05 junho 2008

Dia Mundial do Ambiente

Hoje, Dia Mundial do Ambiente , pensei seriamente em publicar algumas fotografias com as atrocidades contra o ambiente, que tenho encontrado um pouco por todo o concelho. Não diferindo nada dos concelhos limítrofes, a coisa que mais me têm chocado, é a quantidade de lixo despejado ao longo das bermas de todas as estradas e caminhos. À velocidade que a maioria dos carros circula, o lixo passa desapercebido. Mas, se passarmos de bicicleta ou a pé, é chocante a quantidade de electrodomésticos, entulho, serrim e outros materiais, despejados às toneladas nas bermas! A título de exemplo, aponto a estrada de Vila Flor a Lodões com duas grandes lixeiras: uma, logo depois das Portas do Sol e a segunda a meio caminho entre Roios e Lodões. Também entre Santa Comba e Valbom há enormes quantidades de lixo. Entre Vilarinho das Azenhas e o Cachão, também há um ponto de vazamento de lixo, que desce encosta abaixo até à Linha do Tua.

Falando nos caminhos, não há escolha. Desde os mais circulados, aos mais afastados e de difícil acesso, há lixo por todo o lado. É pena que o Facho esteja cheio de lixo; que os caminhos que dão acesso ao complexo da Barragem do Peneireiro, estejam cheios de lixo; nos caminhos em redor de Valtorno só há lixo, etc.
Outro dos problemas que detecto no concelho está nas linhas de água. Todas as linhas de água que atravessam as freguesias, à saída, vão completamente poluídas. Quase todas as aldeias têm fossas, mas as mesmas, descarregam directamente para os ribeiros e, o espectáculo é degradante. Muitas vezes há hortas ao longo desses cursos de água! Podia dar muitos exemplos, podia mostrar fotografias.
A terceira questão, prende-se com a utilização de adubos e pesticidas na agricultura. Há bastante utilização de herbicidas nos olivais. O problema está bem patente na falta de água potável nas fontes das freguesias. Se por um lado os habitantes detestam a água da rede pública, muitas das fontes que têm água dos poços e minas, está imprópria para consumo.
Já alguém ouviu falar em Equipa de Protecção da Natureza e Ambiente? A GNR local só é visível em dias de filmagem de telenovela ou para ordenar o transito quando os pais vão buscar os seus filhos à escola.
A autarquia, que devia dar o exemplo, nem sempre o faz. Onde vão parar os arbustos, a relva cortada e outros detritos da zona do Parque de Campismo? E do Santuário de Nossa Senhora da Lapa?
A principal arma para a preservação do ambiente está no civismo de cada um. A sensibilização e a fiscalização podem ajudar, mas é necessária uma preocupação e uma prática ecológicas constantes.
A fotografia que escolhi é um festival de vida e cor. Os maus exemplos, infelizmente, são mais visíveis.

3 comentários:

Anónimo disse...

E sempre um prazer de ver a suas fotografias maravilhosas.
Sou de Freixiel mas moro em França e o seu blog é uma janela aberta nos paisagens da minha infância... Obrigado ! (ferreira.mario AT free.fr)

Anónimo disse...

Acabei de chegar de Vila Flor, onde passei três dias maravilhosos: vi muita gente amiga, recebi e distribuí muitos beijos e abraços e, até conheci o Aníbal, a esposa e o filho mais novo, o que me deu grande alegria! Aquela serenidade, aquela abertura de espírito fez-me lembrar, com saudade, "alguém que Deus já lá tem..."
Obrigada, Aníbal.Subscrevo tudo o que diz sobre o ambiente...
É uma pena pensar que, um dia,deixarei esta herança aos meus netos...
Parabéns pela imagem maravilhosa! Tem uma sensibilidade extraordinária para a beleza!!!
Um abraço
Anita
Vila Real, 8/06/08

Nelson R. disse...

Caro Aníbal, muito oportuna e corajosa esta denúncia das agressões às paisagens e ao meio-ambiente, nesse dia internacional do dito. Só a título informativo, há três anos fizemos uma exposição no auditório do Museu do Ferro (em Torre de Moncorvo), inaugurada no dia mundial do ambiente (5 de Junho) alertando precisamente para este tipo de problemas. Sintomaticamente intitulou-se: "Não lixem as paisagem!" e, para além de inúmeras fotos de lixeiras nas bermas das estradas do concelho de Torre de Moncorvo, levámos uma série de monos e todo o tipo de porcaria (entulho, latas garrafas plásticas) para dentro do espaço da exposição, ou seja, montámos lá uma lixeira, de um lado, mas, do outro, expusemos uma série de coisas recicladas, trabalhos de miúdos das escolas e até uma simulação de um eco-ponto, tudo feito pelos miúdos. Reparamos que tem havido mais algum cuidado, mas ainda há por aqui muito trabalho a fazer. O principal é o da consciencialização, mas tem de haver também alguma coerção, pois parece que, infelizmente, é esta a única linguagem que algumas pessoas entendem. Ou seja, é preciso que as entidades responsáveis intervenham (primeiro, desde logo, pelo exemplo) o que nem sempre fazem porque isso é "comprar inimizades" com os "cidadãos eleitores"... Mas, se por um lado, queremos encher a boca com o Turismo e com os encantos da nossa terra, temos que fazer por isso! Não pode haver este tipo de discurso e ao mesmo tempo ser-se permissivo com os atentados à paisagem. E com essa coisa da novela "A outra", as entidades autárquicas (Juntas de Freguesia incluídas), têm uma responsabilidade acrescida, pois se Vila Flor quiser dar uma boa imagem para os visitantes que aí forem, não pode permitir-se que haja sucateiras, lixos, porcarias e até outros tipos de agressão à paisagem, como pedreiras avassaladoras que são feridas nessa mesma paisagem. As pessoas têm que compreender que a Paisagem é um recurso em si mesmo e não pode haver Turismo onde haja afrontas ou perturbações a um olhar repousante, não só para os que nos visitam, como para nós próprios, os que cá vivemos e que apreciamos a qualidade de vida (alguns parece que não...). Deixar destruir a beleza cénica da paisagem é matar uma pita de ovos de ouro...
Assim aqui fica também o meu apelo, de cidadão de um concelho vizinho, já que isto nos afecta a todos. Um abraço para Vila Flor e... vamos todos respeitar a Natureza, ok?