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31 outubro 2016

Caminhada pela Fragada

 A Junta de Freguesia de Santa Comba da Vilariça organizou no dia 29 de outubro uma caminhada, caminhada pela Fragada.
A vontade de organizar a caminhada já surgiu há algum tempo, mas só agora se reuniram as condições para a poder por no terreno. A hora não não foi a mais propícia, 15 horas de sábado, mas foi escolhida tendo em conta a realidade local, em que muitas pessoas trabalham ao sábado de manhã e também o facto de no domingo ser dia de caça.
Compareceram um pouco mais de 40 caminheiros, de todas as idades e com vontade de conhecer (ou de rever passados muitos anos) a Fragada.
O local situa-se entre a aldeia de Santa Comba da Vilariça e Bemlhevai, próximo do IP2. Tal como o nome deixa antever, trata-se de um lugar agreste, situada numa cota bastante mais alta do que Santa Comba da Vilariça e que permite uma excelente vista para o vale da Vilariça.
Aproveitou-se também a caminhada para uma sensibilização da população para o problema do cancro, uma vez que o dia 30 de Outubro ser o Dia Nacional contra o Cancro de Mama. Muitas pessoas vestiam peças de roupa brancas ou rosa e foram distribuídos balões cor-de-rosa.
 Depois de verificadas as inscrições e ser distribuída a mochila com água, uma peça de fruta e uma barrinha de cereais, o grupo partiu em direção à Fragada. A subida era íngreme, e apesar do caminho ser bastante bom, fazia muito calor e alguns sentiram alguma dificuldade.
 Diminuiu-se o ritmo para manter o grupo junto e seguiu-se em frente ouvindo as história de por quem já por ali tinha andado à cortiça, com o gado ou à caça."Andai lá ovelhinhas, cada sobreiro "bota" um Viriato", ouviu-se a certa altura. Ficamos a saber que houve tempos bem mais difíceis, tempos em que até a Fragada era importante (e guardada).
Depois de atingido o ponto mais elevado do percurso a paisagem fez esquecer o suor e a descida foi feita entre momentos de boa disposição e de contemplação. Um roco apareceu a lembrar a época dos cogumelos.
No final da caminhada o Sr. Presidente da Junta mostrou-se satisfeito com a adesão conseguida nesta primeira edição. Agradeceu a presença de todos e prometeu novas caminhadas no futuro.
O evento teve o apoio da Câmara Municipal e do Grupo Desportivo de Santa Comba da Vilariça.

03 janeiro 2014

Na serra do Vieiro

O mau tempo que se tem feito sentir nos últimos dias proporcionou a oportunidade para rever com mais calma algumas das "viagens" realizadas durante 2013 pelos caminhos do concelho. Foram muitas caminhadas, algumas viagens de automóvel e outras de bicicleta, mas em todas há uma máquina fotográfica, com mais ou menos pixels, que fixa o momento para mais tarde recordar.
No início de outubro de 2013 fiz uma caminhada à serra de Vieiro, com o objetivo de estudar o terreno para aí colocar uma pequena brincadeira do passatempo Geocaching. Não pensava demorar muito porque fui de carro até perto das ruínas da capela de São Domingos, fazendo depois a subida à serra a pé.
Estávamos em plena época da vindima, mas pensei que naquela zona já não houvesse uvas por vindimar, mas enganei-me. Logo na Palhona me apercebi que poderia ter sorte e conseguir alguns cenários fotográficos com que não estava a contar.
Independentemente da vindimas, o cenário visto do alto da serra é quase divino, beneficiado pela luz mágica de final de tarde. Apesar da caminhada se ter iniciado logo depois de almoço foi tão interessante que a noite caiu quando ainda me encontrava no ponto mais distante da serra, perto de uma zona chamada Serra Tinta, tendo que fazer o percurso de regresso já de noite.
O rio Tua corre a pouca distância, logo depois da aldeia do Vieiro, traçando uma fronteira natural entre os concelhos de Vila Flor e Mirandela. Conheço cada monte, cada caminho, no concelho de Vila Flor e percorrer com o olhar o Cabeço, o Faro, descer ao Vilarinho e regressar ao Vieiro trás-me à memória, caminhadas já distantes e cores de muitas estações. Pelo contrário, do lado de lá do Tua, praticamente tudo é desconhecido. À exceção de algumas visitas a Abreiro, Navalho e Barcel, o desconhecido atrai-me e sinto muita vontade de percorrer o horizonte até onde a vista chega, ao alto da serra dos Passos a mais de 900 metros de altitude.
Olhando para o lado voltado a sul, o cenário também costuma ser magnífico. Digo costuma porque praticamente toda a área que se avista ardeu no verão passado. As chamas consumiram tudo desde Samões, vale do Pelão, vale da Cabreira, Folgares, perdendo-se lá para a aldeia escondida de Pereiros, no concelho de Carrazeda de Ansiães. Doí o coração. É a zona mais recôndita do concelho, mas a mais tranquila, aquela onde os regatos ainda percorrem áreas onde o homem poucas marcas deixou e onde só passa quem tem mesmo uma forte razão para por ali passar. Grandes caminhadas (e cansativas) já fiz naqueles vales! E que triste me pareceu agora o vale das Mós!
 Depois de "sentir" tudo o que se avista do alto da Sapinha (primeiro dos 3 cumes a percorrer) parti para a segunda etapa. Foi então que encontrei um rancho de vindimadores em plena vindima. Ao contrário dos podadores que ali encontrei em janeiro de 2013 que não apreciaram ser fotografados, os vindimadores não se sentiram incomodados e pude fazer algumas fotografias.
Entusiasmei-me e dei comigo a fotografar a preto e branco, tentando captar algo mais do que as cores, que já por si eram fantásticas. Não quis perturbar os trabalhos e segui o meu caminho em direção ao segundo cume, o marco geodésico de Freixiel (618 metros de altitude). Na caminhada que fizemos em fevereiro tínhamos como objetivo alcançar este marco geodésico, mas, por não haver um acesso marcado, acabámos por passar ao lado sem o encontrarmos. Ele é visível de longas distâncias, mas depois de estarmos perto, não o vemos. Desta vez consegui alcança-lo sem grande dificuldade.
Em redor do marco geodésico está sinalizada a existência de um castro. São visíveis algumas paredes, mas parecem-me muito recentes para serem atribuídas à idade do ferro.
Atingido o segundo pico regressei ao caminho voltando algumas centenas de metros para trás. Foi mais seguro do que seguir em corta-mato em direção ao terceiro. Não é fácil andar pelo meio das estevas e das carquejas, elas rasgam qualquer tecido e penetram na carne, se não tivermos cuidado.
Já na segurança do caminho passa-se junto ao retransmissor de televisão. Servia as povoações de Freixiel de Vieiro, mas não sei se ainda se encontra em atividade. Há também uma antena de rede wireless, mas o sinal é muito fraco. Consegui colocar algumas fotografias no Facebook! Continuei pelo caminho passando pela Fraga Amarela até encontrar um antena gigantesca da TMN. Esse local chama-se Feiteira, foi o terceiro pico da minha caminhada e o meu destino final. Curiosamente algumas aves fizeram ninho no alto da enorme antena! Seriam corvos, águias ou falcões? Gostaria de saber.
 Posicionei-me no ponto mais elevado do monte e registei as coordenadas com a ajuda do GPS. Precisava das coordenadas para conseguir incluir este lugar num roteiro de locais a visitar no âmbito da prática do Geocaching.
E foi quando me encontrava neste local e fui surpreendido com a luz quente do sol em despedida. A constatação do fim do dia não me fez acelerar o passo, enfeitiçou-me continuei a tentar captar a magia da luz que fugia deixando o horizonte com tons rosa muito subtis.
Só quando já não via nada para fotografar, me convenci de que tinha que regressar. Felizmente bastava-me seguir o caminho inverso, sem qualquer possibilidade de me perder.
A certa altura, pareceu-me ver uma sombra junto dos meus pés. Disparei o flash e consegui captar uma pequena cobra que fugiu assustada (tanto quanto eu fiquei).
Depois desta minha caminhada, já outras pessoas visitaram o marco geodésico e a Feiteira, graças às minhas coordenadas.
Foi a quarta ou quinta vez que percorri aquela serra e gostei como se fosse a primeira. A natureza está sempre a surpreender-nos e caminhar sem relógio é das coisas mais "saborosas" que se podem fazer na vida.

17 dezembro 2013

The Lost Village (Gavião)

A segunda caminhada da temporada aconteceu em setembro e e teve como destino a abandonada aldeia do Gavião no termo de Seixo de Manhoses.
Não seguiu o norma, tendo como destino um marco geodésico, por o mais próximo do Gavião é o vértice geodésico da Cheira, por mim visitado pela última vez em julho de 2012. O objetivo foi mesmo caminhar e aproveitar a viagem para procurar uma caixinha (Geocache) escondida algures entre as ruínas das casas.
 O tempo estava espetacular, com um sol brilhante e nos campos ainda abundavam os frutos, em especial as uvas que se dão muito bem nas encostas do ribeiro grande. è mesmo uma doas zonas onde se produzem alguns dos melhores vinhos do concelho.
A primeira paragem do percurso aconteceu na Fonte do Olmo, junto ao Estádio Municipal. O espaço não estava propriamente apresentável, tal como o não está agora, porque ainda lá estive há poucos dias. Estes locais com algum interesse para serem visitados deveriam ser mais cuidados. É assim que se constrói uma imagem e se podem atrair pessoas.
No percurso ao lugar do Arco já avistámos muitas videiras carregadas de uvas. Este ano não foi um mau ano, tal como pude comprovar mais tarde participando na vindima na quinta Valtorinho.
A pequena aldeia do Arco parecia adormecida. Estendais de figos secavam ao sol. Aproveitámos para nos refrescar-mos com a água do fontanário da aldeia. Apesar de ter uma placa a indicar que é Imprópria para consumo, alguns habitantes insistem em bebe-la e a nós também não nos fez mal. Pareceu-me bem saborosa e fresquinha.
 Nas hortas do fundo da aldeia ainda havia abóboras, nada mais.
O percurso do Arco ao Gavião é bastante interessante, com uma vista excelente para o Nabo e Vale da Vilariça e com vegetação rica em medronheiros e outras espécies vegetais que não são muito frequentes. Há mais do que uma alternativa de percurso; arriscarei a dizer que há pelo menos três, mais ou menos com o mesmo grau de dificuldade e a chegarem todas ao Gavião. Como as ruínas se veem ao longe, recortadas no horizonte, não há perigo de engano no caminho.
A sensação quando se chega ao Gavião é a de se estar numa aldeia fantasma, num cenário de um filme. A tristeza das paredes caídas é facilmente ultrapassada quando se olha a paisagem. As encostas estão, em grande parte, aproveitadas para a agricultura. Crescem aqui com grade facilidade as oliveiras, as videiras e as amendoeiras. E produzem também com abundância e qualidade. Os campos não sofreram o mesmo destino da aldeia e apresentam-se bastante cuidados. Direi até que com carinho, que se manifesta no cuidado na manutenção dos muros, na orientação e poda das árvores, na limpeza das silvas ou na abertura de novos e melhores acessos.
A procura da dita caixa, não muito maior do que um maço de tabaco, exige a utilização de um aparelho com GPS. Com alguma insistência e mais alguma atenção às pistas, ela acabou por aparecer, onde realmente deveríamos ter começado a procurar.
Ainda tentámos explorar alguns recantos, por entre as ruínas, mas as silvas vão tomando conta do espaço, servindo de consolo as amoras negras que ostentavam de forma quase provocadora.
Procurámos um bom miradouro para o vale. A barragem do Nabo/Ribeiro Grande é bem visível perto de Godeiros, onde está a famosa Pala do Conde.
Começámos o percurso de regresso. Dado o adiantado da hora não foi possível regressar a Vila Flor a pé, um carro de apoio foi buscar-nos à aldeia de Seixo de Manhoses.
O percurso entre o Gavião e o Seixo faz-se muito bem a pé, pode até ser feito de carro ligeiro, com algum cuidado. Há poucos anos falou-se que foi arranjado para poderem ser gravadas algumas cenas da telenovela "A Outra" no Gavião, mas a produção desistiu. Tinha sido um momento único para a Lost Village e muito agradaria às pessoas que ainda se recordam do tempo em que ali viveram.
O percurso feito a pé, com passagem pela Fonte do Olmo, Arco, Gavião e final em Seixo de Manhoses, perfaz 7,5 km, sempre por caminhos (e um pouco por estrada). É um bonito passeio que pode continuar pela barragem do Peneireiro e regresso à Vila, por isso não admira que possa ser repetido no futuro.

03 dezembro 2013

Vila Flor - Cabeço

Quase um mês sem escrever neste blogue pode dar a ideia que emigrei. Ainda não aconteceu, mas não significa que não tenha pensado nisso. Entretanto, e como a terra não para, não podemos nós ficar parados, sob pena de cairmos na monotonia dos dias iguais e cinzentos.
As caminhadas têm-se realizado, a menor ritmo, mas sempre entusiasmantes e cheias de cores diferentes consoante a estação do ano.
 A 15 de setembro, ainda com os dias de calor bem presentes, e talvez para ganhar coragem para mais um ano de trabalho, a caminhada foi ao Santuário de Nossa Senhora da Assunção, em Vilas Boas.
O percurso foi o mesmo já tantas vezes seguido. A estrada pode ser o caminho mais rápido e reto, para quem se dirige ao Santuário, mas eu gosto de passar pela aldeia e depois subir o escadório, mais de 400 escadas, até chegar ao cume do cabeço.
O caminho que seguimos foi: Vila Flor - Barracão - Cooperativa de Olivicultores - Pedreira de Freixiel - Quinta do Reboredo - Vilas Boas - Santuário. Este percurso soma perto de 9 km.
No santuário celebrava-se Santa Eufêmia, com bastantes pessoas à volta da capela, na eucaristia ou mesmo a comerem à sombra das muitas árvores existentes.
De regresso a casa ainda pudemos ver uma área ardida junto ao santuário, onde ocorreu um início de incêndio no dia anterior.


23 setembro 2013

Facho - Vila Flor

Às vezes o que está mais perto é o mais difícil de alcançar e foi o que aconteceu com o marco geodésico Facho, que, mesmo sendo aquele que está mais perto do centro de Vila Flor, foi ficando para o fim sendo dos últimos a ser visitado no âmbito desta volta - Pontos Altos.
A caminhada aconteceu nos últimos dias de junho, uma altura de muito calor. Muita da vegetação rasteira já começava a adquirir o tom de palha seca, mas as flores silvestres ainda abundavam na borda dos caminhos.
 Como a volta era curta, mesmo escolhendo um percurso mais extenso, aproveitei para dedicar mais algum tempo à fotografia, também pelo facto de estar sozinho e ter toda a manhã para subir ao marco geodésico e voltar a casa sem qualquer tipo de apoio.
O caminho parte de junto do Ecomarché e segue até à zona industrial, quase paralelamente à Avenida Vasco da Gama, mas por trás das vinhas do Fraga. É um caminho que utilizo muitas vezes, mas nem sempre recomendável. Por vezes fica infestado de vegetação, outras cheio de água. Quando a erva está molhada também não é agradável passar por lá. No entanto, como fica muitas vezes em estado selvagem, muitas plantas crescem ao longo do caminho e nas paredes, sendo um dos locais mais frequentes para eu fotografar pequenas flores e alguns insetos.
Atingida a zona industrial e de junto da rotunda do Barracão, o caminho sobre em direção à Quinta das Escarbas. O marco geodésico está mesmo no alto do termo desta quinta, mas para não se invadir propriedade privada vai-se dar uma pequena volta quase atrás da serra, atingindo o pico do monte  vindos de norte, através de um trilho aberto pelos ciclistas há algum tempo atrás e já quase desaparecido no meio da vegetação.
Estes picos rochosos permitem uma excelente vista para a Senhora da Assunção, para Bornes e Roios, mas a vila só se avista quando se atinge o marco geodésico.
Este local é um dos que visito com muita frequência, pois quando me apetece caminhar tenho tendência para o fazer em locais ermos, com vistas largas e não ao longo das estradas ou em volta da barragem do Peneireiro, como muitas pessoas fazem.
No Facho deve ter existido em tempos uma estrutura defensiva, daí o nome Facho. Esta designação é muito frequente em redor dos povoados é também uma das mais frequentes em marcos geodésicos. São visíveis os vestígios de algumas edificações e o que parece ser uma estrutura defensiva, constituída por um muro em pedra rodeando o sítio.
O marco geodésico está erigido sobre um rochedo, o que lhe dá um pouco mais de imponência. Eleva-se a 725 metros de altitude, com uma visão de 365º. No local onde se encontra é visível a quem circula nas estrada, principalmente da aldeia de Samões.
Para voltar a Vila Flor há duas alternativas ambas por caminhos. Escolhendo a alternativa mais longa, mas também a melhor, que pode até ser utilizada por um carro ligeiro, segue-se até ao  Miradouro de Vila Flor, descendo-se depois às Capelinhas. A que eu segui é mais rápida, mas só pode ser feita a pé, ou por um veículo todo o terreno. É descer por um caminho com um forte declive que vem dar a Vila Flor pela Rua do Carriço.
O percurso tem pouco mais de 6 km, sem grandes dificuldades, que bem pode ser feito numa pequena caminhada, embora necessite a companhia de alguém que conheça o terreno (por causa do pequeno trilho, que não chega a ser caminho). Tem também a dificuldade ou não da vegetação espontânea no caminho que vai de Vila Flor ao Barracão.
Caminhar desde o marco geodésico do Facho até ao Miradouro oferece oportunidade de ver Vila Flor de vários ângulos, com paisagens muito bonitas que se estendem pelo vale da Vilariça.

GPSies - Facho 2