
No dia 18 de Setembro, já muito próximo do final da tarde levou-me a curiosidade até Benlhevai.

Desloquei-me a Benlhevai de carro, que deixei próximo da Rua do Poço Andrez. Por instinto, segui pelo caminho certo. Depois da última casa, havia algumas hortas com couves viçosas, tomates e cércias. As vespas banqueteavam-se com o néctar dos figos maduros que se ofereciam por cima do caminho e com bagos de uvas que pendiam das videiras que envolvem uma antiga nora. Por cima, um galo de chapa, mais parecendo um cata-vento no alto de uma igreja, vigiava a tranquilidade do local, não fosse algo perturbar a paz do ambiente rural que se respirava.

Um pouco mais à frente encontrei umas alminhas em azulejo azul e branco. Mais uma vez se enganaram a colar os azulejos. Num total de 6, 4 estão fora do seu lugar, mas, pelas marcas, já aí estão há muito tempo.

Quase sem dar conte cheguei à pequena capela. Não sei mesmo se a designação de capela está correcta, possivelmente terá sido a igreja primitiva. Consagrada a Nossa Senhora da Esperança, apresenta uma planta constituída por nave e capela-mor sem qualquer elemento decorativo. O arco da fachada da porta principal e o que divide os dois espaços são românicos. Na fachada, do lado direito junto ao pórtico, a cerca de meio metro de altura está gravada e bem visível uma cruz de Malta.
Com cuidado entrei no interior completamente invadido de mato. Algumas árvores mais possantes, como carvalhos, vão engrossando as raízes, pondo em risco o pouco que resta. As paredes, que resistiram impávidas à passagem do tempo, ficam fragilizadas, porque a água das chuvas lhe penetra nas entranhas, arrastando-lhe o barro.

Tal como imaginava, do local tem-se uma óptima vista sobre a aldeia. Aproveitei para fazer uma série de fotografias, que fui repetindo conforme a luz do sol ia escasseando. Rodeei a capela.

Na minha prospecção do terreno esbarrei com uma haste florida de branco. Mais adiante havia mais algumas. Sentei-me no chão procurando captar a fragilidade das suas flores à medida que o sol se foi sumindo, semeando as sombras e o silêncio.

Quando o Sol se escondeu por detrás do Maragato, abandonei o local, não fossem os habitantes de Benlhevai atribuir os disparos do flash a alguma causa do além, ou a alguns ser extraterrestre que visitava as ruínas da Capela de Nossa Senhora da Esperança ao crepúsculo.
1 comentário:
Fico satisfeita por mais uma vez ter tentado visitar Benlhevai,ficaram de facto várias coisas por ver...talvez na próxima!Parabéns pelas fotos.
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