23 agosto 2008

Fomos enganados

No dia 22, pela tarde, recebi um telefonema de uma empresa que dizia estar a fazer um rasteio contra o risco de AVC. A consulta seria gratuita, caso me quisesse deslocar, hoje ao quartel dos Bombeiros Voluntários de Vila Flor.
Face aos meus exageros das férias, pareceu-me uma boa ideia. Sou adepto da boa mesa e assenta-me perfeitamente o nome por que são conhecidos os habitantes de Vila Flor.

A voz do outro lado do telefone era muito atenciosa, limitou-se a sugerir que levasse a minha esposa, uma vez que a consulta era gratuita. Perguntou a idade dos dois, a profissão e ligou de novo mais tarde, para indicar o número da consulta, 1105, com marcação para as 15 horas.
A dissimulada pressão para que fossemos juntos, soou-me a marosca, de que somos alvos frequentes, principalmente quem tem o seu nome e número na lista telefónica.
Pouco depois das quinze horas, dirigimo-nos ao quartel dos bombeiros de Vila Flor. Estacionámos o carro perto e surpreendeu-nos o amontoado de gente à porta. Bom, (pensei eu) ou a consulta é mesmo boa, ou algo não está bem. Para completar o quadro, o sr. Presidente da câmara, presente no local, conversava e gesticulava com animosidade junto de um grupo de bombeiros. Não precisei de me aproximar, para compreender o que se passava: fomos enganados.
No interior das instalações estava uma equipa pronta a fazer os “exames” necessários, mas principalmente a recomendar colchões que evitariam os problemas de saúde, incluindo AVC’s. Foi chegando gente de Freixiel, Folgares, Seixo de Manhoses, (alguns de táxi, idosos com canadianas…), gente vinda de todo o concelho. Os ânimos exaltaram-se. Muitas pessoas tinham levado o contacto para o exame a sério, primeiro porque com a saúde todo o cuidado é pouco, depois porque iria realizar-se no quartel dos bombeiros, uma instituição acima de qualquer suspeita.

Pelo que pude compreender, não sei se é a verdade, a empresa “benemérita” tinha alugado o espaço aos bombeiros. Esta oportunidade de negócio envolveu-os na teia, estou certo que de forma inocente. Cientes da má figura por que estavam a passar, os responsáveis pela corporação, pediram desculpa aos presentes, sentindo-se muito incomodados pelo sucedido.
Vendo a minha consulta voar, que, diga-se de passagem, também não consigo no Centro de Saúde de Vila Flor, apesar de lá ter comparecido, este mês, dois dias seguidos, às cinco da manhã, só me restava esperar, para ouvir, em primeira mão, os poucos que subiram e se sujeitaram aos “exames”.
Aqui fica o registo, tal qual foi feito, à excepção dos nomes dos examinados, por mim rasurados. Não deixa de ser curioso a falta do canto superior esquerdo, onde deveria estar a identificação da empresa responsável. Também o local destinado à assinatura do técnico está em branco. A ficha está estruturada para casais, com uma coluna para o senhor e outra para a senhora.
Dado o rumo que as coisas tomaram, o nervosismo acabou por chegar ao improvisado “consultório” onde as perguntas se limitaram a indagar que tipo de colchão as pessoas usavam.
Esta situação, que acabou por causar transtorno na vida das pessoas, em nada ajuda a imagem da instituição onde ocorreu, vem mostrar mais uma vez como há quem se aproveite, até das questões da saúde, para tentar vender os seus produtos. Melhor seria que alguma instituição, desta vez séria, se propusesse a fazer os exames prometidos, porque pessoas preocupadas com saúde não faltaram.
Esta é uma boa “anedota” para os serões dos dias de festa.

3 comentários:

Anónimo disse...

Comigo passou-se um caso idêntico, só que eu, desconfiando da "esmola", respondi que não estava interessada. Houve três tentativas e eu sempre a dizer que não, até que à 3ª vez, a voz do outro lado , que sempre tinha sido amável, exaltou-se e disse que não compreendia por que é que eu recusava um exame que era grátis. Disse, mais uma vez que não e telefonei para a polícia,
pois já estava incomodada com tanto assédio. Aí, me foi dito que se tratava de uma empresa que vendia colchões, mas que eles nada podiam fazer, visto as pessoas irem de livre vontade...
Quando telefonaram para casa da minha filha, ela ameaçou-os com a polícia e foi remédio santo... Nunca mais a incomodaram.
Assim terminou a nossa história...
Cumprimentos
Anita

Laura Sá Morais disse...

a mim aconteceu-me o mesmo. mas neste tipo de coisas é raro participar, e perguntaram pelo meu pai e pela minha mae e eu disse-lhes q eles nao estavam e q chegariam tarde e tambem q nao estava interessada!

Esmeralda disse...

Olá
...façam-lhes a cama... é o que se me oferece escrever/comentar(peço desculpa)...
Abraço
Esmeralda