03 dezembro 2007

Todos os (olhares) caminhos levam ao céu


No dia 29 de Novembro fiz uma rápida passagem pelo alto da Serra do Facho. O objectivo não era tanto tirar fotografias, mas dar um passeio de bicicleta, para manter a forma (ou a falta dela).
Quem conhece o caminho que sobe da Rua do Carriço em direcção à serra sabe que é um caminho impróprio para cardíacos. A subida é muito acentuada, só se faz com a bicicleta pela mão.
Os medronheiros, que povoam a serra, já estão maduros. Fiz um desvio para os admirar e provar. Quando se sobe serra acima somos obrigados a levantar o olhar, o céu estava realmente azul. Comecei a avistar a paisagem em direcção à foz do Sabor. O vale encontrava-se emerso num mar de nevoeiro. O passeio prometia fotografias diferentes, acelerei o passo. A minha desconfiança confirmou-se quando cheguei à crista da montanha: havia nevoeiro desde o sopé da Serra de Bornes, até à foz mas que se estendia até Roios, aqui bem perto.

Quando cheguei ao ponto mais alto da serra, no marco geodésico do Facho verifiquei que o nevoeiro também se estendia Cabeço abaixo, tapando tudo desde Meireles até para lá de Mirandela. Levava comigo a pequena Nikon, que não me permitia “aproximar-me” dessas longas distâncias. Contente com a minha visita, a natureza brindou-me com um desfile de nuvens das mais diversas formas, suspensas num céu azul, que se foi tornando cada vez mais brilhante. Os tons alvos pareciam querer espalhar-se por todo lado. Cobriam o escuro da terra com véus de tule brancos e salpicavam os céus com formas caprichosas penduradas a grande altitude lembrando já o algodão espalhado na árvore de Natal. Sem me mover muito, joguei com as formas que se destacavam contra o céu azul, manchando-o de branco: o marco geodésico, uma cruz de madeira e algumas árvores. Criei alguns quadros, “desenhei” alguns cenários e cada vez o meu “modelo” correspondia mostrando todo o encanto que uma manhã gelada pode ter. Neste meu fascínio pelo infinito do céu, lembrei-me do título deste post todos os caminhos levam ao céu”, porque todos os caminhos que subiam a serra apontavam para o alto e todas as fotografias procuravam o céu.
Não pude saborear o espectáculo durante mais tempo. Infelizmente a nossa vida não é só feita de momentos mágicos. Montei na bicicleta e deixei-me levar, serra abaixo, a grande velocidade.
Quilómetros do percurso em BTT: 5
Total de quilómetros em bicicleta: 1665

1 comentário:

Li Malheiro disse...

Olá.
Acho que essa cena foi captada no momento que o S. Martinho fazia lá no céu os magustos.
E se é verdade que "céu escavado é chão molhado" podemos deduzir que aconteceu antes das últimas chuvadas.
Um belo momento.
Abraço.
Li Malheiro