
No dia 5 de Setembro fiz um percurso pedestre muito interessante pela barragem
Valtorno - Mourão. Já várias vezes tinha estado perto e também já tinha descido à barragem, mas de automóvel. Desta vez fui a pé.

Deixei o carro junto à igreja de
Nossa Senhora do Castanheiro, pelas 16 horas e segui a pé pelo
caminho dos moinhos. Já percorri este caminho
numa prova em BTT, mas não pude fazer todas as paragens que queria. É um caminho muito agradável, que acompanha o ribeiro. Este ribeiro tem o seu início junto a
Carvalho de Egas, passa perto da
fonte Paijoana e segue encosta abaixo num percurso agitado, cheio de pequenas cascatas até amansar numa represa recentemente construída a que deram o nome de
Valtorno – Mourão. Neste
percurso existiram, e ainda existem, muitos
moinhos. De alguns resta um amontoado de pedras, mas outros estão praticamente operacionais. Só falta a água! No ribeiro não corria água alguma. De onde em onde havia pequenos charcos procurados pelos juvenis de pintassilgo para saciarem a sua sede. O dia estava muito quente, mas a primeira parte do percurso é sempre descendente.

Por várias vezes deixei o caminho e segui até junto dos moinhos. Havia silvas e urtigas que me impediram de entrar no leito do ribeiro e fazer uma exploração mais aprofundada. Quero voltar quando o ribeiro tiver água, deve ser um local muito bonito (se o ribeiro não trouxer os esgotos de Valtorno).

Deixado o termo de
Valtorno, já distante do ribeiro, encontra-se um dos pontos mais curiosos do concelho. Chamou-me a atenção quando explorava o mapa, no início das Descobertas. Trata-se de um
ponto de onde partem caminhos em 10 (dez) direcções! Se as bruxas procuram os cruzamentos com 4 caminhos, o que se passará aqui? O lugar não me parece ser lugar de encontro de maus espíritos uma vez que aí se encontra um grande
cruzeiro em granito. Ainda se podem ver restos de pintura em vários tons que possivelmente representariam Cristo na cruz. O cruzeiro estaria caiado de branco ou até de azulão, como se usava nas casas, antigamente. Estes caminhos deviam ser muito movimentados. Aqui se cruzariam as pessoas em trânsito entre
Valtorno,
Mourão,
Seixo de Manhoses mas talvez também do
Castedo, ou mesmo do
Vilarinho.
Seixo de Manhoses fica muito perto.

Desci em direcção à
barragem por um caminho totalmente novo para mim. Havia muitos espinheiros com frutos vermelhos e carvalhos com grandes bolotas. Já se distinguiam na barragem alguns
pescadores.
Apeteceu-me contornar toda a
albufeira, mas no meu plano estava seguir até
Mourão e não tinha que dosear o tempo e as forças.

Conversei com os pescadores (de ambos os sexos!). A tarde não estava a ser muito entusiasmante. Curiosamente um deles pescava um
peixe em cada minuto que aí estive! Não quis explicar a razão do sucesso, mas ficou provado que para tudo é preciso saber.
Comecei a subida em direcção ao
Mourão. A minha intenção era subir até ao cemitério e depois continuar para a aldeia. Entre oliveiras carregadas de azeitona e figueiras cheias de figos maduros, devo ter tomado a opção errada e dei comigo a seguir para sul, desviando-me da direcção pretendida. O caminho era bom e deixei-me levar até terrenos desconhecidos, a sul da freguesia. Só depois subi em direcção à aldeia, que o sol já beijava ameaçando despedir-se.

Cheguei junto das casas, sem passar pelo cemitério, quando a sombra já cobria o enorme
cruzeiro de granito que ali se encontra. Os bancos escavados no granito sugerem que este lugar deve ser óptimo para apanhar sol.
Fiz um passeio pela aldeia. Olharam-me com ar desconfiado, talvez seja por causa do bastão que agora levo comigo. É útil para afastar os cães mas também as silvas e as urtigas, quando me desvio dos caminhos.

Pretendia ainda subir ao
marco geodésico do
Pendão, onde já estive noutros passeios, mas a noite aproximava-se com rapidez. Optei por ir até
Valtorno pela estrada. Desci pela rua das Fontes por cauda das
alminhas e continuei em frente para apanhar a estrada. Vi pela primeira vez uma fonte de mergulho, fechada e ainda em utilização. Afinal existe mais do que uma fonte, na rua das Fontes. Apanhei a estrada e não me desviei mais dela até chegar a
Valtorno. À mediada que a luz ia diminuindo, fui admirando a paisagem distante, para além do vale da Vilariça, mas também as videiras carregadas de uvas e as amêndoas à espera de serem colhidas.
Cheguei ao carro às 20 menos um quarto, já noite escura.

Não foi um passeio muito longo (8 Km), sempre por caminhos, com um traçado bastante interessante. Talvez o repita noutra estação do ano.
Este passeio serviu também para assinar os
3 anos do Blogue, uma vez que fazia exactamente 3 anos desde o primeiro post.
Mapa do percurso
2 comentários:
Gostei muito da descrição do passeio, que foi longo, gostei das fotos, mas adorei a das encruzilhadas, pois parecia uma renda feita por mãos habilidosas!!!
O Aníbal tem o condão de nos encantar com os seus trabalhos, sejam eles descritivos, ou fotografados!!!
Parabéns!!!
Bom fim de semana!
Anita
Boa Tarde:
Senhor Aníbal (pessoa que não conheço, mas admiro e um dia vou conhecer). São espantosas e maravilhosas as fotos que adquire e dá a conhecer a muita gente as belezas transmontanas. Gostaria que tudo isto fosse mais publicitado (eu faço-o aqui no Porto) e visitas guiadas, para que as belezas transmontnas fossem dadas a conhecer. Tente de outra forma, publicar ou editar + para que as pessoas possam chegar aí.
Felicito-o,
Lino - Porto
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