
No dia 5 de Janeiro retomei os meus passeios de bicicleta com uma pequena volta, só para “limpar” os poros e começar a consumir os excessos gastronómicos da quadra natalícia.

Saí em direcção ao Barracão e continuei pela N214. É impossível passar por esta estrada sem admirar a paisagem que se estende por Meireles, Cachão e até onde a vista é capaz de olhar. No vale havia nevoeiro, no alto do cabeço também! Assistia-se a um bailado entre o nevoeiro do vale e o nevoeiro da serra. Rios brancos subiam pelos vales escavados tentando alcançar as alturas. O nevoeiro do cimo dos montes, empurrado pelo vento frio, tentava descer aos vales abandonando a companhia de algumas nuvens frias que o olhavam de mais acima, com desdém.

De vez em quando, um raio de sol rasgava o emaranhado vapor de água, mostrando o seu poder, a sua superioridade, pintando de alguma cor uma nesga da paisagem pintada de Inverno.

A ideia era descer até Roios e voltar a casa, mas, quando me encontrava na Quinta do Galego, perto do Marco Geodésico do Maragato onde já estive várias vezes, a tentação foi maior e segui por caminhos completamente desconhecidos em direcção a Vale Frechoso. Há naquela zona muitos trilhos possíveis e cheguei facilmente à aldeia, entrando pela Rua do Muro. Com o frio que fazia, não se via ninguém pela rua. A Capela de Nossa Senhora de Lurdes domina do alto de uma pequena elevação. A própria construção, pequena mas alta dá-lhe um ar bastante solene. Estive ali em Junho, havia um bonito jardim a completar os patamares de escadas com uma calçada com desenhos feitos com seixos pretos e brancos.
Um dos pontos de interesse de Vale Frechoso, está no Largo da Fonte. Aqui podemos encontrar a Fonte Velha, arcada e medieval.

Pretendia conhecer o interior da igreja mas estava encerrada. Ali perto, no Largo da Escola, tentavam escavacar o que restava da Fogueira do Natal. Um enorme tronco de castanheiro desgastado pelo fogo, resistia com galhardia de castanho aos guilhos que uma pesada marra lhe cravava. Com ajuda de uma moto-serra o tronco foi desfeito para alimentar a fogueira que seria acesa no Dia de Reis.

Mais uma vez não tive dificuldades em encontrar um caminho que seguia em direcção a Roios.

Já em plena noite, pedalei até casa, na agora bem arranjada estrada Roios-Vila Flor.
O que à partida era um pequeno passeio, alongou-se. Quando se parte À Descoberta, é assim mesmo, não podemos prever onde os nossos passos (ou pedaladas) nos podem levar.
Quilómetros do percurso em BTT: 23
Total de quilómetros em bicicleta: 1688
1 comentário:
Olá.
BOM ANO para todos os amigos deste cantinho.
Belo passeio e óptima prosa, como sempre. Revelas a sensibilidade nas mais ínfimas sensações descritas, profundamente leves e duradoiras, que dão outra cor aos tão belos tons que captas.
Magnifico. Um abraço com amizade.
Li Malheiro
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