15 janeiro 2008

do melhor de Vila Flor


Está prestes a terminar mais uma campanha de apanha da azeitona e decidi levar a Descoberta à Cooperativa Agrícola de Olivicultores de Vila Flor e Ansiães. A azeitona e o azeite são de crucial importância para a economia do concelho de Vila Flor e não só. A importância destes produtos é de tal forma reconhecido, que a feira anual TerraFlor tem colocado o azeite como “cabeça de cartaz” ano após ano. Também na eleição das “7 Maravilhas de Vila Flor” levada a cabo por este Blog, o azeite se classificou como uma das “7 Maravilhas” com os votos dos visitantes.
A Cooperativa Agrícola de Olivicultores de Vila Flor e Ansiães, localizada na Zona Industrial de Vila Flor, perto do Barracão, foi criada tendo em vista a dinamização do sector com ênfase em três vertentes: produção, extracção e comercialização.
No sector da produção, a cooperativa presta apoio aos agricultores associados. Trata-se de uma área que necessita de avanços significativos uma vez que a melhoria da qualidade do produto apenas pode ser equacionada se começar na produção. Embora um reduzido número de agricultores mais informados aposte seriamente no olival e na azeitona, a grande maioria apoia-se na tradição e no senso comum, dando pouco crédito à informação especializada. A cooperativa já teve um técnico a tempo inteiro dedicado a esta área, mas neste momento não tem.
A campanha de 2007 iniciou-se em 20 de Novembro e está previsto terminar a 25 de Janeiro de 2008. Isto num ano em que a produção é baixa e a qualidade razoável (mas mesmo assim boa se comparada com outras zonas produtoras de azeite). Na colheita do ano passado foram produzidos mais de 420 mil litros, este ano, talvez se atinjam os 230 mil. Estes valores estão muito longe dos conseguídos em 1991, quando foram produzidos 650 mil litros. A Cooperativa recebe azeitona dos sócios pertencentes aos concelhos de Vila Flor e de Carrazeda de Ansiães, mas também de produtores de aldeias de outros concelhos limítrofes.

A cooperativa garante o emprego permanente a seis pessoas, mas na época de laboração do lagar, tem mais de 10 pessoas em actividade. O lagar é uma unidade moderna, com duas linhas de transformação, capaz de receber a descarga de quatro produtores em simultâneo. Todo o processo é automatizado estando a presença humana limitada à supervisão, operaçãoe manutenção das diferentes máquinas. Depois da descarga, todo o transporte é feito por tapetes rolantes não havendo mais intervenção humana a não ser no acto de retirar uma amostra de azeitona, para ser analisada no laboratório da própria cooperativa. Numa zona exterior efectua-se a lavagem e a pesagem, encaminhando-se depois a azeitona para o interior do edifico onde se vai proceder à moenda, à termobatedura e à separação do bagaço a fim de obter o precioso líquido por centrifugação. A monitorização de todos os procedimentos é feita numa espécie de painel de controlo, onde é possível detectar avarias em qualquer dos momentos da transformação, as temperaturas, as rotações da centrifugadora etc. Depois de produzido o azeite, o mesmo é encaminhado para grandes cubas metálicas onde vai ser armazenado. Mais tarde é retirada uma amostra de cada cuba que é enviada a entidades reconhecidas para análise que ateste a sua qualidade. Paralelamente, as amostras de azeitona retiradas no início do processo, são encaminhadas para um pequeno laboratório, passando por um processo semelhante ao do lagar, mas em miniatura, que vai permitir avaliar as características e produções de cada associado.
Os resíduos produzidos são também, tanto quanto possível, aproveitados. As águas são utilizadas pelos associados para regar olivais e cereais. No que toca ao bagaço, o caroço das azeitonas é separado dos restantes componentes. O caroço esmagado é usado na própria caldeira do lagar ou vendido, como combustível, para habitações particulares ou instituições que o utilizam no aquecimento central. A baga é vendida a uma empresa de extracção de óleos.
Segue-se depois a comercialização do precioso líquido. Infelizmente, a maioria dos produtores ainda vai buscar a sua produção a granel. Opta por levar uma pequena fracção em garrafões de 5 litros, ou para vender, ou para os filhos ou familiares levarem. Desta forma poupa na embalagem. A cooperativa faz a embalagem com dois rótulos diferentes, um da própria cooperativa, outro do associado. A marca propriedade da Cooperativa é a Douro Superior. Embora conseguindo escoar toda a sua produção, o que aliada a uma gestão rigorosa tem permitido equilibrar o estado financeiro da Cooperativa, o futuro passa por apostar cada vez mais na valorização do produto. A venda do azeite em garrafa tem margens muito superiores às conseguidas com embalagens de cinco litros. Não é fácil às cooperativas conquistarem certos mercados, como as lojas gourmet, uma vez que o grau de exigência destes mercados não é compatível com a variedade de procedimentos e de qualidade da matéria-prima de um vasto conjunto de pequenos produtores.
Segundo o Presidente da Direcção, Eng. Hélder Teixeira, há muitos aspectos que podem ser trabalhados no sentido de valorizar o azeite: desde o tratamento fitossanitário das oliveiras, passando pela sua nutrição e muitas vezes pela diminuição das quantidades de azeitona; antecipar a época da apanha, acabar com o armazenamento em casa, sem condições e reformular as condições de transporte da azeitona. As excelentes condições do lagar nada podem fazer se as matérias-primas não estiverem ao melhor nível.
Já existe um pequeno grupo de produtores apostados na qualidade, essencialmente azeite Biológico. Esta produção situa-se próximo dos 2% do total produzido no lagar. Estes produtores comercializam os seus azeites com uma marca própria, muitas vezes associado também ao vinho de produção própria.
Com duas visitas que fiz à cooperativa, fiquei a conhecer um pouco como funciona e algumas questões que envolvem a problemática do azeite. Agradeço ao Eng. Hélder Teixeira a sua disponibilidade e todas as informações dadas. Agradeço também ao meu conterrâneo José Alberto, que me proporcionou uma visita guiada.

6 comentários:

Li Malheiro disse...

Olá.
Concordo plenamente com o que dizes ser o melhor de Vila Flor, mas alto lá, peço o livro de reclamações, pois quero deixar lavrado que falta referir algo mais e que não deve ser esquecido.
Então para que conste eu reclamo que: nas coisas melhores da Vila não pode deixar de ser referido o BLOG DESCOBRIR-VILAFLOR, pois já é uma referência indispensável para que Vila Flor seja ainda melhor e mais conhecida.
Tenho dito.
Grande abraço com amizade.
Li Malheiro

Xo_oX disse...

Obrigado Li
Esta coisa da Blogosfera mexe com as pessoas, e não foi só comigo...
Sabes que tens alojamento e alimentação garantida para vires (re)conhecer Vila Flor.
Não te esqueças que temos que marcar um passeio pedestre ao longo do Rio Tua, lá para o início da Primavera.
Um abraço

Li Malheiro disse...

olá.
A primavera em Maio pode ter uma ocasião especial, pois há por aí um feriado que calha a uma Quinta Feira ,há por aqui uns ujos que gostam de "voar" caminhando num fim de semana alargado.
A ocasião, esta, pode fazer a diferença, pois para descer o Rio Tua num só dia nem pensar.
Abraço
Li Malheiro

monge disse...

olá Anibal

Durante muitos anos, tive o privilégio (e rendia-me bom dinheirinho nas férias) de trabalhar na parte da contabilidade de um lagar, onde tinha que lá ir várias vezes ao dia para tirar eventuais dúvidas relacionadas com laboração da azeitona dos clientes. Nessas idas e vindas, sabendo dos gostos cá do rapaz, rara era a vez que não surgisse o convite: "Anda cá, toma lá um copo. Olha qu'este é do bô!" Mas para não beber a seco, lá fazia uma torradita de azeite para ensopar o tintol. Oh que maravilha! Disso sim sinto saudades, do velho lagar de prensas, com moinho de mós e a aconchegante fornalha. Agora, tudo perdeu o seu encanto: a sofisticada maquinaria; o aspecto mais frio da cor do inox e até a atitude parece outra. Enfim , vão-se os tempos, ficam-se as memórias!

abraço

monge

Anónimo disse...

A COOPERATIVA está bem, nós os agricultores é que estamos na miséria. Roubam-nos tudo aquilo que tanto nos custa a ganhar durante todo o ano. Em 1991 era muito azeite mas o Martins ficou com tudo e agora estes andam a estudar pelos mesmos livros que ele deixou na cooperativa.

Helder Teixeira disse...

Em primeiro lugar gostava de pedir mil desculpas por só agora responder ao Senhor Anónimo, mas só hoje tive conhecimento deste infeliz comentário.
Contudo, agradeço o mesmo, porque me permite responder a todos os anónimos, que infelizmente é uma casta, que por ai anda, e que se permite a comentários, que por desconhecimento ou má formação, vão conspurcando com diarreia cerebral, o nome das pessoas e a dignidade das instituições.
Para informação de todos os Anónimos aqui deixo algumas respostas:
- Estamos a falar da Cooperativa dos Olivicultores de Vila Flor e Ansiães, formada em 1997 e não da Cooperativa Agrícola de Vila Flor, que penso, se esteja a referir o Senhor anónimo.
a) -A divida a que se refere foi em 1988 e1989, que foi à data em que o senhor Martins saiu da Cooperativa de Vila Flor tendo retirado todo o azeite, que vendeu e não pagou aos Associados.
b)- Quanto à Cooperativa que eu represento, não deve nada a ninguém e honramos os compromissos que assumimos, com muita dignidade.
c) - A CAOVA (Coop Agric. Oliv. De Vila Flor e Ansiães), faz a extracção do azeite dos seus Associados, trabalhando à maquia, ou seja, extraímos o azeite do agricultor, cobrando uma taxa de 12% e o restante do azeite 88% é do agricultor que faz dele o que quiser. Se o levar a granel não paga mais nada. Se o levar embalado paga o serviço prestado, não fazendo mais do que a sua obrigação.
d)- A CAOVA também compra azeite aos Associados que manifestem interesse em que a Cooperativa o comercialize. Nestes casos o negócio é feito com o Associado e o pagamento é feito, ao mesmo, pelo preço combinado e nas condições combinadas.
e)- A CAOVA permite que os Associados vendam o seu azeite ao melhor preço de mercado, porque lhe é fornecido embalado e rotulado em conformidade com a lei.
f)- Neste momento a CAOVA possui um Activo superior a um milhão de euros e não possui qualquer Passivo digno desse nome, porque honramos os compromissos que assumimos com os Associados e parceiros comerciais.
g)- O património da Cooperativa é todo dos Associados sem hipotecas nem qualquer outro entrave. E posso dizer sem qualquer erro que o seu valor comercial é muito superior ao Activo.
Caso a resposta não seja suficiente, aqui fica o nosso e-mail (caova@iol.pt) onde podem colocar as vossas questões, ou podem deslocar-se à Cooperativa onde serão recebidos e esclarecidos.