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03 janeiro 2014

Na serra do Vieiro

O mau tempo que se tem feito sentir nos últimos dias proporcionou a oportunidade para rever com mais calma algumas das "viagens" realizadas durante 2013 pelos caminhos do concelho. Foram muitas caminhadas, algumas viagens de automóvel e outras de bicicleta, mas em todas há uma máquina fotográfica, com mais ou menos pixels, que fixa o momento para mais tarde recordar.
No início de outubro de 2013 fiz uma caminhada à serra de Vieiro, com o objetivo de estudar o terreno para aí colocar uma pequena brincadeira do passatempo Geocaching. Não pensava demorar muito porque fui de carro até perto das ruínas da capela de São Domingos, fazendo depois a subida à serra a pé.
Estávamos em plena época da vindima, mas pensei que naquela zona já não houvesse uvas por vindimar, mas enganei-me. Logo na Palhona me apercebi que poderia ter sorte e conseguir alguns cenários fotográficos com que não estava a contar.
Independentemente da vindimas, o cenário visto do alto da serra é quase divino, beneficiado pela luz mágica de final de tarde. Apesar da caminhada se ter iniciado logo depois de almoço foi tão interessante que a noite caiu quando ainda me encontrava no ponto mais distante da serra, perto de uma zona chamada Serra Tinta, tendo que fazer o percurso de regresso já de noite.
O rio Tua corre a pouca distância, logo depois da aldeia do Vieiro, traçando uma fronteira natural entre os concelhos de Vila Flor e Mirandela. Conheço cada monte, cada caminho, no concelho de Vila Flor e percorrer com o olhar o Cabeço, o Faro, descer ao Vilarinho e regressar ao Vieiro trás-me à memória, caminhadas já distantes e cores de muitas estações. Pelo contrário, do lado de lá do Tua, praticamente tudo é desconhecido. À exceção de algumas visitas a Abreiro, Navalho e Barcel, o desconhecido atrai-me e sinto muita vontade de percorrer o horizonte até onde a vista chega, ao alto da serra dos Passos a mais de 900 metros de altitude.
Olhando para o lado voltado a sul, o cenário também costuma ser magnífico. Digo costuma porque praticamente toda a área que se avista ardeu no verão passado. As chamas consumiram tudo desde Samões, vale do Pelão, vale da Cabreira, Folgares, perdendo-se lá para a aldeia escondida de Pereiros, no concelho de Carrazeda de Ansiães. Doí o coração. É a zona mais recôndita do concelho, mas a mais tranquila, aquela onde os regatos ainda percorrem áreas onde o homem poucas marcas deixou e onde só passa quem tem mesmo uma forte razão para por ali passar. Grandes caminhadas (e cansativas) já fiz naqueles vales! E que triste me pareceu agora o vale das Mós!
 Depois de "sentir" tudo o que se avista do alto da Sapinha (primeiro dos 3 cumes a percorrer) parti para a segunda etapa. Foi então que encontrei um rancho de vindimadores em plena vindima. Ao contrário dos podadores que ali encontrei em janeiro de 2013 que não apreciaram ser fotografados, os vindimadores não se sentiram incomodados e pude fazer algumas fotografias.
Entusiasmei-me e dei comigo a fotografar a preto e branco, tentando captar algo mais do que as cores, que já por si eram fantásticas. Não quis perturbar os trabalhos e segui o meu caminho em direção ao segundo cume, o marco geodésico de Freixiel (618 metros de altitude). Na caminhada que fizemos em fevereiro tínhamos como objetivo alcançar este marco geodésico, mas, por não haver um acesso marcado, acabámos por passar ao lado sem o encontrarmos. Ele é visível de longas distâncias, mas depois de estarmos perto, não o vemos. Desta vez consegui alcança-lo sem grande dificuldade.
Em redor do marco geodésico está sinalizada a existência de um castro. São visíveis algumas paredes, mas parecem-me muito recentes para serem atribuídas à idade do ferro.
Atingido o segundo pico regressei ao caminho voltando algumas centenas de metros para trás. Foi mais seguro do que seguir em corta-mato em direção ao terceiro. Não é fácil andar pelo meio das estevas e das carquejas, elas rasgam qualquer tecido e penetram na carne, se não tivermos cuidado.
Já na segurança do caminho passa-se junto ao retransmissor de televisão. Servia as povoações de Freixiel de Vieiro, mas não sei se ainda se encontra em atividade. Há também uma antena de rede wireless, mas o sinal é muito fraco. Consegui colocar algumas fotografias no Facebook! Continuei pelo caminho passando pela Fraga Amarela até encontrar um antena gigantesca da TMN. Esse local chama-se Feiteira, foi o terceiro pico da minha caminhada e o meu destino final. Curiosamente algumas aves fizeram ninho no alto da enorme antena! Seriam corvos, águias ou falcões? Gostaria de saber.
 Posicionei-me no ponto mais elevado do monte e registei as coordenadas com a ajuda do GPS. Precisava das coordenadas para conseguir incluir este lugar num roteiro de locais a visitar no âmbito da prática do Geocaching.
E foi quando me encontrava neste local e fui surpreendido com a luz quente do sol em despedida. A constatação do fim do dia não me fez acelerar o passo, enfeitiçou-me continuei a tentar captar a magia da luz que fugia deixando o horizonte com tons rosa muito subtis.
Só quando já não via nada para fotografar, me convenci de que tinha que regressar. Felizmente bastava-me seguir o caminho inverso, sem qualquer possibilidade de me perder.
A certa altura, pareceu-me ver uma sombra junto dos meus pés. Disparei o flash e consegui captar uma pequena cobra que fugiu assustada (tanto quanto eu fiquei).
Depois desta minha caminhada, já outras pessoas visitaram o marco geodésico e a Feiteira, graças às minhas coordenadas.
Foi a quarta ou quinta vez que percorri aquela serra e gostei como se fosse a primeira. A natureza está sempre a surpreender-nos e caminhar sem relógio é das coisas mais "saborosas" que se podem fazer na vida.

09 janeiro 2012

Peregrinações - Capela de Sto António (Ribeirinha)

Quando em Setembro de 2011 fiz o balanço do 5.ºano À Descoberta do Concelho de Vila Flor, deixei no ar a promessa de completar a volta por todas as aldeias do concelho, com pelo menos uma Peregrinação.
Depois disso não fui dando muitas notícias, mas, na verdade, as caminhadas nunca pararam. Certo é que houve uma diminuição na sua frequência, quer motivada pelo facto de aos Domingos ser dia de caça, o que causa alguns constrangimentos, quer pelas condições atmosféricas, mesmo não havendo muita chuva, o nevoeiro é um forte condicionante, limitando a orientação e mesmo as condições desejáveis a quem quer fazer fotografias. Mas, durante os meses de novembro e dezembro realizei algumas caminhadas que, mesmo não sendo muito longas, proporcionaram momentos fotográficos assinaláveis que terei muito gosto em partilhar.
Foi já no longínquo dia 1.º Outubro que fiz, juntamente com o meu colega de Peregrinações, uma caminhada que nos levou de Vila Flor à Ribeirinha, na freguesia de Vilas Boas. Seguimos um percurso em parte já mostrado, em parte novo, mas que há muito que desejava conhecer. Nas vezes em que me desloquei entre Vilas Boas e o Vieiro, ou mesmo na linha do Tua, entre Ribeirinha e Abreiro, ficava por conhecer uma área bastante agreste, nas encostas do rio Tua. Confesso que tinha bastante vontade de percorrer essas paragens a pé.
Na primeira metade do percurso seguimos mais ou menos o trajeto da Peregrinação do dia 24 de Setembro, à capela de S. Domingos, no Vieiro. O dia estava muito quente a ainda se fazia a vindima das últimas uvas.
O nosso destino era a capela de Stº. António, na Ribeirinha, onde chegámos perto do meio dia. Embora o percurso seja na sua maioria descendente, passámos junto à pedreira de Freixiel ( ou de Vilas Boas), ponto mais alto de onde se vislumbram terras de além-Tua. Também podem ser encontrados muitos antigos fornos de figos.
Tal como previa, as aldeias do Vieiro e da Ribeirinha, não estão tão afastadas entre si, como pode parecer. O caminho existe, é muito antigo, mas cada vez é menos percorrido. À exceção de alguns veículos todo-o-terreno, já ninguém se aventura por estas paragens com animais de carga e os carros de tração animal não são mais de que uma imagem na memória de muitos de nós.
Há entrada do povoado há um nicho recente, penso que seja dedicado a Nossa Senhora dos Bons Caminhos. Um pouco mais abaixo fica um dos espaços mais conhecidos do "pobo", o café Luke Luke, onde se podem comer alguns petiscos.
A capela de Stº António, segundo consta uma ermida do Séc. XVII, já foi por mim visitada há alguns anos atrás. O seu interior é simples e agora até o Stº António abandonou o seu lugar cimeiro, após uma queda que danificou bastante a imagem. Embora a Ribeirinha disponha de outro local de culto, uma capela nova também dedicada a Stº António, este espaço não está esquecido, antes pelo contrário. Todos os espaços possíveis estavam cheios de flores naturais (na sua maior parte sécias).
Embora o cansaço fosse bastante e o tempo escasso, houve ainda tempo para fazer um curto percurso pelo povoado. De salientar a existência de uma fonte de mergulho, arcada, que me passou despercebida em visitas anteriores. O espaço onde se encontra foi arranjado, mas a fonte apresentava-se cheia de ervas e suja, com ar de abandono. Acredito que pouca gente passe pelo local para admirar este património, mas espero encontra-lo mais apresentável da próxima vez que lá voltar.
A nossa viagem terminou junto ao apeadeiro da Ribeirinha, da Linha do Tua. Não sequer houve tempo para visitar o sr. Abílio, grande conversador e último guardião desta linha centenária que todos os autarcas anseiam por afogar.
O regresso a Vila Flor foi feito de carro. Foi mais uma Peregrinação a um dos locais mais remotos do concelho, onde poucos vão só pelo prazer de descobrir. Mas vale a pena, porque aqui até parece que o tempo corre mais devagar!

Percurso:
Diferenças de Altitudes 422 Meter (Altitude desde 194 Meter para 616 Meter)
Subida acumulada 112 Meter
Descida acumulada 486 Meter

31 outubro 2011

Ruínas da capela de S. Domingos (Vieiro)

As Ruínas da capela de S. Domingos, no Vieiro, freguesia de Freixiel, foram o destino da Peregrinação do dia 24 de Setembro, mas já anteriormente tinha estado no local. Foi numa dessas visitas que fiz a fotografia que hoje publico.

24 outubro 2011

Peregrinações - Ruínas da capela de S. Domingos (Vieiro)

As caminhadas marcaram o 5º ano do Blogue. Com o recomeço de uma nova etapa, achei que devia dar continuidade a estes momentosos inesquecíveis pelos caminhos do concelho, pelo menos até percorrer todas as localidades, freguesias e anexas. Foi com este intuito que programei mais alguns percursos, no seguimento das Peregrinações do ano passado.
O destino escolhido para o dia 24 de Setembro foi as ruínas da capela de S. Domingos, no lugar de Vieiro, freguesia de Freixiel (a capela está a 4km de Freixiel). Fiz a primeira visita a esta capela em 2007, nas primeiras descobertas do concelho. Posteriormente, sempre que passo no local, mais propriamente na estrada do Vieiro, a poucos quilómetros da aldeia, paro o carro e espreito para as ruínas. Por vezes desço alguns metros de encosta admirando-a mais de perto. Ir até à ao local, desde Vila Flor, a pé, foi a primeira vez que que o fiz.
Sinto-me um privilegiado quando percorro os caminhos às primeiras horas da manhã! A luz é fantástica e a paisagem não parece tão seca como poucas horas depois. Com o outono já bastante avançado, o colorido vem sobretudo dos frutos, alguns cultivados, outros selvagens. Muitas vinhas ainda estavam por vindimar, mas as uvas não pareciam tão boas como noutras zonas do concelho.
 Aproveitei esta deslocação para visitar outro local onde já não ia há bastante tempo: o marco geodésico do Pessegueiro. Está situado no ponto mais alto (822 metros) acima da pedreira que está situada perto da estrada. Marca o estremo entre as freguesias de Vilas BoasFreixiel. Neste local agreste, cheio de pó, nesta altura do ano, avista-se uma grande extensão de paisagem, proporcionando uma bela vista de Freixiel e uma grande extensão de terreno do outro lado do Tua, até à linha do horizonte. O local é tão fantástico e tão isolado que um melro azul o escolheu para sua casa. O seu território preferido é mais em Vale Carneiro e Borralho (Samões), mas avistei-os várias vezes nesta caminhada.
 Também os fornos dos figos são presença constante nesta zona do concelho. Encontrei alguns, mas é possível que muitos passem despercebidos, tapados pela vegetação espontânea.
No local conhecido pela Palhona há um enorme cruzeiro em granito. É impossível passar por ali sem notar a sua presença. Muitos cruzeiros marcam locais onde morreram pessoas, não sei se é este o caso, mas penso que não, porque tem grandes dimensões. Esta localização também se pode dever à confluência de vários caminhos neste local. Além da estrada atual, a ligação entre Freixiel e Vilas Boas, por caminhos rurais, pode ser feita passando pela Palhona.
 A algumas centenas de metros, por um caminho que segue quase paralelo à estrada, ficam situadas as ruínas da capela de S. Domingos. Estão situadas numa zona bastante mais baixa do que a estrada. É esta a razão de muita gente passar no local e poucos se aperceberem da existência das ruínas. Pelo que dizem os "livros", por ali passava a estrada real Porto-Moncorvo. A capela tinha um alpendre e estava sempre aberta, recebendo os viajantes que circulavam nesta estrada. Foi reconstruida ali entre 1744 e 1766. Existe a convicção de que a sua localização primitiva seria no local S. Domingos, onde existe um habitat romanizado.
A capela apresenta alguns elementos barrocos bastante bonitos. É muito pequena e merecia ser recuperada. Se já há muitos anos era um local de alguns assaltos, sou levado a pensar que nos dias de hoje era capaz de não resistir ao vandalismo. Se pensarmos que mesmo o Santuário de Nossa Senhora da Assunção foi assaltado há poucos dias atrás, notamos que estamos numa época sem valores, em que nada, nem ninguém está seguro.
 Terminada a minha caminhada, depois de percorridos cerca de 10 km, subi à estrada e esperei pela minha boleia, junto à fonte de 1955 mas que ainda jorra água abundantemente. Aproveitei para me refrescar.

18 setembro 2010

Vigília pela Linha do Tua

Decorre, neste momento, no Largo Luís de Camões, em Lisboa, uma vigília a favor da Linha do Tua. Sempre fui, e continuo a ser, favorável à manutenção da centenária linha com os necessários melhoramentos para a tornarem rentável. Isso poderia passar pela sua modernização, reabertura da via até Bragança e posterior prolongamento até Espanha, com ligação a Puebla de Sanabria. Um corredor ferroviário entre o Douro (património da humanidade) e a Sanabria seria, tenho a certeza, procurado e utilizado quer por turistas, quer por residentes. Seria também necessário o envolvimento de agentes económicos e das autarquias, que pouco mais têm feito do que esperar que o património natural e a linha sejam destruídos, para poderem beneficiar das contrapartidas.
Não estou fisicamente no Largo Luís de Camões em Lisboa, mas estou com aqueles que se mobilizaram e disseram presente. Partiram autocarros de Mirandela e de Carrazeda de Ansiães. Pela primeira vez as populações locais vão a Lisboa dizer que preferem a linha e que a barragem (incompatível com a linha) não é bem-vinda. Estarei presente numa mensagem que enviei para que seja lida durante a vigília e nas fotografias da linha e do vale do rio Tua que vão estar expostas.
A LINHA É TUA, É NOSSA, VAMOS LUTAR POR ELA.

fotografia: linha do Tua, um pouco a montante da estação de Abreiro.

28 julho 2010

A linha (que era nossa)

A minha posição a respeito da barragem que pretendem construir em Foz Tua é conhecida: sou incondicionalmente contra a destruição da linha do Tua e do vale único que ela percorre. Não me venham acenar com a bandeira do desenvolvimento ou com a bandeira das reservas de água. É apenas o interesse do grande capital mascarado de solidariedade para com o interior.
Não seria mais fácil e rentável dedicarmos alguma atenção ao que temos e que muitas vezes está ao abandono? Claro que quando as coisas estão abandonadas não dão lucro e foi isso que aconteceu à linha do Tua. Em Vila Flor todas as atenções vão para o Vale da Vilariça e o Vale do Tua está esquecido.
Há pouco tempo fiz um passeio na Linha do Tua, entre Abreiro e a Ribeirinha. Esta fotografia é uma das que tirei nessa tarde.

Para mais informações sobre a Linha do Tua podem consultar o blogue que criei e mantenho dedicado exclusivamente à Linha do Tua - A Linha é TUA.

13 fevereiro 2010

Reis 2010 (4)

Continuação de - Reis 2010 (3)

 Sei que os Reis já vão um pouco desfasados no tempo, mas, por respeito aos diferentes grupos de quem ainda não falei, aqui vou deixar algumas palavras e fotografias.


O sexto grupo a actuar representou Freixiel. Quem tem acompanhado estas galas sabe que este grupo se apresenta sempre com um grande número de elementos, com adereços interessantes e representativos da aldeia e com uma qualidade musical e vocal digna de realce. Nesta gala, essa tradição, não foi quebrada.
Este grupo também cantou os reis pelas ruas da sua aldeia, angariando mais de 1000 euros para ajudar a pagar o restauro dos altares da sua igreja matriz.
A primeira interpretação foi Boas Festas.

Boas Festas, Boas Festas
Cantamos com alegria
Um bom ano para todos
Cheio de paz e harmonia.

Estamos à vossa porta
Cantando com alegria
O bom Deus vos abençoe
Para sempre e neste dia.

Santos Reis, Santos coroados
Vinde ver quem vos coroou
Foi a Virgem Mãe Sagrada
Quando por aqui passou.

O caminho era torto
Uma estrela vos guiou
Em cima de uma cabana
Essa estrela poisou.

A cabana era pequena
Não cabiam todos três
Adoraram Deus Menino
Cada um por sua vez.

As pessoas desta casa
Boas Festas vi mos dar
Desejamos um bom ano
E as Janeiras cantar.


Na segunda interpretação, uma bonita valsa, brilhou toda a harmonia vocal do grupo, demonstrando que o trabalho continuado, ao nível do Rancho Folclórico ou mesmo do coro da igreja, produz os seus frutos. Foi bonito de ouvir ...

As Janeiras
Viva lá o Sr. da casa,
À sua porta nos tem,
Vimos dar as Boas Festas
E à sua mulher também.

Também queremos saudar,
Os seus queridos filhinhos,
Não podemos esquecer
Os seus tão lindos netinhos.

Boa noite Sr. da casa,
Aqui tem a festa à porta.
Se não nos quiser dar nada,
Não nos dê fraca resposta.

Já lá vai o ano velho,
Estamos no ano novo.
Vimos dar as Boas Festas,
Respeitando todo o povo.

S'tá muito frio cá fora,
E uma grande geada.
Vinde-nos abrir a porta,
Que é boa rapaziada.

Actuou, de seguida o grupo Vieiro em Acção, representando Vieiro, anexa de Freixiel. Foi mais um grupo estreante que, apesar número reduzido de elementos, apenas 5, não teve complexos e marcou presença nesta gala.

Lá no céu há um castelo
Castelo Maravilhoso
Lá no segundo andar
Chorava a Virgem Maria.

Porque chora Minha Mãe?
Porque chora ó Mãe Minha?
Choro pelos pecadores
Que andam no mundo sozinhos.

Não é por interesse
Ó rapaziada
Queremos que nos estimem
A nossa risada.
Viemos aqui
Todos reunidos
Dar as Boas Festas
Aos nossos amigos.

 
A segunda actuação foi uma homenagem ao aos responsáveis pela direcção da autarquia, mas também a todos os vilaflorenses.

A laranja redondinha
É docinha como o mel
Ó que pessoa tão nobe
É o senhor doutor Pimentel.

Ó que dia tão bonito
E a tarde está linda
Viva o sr. Fernandes
E a senhora doutora Gracinda.

A gente de Vila Flor
Que é tão popular
São gente de boa terra
Nós viemos visitar.

O arco de D. Dinis
É um monumento a visitar
À gente de Vila Flor
Nós os Reis viemos cantar.

Ao sobreiro ramalhudo
No outono cai a bolota
Se nos querem dar os Reis
Venham-nos abrir a porta.

Vamos dar a despedida,
Por cima de uma maçã.
Passem muito bem a tarde,
Adeus e até amanhã.

Continua - Reis 2010 (5).

23 julho 2009

Deputado socialista diz no Parlamento que a linha do Tua não tem interesse turístico


A linha do Tua não tem interesse turístico. A opinião foi defendida pelo deputado socialista Luís Vaz, eleito pelo círculo de Bragança, ontem à tarde na Assembleia da República.
Durante o debate sobre a petição da Linha do Tua apresentada há um ano pelo Movimento Cívico pela Linha do Tua e que tinha como propósito defender a linha do Tua da construção de uma barragem, o deputado afirmou que “a linha férrea deixou de ser útil para as pessoas que ali vivem e trabalham, que optaram pelo transporte rodoviário”.
Luís Vaz salientou que a ferrovia poderia ter potencial turístico, mas não diz que “não conhece um único operador turístico que se tenha interessado pela sua exploração”.
Quem não gostou de ouvir estas palavras foi a deputada do Bloco de Esquerda, Helena Pinto. “Apetece-me dizer que fiquei quase sem palavras depois de ouvir tudo o que o deputado socialista disse. Só faltou concluir com viva a barragem, viva a EDP”, ironizou.
E José Silvano diz que Luís Vaz tem inveja de Mirandela. É desta forma que o presidente da câmara de Mirandela reage às declarações do deputado socialista, eleito por Bragança, proferidas, ontem, na Assembleia da República.
O também presidente da administração da Metro de Mirandela ficou surpreendido com esta posição de Luís Vaz. José Silvano considera que “só fala de Mirandela para cima e que não conhece o Vale do Tua”. Acrescenta que Luíz Vaz vestiu a pele de “deputado por Macedo de Cavaleiros” e que “como não passa lá a linha tem inveja que ela termine em Mirandela”.
José Silvano desmente também que não haja três operadores interessados em explorar a linha do Tua. "Basta consultar o estudo que as Câmaras fizeram para constatar que há empresas interessadas".
A petição sobre a linha do Tua vai ser votada esta sexta-feira.
Eduardo Pinto/RA

Nota: É caso para dizer: Se assim fala quem devia defender a região, o que esperar dos engravatados de Lisboa?

15 julho 2009

Pelos caminhos da serra

Há quase 2 meses que a minha actividade física pelos caminhos do concelho está praticamente parada. Viajar de carro não é a mesma coisa, e, no regresso a casa, há sempre aquela sensação de pouco ter visto. Interessante é viajar a pé ou de bicicleta.
A queda de bicicleta que tive em Abril têm-me levado a descobrir outras coisas, como o sistema de saúde que não existe ou o indiferente atendimento prestado nos hospitais públicos. Não interessa muito falar disso, porque daria um (triste) romance. No Centro de Saúde de Vila Flor fui sempre bem atendido, enquanto andei a fazer curativos ao ombro, o mesmo já não se passou com a médica de família. Depois de esperar um mês e meio pela consulta, quando me atendeu, limitou-se a dizer que o caso não lhe dizia respeito, que consultasse o médico do seguro. Se eu quisesse conselhos jurídicos não ia ao médico! Perece-me que a existência do médico de família pretendia humanizar as relações entre as famílias e os centros de saúde, mas isso não acontece com os médicos que se preocupam demasiado com os seus objectivos estatísticos.
Lamentações à parte, hoje pretendo falar, e mostrar, uma caminhada que realizei no dia 22 do mês passado. Apeteceu-me andar bastante. Algumas horas a ouvir os próprios passos cansa o corpo mas descansa a mente.
Tracei mentalmente o percurso, longo, para durar à volta de seis horas: ir até Samões; descer a Freixiel; passar a serra para o Vieiro; subir a Vilas Boas e regressar a Vila Flor.
Abasteci a mochila com bastante água e alguma fruta e pus-me a caminhar. De início senti algum desânimo, perdi os momentos mais bonitos da Primavera. O que se vê pelos campos é mais um Verão antecipado, com muita, muita falta de água. Aqui, e além, as plantas levam as suas energias ao limite para completarem o ciclo e produzirem as suas sementes.
O caminho é conhecido. Partindo de Vila Flor pela rua do Loureiro atinge-se Samões em poucos minutos entrando na aldeia pela Rua do Cruzeiro, atrás da igreja. Desci ao fundo do povo pela Rua do Salgueiral e segui pelo caminho já tantas vezes percorrido até Freixiel. Os ribeiros estavam secos, os caminhos cheios de pó que mais parecia cinza! Já em Freixiel procurei um bar para me reabastecer de água, mas não antes de mais uma visita à Forca. Estava um calor abrasador. Com a mochila cheia de garrafas de água fresquinha preparei-me para percorrer um troço novo para mim, subir a serra em direcção ao Vieiro. Já estive várias vezes no alto da serra da Feiteira, mas nunca subindo pela vertente virada a Freixiel.
Passei a ribeira da na Ponte do Vieiro. Este nome vem-lhe precisamente por ser a antiga ligação a este lugar, agora praticamente abandonada. Depois de passar o campo de futebol de 11, que não é usado há muito tempo, comecei a compreender a razão porque são poucos os que por aqui passam. A subida é íngreme e esgotante. Valeu-me a sombra de algumas árvores e a água fresca que levava, caso contrário não teria conseguido chegar ao alto da montanha. O caminho pode ser utilizado por tractores ou outros veículos todo o terreno, para bicicleta será um grande desafio. Não é fácil passar dos 340 metros de altitude a mais de 600.
O cansaço não me fez esquecer a razão de estar ali, apreciar a paisagem de Freixiel e e sua evolvente. Não tive coragem de subir ao ponto mais alto, onde se encontra o marco geodésico, mas, mesmo assim, é fantástico tudo o que se avista. São montes e vales cheios de desafios, para outras caminhadas, um nunca acabar de locais interessantes para descobrir.
Do cume a vista alarga-se também para Norte, alcançando outros locais de desafio desde o Faro, o Rio Tua e o olhar perde-se pelo concelho de Mirandela, Macedo quase se conseguindo ver terras de Castela. Mas, mais próximo, quase dormindo de num ninho de giestas e granito está Vieiro. A minha vontade era descer, encosta abaixo, em sua direcção, mas o tempo começava a escassear. Fiz um desvio para Nascente, em direcção à Palhona e à estrada que desce para o Vieiro. Desta forma consegui cortar alguns quilómetros ao percurso e ganhar tempo.
Comecei junto ao enorme cruzeiro que se encontra perto da estrada, um novo troço para mim desconhecido. O objectivo era chegar a Vilas Boas. Não acertei à primeira com o caminho, mas depois de saltar algumas paredes, encontrei finalmente o rumo certo e progredi com facilidade. A certa altura encontrei uma cruz gravada numa pedra. Tenho encontrado vários semelhantes no concelho de Vila Flor e Torre de Moncorvo, mas só dentro das localidades, nas paredes das casas. Despertou-me a curiosidade ver este num local tão descampado. A minha primeira ideia é que tenha algo a ver com o caminho seguido pelos romeiros para o Cabeço. É uma possibilidade. Segui todo o caminho com atenção, mas não consegui encontrar mais nada semelhante.
Eram quase 20 horas quando cheguei a Vilas Boas. Tinha esgotado as minhas reservas de água e de energia. Encontrei um comércio aberto e repus as da água. Lentamente segui pelo caminho que conduz à Fonte de Nossa Senhora. Estavam duas idosas sentadas nos degraus da fonte a repousarem da sua caminhada. Sentei-me junto delas e fiquei a ouvi-las contar recordações de outros tempos, duma época em que a fonte era um dos pontos fulcrais do santuário. A fonte está agora melhor cuidada do que da última vez que ali estive. Incentivado pelas idosas bebi da água milagrosa na esperança que regenerasse as forças para chegar a casa. Já não subi ao santuário. O horizonte já se pintava de ouro quando subi a calçada de granito que nos leva de Vilas Boas. O frontispício da pequena capela parecia ganhar imponência à medida que o sol descia banhando-o com a sua luz cálida.
Guardei a máquina na mochila e concentrei-me no caminho. Já não havia mais luz para fotografias. Junto ao campo de futebol de Vilas Boas encontrei companhia para regressar a Vila Flor. São muitos os que se passeiam de entre Vila Flor e o Barracão, mas alguns chegam mesmo ao Cabeço! Não consegui cumprir todo o percurso que tinha planeado, mas que importa? Foi uma longa tarde de sol.
Percurso:
GPSies - Passeio_Samoes_Freixiel_Vieio_VilasBoas