Entre memória e presença
Sou como um rio que regressa à fonte
E se queda a narrar lendas das margens:
Os rápidos e a espuma das viagens,
O que se esquece sem que alguém o conte.
Ninguém foge do cárcere da infância.
Conto e reconto, assim, a mesma história:
A do rapaz no cerco da memória,
Em espirais de som e de fragância...
Nada morreu, nem cal, nem a penumbra
Talvez porque maior do que a própria tarde.
Tudo passou nesse retrato grave
Onde o passado é canto que ressumbra...
Que lindo o odor do barro junto à mina.
Só no que permanece o grão germina.
Poema de João de Sá, do livro "Flores para Vila Flor", 1996.
João Baptista de Sá, nasceu em Vila Flor, a 7 de Novembro de 1928.
Faleceu a 23 de Fevereiro de 2012.

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