14 julho 2008

De volta à Linha do Tua

Esta é a continuação do passeio que fiz, a pé, no dia 12 de Julho. Começou em Freixel, continuou pela Ribeira da Cabreira até à foz, no Rio Tua.

Cheguei ao Rio Tua às duas horas da tarde. Fiz questão de descer junto à margem e ir ao exacto local onde as águas da ribeira se diluem no ainda grande caudal do rio. Espreitei a ponte do comboio - que salta a ribeira - e preparei-me para a segunda etapa, agora já em terreno meu conhecido.
Aproveitei para calar o estômago, enquanto caminhava. Já podia seguir tranquilamente.
As primeiras observações levaram-me a comparar a paisagem com aquela que encontrei em Abril de 2008. A erva seca substituiu o manto de flores que ladeava a linha, mas o rio continua igual, vigoroso e barulhento. Este troço da linha foi objecto de uma intervenção, mesmo até ao Cachão. Parece-me que aproveitaram a movimentação das máquinas para o enterramento de uma estrutura de mangas de plástico (com o objectivo de receberem redes de fibra óptica), para limparem as valetas, ajeitarem a gravilha, substituírem algumas travessas, colocarem novos sinais, etc. Tantos melhoramentos numa linha a abater?!

Até à estação de Abreiro, foi um passeio. A estação está transformada em estaleiro, mas não encontrei água, nem casas de banho.
Aborreceu-me o facto de não passar nenhuma automotora. É mais agradável fotografar a linha, quando esta está ocupada.
Aproveitei a paz ambiente para fazer uma viagem no tempo. Imaginei a que velocidade seguiria a composição que transportou El-Rei Dom Luís e a rainha D. Maria Pia, que se deslocavam a Mirandela para a inauguração da linha, a 27 de Setembro de 1887. Imaginei-me a registar o momento com a minha moderna câmara digital (imaginação fértil). Imaginação também não faltava a Rafael Bordalo Pinheiro, que esteve presente na cerimónia, na estação de Mirandela.
Parti para a etapa seguinte, Ribeirinha. Gosto muito deste troço. As águas encolhem-se por entre rochas gigantescas, fazendo muito barulho; na margem oposta há formações graníticas interessantes; começa a aparecer o cume da Serra do Faro, meu vigilante de muitos passeios. No quilómetro 31 encontrei uma nascente de água. Era saborosa e aproveitei para repor as reservas que transportava.

Um pouco mais à frente há um rochedo elevado, entre a linha e o rio. Aproveito sempre para fazer fotografias doutro ângulo, subindo ao rochedo. De repente, saindo das curvas da Ribeirinha, apareceu um grupo de pessoas que caminhava pela linha. Eram mais de uma dezena. Ainda pensei que se tratava do grupo com quem pensara encontrar-me, mas não. Continuaram em direcção a Abreiro e eu à Ribeirinha. Ao vê-los afastarem-se, em linha, pela linha, lembrei-me: porque é que ainda ninguém se lembrou de criar um passeio ao lado da linha? Um passeio com pouco mais de 50 cm de largura, seria suficiente para que os caminhantes pudessem percorrer, facilmente, toda a extensão da linha. Não teria sido difícil fazer esse passeio, em cimento, à medida que formam enterrando a estrutura para a fibra óptica.
Quando cheguei à estação da Ribeirinha, estava na hora de passar a automotora, no sentido Mirandela-Tua. O senhor Abílio, “guarda” sempre atento da estação, prontamente me abasteceu de água fresca. Trocámos algumas palavras enquanto a automotora não chegava. Chegou, e parou. Também na automotora viajava um grupo de amigos, meus, da fotografia e da Linha do Tua! Ainda tive tempo para os cumprimentar, a automotora fica sempre alguns minutos na Ribeirinha. Seguiu em direcção ao Tua, e eu, em direcção a Vilarinho das Azenhas. Neste troço, mal se avista o rio. Às vezes sigo pelo caminho, que é paralelo à linha, mas decidi manter-me na linha. Nas oliveiras em redor vêem-se muitos rebentos novos! Parecem estar a recuperar da doença que as afectou e que matou bastantes, nestas zonas baixas.
Não fiz nenhuma pausa no Vilarinho. O cansaço já era muito, doíam-me os pés. Caminhar pela linha, pisando de travessa em travessa, não é rápido e maça muito a base dos pés. Na maior parte do percurso não há outra alternativa, mas nalguns locais há uma pequena faixa de terra, que se deve aproveitar.

Já passava das seis da tarde, o sol dava alguns sinais de querer descansar. Nos rochedos escarpados sobre o rio já se notava o alaranjado do entardecer. Passou mais uma automotora, esta só até Abreiro.
Perto do Cachão encontrei, junto à linha, uma planta que nunca tinha visto. Trata-se de uma espécie de feto, mas muito grande e lenhoso! Nunca o vi em lugar algum, ao longo de toda a linha, só encontrei aqui pequenas manchas, em locais escarpados e sombrios, como é típico dos fetos. Vou procurar saber mais desta planta.
Já muito devagar, fui-me aproximando do fim do meu passeio. E devo dizer que não terminei no melhor local. O aspecto do Complexo do Cachão, para quem passa na linha, é tudo menos bonito e o cheiro ainda é pior.
Foi um longo passeio, cheio de emoções e magníficas paisagens.

7 comentários:

Anónimo disse...

Olá Anibal,
Belo passeio, fotos marvilhosas!!! Continue a mostrar-nos o que é bonito e vale a pena...
Cumprimentos
Anita

Anónimo disse...

Boa tarde Sr.ANIBAL.Acabo de vizitar o seu ultimo passeio atraves da linha do tua.Que maravilha.E fantastico poder vizitar todas estas regioes atraves dos seus passeios.Eu de minha parte nao sei como agradecer-lhe.
UM ABRACO AMIGO.GUILERME.SOUSA.SENS
FRANCA.

APROVEITO PARA SAUDAR A SENHORA.D.ANITA.

Anónimo disse...

Guilherme, agradeço e retribuo os cumprimentos. Se for ver os comentários sobre o trabalho da igreja de Macedinho, vê lá um que é exclusivamente para si...
Cumprimentos
Anita

Mr. Q disse...

ola boa tarde prof. Anibal e bloguistas.

è com enorme prazer que li este passeio... pois durante 5 anos viajei no comboio da linha do tua... e conheço bem aquela magnifica paisagem... pena que dentro de 2 meses n se possa fazer mais nada. pois nessa altura ja estará aprovada, defenitivamente a construção da barragem... q vai destruir parte de uma linha centenária e com uma paisagem unica do mundo... e os amantes da natureza, os amantes da canoagem vão ter de procurar outoz locais para poderem matar a paixão... O rio Tua é um dos melhores para fazer canoagem, tudo devido aos seus maravilhosos rápidos... o clube de vilarinho das azenhas vai sofrer com a barragem...

Bom fico por aqui, pq é com enorme tristeza q falo neste assunto da linha do tua.

um abraço

Mr. Q - Miguel Nicolau

Anónimo disse...

Como é fantàstico poder dialogar com pessoas que tao bem conheçemos!! Aqui no blog do SR.ANIBAL quando li um poema e vi que era original do seu marido.O SR PROFESSOR FONSECA.quase tive vontade de chorar.Depois um certo dia perguntei à minha irma LUZ se tinha novidades da SRA.D.ANITA.Foi ai que ela me disse que a D.ANITA vivia em VILA REAL perto das suas filhas.Quanto a mim ca continuo pelas terras de FRANCA.jà com uma familia um pouco grande pois jà tenho tres netos.Desculpe D.ANITA se a incomodo com as minhas historias,mas para mim foi um grande prazer poder comunicar comsigo.UM ABRACO AMIGO.

Mais uma vez obrigado ao senhor ANIBAL por me facilitar este meio de comunicaçao Guilherme.Sousa França

Anónimo disse...

Guilherme, gostei de saber que está bem e já tem três netos. Eu tenho dois... Ambos temos que agradecer ao Professor Aníbal que permitiu que contactássemos um com o outro.
Cumprimentos
Anita

Li Malheiro disse...

Olá.
e acabamos por fazer parte da noticia. O passeio estava lindo e cheio de surpresas, a maior foi ver-te ali, a um palmo de nós, a ver o que nós fomos ver a valorizar o que mais de uma centena de pessoas valorizaram nesta viagem, e ainda dizem que andam vazios os "comboios" da linha do Tua, mentira pois claro. Não é por falta de fregueses que a linha fecha.
Grande dia e grande reportagem, no seguimento do que nos habituas-te.
Abraço.
Li Malheiro