
Pode parecer pelas últimas reportagens que me tornei um “repórter” social, de festas e espectáculos, abandonando os caminhos da natureza, a máquina fotográfica, a bicicleta e a tranquilidade, mas não é verdade.

No dia 4 de Setembro fiz um pequeno percurso de bicicleta. Saí por um caminho em direcção à
Barragem do Peneireiro, passei por trás da
Quinta de S. Domingos e cheguei a
Samões por um caminho que conduz directamente às traseiras da igreja. Este deve ter sido um caminho com grande importância há alguns anos atrás. Pouco tempo depois da saída de
Vila Flor, ali perto da
Quinta da Conceição, encontrei na borda do caminho umas pequenas
flores azuis que chamaram a minha atenção. Não eram mais do que 4 ou 5 de um azul intenso, difícil de fotografar no sol quente do fim da tarde. Não consegui até ao momento identificar a espécie, mas não deixa de ser curioso encontrar flores como estas já no fim do Verão.
Em
Samões, optei por descer a aldeia até perto da
Capela de Nossa Senhora do Rosário. Tinha que haver um caminho que descesse em direcção a
Freixiel. Não foi difícil encontrar o caminho, é praticamente uma estrada! Esta deve mesmo ter sido a principal via de ligação entre
Freixiel e
Samões. Lembro que
Freixiel quis mesmo pertencer a
Carrazeda pelo facto de não serem bem recebidos em
Samões quando por ali eram obrigados a passar.

Seguia eu absorto nestes pensamentos, quando encontrei as ruínas de uma pequena quinta. As ruínas são robustas, praticamente todas as paredes estão em pé. Além de um forno e um lagar de vinho, já havia uma pia na cozinha, talhada em granito, com um ralo que deixava correr a água para o exterior.

Do lado de baixo seguia o antigo caminho. Na parede que o ladeia, cresce um grupo de
pilriteiros (ou espinheiros -
Crataegus monogyna). Nesta altura do ano estão muito bonitos, cheios de frutos carnudos (pomos) fortemente
coloridos de vermelho. Estes frutos dão para fazer vinho! Um dia destes vou falar sobre esta curiosa planta. Encontrava-me à procura do ângulo mais bonito dos pilriteiros quando chamaram a minha atenção umas pequenas flores sobre uma rocha. Saídas directamente da terra ressequida, um cacho de
pequenas flores resistiam ao
Verão. Espantado procurei outros exemplares. Havia pelo menos uma meia dúzia de plantas destacando-se sobre a erva seca. Apresentavam uma inflorescência em espiga, mas nem sinal de folhas. Tinha que registar uma terceira “raridade” botânica na mesma tarde!
O Sol estava cada vez mais baixo. Continuei a descer o caminho até ao ribeiro no lugar das
Olgas. Um pouco por intuição, segui um caminho tentando alcançar a estrada de
Freixiel. Tive sorte. Mesmo com o Sol a brilhar de ouro sobre
Folgares, encontrei a estrada de
Freixiel um pouco abaixo da pedreira. Não tinha tempo para outras divagações, tentei chegar a casa o mais rapidamente possível.
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