
No dia de abertura do certame TerraFlor, as atenções voltaram-se para o produto chave, cabeça de cartaz desta V edição da feira de produtos e sabores, o azeite.
Ao seminário, que teve início às 14 horas, assistiram cerca de meia centena de pessoas, atentas e interessadas na problemática da oliveira e do azeite.
A diversidade que integrava os dois painéis de oradores, pretendia abarcar as várias vertentes relacionadas com a oliveira e com o azeite, identificando problemas e apontando possíveis alternativas de melhorar um sector, que todos reconhecem cheio de potencial, mas nem sempre explorado da melhor forma.

O Dr. José Cardoso Duarte do INETI (Instituto Nacional de Engenharia, Tecnologia e Inovação), apontou com alguma esperança, um projecto com iniciado em Itália mas que está a ser estudado em vários países, a fitodepuração. Este processo, recorre à utilização de árvores (choupos e ciprestes) plantadas numa camada de terra, tendo num nível inferior outra camada onde são injectadas águas dos efluentes dos lagares de azeite. Estas árvores perenes, utilizam matéria orgânica, a partir dos efluentes, para produzirem biomassa. Trata-se de uma interacção planta-solo-microorganismos. A tecnologia é fácil de implementar, eficiente e de baixo impacto ambiental. Os estudos efectuados não revelam impactos negativos nos solos ou nas águas subterrâneas. Outra alternativa consiste no recurso à utilização de ETARes (Estações de Tratamento de Águas Residuais), para tratar águas ruças que são adicionadas gradualmente nas águas a serem tratadas.

Outra vertente ligada ao azeite, com potencial para crescer, é o turismo. Esta vertente foi apresentada pela pelo Dr. Jorge Morais, da Rota do Azeite. O azeite pode atrair pessoas à região, nunca separando o azeite de outros produtos com igual potencial como por exemplo o vinho. É necessários estabelecer rotas turísticas, vender pacotes diferenciados para atrair pessoas diferentes. A Rota do Azeite pretende congregar interesses de conjunto de entidades ligadas ao azeite e de autarquias.

O sr. Director Regional de Agricultura e Pescas – Norte, Arq. Carlos Guerra, lançou alguma luz sobre o futuro PDR (Programa de Dinamização Regional) e sobre a política que lhe está subjacentes. Não basta que surjam projectos, é necessário que os mesmos sejam competitivos e rentáveis, e terão que o provar, para serem financiados. Os projectos individuais terão melhores financiamentos se se encontrarem integrados em Fileira, fazendo parte de um conjunto, com vista ao desenvolvimento sustentado do sector. É

Foi levantada a questão do regadio no Vale da Vilariça. O Sr. Director Regional informou que o perímetro de rega não está terminado. As albufeiras da Burga e Salgueiro estão completamente funcionais e cheias. A albufeira de Santa Justa não está terminada e a da Ribeira Grande do Arco mal começou. A expectativa actual é que tudo esteja pronto em Junho de 2008.
Os 2 mil hectares de regadio, podem ser aumentados para o dobro, se se encontrarem formas rentáveis para a elevação da água. O recurso às energias alternativas está a ser equacionado.
Para terminar e em jeito de balanço, o Eng. António Monteiro sintetizou alguns tópicos: há capacidade para aumentar a área de regadio; há uma supremacia da variedade Cobrançosa (30%) que convém controlar, apostando noutras variedades, principalmente em regadio; os lagares existentes são mais do que suficientes, mas as colheitas não programas dificultam a sua laboração, que funciona com picos; temos bom azeite mas há necessidade de melhorar muito na higiene e no armazenamento; é necessário um painel de provadores, a situação actual não pode continuar; há necessidade de fomentar a DOP e valorizar a azeitona de conserva.
Todos os presentes reconheceram a importância do azeite na região e o enorme potencial que ainda falta explorar. É necessário produzir melhor, o que o mercado pede (e não o que é tradição) e vender mais, apostando na promoção. Só se pode vender a imagem de um produto saudável, conseguido de uma forma ecológica, se nós próprios acreditarmos nela.

Às 18 horas foi a cerimónia da abertura da feira pelo Dr. Pimentel.
À noite, o recinto foi animado por Palhaços e Malabaristas, que fizeram o encanto das crianças.
O recinto tinha uma boa moldura humana quando começou a actuação de Quim Barreiros, próximo das 22 horas. Com a sua forma tão característica para animar a malta, colocou um bom conjunto de pessoas a dançar, ficando os restastes a passear e ouvindo a música, numa noite bastante agradável.
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