
Este é um dos bonitos presépio que pude admirar na Valonquinta, na Quinta do Valongo, em Vila Flor.
À semelhança do ano passado, na freguesia de Roios fizeram um belíssimo presépio. Ainda pode ser admirado, junto à igreja matriz.
Ó Terra de encantos, terra fagueira,
Salvé, Vila Flor, vila das pombas
A concentração aconteceu junto à Câmara Municipal, às 8:30 da manhã. Até o Menino Jesus, no presépio, se afundou na manjedoura, com o frio que fazia. Mas o sol brilhou! Esperava-nos um lindo dia.
Ao longo do percurso com aproximadamente 25 quilómetros, apreciei sobretudo um troço que ainda não conhecia, entre o quilómetro 14º e o quilómetro 18º. Já tinha estado em Valtorno, junto dos moinhos, mas não fazia ideia que havia tantos, pelo ribeiro abaixo. O trilho acompanha o ribeiro, a meia encosta, em direcção à Barragem Valtorno-Morão. Não chegámos à barragem, e o pelotão subiu a Seixo de Manhoses.
Passámos num local onde se encontram nada menos do que 10 caminhos! Já várias vezes, quando estudava os mapas na Internet, me chamou à atenção esse ponto. Acho que é muito raro que aconteça uma situação destas, tantos caminhos a encontrarem-se todos num ponto! Num dos caminhos há um cruzeiro em granito.
Participaram neste passeio muitos jovens de Vila Flor, Carrazeda, Moncorvo e Macedo de Cavaleiros. Praticar BTT é um desporto que tem cada vez mais adeptos e atrai com facilidade os jovens. É saudável, em contacto com a natureza e reveste-se de uma cultura que me agrada muito. Quem bom existir em Vila Flor um clube que facilite este tipo de actividades!
Com esplêndidos dias de sol que temos apreciado na Vila, hoje senti a tentação de descer ao vale para ver o que se escondia por debaixo dos brancos lençóis que o cobrem já há vários dias. A Vilariça parece adormecida, à espera que grandes fogueiras acesas aqueçam o coração das aldeias e mandem embora o frio.
A temperatura das imagens contrasta a com aquela que se sente em todas as mensagens que me têm chegado, no blogue ou por email, mas a beleza é a mesma.
Em baixo, no descanso da várzea, corre o rio e amadornam as casas da aldeia, vivas nas múltiplas luzes que enchem as janelas.
Não se rasgou o reposteiro do templo; não se abalou o Céu com trovões dilacerantes e relâmpagos horríveis; não se abriram fendas na terra e não rebentaram os fraguedos - quando Jesus soltou o último suspiro no Calvário?
Vencido o corredor, escuro e comprido, surpreendi-me num antro espaçoso que duas pinhas de pirilampos alumiavam sofrivelmente.
A noite ia avançada. A fadiga e o frio obrigaram-me a dar por terminada a reportagem que os moradores da serra me pediram. Para quê, mais visitas? Em qualquer escaninho onde habite um ser vivo, aí a implícita festa do Natal, por instinto da própria criação, acreditam?
Ontem saí num passeio a pé à procura de candidatos à Flor do Mês de Dezembro. Não encontrei flores, mas encontrei rochedos. Rochedos, nevoeiro, montes e ar, ingredientes mais de que suficientes para uma boa sessão de fotografia. Esta que mostro hoje foi complicada. O falcão, nos rochedos, parece extasiado com tom leitoso do vale. Eu fiquei maravilhado com o conjunto.
No dia 30 de Novembro falei pela primeira vez com o escritor João de Sá. Depois de ler o seu primeiro livro "Versos para Vila Flor", senti-me imediatamente cativado pela sua forma de escrever. Creio que já li todos os livros e fui mostrando aqui, no blogue, pequenos pedaços que me apeteceu partilhar. Claro que a primeira coisa que fiz foi confessar o meu "pecado", de divulgar, sem autorização, algumas das pérolas que João de Sá escreveu. Como seria de esperar de uma alma sensível, não só se mostrou satisfeito, como me prometeu um novo livro que está prestes a ser editado. Infelizmente o dia foi muito preenchido e não houve possibilidade de conversar em profundidade com o escritor, mas, logo que ele volte a Vila Flor, tentarei de novo colocar-lhe algumas questões que me surgiram à medida que lia os seus livros.
Tudo o que é leve
Venha visitar-me:
A neve, sobretudo a neve.
O fumo branco
Que se liberta, à tarde,
Dos fornos de cozer o pão.
O gesto e o amassar,
A doçura do levedar.
A transpiração da terra.
A chama da candeia
- Pérola de resina
Que se incendeia.
O orvalho na pétala da rosa
Inexistente.
O roçagar da asa
De uma ave, sem pressa,
Brandura de fruto a amadurar.
A cama,
Aquele jeito de nos acolher
E a toalha da mesa
Tão perto de nos dizer
Os segredos
Da água e do vinho.
As madressilvas
Ornando a parede do caminho.
A criança que passa,
Atravessando a manhã,
Ao encontro da beleza total
De uma abelha
Afagando uma flor que desfalece,
E, ao olhar para trás,
Desaparece.
Volta que não volta, chegavam camionetas de carga, com bancos em U, ao correr dos taipais e por trás da cabine, ficando o estrado reservado às mercadorias.
Assim, no passeio nascente, desde a Farmácia do Hospital até ao sóto do Barroco era o lugar das hortaliças e outros vegetais, intervalados pelas bancas de tremoços e castanhas da Olímpia e da Sara Pechorra, bem como dos frangos e galinhas vivos, ovos e demais criação.
Apareciam os ceguinhos que tocavam e cantavam letras de sua autoria, autênticas tragédias que contavam crimes hediondos e outras tragédias, e que em seguida vendiam os respectivos folhetos.
Aos meus olhos de então, tudo era um deslumbramento, um mundo diferente ainda que muito visto, com aquela capacidade de fazer de conta que só as crianças conseguem; sonhava possuir aquilo tudo, brincar com cada uma daquelas maravilhas, soprando em cada flauta ou ocarina de barro uma melodia que ecoasse do Facho a Bornes...
O dia ia correndo. As pessoas, na Praça, transportavam já diversos embrulhos.
Fiquei satisfeito quando vi que o texto foi publicado no Jornal Nordeste, do dia 9 de Dezembro. Estranhamente, não é feita qualquer indicação de quem é o autor e o texto foi “cozinhado” por quem não colocou os pés no evento, cometendo alguns erros. Na frase “Ambos os escritores são filhos da terra e, através do trabalho de poesia “Vila à Flor dos Montes”, João de Sá descreve “quadros” dos anos 40 e 50, que guardou na memória quando foi viver para Lisboa”, fizeram um caldo do escritor João de Sá e do livro “Vila Flor – Memórias de um outro tempo”, da autoria de António Meireles. Neste último é que são visitados locais e recordadas personagens dos anos 40 e 50.
Com a chegada do frio (até já veio a neve!), as flores silvestres começam a ser cada vez mais raras. Mais raras não quer dizer mais feias, ou menos coloridas. Escolhi para o mês de Novembro a flor do Medronheiro (Arbutus unedo). Este bonito arbusto de folhas persistentes, verdes e lustrosas, tem muitos atractivos. Tem frutos saborosos de tons variados conforme o estado de maturação, terminando num vermelho vivo tão ao estilo das cores nacionais e natalícias. Em simultâneo, apresenta também flores. A floração acontece de Outubro a Fevereiro. As flores são hermafroditas, brancas com matizes verde ou rosa, formam inflorescências em panículas pendentes (cachos pendentes).