02 agosto 2007

TerraFlor - o meu balanço

Sempre tive a ideia de fazer uma reflexão pessoal sobre a TerraFlor 2007. Depois de uns dias de descanso, à descoberta de outras paragens, estou de mente liberta para reflectir desinteressadamente sobre o assunto.
A organização do certame coube à Câmara Municipal à DesTaQue (Associação para Desenvolvimento da Terra Quente) e à Associação Cultural e Recreativa de Vila Flor. Teve ainda como parceiros um vasto conjunto de organismos, uns ligados ao Estado, outros ligados à caça, ao gado bovino e caprino, ao azeite, ao vinho e uma instituição bancária. Curiosamente ficaram de fora, como parceiros, a Adega Cooperativa de Vila Flor e a Cooperativa – Agrícola dos Olivicultores de Vila Flor e Ansiães.

Aguardei algum tempo, para ver o feedback da comunicação social sobre o evento mas não consegui encontrar nada escrito. Calculo que deve ter havido uma reunião da organização com os parceiros, no sentido de fazer o balanço do certame. Desconheço por completo as conclusões. De maneira que, tudo o que eu disser, é meramente uma opinião. A opinião de quem tentou estar presente em todos os eventos, sem pressões, nem comparações em relação a anos anteriores, visto que foi a primeira vez que estive presente.
Calculo que não seja fácil, num meio tão pequeno, organizar um evento que traga multidões. Quem ou o quê, atrai as pessoas? Como feira de produtos e sabores, eu inclinar-me-ia para os Produtos e Sabores como principais atracções. O “cabeça de cartaz” da feira, o azeite, recebeu quanto a mim o merecido destaque. Infelizmente o seminário “O sector olivícola e o Azeite Trás-os-Montes – Novos desafios” não teve a assistência que seria de esperar. É caso para dizer “só se lembram de S. Bárbara quando troveja”. O sector não tem grandes problemas e a questão ambiental não é a principal preocupação dos produtores.
Pelo contrário, o sector vitivinícola não está bem. Prepara-se legislação que pode (ou não) levar o sector ao rubro. Isto esteve patente no seminário sobre a “reforma da COM do sector vitivinícola” com boa afluência e com intervenções acaloradas. Estranhei a postura do orador representante da Adega, que numa atitude muito transmontana mas talvez pouco política, optou por mostrar o seu descontentamento passando a palavra ao orador seguinte. Devia, quanto a mim, ter aproveitado a oportunidade de se fazer ouvir. Também não percebo porque é que a Adega não esteve presente como expositor na feira. Acredito que o factor económico tenha sido importante mas a publicidade não pode ser vista como uma despesa mas como um investimento. O aluguer dos stands, para os locais, devia ser a preços mais reduzidos (ou mesmo gratuitos). Algumas instituições não estiveram presentes por acharem caro.
Calculo que a organização dos concursos de Ovelha Churra e de Cabra Serrana deve ter envolvido verbas substanciais. As despesas estiveram a cargo da organização da feira? Qual foi a participação da ANCRAS e da ANCOTEQ? Esteve presente um grande número de criadores, do concelho e de concelhos limítrofes. O espaço de exposição pareceu-me reduzido para uma boa apreciação dos animais.

A organização dos pavilhões e o aproveitamento do espaço esteve bem, embora gostássemos de ver mais representantes do concelho, principalmente no artesanato. O Vale da Vilariça estava representado em força, mas há outros produtos locais! Não me recordo de ter visto os cogumelos!
A animação musical é sempre uma questão de gosto. Quim Barreiros acabou por atrair mais gente do que o bom espectáculo do Fernando Pereira. Os Quinta do Bill já atraíram mais gente. Têm muitas actuações na região, quer em anos anteriores, quer no corrente ano. A noite do dia 15 esteve muito bem, com a actuação dos Grupos de Cantares, Banda de Música e Grupo de Música Tradicional. Quanto a mim, o local e o ambiente não eram os mais adequados ao fado, mas o desempenho dos fadistas, convidados e da terra, esteve, mais uma vez, impecável. A instalação sonora (áudio e vídeo) esteve fantástica em todos os espectáculos.
A animação do recinto é sempre importante, mas nem sempre notada. Talvez pelo meu espírito jovem e de educador, gostei dos palhaços e malabaristas do dia 12.
As actividades ligadas à caça em que estive presente, correram muito bem. Já manifestei os meus parabéns pela distribuição das diferentes provas por vários locais. A descentralização da feira só pode ser positiva. O meu destaque vai para a corrida de galgos. Muita competição, local adequado, público reduzido, o que se pode fazer?
Uma palavra para as actividades que, por falta de tempo, me passaram completamente ao lado: 1.º TerraFlor Extreme (que pelo que dizem foi um sucesso); Torneio de Tiro aos Pratos e Exposição de cães de caça.
Com o título “Feira de Produtos e Sabores” veio-me imediatamente à ideia - comida. Fiz um almoço e um jantar na feira, e, pelo menos o vinho, era do concelho. A não ser que os Sabores se esgotem no vinho e no azeite, seria de apostar no dia da cabra e do cabrito, no dia da ovelha churra, no fumeiro, na doçaria, no coelho, perdiz, etc. Espero que a promessa, para o próximo ano, de novas instalações para a restauração, venha trazer mais dinamismo a esta vertente, uma vez que de cerveja e tremoços já esteve bem servida.
Para concluir e voltando ao início: a quantidade e variedade de instituições envolvidas, só nos podem levar a pensar que tudo foi feito a pensar na promoção dos Produtos, Sabores e no próprio concelho de Vila Flor; parece-me que a meta a atingir, 20 mil visitantes, deve ter ficado a alguns milhares de distância (pelo menos de visitantes pagantes); a restauração no recinto, e quem sabe da vila, precisa de ser mais envolvida e activa no certame.
Não querendo alongar-me mais em considerações que possivelmente ninguém vai ler, renovo os parabéns pelos 4 dias de Festa. O caminho é para a frente, sempre apostando na amostra e divulgação do que melhor se pode oferecer no/do concelho, de forma a vender, para sustentar uma comunidade de pessoas que dê vida a este pequeno pedaço de terra, cheia de contrastes, de cores e sabores que eu vou continuar A DESCOBRIR.

Notas: Na segunda fotografia vemos o poeta José Navarro que lançou o livro "A luz estava acesa de vermelho", apoiado pela Câmara Municipal, numa sessão de autógrafos. O livro era oferecido aos interessados.
Na terceira fotografia vemos uma panorâmica da exposição fotográfica "Entre Oliveiras - Na Rota do Azeite Trás-os-Montes" que esteve patente no Centro Cultural de Vila Flor durante os 4 dias do certame.

2 comentários:

Li Malheiro disse...

Olá. Eu não tive o privilégio de ver as actividades da TerraFlor, mas pelo que aqui fui vendo/lendo quase pude adivinhar o que se ia passando. Agora esta reflexão é ouro sobre azul, pois melhor ilustra para mim a ideia do que eu imaginava.
Essas dos sabores se ficarem pelo vinho, é falte de criatividade da industria hoteleira, só pode +pois tantos sabores tem Trás Os Montes e tu enumeras bem as variedades de carne possível, eu acrescento os vegetais e legumes da Horta da Vilariça, davam uma boa dose de sabores de prender qualquer comensal.
boa continuação das férias.
Um abraço.
Li Malheiro

Anónimo disse...

Concordo plenamente com o balanço feito. Queria apenas informar de que não foi feito qualquer balanço da feira entre a Organização e os colaboradores. Na minha opinião era muito importante fazê-lo, mas os intervenientes estão mais interessados em ir de férias depois da feira do que em começar a preparar a feira do próximo ano.
Parabéns pelo blog.