O Desafio Freguesia Mistério n.º63 decorreu durante o mês de Setembro. Não era fácil identificar o altar de uma capela, que ainda por cima, poucas vezes é aberta durante o ano. Mas, pelo menos agora, muita mais gente conhece o seu interior.
Foram poucos os participantes, 4 no total! As respostas foram:
Lodões (2) 50%
Roios (1) 25%
Vale Frechoso (1) 25%
O altar é da capela de S. Círiaco, no Mourão. Esta pequena aldeia tem um conjunto de 3 capelas, todas bastantes interessantes para além da igreja matriz, em que ainda não tive o prazer de entrar. A capela de S. Círico fica no largo com o mesmo nome, também conhecido como Largo da Praça, um dos pontos privilegiados da aldeia. Além do largo propriamente dito e da capela, há nas imediações uma fonte, que corre abundantemente, um tanque, a paragem dos autocarros, um cruzeiro em granito e um nicho do padroeiro da aldeia, S. João Batista.
A melhor altura para ver este espaço com vida e visitar a capela é no dia 23 de Junho, dia dos festejos de S. João, caracterizados no Mourão pela queima do vareiro, tradição já reportada neste blogue há alguns anos atrás.
Como se pode ver pela fotografia o interior da capela está muito cuidado, com o altar em talha restaurado. No exterior o elemento mais bonito é o pequeno campanário em granito, central, sem qualquer sineta.
O desafio para Outubro é uma fonte. Uma fonte de mergulho de descobri muito recentemente, porque nunca tinha encontrado nenhuma referência à sua existência. Encontrei-a por acaso, em estado muito pouco apresentável, razão pela qual a fotografia também não está muito bem enquadrada. Ainda faltam alguns dias para terminar o desafio, depois será revelado o mistério.
Em que freguesia do concelho de Vila Flor podemos encontrar esta fonte?
Os palpites ainda podem ser dados na margem direita do Blogue.
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16 outubro 2012
24 maio 2012
Pendão - Valtorno/Mourão

Não foi a primeira vez que estive no local, mas procurei traçar um percurso com alguma novidade. Entre Samões e Carvalho de Egas há uma caminho rural que acompanha o IC5. Infelizmente não começa junto à estrada que vai de Samões para a Barragem do Peneireiro, o que dava bastante jeito, começando algumas centenas de metros mais à frente e acompanhando o IC5 durante alguns quilómetros. Está asfaltada e tem um perfil muito engraçado com subidas e descidas constantes, pelo Urreiro e Serra de Candoso, mais parecendo uma montanha russa.
Encontrada a estrada EM609 (Carvalho de Egas - Santa Cecília) virámos à esquerda para depois apanharmos um caminho que vai pela crista da montanha até ao Ribeiro dos Moinhos, em Valtorno, perto da igreja de Nossa Senhora do Castanheiro.
Decorria por essa altura a iniciativa "Let's do It! World Cleanup 2012", semelhante à Limpar Portugal, de 2010, mas agora à escala mundial. Aproveitámos para verificar alguns dos locais que foram limpos em 2010 e verificámos que alguns ainda se mantêm limpos noutros já que acumula uma montanha de monstros. Tenho-me cansado de dizer que é muito feito, mas algumas pessoas só aprenderiam se o lixo fosse carregado e despejado à porta de casa de quem ali o foi deitar. E não era difícil saber a proveniência, acreditem.
Perto da igreja ainda havia algumas amendoeiras em flor! Valtorno e Candoso são das últimas aldeias a gozarem deste espetáculo.
Contornada a igreja, onde um jovem castanheiro desponta timidamente junto ao seu avô centenário, voltámos à estrada EM626 (Valtorno - Mourão) para nos aproximarmos mais do marco geodésico.
No fundo do vale a barragem Mourão/Valtorno mostrada as suas margem de terra ressequida, saudosa das águas de inverno que não chegaram a vir. Junto do caminho algum podador esqueceu uma garrafa de tinto encostada ao tronco de uma amendoeira. Saberia que nós viríamos?!! Não creio, não nos atrevemos a provar.
A distância da estrada ao marco geodésico é pouca, mas sempre a subir.
Do alto dos mais de 700 metros de altitude domina-se a paisagem em redor, principalmente em direção ao Vale da Vilariça. è um bom miradouro para Valtorno, mas o Mourão não é visível na totalidade. Para poente eleva-se ainda mais alto o cabeço com a capela de Nossa Senhora de Lurdes, em Alagoa, com 852 metros de altitude, e, mais distante o pinocro de Fontelonga, vértice geodésico de 1.ª Categoria, a uma altitude de 883 metros.
Depois de alguns momentos de repouso, o suficiente para rilharmos uma maçã, descemos a Valtorno onde nos foram buscar de automóvel.
17 abril 2012
Pontos Altos - Introdução

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| Penha do Abutre (567 m de altitude) |
O próximo conjunto de caminhadas vai chamar-se Pontos Altos. Não se trata de nenhuma modalidade de bordado, mas sim de marcos geodésicos, também conhecidos por talefes ou pinocros. A ideia não é nova, como o prova o mapa que comecei a compor já em 2007.
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| Faro (822 m de altitude) |
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| Mapa que comecei a construir em 2007 com os marcos geodésicos que conhecia na altura. |
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| Não há nenhum marco geodésico aqui. Fonte do Seixo (684m de altitude) |
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| Pendão (737 m de altitude) |
Notas: Não deixa de ser curioso, agora que a possível junção das freguesias começa a estar na ordem do dia verificar que os limites oficiais das freguesias não são bem como pensamos.Eis alguns exemplos, segundo o IGP (Instituto Geográfico de Português): o santuário de Santa Cecília está situado em território de Valtorno!; Algumas casas de Carvalhos de Egas pertencem à freguesia de Valtorno!; O termo de Vale Frechoso e Roios estende-se até à Ribeira da Fragada (perto da Quinta da Veiguinha); a Zona Industrial de Vila Flor pertence a Samões!; o termo de Vilarinho das Azenhas incluiu todo o Faro, Cabeço de S. Cristóvão e algumas casas de Meireles!a freguesia de Vila Flor prolonga-se quase até à discoteca Vício da Noite (Quinta da Terrincha)!. Estarão estes dados errados?!
01 dezembro 2011
Cores do Outono
Majestoso castanheiro na freguesia do Mourão. O seu porte e o ponto elevado em que se encontra, têm feito deste castanheiro um excelente "modelo" para alguns dos meus disparos.
Nas últimas semanas tenho feito bastantes fotografias de castanheiros, que espero mostrar em breve.
Nas últimas semanas tenho feito bastantes fotografias de castanheiros, que espero mostrar em breve.
01 novembro 2011
Entre concelhos
A segunda caminhada do mês de Outubro aconteceu no dia 8 e teve um traçado bastante diferente do habitual: tratou-se de um regresso a casa. Habitualmente todos os percursos que faço a pé têm início em Vila Flor, mas desta vez a caminhada iniciou-se no concelho de Carrazeda de Ansiães, mais concretamente na aldeia de Vilarinho da Castanheira.
O cabeço onde se situa o santuário de Nossa Senhora da Assunção eleva-se a quase 850 metros de altitude e é visível de uma grande extensão do concelho de Vila Flor. No alto da capela há uma cruz de néon, azul, que assinala a posição de Vilarinho da Castanheira a muitos quilómetros de distância, durante a noite. Como é uma aldeia a que me desloco com alguma frequência, já tinha pensado em fazer a ligação entre Vilarinho e Vila Flor a pé, mas nunca tinha surgido a oportunidade.
No dia 8, pouco depois da hora de almoço, parti do fundo da aldeia do Vilarinho com ideia de caminhar até Vila Flor. Não fiz, como normalmente faço, a planificação do trajecto, nem a contabilização da distância a percorrer. Quanto mais quilómetros percorro, maiores distância me apetece percorrer, desafiando as distâncias e os limites da resistência física. O entusiasmo, a adrenalina, estão dependentes da incerteza, da aventura, caso contrário seria como caminhar em volta da barragem, para queimar algumas calorias. A única parte do percurso completamente desconhecida seria até ao Mourão.
A primeira parte do percurso foi feita ainda em território do concelho de Carrazeda de Ansiães. Orientei-me pela topografia do terreno. Sabia que as linhas de água me conduziriam junto da barragem Mourão-Valtorno. Depois de cruzar a estrada que liga Vilarinho a Castedo e Lousa, no lugar das Laceiras, encontrei com facilidade um caminho que seguia da direcção certa. Nestas paragens é tudo muito selvagem. Há alguns pinheiros e sobreiros e poucas mais marcas do homem se avistam. Uma centena de metros à direita está a linha imaginária que separa os termos de Torre de Moncorvo e de Carrazeda de Ansiães, uma vez que o de Vila Flor só se inicia mais próximo da barragem (segue depois em direcção a S. Sampainho, contornando a elevação onde se situa Alagoa).
A certa altura deixei de encontrar o caminho! Reencontrei-o poucos metros mais adiante já em terreno ascendente, conduzindo ao Mourão. Não era um trajecto que quisesse seguir, mas era terreno conhecido e segui-o durante algum tempo. Logo que pude contornei o Mourão por sul e cheguei à Barragem.
É um local agradável, muito sossegado, onde apetece descansar, mas sabia que ainda tinha muitos quilómetros para percorrer.
Da barragem até Seixo de Manhoses é sempre a subir. A vegetação estava seca e cheia de pó, não convidando à fotografia. Fui esgotando as reservas de água a contar em reabastecer-me na aldeia do Seixo. Já por várias vezes recolhi água em perto da fonte do Sangrinho. Desta vez não foi possível, porque o tubo de que me sirvia não corria. Até a própria fonte, de mergulho, estava praticamente seca. Nunca tinha visto a água tão baixa.
Para não voltar para trás continuei, mesmo sem água. O carreiro paralelo à ribeira do moinho, que tantas vezes tenho seguido, foi a alternativa escolhida. Depois de mais algum esforço, atingi de novo a cota dos 700 metros de altitude, pouco antes de chegar à barragem do Peneireiro. Ao chegar à barragem aproveitei para repor a água. O resto do percurso foi feito em velocidade de passeio a saborear o cair da tarde.
Fazem-se os arranjos (quase) finais nos acessos ao IC5. Os caminhos que percorri nos últimos 5 anos já não existem. Sinto um misto de tristeza e de saudade. Nada será como antes e as novas estradas vão permitir-nos chegar mais depressa, mas, cada vez vamos ter mais falta de tempo.
Percurso:
O cabeço onde se situa o santuário de Nossa Senhora da Assunção eleva-se a quase 850 metros de altitude e é visível de uma grande extensão do concelho de Vila Flor. No alto da capela há uma cruz de néon, azul, que assinala a posição de Vilarinho da Castanheira a muitos quilómetros de distância, durante a noite. Como é uma aldeia a que me desloco com alguma frequência, já tinha pensado em fazer a ligação entre Vilarinho e Vila Flor a pé, mas nunca tinha surgido a oportunidade.
No dia 8, pouco depois da hora de almoço, parti do fundo da aldeia do Vilarinho com ideia de caminhar até Vila Flor. Não fiz, como normalmente faço, a planificação do trajecto, nem a contabilização da distância a percorrer. Quanto mais quilómetros percorro, maiores distância me apetece percorrer, desafiando as distâncias e os limites da resistência física. O entusiasmo, a adrenalina, estão dependentes da incerteza, da aventura, caso contrário seria como caminhar em volta da barragem, para queimar algumas calorias. A única parte do percurso completamente desconhecida seria até ao Mourão.
A primeira parte do percurso foi feita ainda em território do concelho de Carrazeda de Ansiães. Orientei-me pela topografia do terreno. Sabia que as linhas de água me conduziriam junto da barragem Mourão-Valtorno. Depois de cruzar a estrada que liga Vilarinho a Castedo e Lousa, no lugar das Laceiras, encontrei com facilidade um caminho que seguia da direcção certa. Nestas paragens é tudo muito selvagem. Há alguns pinheiros e sobreiros e poucas mais marcas do homem se avistam. Uma centena de metros à direita está a linha imaginária que separa os termos de Torre de Moncorvo e de Carrazeda de Ansiães, uma vez que o de Vila Flor só se inicia mais próximo da barragem (segue depois em direcção a S. Sampainho, contornando a elevação onde se situa Alagoa).
A certa altura deixei de encontrar o caminho! Reencontrei-o poucos metros mais adiante já em terreno ascendente, conduzindo ao Mourão. Não era um trajecto que quisesse seguir, mas era terreno conhecido e segui-o durante algum tempo. Logo que pude contornei o Mourão por sul e cheguei à Barragem.
É um local agradável, muito sossegado, onde apetece descansar, mas sabia que ainda tinha muitos quilómetros para percorrer.
Da barragem até Seixo de Manhoses é sempre a subir. A vegetação estava seca e cheia de pó, não convidando à fotografia. Fui esgotando as reservas de água a contar em reabastecer-me na aldeia do Seixo. Já por várias vezes recolhi água em perto da fonte do Sangrinho. Desta vez não foi possível, porque o tubo de que me sirvia não corria. Até a própria fonte, de mergulho, estava praticamente seca. Nunca tinha visto a água tão baixa.
Para não voltar para trás continuei, mesmo sem água. O carreiro paralelo à ribeira do moinho, que tantas vezes tenho seguido, foi a alternativa escolhida. Depois de mais algum esforço, atingi de novo a cota dos 700 metros de altitude, pouco antes de chegar à barragem do Peneireiro. Ao chegar à barragem aproveitei para repor a água. O resto do percurso foi feito em velocidade de passeio a saborear o cair da tarde.
Fazem-se os arranjos (quase) finais nos acessos ao IC5. Os caminhos que percorri nos últimos 5 anos já não existem. Sinto um misto de tristeza e de saudade. Nada será como antes e as novas estradas vão permitir-nos chegar mais depressa, mas, cada vez vamos ter mais falta de tempo.
Percurso:
30 julho 2011
Barragem Mourão - Valtorno
Uma passagem pela barragem Mourão- Valtorno proporciona sempre uma bonita paisagem, mas, em Maio, o espetáculo era ainda mais bonito. Começou a encher em 2006, mas tinha algumas fugas o que fez com que em 2008 ainda não estivesse completamente cheia. Depois de algumas reparações o problema está resolvido e quando por lá passei em no dia 1de Maio, era grande o caudal que saía da barragem, porque esta estava cheia.
09 julho 2011
Peregrinações – Capela de S. Plácido (Mourão)
No primeiro dia do mês de Maio teve lugar mais uma longa caminhada, desta vez à freguesia do Mourão, bem nos limites do concelho de Vila Flor.
O dia 1 de Maio é muito simbólico, não só por ser o Dia do Trabalhador, mas também porque a ele estão associados um conjunto de tradições de que não se conhece bem a origem. Na noite de 30 de Abril para um de Maio são colocados ramos de giestas em flor (maias) na entrada das habitações.
Este gesto simbólico, cheio de superstições tem várias origens talvez nenhuma delas verdadeira ou todas verdadeiras no seu conjunto. Há quem aponte esta origem a questões de religião, nomeadamente a passagem bíblica em que Herodes manda matar a criança da casa assinalada com um ramo de giesta, aparecendo de manhã todas as casas enfeitadas com giesta, impedindo os soldados de cumprirem a cruel tarefa de matarem o menino. Maia era uma deusa grega. Na mitologia romana também existe a deusa Maia. Festejada a 15 de Maio, é considerada a deusa da fecundidade, da Primavera, sendo-lhe dedicados o primeiro e o décimo quinto dias do mês.
A verdade é que no primeiro dia do mês de Maio a maioria das casas das aldeias (e também na vila) aparecem enfeitadas com um ramo de giesta em flor. Este gesto é tido como protecção contra o infortúnio trazendo segurança e fartura às casas. Curiosamente não são só as casas de habitação que são "protegidas" com as maias; é possível ver as cortes dos animais e mesmo as viaturas ostentando o tradicional ramo de giesta em flor.
Caminhar até ao fim do termo do Mourão parece um grande desafio. Apesar de haver aldeias mais distantes geograficamente da sede de concelho, o relevo dita que algumas vivam mais distanciadas de Vila Flor, principalmente fruto das vias de comunicação, que não negam a história, conduzindo a outros locais. Se traçarmos uma linha recta entre Vila Flor e Mourão, ela passará no Seixo de Manhoses seguindo de perto o traçado de caminhos centenários usados em feiras e romarias desde a idade média até ao século XX, quando as deslocações se começaram a fazer de automóvel.
Palmilhar estes caminhos é uma oportunidade de reviver a história, mas também são momentos único de contacto com a Natureza (e com as pessoas) luxuriante nos meses de Primavera.
Contrariamente ao que aconteceu ao longo da semana, no dia 1 o clima não se mostrou nada acolhedor. Muitas nuvens e alguma chuva foram presença constante durante toda a manhã de Domingo.
O traçado não é nenhuma novidade: Vila Flor - Barragem Camilo Mendonça - Seixo de Manhoses - Barragem Mourão-Valtorno - Mourão - Capela de S. Plácido. É um excelente traçado, mesmo para BTT, com o desafio de descer à barragem e subir depois ao Mourão, com alguma dificuldade.
Ao longo dos caminhos era impossível ficar indiferente à explosão de vida e cor. Madres-silvas espalhavam o seu aroma tal como outras plantas aromáticas. O céu escuro ameaçava com chuva, mas a pujante vegetação parecia pedi-la. A passagem pela albufeira Camilo Mendonça foi rápida mas inspiradora.
O meu colega Helder acompanhava-me nesta "Peregrinação", por isso optei pelo caminho que conduz ao Seixo pelo ribeiro do Sangrinho, que tanto me tinha agradado na "Peregrinação" de 14 de Novembro de 2010. Uma novidade nesta caminhada foi a visão de tritões (penso que o tritão-marmoreado - Triturus marmoratus) e outras espécies animais que encontrámos em vários locais ao longo da caminhada. Com a erva molhada rapidamente ficámos com o calçado encharcado, mas isso é só mais um dos elementos que é necessário aprender a suportar.
No Seixo ainda tivemos tempo para um reconfortante café, antes de nos aventurarmos a caminho do barragem Mourão-Valtorno. Este troço do caminho já era nosso conhecido duma das primeiras caminhadas.
Depois do cruzeiro no caminho que desce para a barragem, há muito espinheiros. Contrariamente àquilo que eu previa não estavam em flor. Em volta da barragem sim, havia muitas giestas em flor e a água transbordava com enorme barulho.
Seguiu-se depois a etapa mais penosa da caminhada, até à aldeia do Mourão. Para a subida não ser tão íngreme, acabou por ser mais longa, uma vez que contornámos o cume onde se encontra o cemitério e entrámos pela aldeia quase a sul, onde também há um cruzeiro exposto a sul. Este caminho já o segui em anteriores ocasiões.
Na aldeia encontrámos pouca gente. Depois de pedirmos algumas orientações quanto à localização da capela de S. Plácido posemo-nos a caminho. Não há nada que enganar, basta seguir o caminho. Mas, para complicar as coisas perdemo-nos. Nunca tinha feito o trajecto Mourão - S. Sampainho. Sempre que fui à capela de S. Plácido fazia o percurso pela estrada de Vilarinho da Castanheira, da qual se avista, sendo fácil encontrá-la. Quando nos pareceu que já tínhamos andado demais, desviámo-nos do caminho, tentando encontrar a capela caminhando pelos terrenos. Foi uma grande asneira. Encharcámo-nos quase até à cintura e acabámos por encontrar a capela algumas centenas de metros mais adiante, na borda do caminho que iniciámos e que depois abandonámos.
Os últimos metros já foram bastante angustiantes. A somar ao cansaço havia a fome, porque a tarde já há muito tinha começado. Com o mau tempo existente também não havia disposição para fazer as coisas com calma e discernimento.
Junto à capela existem ruínas daquilo que resta do antigo lugar de S. Sampainho, presentemente abandonado mas que ainda era habitada no Séc. XVIII. A capela de S. Plácido foi recuperada e descaracterizada. A maior curiosidade está nas duas carrancas antropomórficas na fachada. Nas traseiras há uma pedra decorada que já mencionei numa anterior visita.
Quando atingimos a capela já o carro que nos havia de trazer de volta a Vila Flor esperava há muito tempo na estrada do Vilarinho da Castanheira. Depois de entrarmos no carro todos os cansaços passam e só ficam as peripécias interessantes da viagem. Foram mais de 14 km num ambiente completamente adverso, mas o desafio foi superado e já se planeavam outras "Peregrinações".
Percurso:
O dia 1 de Maio é muito simbólico, não só por ser o Dia do Trabalhador, mas também porque a ele estão associados um conjunto de tradições de que não se conhece bem a origem. Na noite de 30 de Abril para um de Maio são colocados ramos de giestas em flor (maias) na entrada das habitações.
Este gesto simbólico, cheio de superstições tem várias origens talvez nenhuma delas verdadeira ou todas verdadeiras no seu conjunto. Há quem aponte esta origem a questões de religião, nomeadamente a passagem bíblica em que Herodes manda matar a criança da casa assinalada com um ramo de giesta, aparecendo de manhã todas as casas enfeitadas com giesta, impedindo os soldados de cumprirem a cruel tarefa de matarem o menino. Maia era uma deusa grega. Na mitologia romana também existe a deusa Maia. Festejada a 15 de Maio, é considerada a deusa da fecundidade, da Primavera, sendo-lhe dedicados o primeiro e o décimo quinto dias do mês.
A verdade é que no primeiro dia do mês de Maio a maioria das casas das aldeias (e também na vila) aparecem enfeitadas com um ramo de giesta em flor. Este gesto é tido como protecção contra o infortúnio trazendo segurança e fartura às casas. Curiosamente não são só as casas de habitação que são "protegidas" com as maias; é possível ver as cortes dos animais e mesmo as viaturas ostentando o tradicional ramo de giesta em flor.
Caminhar até ao fim do termo do Mourão parece um grande desafio. Apesar de haver aldeias mais distantes geograficamente da sede de concelho, o relevo dita que algumas vivam mais distanciadas de Vila Flor, principalmente fruto das vias de comunicação, que não negam a história, conduzindo a outros locais. Se traçarmos uma linha recta entre Vila Flor e Mourão, ela passará no Seixo de Manhoses seguindo de perto o traçado de caminhos centenários usados em feiras e romarias desde a idade média até ao século XX, quando as deslocações se começaram a fazer de automóvel.
Palmilhar estes caminhos é uma oportunidade de reviver a história, mas também são momentos único de contacto com a Natureza (e com as pessoas) luxuriante nos meses de Primavera.
Contrariamente ao que aconteceu ao longo da semana, no dia 1 o clima não se mostrou nada acolhedor. Muitas nuvens e alguma chuva foram presença constante durante toda a manhã de Domingo.
O traçado não é nenhuma novidade: Vila Flor - Barragem Camilo Mendonça - Seixo de Manhoses - Barragem Mourão-Valtorno - Mourão - Capela de S. Plácido. É um excelente traçado, mesmo para BTT, com o desafio de descer à barragem e subir depois ao Mourão, com alguma dificuldade.
Ao longo dos caminhos era impossível ficar indiferente à explosão de vida e cor. Madres-silvas espalhavam o seu aroma tal como outras plantas aromáticas. O céu escuro ameaçava com chuva, mas a pujante vegetação parecia pedi-la. A passagem pela albufeira Camilo Mendonça foi rápida mas inspiradora.
O meu colega Helder acompanhava-me nesta "Peregrinação", por isso optei pelo caminho que conduz ao Seixo pelo ribeiro do Sangrinho, que tanto me tinha agradado na "Peregrinação" de 14 de Novembro de 2010. Uma novidade nesta caminhada foi a visão de tritões (penso que o tritão-marmoreado - Triturus marmoratus) e outras espécies animais que encontrámos em vários locais ao longo da caminhada. Com a erva molhada rapidamente ficámos com o calçado encharcado, mas isso é só mais um dos elementos que é necessário aprender a suportar.
No Seixo ainda tivemos tempo para um reconfortante café, antes de nos aventurarmos a caminho do barragem Mourão-Valtorno. Este troço do caminho já era nosso conhecido duma das primeiras caminhadas.
Depois do cruzeiro no caminho que desce para a barragem, há muito espinheiros. Contrariamente àquilo que eu previa não estavam em flor. Em volta da barragem sim, havia muitas giestas em flor e a água transbordava com enorme barulho.
Seguiu-se depois a etapa mais penosa da caminhada, até à aldeia do Mourão. Para a subida não ser tão íngreme, acabou por ser mais longa, uma vez que contornámos o cume onde se encontra o cemitério e entrámos pela aldeia quase a sul, onde também há um cruzeiro exposto a sul. Este caminho já o segui em anteriores ocasiões.
Na aldeia encontrámos pouca gente. Depois de pedirmos algumas orientações quanto à localização da capela de S. Plácido posemo-nos a caminho. Não há nada que enganar, basta seguir o caminho. Mas, para complicar as coisas perdemo-nos. Nunca tinha feito o trajecto Mourão - S. Sampainho. Sempre que fui à capela de S. Plácido fazia o percurso pela estrada de Vilarinho da Castanheira, da qual se avista, sendo fácil encontrá-la. Quando nos pareceu que já tínhamos andado demais, desviámo-nos do caminho, tentando encontrar a capela caminhando pelos terrenos. Foi uma grande asneira. Encharcámo-nos quase até à cintura e acabámos por encontrar a capela algumas centenas de metros mais adiante, na borda do caminho que iniciámos e que depois abandonámos.
Os últimos metros já foram bastante angustiantes. A somar ao cansaço havia a fome, porque a tarde já há muito tinha começado. Com o mau tempo existente também não havia disposição para fazer as coisas com calma e discernimento.
Junto à capela existem ruínas daquilo que resta do antigo lugar de S. Sampainho, presentemente abandonado mas que ainda era habitada no Séc. XVIII. A capela de S. Plácido foi recuperada e descaracterizada. A maior curiosidade está nas duas carrancas antropomórficas na fachada. Nas traseiras há uma pedra decorada que já mencionei numa anterior visita.
Quando atingimos a capela já o carro que nos havia de trazer de volta a Vila Flor esperava há muito tempo na estrada do Vilarinho da Castanheira. Depois de entrarmos no carro todos os cansaços passam e só ficam as peripécias interessantes da viagem. Foram mais de 14 km num ambiente completamente adverso, mas o desafio foi superado e já se planeavam outras "Peregrinações".
Percurso:
25 junho 2011
Festa de S. João no Mourão
No dia 23 de Junho realizaram-se no Mourão as tradicionais festas de S. João. Este ano coincidiram com um dia feriado, o que me permitiu acompanhar de perto estas festividades.
Cheguei à aldeia a meio da tarde e a paz era tanta que eu pensei ter-me enganado na data. O palco montado na Largo de São Ciriaco desfez as minhas dúvidas. Depois de um largo passeio pela aldeia apercebi-me que as actividades estavam a decorrer no campo de futebol.
Nesse local decorreu uma animada disputa dos jogos da malha e do cepo, de que acompanhei a parte final. Estes jogos têm os seus adeptos habituais, que jogam como poucos e têm gosto em jogar. Estou habituado a vê-los, por exemplo na Festa das Maias, em Folgares. Em jogo estavam prémios como presuntos e cabritos, que já esperavam pelos vencedores dentro da casa dos milagres.
No largo preparavam-se tudo para um grande arraial. O porco no espeto começava a espalhar o seu aroma pelas redondezas. Preparavam-se as mesas e partia-se o pão. Mais tarde assaram-se as as sardinhas e barriga de porco.
Ao início da noite foi erguido o enorme mastro, um pinheiro com cerca de 10 metros de altura. Depois de revestido por palha, elevou-se às alturas com a força dos braços dos homens, já habituados a esta prática antiga.
Pouco depois das oito da noite, já com os prémios dos torneios entregues, iniciou-se o jantar. Parecia que a população de Mourão tinha triplicado! Na verdade havia pessoas de todo o concelho e até pessoas do concelho de Carrazeda de Ansiães!
O grupo musica, penso que se chamava "Terceira Geração", tocava música popular, nem sempre com grande afinação. É um grupo de jovens, irreverentes, que por vezes levaram o apimentado das músicas a excessos, mas poucos deviam estar com atenção às letras. A maior parte das pessoas dançava animadamente porque a noite estava muito fria, e, ou se aquecia o corpo com uns copos de vinho, ou com danças animadas ao som da concertina.
Já depois da meia noite foi pegado fogo ao vareiro. Estava vento e as chamas devoraram rapidamente a palha. Mal o pote de barro preso nas alturas caiu ao chão e se desfez em mil pedaços, também a multidão debandou, restituindo à aldeia a sua habitual pacatez.
A queima do vareiro é uma prática levada a cabo em muitas localidades de Portugal, mas na maior parte delas faz-se por altura do Carnaval (embora se faça também nos Santos Populares). Tentei falar com algumas pessoas e saber mais pormenores sobre a tradição mas, não encontrei grande receptividade. A organização desconhecia a existência deste blogue e tive alguma dificuldade em justificar a minha presença e o porquê de tantas fotografias.
Foi uma boa oportunidade para Descobrir mais do Mourão, mas acredito que as pessoas são mais recetivas e abertas do que o que senti. Voltarei, logo que haja outra oportunidade.
Cheguei à aldeia a meio da tarde e a paz era tanta que eu pensei ter-me enganado na data. O palco montado na Largo de São Ciriaco desfez as minhas dúvidas. Depois de um largo passeio pela aldeia apercebi-me que as actividades estavam a decorrer no campo de futebol.
Nesse local decorreu uma animada disputa dos jogos da malha e do cepo, de que acompanhei a parte final. Estes jogos têm os seus adeptos habituais, que jogam como poucos e têm gosto em jogar. Estou habituado a vê-los, por exemplo na Festa das Maias, em Folgares. Em jogo estavam prémios como presuntos e cabritos, que já esperavam pelos vencedores dentro da casa dos milagres.
No largo preparavam-se tudo para um grande arraial. O porco no espeto começava a espalhar o seu aroma pelas redondezas. Preparavam-se as mesas e partia-se o pão. Mais tarde assaram-se as as sardinhas e barriga de porco.
Ao início da noite foi erguido o enorme mastro, um pinheiro com cerca de 10 metros de altura. Depois de revestido por palha, elevou-se às alturas com a força dos braços dos homens, já habituados a esta prática antiga.
Pouco depois das oito da noite, já com os prémios dos torneios entregues, iniciou-se o jantar. Parecia que a população de Mourão tinha triplicado! Na verdade havia pessoas de todo o concelho e até pessoas do concelho de Carrazeda de Ansiães!
O grupo musica, penso que se chamava "Terceira Geração", tocava música popular, nem sempre com grande afinação. É um grupo de jovens, irreverentes, que por vezes levaram o apimentado das músicas a excessos, mas poucos deviam estar com atenção às letras. A maior parte das pessoas dançava animadamente porque a noite estava muito fria, e, ou se aquecia o corpo com uns copos de vinho, ou com danças animadas ao som da concertina.
Já depois da meia noite foi pegado fogo ao vareiro. Estava vento e as chamas devoraram rapidamente a palha. Mal o pote de barro preso nas alturas caiu ao chão e se desfez em mil pedaços, também a multidão debandou, restituindo à aldeia a sua habitual pacatez.
A queima do vareiro é uma prática levada a cabo em muitas localidades de Portugal, mas na maior parte delas faz-se por altura do Carnaval (embora se faça também nos Santos Populares). Tentei falar com algumas pessoas e saber mais pormenores sobre a tradição mas, não encontrei grande receptividade. A organização desconhecia a existência deste blogue e tive alguma dificuldade em justificar a minha presença e o porquê de tantas fotografias.
Foi uma boa oportunidade para Descobrir mais do Mourão, mas acredito que as pessoas são mais recetivas e abertas do que o que senti. Voltarei, logo que haja outra oportunidade.
09 fevereiro 2011
Plante-se uma árvore
Plante-se uma árvore.
Cresce, cresce voltada para o céu.
De repente, rasga-se uma janela
onde Deus se mostra
e nós desaparecemos.
Poema de João de Sá, do livro Pelo Sinal da Terra (2010).
Imagem. Trabalho tendo por base a fotografia de um castanheiro próximo da aldeia de Mourão.
Cresce, cresce voltada para o céu.
De repente, rasga-se uma janela
onde Deus se mostra
e nós desaparecemos.
Poema de João de Sá, do livro Pelo Sinal da Terra (2010).
Imagem. Trabalho tendo por base a fotografia de um castanheiro próximo da aldeia de Mourão.
05 julho 2010
Freguesia Mistério 38
A Freguesia Mistério esteve em votação durante dois meses. O número de pessoas que arriscam um palpite é muito reduzido, não sei se falta de entusiasmo, se têm medo de errar. Trata-se, apenas, de uma brincadeira e não deve haver receios.
Participaram 15 pessoas e os votos ficaram distribuídos da seguinte forma:
Assares (1) 7%
Benlhevai (1) 7%
Mourão (2) 13%
Nabo (2) 13%
Roios (1) 7%
Samões (2) 13%
Santa Comba de Vilariça (1) 7%
Valtorno (1) 7%
Vale Frechoso (1) 7%
Vilas Boas (3) 20%
A resposta não era fácil, mas às vezes o meu objectivo é mais espicaçar a curiosidade das pessoas para, quando passarem, no futuro, por determinados locais, a estarem mais atentas porque há muita coisa à nossa volta que nós não vemos. A resposta certa era Mourão, que teve apenas dois votos. Esta fonte está praticamente debaixo da estrada que dá acesso à aldeia, numa zona chamada "As Fontes", junto a um caminho com pouca circulação. São muito poucos os que se apercebem da sua presença.
O novo desafio é, de novo, uma fonte. Desta vez um fontanário público muito visível, no centro da aldeia. Tem uma placa que indica o "Largo do Pelourinho" e, só insto já reduz as possibilidades a duas ou três aldeias do concelho. Atenção que não basta olhar ao presente, é muitas vezes vezes necessário olhar para a história das freguesias.
Participem votando. A votação é possível na margem direita do blogue, em Freguesia Mistério n.º38.
Participaram 15 pessoas e os votos ficaram distribuídos da seguinte forma:Assares (1) 7%
Benlhevai (1) 7%
Mourão (2) 13%
Nabo (2) 13%
Roios (1) 7%
Samões (2) 13%
Santa Comba de Vilariça (1) 7%
Valtorno (1) 7%
Vale Frechoso (1) 7%
Vilas Boas (3) 20%
A resposta não era fácil, mas às vezes o meu objectivo é mais espicaçar a curiosidade das pessoas para, quando passarem, no futuro, por determinados locais, a estarem mais atentas porque há muita coisa à nossa volta que nós não vemos. A resposta certa era Mourão, que teve apenas dois votos. Esta fonte está praticamente debaixo da estrada que dá acesso à aldeia, numa zona chamada "As Fontes", junto a um caminho com pouca circulação. São muito poucos os que se apercebem da sua presença.
O novo desafio é, de novo, uma fonte. Desta vez um fontanário público muito visível, no centro da aldeia. Tem uma placa que indica o "Largo do Pelourinho" e, só insto já reduz as possibilidades a duas ou três aldeias do concelho. Atenção que não basta olhar ao presente, é muitas vezes vezes necessário olhar para a história das freguesias.
Participem votando. A votação é possível na margem direita do blogue, em Freguesia Mistério n.º38.
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