuro. Quando atingimos o topo do monte começou a chover o que precipitou a visita ao marco e às ruínas da capela de Santa Marinha. Também não havia muitas novidades desde a última vez que lá estivemos.
A paisagem é fantástica do alto do monte de Santa Marinha. É um dos melhores miradouros do vale, em todas as direções. Não podemos demorar muito no local. Este marco está a 461 metros de altitude, sobre alguns rochedos, num pequeno planalto no cimo do monte. Deve ter existido ali um castro mas as ruínas da capela são ainda bastante recentes.
O regresso a Vila Flor foi também feito a pé. Não foi nada fácil devido ao desnível, mas também não são muitos quilómetros.

03 julho 2011

Peregrinações – Capela de Santa Marinha (Sampaio)

Numa das Peregrinações do Mês de Abril foi escolhido como destino as ruínas da Capela de Santa Marinha, em Sampaio. À excepção dos habitantes da aldeia, poucos são os que conhecem a existência destas ruínas. A história segue o seu rumo, as coisas nascem e morrem e isto acontece com tudo. A devoção a Santa Marinha foi muito forte em determinado período da história, depois foi diminuindo e hoje mantém-se em muito poucas freguesias. Muitas capelas desapareceram e já nem as populações sabem da sua existência. No caso de Sampaio, sobrevive o nome do monte, do marco geodésico que nela existe (chamado também de Santa Marinha), as ruínas da capela ainda bem visíveis e a imagem de Santa Marinha, ainda existente na igreja matriz.
A escolha do destino também teve a favor o deslumbramento que senti na primeira vez que visitei o local a 25 de Março de 2007. As giestas em flor estavam magníficas e a visão do vale é indescritível. Voltar a um lugar assim é gratificante.
Este percurso fi-lo acompanhado, no dia 9 de Abril. A ideia foi fazer um bonito passeio até à aldeia de Sampaio; tentar ver a imagem de Santa Marinha na igreja Matriz e subir ao alto do monte para visitar as ruínas da capela.
O caminho seguido até Sampaio foi uma repetição do já percorrido na altura em que visitei a Capela de Nossa Senhora da Rosa, mas nessa altura fui sozinho. Apesar de não ser adepto da cultura do eucalipto a Quinta do Caniço proporciona bonitos percursos uma vez que tem muitos caminhos por entre a grande plantação de eucaliptos. É mesmo possível seguir percursos diferentes para chegar ao mesmo destino. Seguimos pela estrada de Roios até depois da Valonquinta, depois metemos à direita, atravessámos as obras do traçado do IC5 e seguimos pelos montes. O dia estava muito quente e isso proporcionou-nos a primeira surpresa: na borda do caminho havia uma enorme cobra ao sol. O susto foi grande.
Com a Primavera em pleno, só na bordadura do eucaliptal é que ela se manifestava em força. Estevas, linho, arçâs, sargaços, papoilas, roseiras bravas, tudo explodia em flor fazendo a delícia dos insetos. Além daqueles que se alimentam de pólen, fecundando as flores, há também os que se alimentam delas, comendo estames e pétalas com grande voracidade. Foi na observação de toda a vida que fervilhava em redor que nos esquecemos do caminho e chegámos sem dar por isso junto ao cemitério de Sampaio.
A curiosidade pelos sabores ao encontrarmos alguns espargos selvagens levou-nos a provar as amêndoas (ainda leitosas) e as azedas. Acontece que estas azedas (Oxalis pes-caprae), não são as azedas a que estamos habituados em Trás-os-Montes, mas sim o que o colega de caminhada conhecia como azedas, da região de Aveiro. Provei, e gostei. Ao contrário das nossas azedas, em que são as folhas que são comestíveis, nesta espécie, são os longos pedúnculos das flores que têm um sabor ácido, desagradável ao principio, mas suportável depois.
Chegámos à aldeia à hora de almoço. Não encontrámos ninguém a quem pedir informações para termos acesso à igreja e ainda pretendíamos subir ao alto do monte. Optámos por seguir caminho e esquecemos a imagem de Santa Marinha.
Com a pressão da hora adiantada não fizemos as melhores opções para subirmos ao alto do monte de Santa Marinha. A princípio havia um bom caminho por entre pinheiros e sobreiros, mas que terminou no meio do nada, bastante longo do nosso destino. A solução foi fazer o resto do percurso em linha recta, abrindo caminho com alguma dificuldade. O calor era insuportável e a água já não era muita. Atingimos o alto do monte completamente esgotados, com o coração aos pulos e cheios de sede.
Não é difícil localizar as ruínas da capela. As paredes são bem visíveis e pelas mensagens nela escritas são muito visitadas. Num buraco da parede havia mesmo uma vela! Não sei se alguém a deixou ali acesa, mas seria muito perigoso, poderia causar um incêndio.
Sentados junto do marco geodésico comemos alguma fruto e bebemos o resto da água que ainda tínhamos. A hora já ia adiantada e o calor apertava. O pequeno planalto que existo no topo do monte não apresentava o aspecto esperado e que vi em 2007. Na altura a visita aconteceu um pouco mais cedo.
Seria impensável fazer o caminho de regresso a Vila Flor, agora a subir, com tanto calor e sem almoçar. A solução foi telefonar para casa para nos irem buscar à Quinta do Caniço.
Descemos o monte e seguimos pela estrada (já bastante cansados) até que a boleia chegou.
Caminhámos perto de 12 quilómetros mas esta ficou guardada como uma das caminhadas mais cansativas que já fizemos.

Percurso:
GPSies - VilaFlor_SMarinha

02 novembro 2010

Peregrinações – Nossa Senhora da Rosa (Sampaio)

Na continuação das caminhadas “Peregrinações”, no dia 10 de Outubro aconteceu mais uma, desta vez a capelinha de Nossa Senhora da Rosa, em Sampaio.
Mesmo inconscientemente, as aldeias situadas a quotas bastante inferiores às de Vila Flor são muito menos visitadas. Embora ir a Sampaio, ao Nabo ou à Ribeirinha é, sem dúvida muito agradável, mas, a dificuldade está em voltar a Vila Flor. Não podemos esquecer que estou a falar em deslocações em BTT ou a pé, uma vez que de automóvel este problema não se coloca.
A ideia para esta caminhada era que seria só de ida, uma vez que não haveria tempo suficiente para regressar a tempo fazer o almoço de Domingo em família.
Esta caminhada, com saída de Vila Flor pela estrada de Roios, proporcionou a oportunidade de percorrer grande parte da Vila, ao Domingo, de manhã cedo. É impressionante a calma que se respira! A vila tem muita frescura, de manhã cedo! Os primeiros raios de sol a beijarem os Paços do Concelho ou a igreja de Misericórdia, no Rossio, transportam o calor necessário para um acordar tranquilo.
Aproveitei também para fotografar o Solar dos Lemos. Foi das poucas vezes que não tinha uma camioneta estacionada à frente. A luz lateral realçava o rendilhado em granito. Desejei ter uma máquina fotográfica melhor, mas prometi a mim mesmo que estas caminhadas seriam feitas acompanhado somente pelo material fotográfico mais básico que se pode imaginar, correndo por vezes o risco de se perderem oportunidades de fazer registos com qualidade de momentos únicos.
O percurso continua com passagem por várias fontes (entre as quais a Fonte das Bestas) e também pela pequena capela de S. Sebastião, com a sua porta sempre enfeitada com flores.
Junto ao cemitério de Vila Flor, no local onde existiam umas Alminhas, que foram roubadas, foi colocada uma pequena cruz em granito. Gostaria de ver repostas as alminhas, ou as mesmas (coisa difícil) ou outras, as alminhas têm um simbolismo e uma história que não deve ser esquecido ou apagado.
Continuei pela estrada até ao complexo turístico Valonquinta. Mesmo pela estrada, a luz rasante por entre as oliveiras cintilava no orvalho da manhã. As paragens foram constantes e corri o risco de esgotar a bateria da máquina fotográfica no início da caminhada.
Contornei a Quinta do Valongo e meti por uma caminho, à direita, já meu conhecido do BTT. Pouco mais à frente atravessei aquilo que vai ser o IC5. Não me parece que este acesso se vá manter depois do IC5 feito. Infelizmente muitos caminhos vão deixar de ter seguimento.
Pouco depois os pinheiros dão lugar aos eucaliptos e todo o percurso até Sampaio, junto ao cemitério é feito pelo meio do eucaliptal. São caminhos abertos pela próprio explorador da floresta, que funcionam como quebra fogos, mas também para retirarem a madeira quando a mesma é cortada. Também a EDP procede à limpeza da vegetação sob as suas linhas de media a alta tensão. Neste local cruzam-se algumas linhas com alguma importância.
Em termos de paisagem, avista-se um grande espaço em direcção a Roios e Vale Frechoso. O que se destaca da paisagem é, mais uma vez, as obras que decorrem no traçado do IC5. Estão a ser construídos vários viadutos e pontes, para vencer o desnível do Vale da Vilariça, até às Portas do Sol, às portas de Vila Flor.
Deixei o eucaliptal a poucos metros do cemitério de Sampaio. Apesar de já por várias vezes ter descido o ribeiro de Roios em direcção a Sampaio, nunca tinha estado neste local.
Rapidamente se atinge a aldeia. As pessoas abandonavam a igreja, depois da missa dominical. Devia ter pedido a alguém que me facilitasse o acesso á capela de Nossa Senhora da Rosa, mas só mais tarde é que me lembrei disso.
O colorido das romãs chamou a minha atenção em vários locais, mas junto à capela (privada) de Nossa Senhora da Conceição.
O caminho para a capela de Nossa Senhora da Rosa, partindo dos armazéns das águas Frise é plano e sem possibilidades de engano. No entanto, não o segui, fazendo antes um desvio para passar junto ao que resta de uma das antas ou dólmen  referenciadas em Sampaio. A erva alta não permitiu fotografar o local com qualidade. Já falei com várias pessoas na aldeia e todos são de opinião que não é correcto assinar a anta junto à estrada nacional e depois não haver mais nenhuma indicação da sua localização. Quem pretende visitar a anta acaba por andar perdido pelos caminhos e raramente a encontra. Outro problema é a facilidade com que um alguém maldoso pode destruir o que pouco que resta de milhares de anos de história. A Junta de Freguesia e a Câmara Municipal deviam preocupar-se em identificar, proteger e mostrar este património. Não deve ser esquecida também a protecção legal.
A capela de Nossa Senhora da Rosa não tem grandes elementos arquitectónicos dignos de realce. Trata-se de uma construção recente, ou de uma reconstrução. É bastante grande, com uma porta larga no frontispício voltado a poente. O elemento mais característico é o pequeno campanário, com algumas semelhanças ao existente na capela de Nossa Senhora do Rosário, em Vilarinho das Azenhas, embora mais pobre. Não há nada que faça lembrar a importância desta capela como local de culto desde a idade média. Na verdade era um dos mais importantes de todo o Vale da Vilariça. Também aqui se realizava uma feira franca nos três primeiros dias de Maio. Havia um ermitério próximo da capela. Seria interessante ver este espaço cheio de gente. S e sonhar com uma feira, ou um arraial, é sonhar demais, o mesmo já não acontece com uma celebração religiosa e uma simples procissão. Estou convencido que o povo de Sampaio ficaria muito feliz, mas o pároco da freguesia não seja muito apologista da ideia.
Depois de fotografar uma interessante haste florida junto à capela, segui, caminho abaixo, paralelamente à Ribeira da Vilariça. Esta zona é incrivelmente fértil. É servida por um sistema de rega que permite uma produção hortícola intensiva e de qualidade. As couves são os vegetais mais abundantes, nesta época do ano.
Depois de ter percorrido alguns quilómetros em direcção a Sul, o caminho terminou no leito da ribeira. Tinha obrigatoriamente que atravessar a ribeira em direcção à Junqueira, ou então voltar para trás. Optei pela segunda alternativa.
Voltei atrás algumas centenas de metros até encontrar um caminho em direcção ao poente, que me levou à estrada nacional depois do Cabeço da Maria da Malta. Há, depois um interessante percurso que contorna todo o monte de Santa Marinha e vai reencontrar a estrada junto à Quinta do Caniço, já a meia encosta para Vila Flor. Foi aí que terminei a minha caminhada.
Seria fácil e interessante seguir da Quinta do Caniço, por entre os eucaliptos e chagar a Vila Flor junto à Quinta do Valongo, onde praticamente comecei a caminhada, mas a hora já estava adiantada e não queria almoçar muito tarde.
Fiz o resto de percurso (da Quinta do Caniço a Vila Flor) de automóvel.

GPSies - VilaFlor_NSRosa

07 setembro 2010

Freguesia Mistério 39

A votação na Freguesia Mistério n.º38 decorreu durante o mês de Julho e durante o mês de Agosto houve uma pausa. Por azar apaguei os dados respeitantes à votação mas, mais uma vez ficou provado que os cibernautas conhecem pouco do concelho de Vila Flor. Das duas uma: ou passam alguns dias das próximas férias a descobrir os bonitos recantos do concelho, ou, se a primeira hipótese não for possível, continuam a acompanhar este blogue durante mais algum tempo.
Tive o cuidado de apagar tudo à volta da fonte, na fotografia, para complicar um pouco as coisas, mas o fontanário encontra-se no centro da aldeia, pensei que muita gente o identificasse. O fontanário da fotografia é na aldeia de Sampaio e pode ser encontrado no largo do Pelourinho. Agora, com a fotografia completa, é possível ver um pouco da fachada da capela do Santíssimo. Mesmo sem estatística, aqui fica a resposta.
O novo desafio tem o formato de um cruzeiro. Os mais conhecidos são os de S. Comba da Vilariça, mas há-os em praticamente todas as aldeias. Podem ser simples, elaborados, estar cuidados ou abandonados, mas os cruzeiros, tal como as alminhas, são símbolos sempre presentes na vivência quotidiana das nossas terras. Em que freguesia podemos encontrar este cruzeiro?
Têm até ao fim do mês para arriscarem uma resposta. Se não for a correcta também não faz mal, o que interessa é participar. Fico à espera das respostas.
(A votação é sempre possível na margem direita do Blogue, logo por baixo do mapa do concelho).

19 maio 2010

Sampaio - Capela do Santíssimo

Sampaio, apesar de ser uma aldeia pequena, conta com duas igrejas:  a igreja velha, de Santo André e a igreja nova ou Capela do Santíssimo, também conhecida como capela de Nossa Senhora do Rosário.
Esta capela funcionou como igreja durante os anos em que a Igreja Matriz esteve em ruínas, daí a designação de igreja nova. Trata-se de uma construção barroca com um frontispício muito bonito. Também os pináculos são bastante elaborados fazendo inveja à Igreja Velha, que se encontra mais afastada do centro urbano.

O interior é muito harmonioso e foi restaurado recentemente, à excepção do púlpito. Pretendia verificar se ainda existia a imagem de Santa Marinha, uma vez que existiu uma capela exactamente no cimo do monte de Santa Marinha que foi abandonada talvez há um século. A imagem ainda existe, talvez a mesma dessa capela, mas encontra-se na igreja de Santo André. Tive oportunidade de visitar a capela no mês de Maio, altura em que esta também se encontra mais cuidada. Havia muitas flores naturais espalhadas pelos vários altares.
O arco abatido que separa o corpo da capela da capela-mor está completamente coberto por frescos, realizados há bastante tempo, que vão perdendo os pormenores.
O chão ainda é em madeira. Espero que a ser substituído, não o seja por nenhum tipo de mosaico folclórico e descontextualizado.

Apesar dos habitantes gostarem muito desta capela, pela proximidade e pela dimensão, ela é poucas vezes utilizada, para desgosto dos praticantes.

23 abril 2010

1.º Centenário da Vida e Obra do Sr. Reitor de Sampaio


Pe. José Tibúrcio de Azevedo - Nasceu em Sampaio, na Vilariça, em 1829. E Lá repousa, na Igreja Matriz, desde 1909. Não foi possível apurar a data da sua ordenação. Mas, em Janeiro de 1859, foi nomeado pároco recomendado da sua terra natal e, provavelmente, de Lodões e de Roios. Passa mais tarde a Reitor, o “Reitor de Santo André de Sampaio de Villa Flôr”, sendo referenciado no Discorsi Del Sommo Pontefice Pio IX , por II Pius, datado de 1878, como «utile dare i nomi nell´idioma originale di questo primo importante pellegrinaggio portoghese: P. José Tiburcio de Azevedo, Reitor de Santo André de Sampaio de Villa Flôr…» assim se mantendo até à sua morte.
O Sr. Reitor nada escreveu sobre si mesmo. Também não consta que outros o tenham feito. Deixou, contudo, memória na tradição oral. Com os testemunhos recolhidos, quase todos em segunda e terceira mão, foi possível reconstituir o perfil humano e sacerdotal desse homem de Deus. Bem cedo a sua acção pastoral ultrapassou os limites geográficos da paróquia. Não que fosse ele a transpô-los. Mas porque, de perto e de longe, as pessoas vinham ter com ele para se aconselharem e confessarem os seus pecados. Bem pode dizer-se que foi o guia espiritual da Vilariça. O seu grande carisma parece ter sido o ministério da Direcção Espiritual que exige muita disponibilidade de tempo, grande capacidade de escuta e muita gratuitidade a vários níveis. O primeiro centenário da sua morte, que ocorre neste ano de 2009, e o Ano Sacerdotal inaugurado por Bento XVI em Junho passado são duas oportunidades a não perder para reavivar a memória daquele que, dalgum modo, e salvas as devidas distâncias, foi Cura d´Ars da Vilariça.
O Sr. Reitor foi certamente mais moderado nos jejuns e penitências que o patrono do Ano Sacerdotal. O seu nome nunca ultrapassou o Vale da Vilariça nem na vida nem na morte. Também nunca será santo de altar. Mas pela sua espiritualidade enraizada na Cruz e nos Corações de Jesus e Maria, pela sua solicitude para com todos os que vinham ter com ele e pelo sentido de rectidão e justiça, o seu nome, está, sem dúvida, inscrito no calendário dos santos anónimos com solenidade anual no 1º de Novembro.
O maior testemunho da sua vida foi e é a Cruz implantada no cume alcantilado do Cabeço de São Pedro. Este monte, visível de toda a Vilariça, delimita os termos de Sampaio, de Lodões e de Roios.
Para os Vilariços, o Monte da Santa Cruz é um lugar mítico, histórico e santo. Mítico porque ele guarda nas profundezas das suas entranhas, os mitos e lendas de todo o Vale; histórico porque foi castro romano cujos vestígios foram estudados pelo Dr. Santos Júnior, da Universidade do Porto; e santo desde que no seu cume foi implantada a Santa Cruz. O Dr. Santos Júnior, no seu estudo publicado, O Castro de Sampaio, (e também de Lodões), alude, juntamente com a tradição, às peregrinações do três de Maio em que a Liturgia celebrava então a Invenção da Santa Cruz.
Com o peso dos anos, a Cruz, que é de zimbro, está hoje ligeiramente inclinada como a Torre de Pisa. Mas, como não goza da sua celebridade, vai tombar mais dia menos dia. Implantada há cerca de 130 anos, é quase por milagre que ela ainda se mantém de pé. Permitirá a Fé e o brio dos Vilariços que se apague este sinal de Esperança em boa hora ali implantado? Guardar religiosamente a velha cruz como preciosa relíquia e implantar uma nova de matéria mais sólida seria a melhor maneira de celebrar o primeiro centenário da morte do Sr. Reitor e o Ano Santo Sacerdotal. Já nem se fala em valorizar culturalmente o lugar. Quem se atreve a subir lá fica pura e simplesmente deslumbrado.

Texto elaborado pelo Pe. Joaquim Leite

09 maio 2008

No Vale da Vilariça

Ontem foi um daqueles dias em que todas as estações do anos se misturam, mas todas elas com a sua beleza. Ao início da manhã, o vale estava repleto de nevoeiro que deu lugar a uma leve neblina. Ao meio dia o sol era forte e o céu estava azul intenso, com pequenas nuvens brancas. Ao fim da tarde a chuva desabou das nuvens escuras, ao som de aterradores trovões que ecoavam ao longo de todo o vale.
A fotografia retrata a tranquilidade da manhã, perto de Sampaio, com a Junqueira lá ao fundo.

22 outubro 2007

No Vale da Vilariça


"A Rosária já tinha posto na mesa de castanho, preto de velho, os figuitos e a aguardente do mata-bicho e começava a apanhar no Cabanal alguns guiços bem sequinhos para ir adiantando o almoço que, por volta das onze horas, devia levar ao seu homem; e até o Zé, raparigo dos seus sete anos, filho do casal, dava os últimos amanhos às costelas e pescoceiras, untando de cuspo as tranquetas dos sedenhos daqueles e experimentando as molas destas, e verificando se as formigas de ala estavam bem presas e vivas nas grileiras das armadilhas, cevadas de véspera, pois esperava fazer uma boa colheita de tralhões, rabitas, piscos e folecras. E lá vai ele com o pai, que já desce a ladeira, burricos à frente com angarelas, sacos e apetrechos vários sobre as albardas.
As margens do vale são alinhadas e bastante abruptas. Quer dos lados de Vila Flor, quer dos lados de Alfandega da Fé ou Moncorvo, desce-se muito para lá chegar. Segue ao longo da Ribeira, desde os cerros de Bornes até ao rio Douro, onde estronca em esquadria.
...
Aquelas terras são de uma fertilidade extraordinária!
E este ano, especialmente, que houve «rebofa»!
Quem conheceria aquela extensa planura cobertinha de água que transborda, vale acima, do endemoinhado Douro, muito subido pelas chuvas torrenciais de muitos dias?
Aquela água toda, com um rico nateiro de naturais e fortes adubos, dava à Vilariça o grandioso aspecto de um lago, como outrora dizem que foi, e a ubérrima seiva que vicejará nos seus belos e afamados frutos."

Excerto do livro Paisagens do Norte, escrito por Cabral Adão e publicado em 1954.
Fotografia tirada no dia 9 de Outubro, no Marco Geodésico do Navalheiro.

25 junho 2007

As 7 Maravilhas de Vila Flor - Fotografias 10


Painel n.º10 de candidatos às 7 Maravilhas do Concelho de Vila Flor.

21 - Castelo, em Macedinho. O Castelo em Macedinho é um daqueles locais onde possivelmente pouco gente foi. Eu também só lá fui depois de ter dado início a esta cruzada das 7 Maravilhas. Trata-se de um antigo castro que foi romanizado. São bem visíveis os restos de muralhas. Tem uma bonita vista para Macedinho.

25 - Godeiros, no Nabo. A designação de Godeiros aparece aqui de forma bastante genérica. Num espaço de algumas centenas de metros podemos encontrar: uma habitat romano bem como restos de uma aldeia medieval; no alto de monte Godeiros há restos de uma atalaia; no sopé do monte pode admirar a Pala do Conde que é uma fraga xistosa formando uma gruta existindo uma sepultura escavada na rocha.

33 - Antas, em Sampaio. Tive muita dificuldade em encontrar vestígios de antas, em Sampaio, para poder fotografar. Estão referenciadas a Antela da Senhora da Rosa, a Anta da Senhora da Rosa e a Anta da Chã Grande. Nem mesmo os pastores me conseguiram indicar a sua localização.

44 - Barragem da Burga, Valbom. Um belo local para passar um fim de tarde. Aqui parece começar a desenhar-se o Vale da Vilariça. Rodeada de verdura as suas águas reflectem as cores frias do meio. O olhar estende-se para Sul, apetecendo voar ribeira abaixo.

55 - Complexo da Barragem do Peneireiro. É um local cheio de vida, agora que o sol vai aquecendo. Engloba as Piscinas Municipais, o Parque de Campismo, a Barragem Camilo Mendonça, o circuito de manutenção, um mini-zoo (agora despido de aves devido à Gripe das Aves), Parque de Merendas, Campos de Tenis, etc. Está em construção uma pista de atletismo. É um dos locais a não perder quando se visita Vila Flor.

59 - Paisagem vista do miradouro de Vila Flor. Nem todas as vilas se podem orgulhar de ter um Miradouro de onde se possa admirar . Além de ser possível ver todas as ruas e casas, olhando mais longe o olhar estende-se por mais dois ou três concelhos vizinhos. É um local muito procurado por casais de namorados.

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23 junho 2007

As 7 Maravilhas de Vila Flor - Fotografias 9

Conjunto número 9 de candidatos a ser uma das "7 Maravilhas do Concelho de Vila Flor".

32 - Águas, em Sampaio
. As águas conhecidas como Águas de Bem-Saúde nascem mesmo junto da aldeia. São águas bicarbonatadas, sódicas, gaso-carbónicas ferruginosas. Actualmente são comercializadas com a marca Frize.

46 - Igreja de S. Lourenço, Vale Frechoso. A igreja de S. Lourenço ocupa aquele espaço desde 1750. O frontespício, bastante interessante, foi recuperado da igreja anterior. Não conheço ainda o interior da igreja.

47 - Fonte Velha, Vale Frechoso. Esta fonte encontra-se à entrada da povoação. Trata-se de uma fonte arcada e medieval.

48 - Capela de N. S. do Rosário, Valtorno. Consta que se tratava de uma capela particular, vinculada a um morgadio, mas actualmente é pública. Está recuperada e o altar tens uma lenda em latim onde se pode ler a data de 1655.

49 - Fonte Paijoana, Valtorno. Fonte arcada, em granito, situada fora da povoação mas a pequena distância. Dela se conta uma lenda muito interessante. É conhecida localmente com o nome de Paijoana, não se percebendo bem a origem deste nome.

50 - Igreja de N. S. do Castanheiro, Valtorno. Trata-se de uma igreja românica tardia com alguns sepulcros embutidos na parede. Dava apoio aos peregrinos que se deslocavam para Santiago de Compostela. No adro existiu uma necrópole medieval.

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14 junho 2007

As 7 Maravilhas de Vila Flor - Fotografias 7


Conjunto número 7 de candidatos às "7 Maravilhas do concelho de Vila Flor":

19 - Fonte Romana, em Lodões. Apesar de conhecida como Fonte Romana, tem a data de 1680. Junto dela está um tanque que servia de bebedouro para animais. está enquadrada num pequeno jardim com bancos com sombra.

35 - Capela de N. S. do Rosário, Sampaio. Esta capela também é conhecida como Igreja Nova ou Capela do Santíssimo. Trata-se de uma capela barroca com um bonito frontespício. Não conheço o seu interior.

36 - Chaminé dos Ochoas, em Santa Comba da Vilariça. A chaminé do Solar da Casa-mãe que deu origem ao Morgadio de Santo António. A chaminé é muito bonita mas com recuperação de casas em redor a visibilidade da mesma é cada vez menor.

37 - Cruzeiros medievais, em Santa Comba. São três os cruzeiros medievais em Santa Comba da Vilariça. São de grande interesse e imóveis de interesse público desde 1933.

38 - Igreja de S. Pedro, Santa Comba da Vilariça. Trata-se de uma igreja barroca começada em 1719. Tem um bonito frostespício e o portal principal é ornado por duas belas colunas torsas. Os altares, em talha dourada, são dos mais belos que encontrei por todo o concelho.

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13 junho 2007

As 7 Maravilhas de Vila Flor - Fotografias 6


Conjunto número 5 dos candidatos às "7 Maravilhas do concelho de Vila Flor".

22 - Capela de S. Marinha, em Meireles. Esta capela situada no fundo da aldeia, é dedicada a S. Marinha. A esta Santa protectora se faz uma festa a 18 de Junho.

24 - Capela de S. Cruz, no Nabo. Esta capela está ainda bastante distante da aldeia do Nabo. A primeira vez que tentei encontrá-la desisti, mas já lá fui 2 vezes. Não conheço o interior. tem inscrita a data de 1714 e foi reconstruída em 1939. fica no caminho para Godeiros. Á frente da capela existe um cruzeiro medieval ( não visível na fotografia).

30 - Capela de Nossa Senhora de Lurdes, Samões. Fica situada junto à escola Primária, mesmo à entrade de Samões (para quem vai de Vila Flor em direcção a Carrazeda). Tem um pequeno recinto, muito bem cuidado, sendo um dos locais por onde a juventude se passeia nas tardes dos Domingos com sol.

31 - Igreja de S. Brás, em Samões. Trata-se de uma igreja barroca com um frontespício muito belo. Podemos encontrar a cruz de malta em vários locais. No arco da capela-mor encontra-se a inscrição "Este arco mandou fazer o povo a..." e falta a data! Atrás da igreja há um bonito relógio de sol e o que resta de uma bela pia baptismal (de que alguém não gostou).

34 - Capela de Nossa Senhora da Rosa, Sampaio. Encontra-se fora da aldeia, quase junto da Ribeira da Vilariça. Já aí se realizou uma feira franca nos 3 primeiros dias de Maio. É um dos principais pontos de devoção em todo o Vale da Vilariça.

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14 abril 2007

Freguesia mistério 3

Os resultados da votação na "Freguesia Mistério" 2 foram aquilo que eu estava à espera. Poucas pessoas, duas, localizaram correctamente o local.
Este "monumento" encontra-se na freguesia de Sampaio junto à Ribeira da Vilariça, muito perto da Capela da Senhora da Rosa. Quando fiz a fotografia fiquei com a sensação que quereriam construir uma ponte para ligação a terras da Junqueira, do outro lado da ribeira. Soube mais tarde que a ponte existiu mesmo, mas foi derrubada por uma cheia, que a arrastou ribeira abaixo, quase na totalidade. Essa cheia pode ter ocorrido em 1955.
Junto à estrada nacional, perto da Junqueira, a jusante da ponte existente que separa o concelho de Vila Flor e o de Torre de Moncorvo, há ruínas de outra ponte, também destruída.


Votação na Freguesia Mistério 2
Assares (4) 14%
Benlhevai (0) 0%
Candoso (1) 3%
Carvalho de Egas (0) 0%
Frexiel (8) 28%
Lodões (1) 3%
Mourão (0) 0%
Nabo (0) 0%
Roios (0) 0%
Samões (1) 3%
Sampaio (2) 7%
Santa Comba de Vilariça (4) 14%
Seixos de Manhoses (2) 7%
Trindade (1) 3%
Valetorno (0) 0%
Vale Frechoso (0) 0%
Vila Flor (2) 7%
Vilarinho das Azenhas (0) 0%
Vilas Boas (3) 10%

Total de votos: 29

Obrigada a todos os que participaram na votação.
Há já um novo Monumento para votar na Freguesia Mistério 3.

30 março 2007

Êxtase


No dia 25 de Março, quando voltava de um passeio pelo Vale da Vilariça, subi (à descoberta) ao monte a Poente de Sampaio onde se encontra o marco geodésico de Santa Marinha. Na altura fiquei fascinado com a vista e prometi a mim mesmo voltar o mais rápido que pudesse. Para fotografar, o mês é importante, a semana, o dia ou mesmo a hora do dia. Sabia que em pouco dias a paisagem mudaria completamente e não queria perder o espectáculo que vi.
Como o passeio era curto, até levei o tripé, sempre dá uma ajuda para fazer fotografias panorâmicas.
No cimo do monte há um planalto, aproximadamente com 500 metros de cumprimento, 60 ou 70 metros de largura, que se estende perpendicularmente à posição do vale. Na vertente virada a Sampaio o declive é mais suave e florestado com pinheiro bravo. Na vertente a Poente o planalto termina abruptamente em enormes penhascos que algumas aves de rapina aproveitam para vigiarem uma grande área em redor, procurando alimento.
No planalto erguem-se pequenos conjuntos de rochas, aqui e além, mas há espaços bastante direitos e limpos.

Toda a área foi tomada de assalto pela Primavera. As giestas brancas (Cytisus multiflorus) está no auge de floração. Intercalando com a esteva (Cistus ladaniferus e outras), preenchem quase todo o planalto. Aqui e ali surgem pequenas manchas de urze (Erica cinérea) e mais raramente aparecem também as carquejas (Pterospartum tridentatum) e alguns pirliteiros (Crataegus monogyna). Há também rosmaninho (Lavandula stoechas), mas pouco, e um infindável colorido de plantas floridas mais pequenas que não consegui identificar. A Urze está já na fase descendente de floração mas todas as outras estão na máxima pujança.
Pinheiros (Pinus pinaster), carrascos (Quercus coccifera), sobreiros (Quercus suber) e zimbros (Juniperus communis), quebram na paisagem a linha rasteira dos arbustos.
Como se este manjar da natureza não fosse já suficiente, levantam-se os olhos e caímos de joelhos com tanta beleza! São 360 graus de verde, coroado por bonitas nuvens brancas incrustadas num num azul, com centenas de pontos a desfiarem a atenção. Aldeias, quintas, montanhas, estradas, olivais, tudo daqui se domina, tudo parece pequeno, só o Vale da Vilariça se oferece, tudo recebe em seu regaço e a tudo dá vida. Até os penhascos estão cheios dela!
Perdi-me percorrendo o vale, da Foz do Sabor ao alto da Serra de Bornes, visitando cada aldeia, percorrendo cada estrada e ribeiro. Dois pequenos piscos olhavam para mim, admirados, do alto do marco geodésico! Quando subi ao marco geodésico (460 metros de altitude), já várias horas tinham passado desde que tinha chegado ao planalto, 400 metros atrás! Montei o tripé e ensaiei as panorâmicas com 360º.

Mais à frente estão ruínas de uma construção robusta que pode ter sido uma capela. As paredes são largas, feitas de xisto e barro, mas a porta assentava em granito bem aparelhado. Ao lado desta construção rectangular, orientada para Poente, há vestígios de outra estrutura.
O monte chama-se Santa Marinha e o marco geodésico Marco de Santa Marinha, mas não encontrei nenhuma referência a uma capela nos livros .
Quando cheguei à ponta do planalto, depois das ruínas, avistei a Junqueira. As nuvens semeavam grandes manchas escuras em todo o vale, estava na hora de regressar. O caminho de volta foi mais rápido mas não deixou de ser fantástico abeirar-me dos penhascos, admirar a obra do homem, lá ao fundo, olhar para as minhas costas e admirar a obra da natureza. Foi esta última que me manteve mais de quatro horas neste pedaço de terra com cerca de 3000 metros quadrados, em silêncio, adorando os elementos, tal como o homem há milhares de anos o fazia.