


Segui até à Rotunda dos Evangelistas. Possivelmente estes mudarão de lugar após as obras. Em termos estéticos, as estátuas são muito pequenas para aquele local, só o poste eléctrico se destaca.
Logo depois da rotunda, em vez de subir ao santuário, cortei à esquerda e segui em direcção a uma mata de enormes eucaliptos.

Mais à frente encontrei o cruzeiro que parece estar relacionado com as aparições embora na descrição que faz Pinho Leal, o cruzeiro não é focado.
A 4 de Setembro de 1673, estando uma menina de nome Maria, de 10 anos de idade, a lavar roupa no ribeiro, apareceu-lhe uma mulher de grande beleza. Abençoou-a e levou-a a uma ribanceira próxima de onde jorrou água. Depois de lhe lavar a cabeça com a água disse-lhe: - Estás sã do mal que padecias. Disse-lhe também que se chamava Virgem da Assunção e que já a tinha salvo anteriormente. Pediu-lhe para espalhar pelos vizinhos para jejuarem na primeira sexta-feira e para concertarem a sua casa (capela?), porque Ela intercederia por todos.

Na manhã seguinte, 8 de Setembro, dia da Natividade da Senhora, quando a menina foi colocar a cruz de onde a tinha levado a Senhora apareceu de novo, pedindo-lhe que a fosse visitar, à capela, todos os Sábados.

A notícia destes acontecimentos espalhou-se rapidamente. De povos vizinhos e doutros mais distantes vinham crentes que pagavam promessas pelas graças concedidas fazendo crescer muito os rendimentos do santuário.
Diz também Pinho Leal no seu livro “Do Portugal Antigo e Moderno”, que havia em 1712, na sacristia, um livro onde estavam reg

Não subi o Escadório dos Apóstolos. Segui em frente contornando o Santuário por Norte. A paisagem que se avista é fantástica, como sempre.
Subi pelos rochedos até às traseiras da casa dos milagres. Pelo caminho procurei algumas marcas pré-históricas. É muito difícil encontrar algo sem a orientação de alguém que já conheça o local. Encontrei alguns alicerces de paredes, mas, pela perfeição do alinhamento, não devem ser muito antigas. Não pode haver maior evidência da ocupação deste cabeço do que o berrão encontrado, que se encontra agora no Museu de Vila Flor e que o professor Dr. Santos Júnior classificou de maravilha. Eu só consegui encontrar bastante lixo!

No píncaro do monte (como antigamente se dizia), o olhar perde-se de tanto onde pousar, em todas as direcções. Depois de uma volta (demorada) em redor da capela desci pelo escadório para deitar um olho às obras.
Agora sim, já é visível uma grande força de trabalho. Máquinas por todo o lado, terras removidas, novos muros por todo o lado. Não é possível ter uma ideia de como tudo isto vai ficar. Espero que fique com alguns espaços verdes!

Depois de uma alameda de gigantes eucaliptos em flor, cheguei à Fonte de Nossa Senhora, estava alagada.

Decidi que estava na hora de voltar a casa. Segui por um caminho em direcção a Sul, passando por um lameiro cheio de grilos e flores que fui fotografando pelo caminho. Acelerei o passo. Quando cheguei ao campo de futebol de Vilas Boas, resgatei a bicicleta que ali tinha deixado e regressei a casa a pé.

Quilómetros percorridos neste percurso: 14
Total de quilómetros de bicicleta: 924
Total de fotografias: 19 067
6 comentários:
Ai que saudades eu tenho de ir á festa do cabeço.
saudaçoes.
Também eu...
Pode ser que este ano estejamos por cá. Duvido é que seja tão agradável passear pelo cabeço no mês de Agosto como agora.
Em Agosto as obras devem estar terminadas.
Olá!
Gostei da história. Fiquei a conhecê-la mais pormenorizadamente.
Será que irei aí em Agosto? A ver vamos...É sempre bom ir aí.
Abraço
EL
Descobri este site no inverno passado e já na altura fiquei encantada com a qualidade das fotografias. Hoje estou admirada com o desenvolvimento deste projecto. Admiro o seu trabalho e a paixão que o envolve.
Para quem está longe, é como uma janela aberta, dinâmica, sobre os locais de que gostamos e recordamos com saudade. Traz um novo olhar, fresco e imparcial, sobre as paisagem que povoam as nossas lembranças e julgávamos paradas no tempo.
Quando pensava que já tinha visto todos os ângulos, tirado todas as fotografias, visto todas as cores desta aldeia, surpreendeu-me. Conseguiu na perfeição, captar aquela luz singular dos dias de inverno e os ambientes de um cenário que se transforma subtilmente com as estações.
Se voltar ao cabeço da Senhora da Assunção, procure a encosta nas traseiras da Igreja. Há de encontrar os restos da muralha circular do antigo castro. Se for a Vilas Boas pergunte também pela Pala da Feiticeira. É uma fraga, em forma de ovo com uma abertura na parte de baixo. Veja o interior.
O extraordinário é que conseguiu pôr nas suas fotografias algumas imagens que até agora só existiam na memória de quem lá esteve e escolheu partilhá-las com toda a gente, num site completo e bem feito.
Por tudo isto, obrigada.
Beta
Que saudades tenho de quando ia namorar para o cabeço da Senhora da Assunção e onde casei há 21 anos. Estou na festa este ano, sem dúvida.
Parabéns pelo seu trabalho.
Desde criança (tenho 55) que tenho vontade de conhecer este local, pelas histórias de dor e sofrimento que os meus pais contavam - afinal todos os deuses têm como alimento a dor e o sofrimento. Creio que é tempo de pegar no 4x4 e na mochila...
Se algum de vós quiser vir até Montes Lunae (Sintra), terei o maor prazer em ser o cicerone.
M. Miguel (maugustomiguel@hotmail.com)
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