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28 setembro 2023

O Terreiro


Ao; Francisco de Soveral Pastor

A Praça é dos cartolas, dos senhores
De gravata, de pose ou de dinheiro,
Onde passeiam leigos e doutores:
O médico, o juiz, o tesoureiro...

Mas o povo, os humildes servidores
Nas horas de lazer vão pra o Terreiro,
Ali tomam o sol, tomam amores,
Ali mostram o fato domingueiro.

O Terreiro é salão de baile, até,
Onde as moças da vila dão ao pé
Nesses jogos de roda tão castiços.

«Quero dar duas voltas a meu jeito!»
Cantam elas, forçando o rijo peito
A rodar contra o peito dos derriços!


Soneto retirado do livro “Versos – Vila Flor”, impresso em Novembro de 1966, da autoria do Dr. Luís Manuel Cabral Adão.

24 junho 2023

A Minha terra (Cabral Adão)


A MINHA terra é uma sede de comarca do distrito de Bragança, chamada, por mercê de vontade real, Vila Flor.
Se «quem o feio ama, bonito lhe parece», que acontecerá com quem ama o bonito? Excede tudo quanto se possa congeminar em alegria íntima, em plenitude de encanto, em sorrisos interiores de apaziguamento. Amar a minha terra é amar uma flor, o fulcro da mais bucólica poesia, o molde da beleza, a cor, a graça, a doçura!
Ainda me chegam a cada passo os perfumes da serra, aquela vertente do Facho que se avista logo do Alto de Espinho, no dorso do Marão, divisório e austero.
São estonteantes as emanações do mar amigo, à beira do qual me fiz enteado, por felicidade do destino. Eu já me acostumei a estas paisagens aliciantes, que o mar recorta em quebradas de capricho, cauda verde-clara a brincar permanentemente com os panos verde-escuros da nossa costa arrábida. Mas quando me extasio pelos altos de São Filipe ou de São Luís, gozando a delícia de panoramas duma nobreza sem par; quando me perco, como um ponto num todo, pelo areal imenso e miudinho da Troia, procurando nos conchais as peças mais bizarras; quando me embriago na alegria picante dos laranjais da beira-Sado, outros mares espumados de folhagem escura, onde as bolas de oiro sorriem aos olhos, pontuando a fortuna do apetite em haustos de cor e fragância; quando os crepúsculos de Outono me prostam numa adoração de hossanas, embebendo-me a alma com melancolias de ametista e oiro... – ah! então a voz do berço vem-me bater aos ouvidos, como um ressaibo de quem sofre ciúmes! E que faço eu meu Deus? Que faço?
Abro o coração e releio as colecções das minhas lembranças. É então que eu julgo sentir as tais nevralgias da alma a que nós somos atreitos. É então que eu julgo sentir - saudades!!!
Saudades da minha praça. Lembrai-vos, rapazes do meu tempo, da praça de Vila Flor? Era a sala de visitas, o palco, o estádio, o jardim, a praia, o «rendez-vous» da juventude de há anos. Quem havia de dizer que o coração da linda vila se imolaria em holocausto duma urbanização geométrica, mas cruel?!...
Estou a vê-la, nas noites de luar, o luar faiscante de Trás-os-Montes; grupos de rapazes, de raparıgas, passeando, passeando, dando voltas, os bancos repletos, as janelas de roda floridas de moradores, gargalhadas por um lado, correrias de crianças por outro... e o luar sempre a banhar a minha praça, num embalar de mistério que só de longe se vem a compreender!
Saudades da Fonte Romana, talvez donde brotou água para me fazer cristão. Saudades da minha serra, onde as capelinhas vigiam, como postos de fiscalização do céu, imperceptivelmente ungindo as almas duma bênção reconfortante, quando alvejam ao sol, ou murmuram à lua uns segredos de brancura que quase se adivinham nas percepções do sonho. Saudades dos vinhedos, dos pinhais, da visão esplendente das nossas madrugadas, surpreendido o viajante nas Portas do Sol ou na scanadas da Figueira Preta. Saudade do sino que repicou, festivo, na hora do meu baptizado, e também no do meu primeiro filho. Saudades das pombas que eu via sempre no céu, em revoada de branco sobre o azul, durante a procissão de Páscoa, ou na de Pascoela, quando se levava o Senhor aos presos da cadeia. Saudades da missa do senhor padre António, modelo de virtude e sacerdócio, para quem nunca foram penosas as cruezas do seu mester sagrado.


Saudades... dos tipos da minha terra.

Excerto do livro Paisagens do Norte, do Dr. Cabral Adão, publicado em 1954 e reeditado em 1998 pela Câmara Municipal de Vila Flor.
Luís Manuel Cabral Adão nasceu em Vila Flor a 24 de Junho de 1910, falecendo a 6 de Agosto de 1992, em  Almada, vitimado por paragem cardíaca, partiu, no dia seguinte, para Vila Flor, para jazigo de família.

23 fevereiro 2023

A velha praça



A velha Praça começava
Onde findava
A nossa inquietação.
Varandas engalanadas
E janelas sempre acesas.
Harpejos de comoção
Libertados dum piano,
Na branda respiração
Das tílias quase apagadas
No crepúsculo de Verão.

E nós a vermos os outros.
Sobretudo a vermo-nos passar
Desde o começo do mundo,
Tentando dissimular
O abismo mais profundo,
Com um candil de luar.

Poema de João de Sá, do livro "Vila à Flor dos Montes", 2008.
Fotografia: Praça da República, em Vila Flor, antes do último arranjo urbanístico. 

João Baptista de Sá, nasceu em Vila Flor, a 7 de Novembro de 1928. Faleceu no dia 23 de Fevereiro de 2012, em Lisboa.


01 novembro 2016

Já se passaram 10 anos

É verdade, já decorrem 10 anos desde que começou a aventura À Descoberta de Vila Flor.  A data do aniversário é 3 de setembro, mas este ano não tive direito a bolo ou champanhe para a festa. Mesmo assim, sem festa e em data atrasada, não quero deixar de fazer o balanço de mais um ano decorrido.
Já vai longe o entusiasmo inicial, de percursos semanais, cada vez mais distantes, percorrendo o vales mais recônditos ou o cume dos montes. Os anos vão passando e fui-me acomodando, a "descobertas" que exigem menos esforço, mas que deixam muito a desejar no prazer da descoberta. Já há muito afastado da bicicleta, restam os percursos pedestres, com muito poucos caminhos para descobrir. A parte mais saborosa destes anos foi quando ninguém me conhecia. Fazia os percursos, vibrava com as fotografias, escrevia as reportagens como quem fazia um diário,revivendo cada metro percorrido ou cada fotografia tirada. Não esperava nada de ninguém, nem ninguém esperava nada de mim. A partir de certa altura tornei-me mais urbano e o contacto com as pessoas nem sempre é motivante para darmos mais de nós.
Com a facilidade com que se publica e se descarta a informação nas redes sociais, escrever um texto com o mínimo de coerência e estrutura torna-se uma tarefa pesada. A diferença deu-se quando comecei a escrever para os outros, mais do que para mim. A fraca frequência com que o blogue foi actualizado contrasta com o dinamismo da página do Facebook que administro, que já soma alguns milhares de seguidores. Mas não é a mesma coisa. É verdade que é no facebook que estão as pessoas, mas também é aí que tudo é volátil, descomprometido e falso, de certa forma.
Das poucas caminhadas que fiz durante um ano houve uma que merece destaque. Tratou-se de uma ida de Freixiel à Quinta do Pobre, durante o mês de março. Percorrer mais uma vez o vale da Cabreira, numa altura em que a vegetação despertava do seu sono invernal foi muito entusiasmante. As condições atmosféricas também contribuíram, com alterações significativas desde o sol à chuva "molha tolos", terminando a caminhada com um fantástico céu azul pincelado de nuvens brancas.
De 3 de setembro de 2015 a 3 de setembro de 2016 aconteceram grandes alterações na minha vida e na da minha família. Momentos delicados, uns felizes, outros nem tanto, mas que mereceram prioridade sobre a actividade de "vagabundo" fotográfico, no concelho de Vila Flor e fora dele. A prova de hoje estar aqui, a escrever, é a de que segui em frente e estou preparado para o 11.º ano, à procura de singularidades que me surpreendam, me arrepiem, que me façam sentir que vale a pena viver aqui.
À semelhança dos anos anteriores, é a altura de dar uma vista de olhos aos números.
Números do 10.ºano:
Páginas vistas - 15.117
Visitantes -  10.598
Comentários - 8
Postagens - 5
Km percorridos em BTT - 0
Km percorridos a pé -  34
Fotografias tiradas - 9.671
Fotografias publicadas -  15


Números totais (10 anos):
Páginas vistas - 771,713
Visitantes - 365.062
Comentários - 1 896
Postagens - 1 157
Km percorridos em BTT(10 anos) -  2.297
Km percorridos a pé (6 anos) -  952
Fotografias tiradas - 161.320

07 novembro 2015

Deixa falar o silêncio

Foi para ti, quenquer que sejas, que se aformoseou este recinto.
Superaste até o atingires, o cansaço da subida.
Convido-te a um instante de recolhimento.
Bem mereces uma pausa de harmonia interior.
Não procures palavras, deixa falar o silêncio.
João de Sá

Completou-se mais um aniversário do nascimento do grande poeta vilaflorense João de Sá. Para lembrar a data subi ao miradouro. Deliciei-me com as suas palavras e com a paisagem vibrante numa hora de sol num dia de nevoeiro.
Vaguei pelas capelinhas e senti que João de Sá estava lá, no coloridos das folhas, nas gotas do orvalho da manhã, nos cogumelos que crescem no humus e no melro azul que guarda os rochedos. Quantas poemas João de Sá terá recitado a esta ave solitária?
Deixei que o vento me sussurrasse alguns versos ao ouvido e prometi voltar mais vezes para lhe fazer alguma companhia.

15 setembro 2015

Reencontro com os caminhos

A análise das distâncias percorridas no ano anterior mostram que caminhei muito pouco, pelo menos no  concelho de Vila Flor. Por isso, nada como recomeçar com mais força, testando o físico. O trajecto escolhido foi um já muitas vezes percorrido: Vila Flor - Santa Cecília, com ida e volta por caminhos distintos. São cerca de 15 km, com algumas paragens para apreciar a paisagem, é percurso para uma manhã inteira.
 Por sorte o dia estava bastante bom para caminhar. A manhã fresca mostrou um céu com algumas nuvens que se foram pintando de negro. Por várias vezes caíram pequenas gotas de chuva, refrescando o ar e fazendo-me recordar emoções de outras caminhadas.
Houve duas coisas que marcaram o passeio, uma boa e outra má. A boa foi a quantidade de frutos da época que permitiram algumas fotografias interessantes, a má foi o reencontro com bastante lixo espalhado pelos montes, que mostra que muito mudou na vida das pessoas, mas o civismo ainda está muito longe do desejável.
Os campos estão bastante despidos de verdura. O calor do verão matou todas as ervas e só as giestas e pinheiros se mantêm "vivos". Já nos terrenos agrícolas há muito para ver e fotografar: são as amêndoas prontas para serem apanhadas (muitas já o foram); as uvas estão maduras e este ano parece haver grande quantidade; há muitas pêras, maçãs, alguns pêssegos e figos a sustentarem bandos de estorninhos que parecem muito satisfeitos com a abundância. As silvas das bermas dos caminhos estão carregadas de amoras e nos castanheiros os ouriços começam a ganhar forma.
Apesar das ameaças de chuva, a paisagem estava muito bonita. O Cabeço, visível ao longo de metade da caminhada, por vezes iluminava-se parecendo um farol. De Samões avistava-se o vale de Freixiel, permitindo admirar a paisagem até mais longe, pelo concelho de Murça, Alijó, quem sabe até de Valpaços ou Vila Pouca de Aguiar.
 Acompanhei de perto o traçado do IC5. Os carros passavam rápido, apressados, fazendo-me sentir feliz, por poder andar devagar, saborear o vento e a chuva, sentir o chão, ouvir os sinos da igreja de Carvalho de Egas, sem mais preocupações do que a de chegar a casa entre o meio-dia e a uma, para não fazer a família esperar por mim para o almoço.
Fiz uma visita aos "mal casados". Para quem não sabe, são duas rochas de "costas" voltadas uma para a outra. Não sei se uma música romântica ajudaria a "quebrar o gelo", mas como ainda ninguém teve essa "brilhante" ideia, as rochas vão continuar de "costas" voltadas, merecendo plenamente o nome de "mal casados".
Num dos parques de estacionamento do santuário de Santa Cecília há uma pequena macieira, bravo de esmolfe, que costumo visitar nesta época do ano. Estava carregada de frutos, maduros, sumarentos, bastante maiores do que em anos anteriores. Não tive muito tempo para pausas, mas colhi algumas maçãs que fui mordendo ao longo do caminho.
Foi após deixar Santa Cecília para que encontrei  montes de lixo. Infelizmente o lixo vai aparecendo um pouco por todo lado. Um sofá, aqui, um televisor mais além, há um pouco de tudo e onde menos se espera. Mas havia carradas de lixo, muito vidro, coisas que não dignificam as pessoas e as instituições.
 Cheguei à barragem do Peneireiro perto do meio-dia. Algumas pessoas faziam os seus exercícios de manutenção. O Parque de Campismo já tem poucos campistas. A barragem tem um nível incrivelmente baixo de água. No local já se sente a calmaria típica da maior parte do ano. O verão é muito bom, e necessário, até economicamente, mas nós temos o privilégio de poder gozar estes espaços durante o resto do ano.
Caminhei sem parar até Vila Flor. Senti-me muito bem fisicamente. A pausa de verão e o aumento de peso não afetaram o meu gosto por caminhar. Senti-me livre, relaxado, satisfeito por fotografar de novo os montes que tão bem conheço.
A caminhada teve perto de 15 km, uma distância aceitável  para início de temporada.

11 setembro 2015

e de repente é noite (XLVII)

Não reduzas tudo a esquadria e pedra.
Há sempre uma criança
em nosso horizonte de altas velocidades,
um ninho vazio nas mãos,
delgado corpo de aldeia à hora da sesta.
E o carvão de uma imensa noite
subindo pelas fontes onde correm
nossos terrores de caudaloso magma,
ávidos do centro
de um círculo perdido.

Poema de João de Sá, do livro "E de repente é noite", 2008.
Fotografia: Miradouro, em Vila Flor.

10 setembro 2015

Já passaram 9 anos!

Vindima perto do Gavião - Seixo de Manhoses
Foi há 9 anos que começou a aventura À Descoberta de Vila Flor. Tratou-se de muito mais de que a abertura de um Blogue, foi o início de uma nova etapa na vida de várias pessoas.  Muita coisa aconteceu em nove anos, alguns contratempos, mas, no global, foram 9 anos de muitas aventuras, muitas fotografias e momentos memoráveis, uns reportados, outros não.
Cesta de cogumelos silvestres  
O ano que agora termina (de setembro a setembro) foi aquele em que o blogue teve menos vida. As postagens foram muito poucas, menos de uma por mês e isso repercutiu-se no número de visitantes. Esta tem sido a tendência dos últimos anos, quer pela falta de novidades, quer pela migração para outras plataformas que se mostram mais atractivas e com maior numero de pessoas.
Fumeiro de Vila Flor numa das mostras TerraFlor
Os percursos pedestres foram poucos. Com alguma frequência fiz um passeio à barragem do Peneireiro, por caminhos diferentes, ao cair da tarde. Poucas vezes levei a máquina fotográfica. Os locais a visitar, pela primeira vez, no concelho são poucos. Os sítios arqueológicos, fontes, igrejas, capelas, marcos geodésicos, alminhas, etc. foram todos visitados e a maior parte deles mais de que uma vez. As festas e romarias também proporcionam alguns bons momentos fotográficos, mas começo a sentir algum cansaço. Têm muito pouco de genuíno e, por vezes, acho que deveria haver mais respeito, mesmo da parte de quem não é praticante.
Amendoeiras em Flor, uma das maiores atracções turísticas do nordeste transmontano
 Sem dúvida que os melhores momentos foram os iniciais, quando tudo era novo. Eu era totalmente anónimo e podia deslocar-me e escrever de forma completamente livre, sem receios do que outros pudessem pensar. Com o tempo a espontaneidade foi diminuindo e começaram a "requisitar" a minha presença. As coisas são mais saborosas quando são feitas por puro prazer e não por qualquer outra razão.
Festa do foral manuelino em Freixiel
Gostaria de ter mais contacto com a terra, acompanhar os trabalhos do campo, as sementeiras, as colheitas, o crescimento das culturas, saber os nomes das plantas, as histórias das aldeias, as tradições que se perdem, mas  tenho pouco tempo e não quero perder a minha liberdade de caminheiro, no concelho de Vila Flor, ou em qualquer outro. As saídas em BTT praticamente desapareceram.
Fruta da Vilariça - Feira TerraFlor
Mesmo sendo muito crítico em relação ao Facebook, acabo por dedicar muito tempo a administrar Páginas e Grupos dos quais dois dedicados ao concelho de Vila Flor: Página "Vila Flor, Concelho" e Grupo"Vila Flor - Portugal". Ambos têm tido um crescimento bastante bom, apesar de existirem alguns grupos e muitas Páginas sobre Vila Flor.
Rua de Santa Luzia, ao fim do dia
O que os torna diferentes são o rigor, o respeito pelos direitos de autor e os conteúdos interessantes (muitas vezes próprios). No fundo tento usar a Página e o Grupo com a mesma filosofia do Blogue. Chego a mais pessoas, mas faltam as palavras. As palavras são importantes assim como é importante para mim, investigar e fazer esforço para as escrever o melhor que sei e posso.
Vinho fino - Feira TerraFlor
Apesar de poucas actualizações no Blogue ao longo deste ano tirei mais fotografias do que o ano anterior. Foram mais de 17 mil. São mesmo muitas! Pode parecer um exagero, não há tanto assim para fotografar, mas por vezes faço uma dezena ou duas de fotografias sobre o mesmo assunto. Acredito muito pouco na sorte fotográfica, aposto mais no trabalho, na repetição  alterando os parâmetros da fotografia até conseguir um resultado satisfatório.
Festa de S. Bartolomeu 
A câmara Cyber-shot DSC-W610 que usava nas caminhadas "morreu". Por duas ou três vezes que embateu violentamente contra as fragas, até que a objectiva deixou de me obedecer. Comprei uma PowerShot SX700 HS. É uma câmara cheia de recursos, dos quais se destacam o funcionamento manual, semi-automático  à velocidade e ao diafragma, wireless e um zoom óptico 30X. Contudo, muitas das fotografias que faço, são feitas com um tablet iPad. A qualidade não é comparável ao de uma máquina fotográfica mas a facilidade de edição e de partilha na Internet são argumentos de peso.
Imagem de S. Bartolomeu 
O décimo ano já teve início. Tal como nos anos anteriores não há planos. Manter um Blogue "vivo" dá muito trabalho e não sei se há visitantes que justifiquem o esforço. Também é verdade que não criei e mantive o blogue para agradar a terceiros, mas sim pelo prazer de descobrir, conhecer e divulgar. Tentarei gerir o tempo o melhor possível, procurando novos motivos de interesse, quer para o blogue, quer para divulgação noutras plataformas.
Para já, desejo um bom ano a todos.

Bolo do 9.º  aniversário, partilhado com amigos

Números do 9.ºano:

Páginas vistas - 25.771
Visitantes - 16.292
Comentários - 10
Postagens - 8
Km percorridos em BTT - 15
Km percorridos a pé -  59
Fotografias tiradas - 17.225
Fotografias publicadas -  45
Alguns dados estatísticos da evolução do Blogue

Números totais (9 anos):

Páginas vistas - 751.379
Visitantes - 352.090
Comentários - 1 884
Postagens - 1 167
Km percorridos em BTT(9 anos) -  4.580
Km percorridos a pé (9 anos) -  1.748
Fotografias tiradas - 161.320

23 fevereiro 2015

e de repente é noite (XL)


Uma vereda de desassossego
abrindo o vale onde, inesperadamente,
o ocaso se agitava
decalcando a cauda de um cometa
para lírios de lava
consagrados a futuras noites de insónia.
À luz avara da clarabóia
vadiavam dias de Fevereiro
por se sentirem sós no abandono
do sótão de que nunca demonstrámos
o embruxado teorema.
Fingíamos desconhecer os amanhãs de caliça
que desciam sobre as nossas cabeças
e nelas se instalavam.
E o crepúsculo tinha o dom de apurar
a trajectória dos projécteis
contaminados de melancolia.

João Baptista de Sá, nasceu em Vila Flor, a 7 de Novembro de 1928.
Faleceu a 23 de Fevereiro de 2012.


20 setembro 2014

Parabéns! Oito anos À Descoberta...

O Blogue À Descoberta de Vila Flor completou 8 anos no dia 5 de setembro. Estes anos não podem ser medidos em anos humanos, mas em em anos blogue, ilustrados pelos muitos quilómetros percorridos e infindáveis fotografia.
Não vale a pena fazer uma viagem aos primórdios dos passeios em BTT ou caminhadas pelo concelho. Está tudo aqui, basta percorrer os meses no menú da margem direita, esta é a principal riqueza do blogue... a história de oito anos À Descoberta de todo o concelho.
Vista parcial de Vila Flor desde o miradouro
Normalmente a reflexão que faço quando se completa mais um ano é ilustrada com número. Em oito anos o blogue nasceu, cresceu e regista agora um momento de declínio quer na minha dedicação à escrita, quer no número de visitantes que aqui passam alguns minutos vendo as fotografias ou lendo algumas palavras. Sinceramente, não me sinto muito satisfeito por as coisas estarem assim. O blogue é pessoal e quem mais partido dele tirou fui eu. A necessidade de mostrar as "coisas" na forma escrita, nem sempre fácil e agradável, enriqueceu-me e levou-me a aprofundar o meu conhecimento do concelho. Se não o continuar a fazer,será uma oportunidade de crescer que estou a perder.
Via Crucis - Páscoa de 2014
Apesar das reportagens menos frequentes, as caminhadas continuaram a ser feitas, intercaladas com muitas outras que fui fazendo nos concelhos vizinhos. Faltam pequenos "chamarizes" como uma nova capela a visitar, uma ponte a descobrir, uma montanha para escalar. Já estive em todos os lugares, em muitos estive repetidas vezes. O entusiasmo diminui.

Parte do tempo que despendia com a actualização do Blogue é agora gasto com a página Vila Flor, concelho no Facebook. Continuo a achar que o facebook é uma plataforma pobre, onde pouco ou nada se aprende e onde a iteração entre as pessoas pouco passa além dos "Gosto" nas fotografias. Mas é uma plataforma muito democrática, a que todos podem aceder e percorrer sem grande esforço ou aprendizagem necessária. Procurando juntar a participação de mais pessoas criei um o grupo Vila Flor - Portugal, que junta pouco mais de 600 pessoas e é já o maior dedicado ao concelho.
https://www.facebook.com/groups/vflor/
Por vezes questiono-me da utilidade ou do prazer de manter o blogue activo. O mais fácil é não fazer nada, mas nem sempre esse é o melhor caminho a seguir. Continuo a tirar muitas fotografias, a adorar percorrer o concelho, a falar com as pessoas e a apreciar tudo o que é natural, característico e tradicional, a maior dificuldade está mesmo em arranjar tempo (e coragem) para me sentar à frente do computador e ... escrever. Também me sinto um pouco incomodado quando as pessoas me cobram, "marcam-me falta", como se eu tivesse obrigação de estar em todo o lado em todos os momentos.
https://www.facebook.com/vilaflor.pt
Não estou comprometido com nada nem com ninguém. Não sei mesmo se ainda existe algum fiel seguidor do blogue, se ainda recordam o endereço ou se simplesmente cá vêm quando o motor de busca os encaminha. Por tudo isto o blogue foi e continua a ser um exercício de auto-motivação que pode terminar a qualquer momento. Enquanto isso não acontece, agradeço aos que me incentivam, aos que me convidam para os eventos que vão acontecendo pelo concelho, aos que comigo convivem e vivem, pela sua companhia, pela sua amizade e pela sua compreensão.
Ribeiro dos moinhos, Valtorno.
Este ano o aniversário também teve direita a bolo! Não só porque o dia 5 de setembro foi o arranque do blogue, mas porque marcou uma mudança radical na minha vida e na da minha família mais próxima. Queremos que cada ano seja melhor do que o anterior e começa-mo-lo em festa.
Quanto aos números, eles estão mais abaixo. Em oito anos foram mais de 350 mil visitantes! Lembro-me que fiz um vídeo para assinalar os 100 mil porque acreditei que foi um grande feito! Durante o último ano (desde setembro de 2013) tirei mais de 13 mil fotografias no concelho de Vila Flor, uma média de mais de 37 fotografias por dia! Sei que há muitos entusiastas da fotografia no concelho, mas este é um número difícil de alcançar.
Produtos da terra na Festa da Amendoeira em Flor

Números do 8.ºano:

Páginas vistas - 46 047
Visitantes - 25 995
Comentários - 26
Postagens - 50
Km percorridos em BTT - 35
Km percorridos a pé - 93
Fotografias tiradas - 13 790
Fotografias publicadas - 111
Bolo do 8.º aniversário 

Números totais (8 anos):

Páginas vistas - 724 965
Visitantes - 335 979
Comentários - 1 872
Postagens - 1 142
Km percorridos em BTT - 2 282
Km percorridos a pé (4 anos) -  845
Fotografias tiradas - 144 095

08 junho 2014