06 fevereiro 2007

Macedinho à vista!


Não se trata de deixar os mais pequenos para o fim, mas, Macedinho fica realmente bastante afastado. Até começar os meus percursos em bicicleta pelo concelho de Vila Flor, desconhecia completamente a existência desta localidade.
Pouco depois do cruzamento para Vale Frechoso, na estrada N214, perguntei a um pastor a melhor forma de subir à Penha do Corvo e como poderia chegar a Macedinho sem ser pela estrada. Estranhou a minha preferência por Macedinho e indicou-me um caminho, logo ali à esquerda.
Segui em direcção a Orejais e acabei por não subir à Penha do Corvo (713m), o dia não permitia grande visibilidade. Dei comigo a descer para Benlhevai. Passei junto ao campo de futebol, a norte das casas que estão junto à estrada nacional. Pelo Prado rumei mais a Norte confiando mais uma vez no meu instinto. De repente o caminho onde seguia terminou. Um outro passava do outro lado da Ribeira de Navalhais. Consegui atravessar a ribeira e continuei a descida. Encontrei um camponês a limpar oliveiras. Disse-me estar no lugar de Navalhais (para os de Benlhevai) ou Tacinha (para os de Macedinhos). Estava no bom caminho! Continuei a descida ao lado da ribeira e pouco tempo depois vi as primeiras casas.
Outro habitante fez-me um retrato bem fiel do que poderia encontrar em Macedinho. Falou-me da existência de minas dos romanos não se sabendo ao certo de quê e em vestígios de um castro romanizado. Mostrou-me um moinho de água recuperado, logo à entrada da aldeia (pelo caminho que eu seguia) e contou-me que um outro foi destruído por uma cheia há bastantes anos. Disse-me para não perder a Capela de Santa Maria Madalena.
Foi para essa capela que me dirigi quando cheguei ao centro da aldeia pela Rua de Santo António. Não pude admirar o altar em talha dourada do século XVII porque estava encerrada. Ali perto está uma pequena e singela capela com uma imagem de S. António. Refresquei a boca na fonte datada de 1956 no Largo da Capela, desci a aldeia até encontrar a estrada 1096 sobre o Ribeiro de Macedinho. Avistava facilmente todas as casas da aldeia, inclusive uma construção em madeira que deve ter sido a escola primária.
A neblina não dava tréguas mas procurei a melhor posição para fazer uma fotografia panorâmica da aldeia (estou a achar piada a esta técnica). Voltei ao centro, virei à direita na capela pela Rua da Estrada e subi à pequena elevação onde se encontra a escola primária. Tinha uma nova perspectiva da aldeia.
Hesitei entre subir a estrada até à Trindade ou apanhar de novo um caminho rural, optei pela segunda. Apanhei de novo a Rua de S. António mas o caminho até à Trindade foi penoso. Há muita lama que impossibilitou o meu andamento. Em muitos pontos tive que arrastar a bicicleta enterrando as botas numa pasta pegajosa entre valas profundas onde nem veículos todo o terreno conseguiriam passar. A lama só terminou junto às primeiras casas da Trindade.

Já era bastante tarde e ainda faltavam 17 quilómetros. Meti a máquina fotográfica na mochila, agarrei o volante com todas as forças, respirei fundo e "bota que se faz tarde"!

Quilómetros percorridos neste percurso: 41
Total de quilómetros de bicicleta: 491
Total de fotografias: 6900

5 comentários:

jaime a disse...

gosto muito das suas fotografias !
sou natural de macedinho ;residente na franca!

Xo_oX disse...

Obrigado Jaime, prometo voltar a Macedinho logo que possa.

Candida Sobral Martins disse...

Não imagina como lhe estou grata por ter dado a conhecer o meu Macedinho. Afinal não há terras pequenas quando há grandes homens que se propõem descobri-las.
Muito obrigada.

Anónimo disse...

sou o anibal,foi com grande emoçäo que vi a terra onde nasçi obrigado ao autor

ilda disse...

adorei, Macedinho é a minha aldeia, é muito bom poder partilha-la...