

Com vontade de percorrer muitos quilómetros, deixei Vila Flor pelo caminho que passa junto do depósito de água, segue paralelo ao campo de futebol de Samões e sobe ao Concieiro, em Carvalho de Egas. Aqui, prestei mais atenção às rochas na beira da estrada. Procurava as alminhas que estão referenciadas junto à antiga estrada militar Almeida-Chaves. Por fim encontrei um nicho. Apresenta ainda vestígios de pintura sendo bem visível uma cruz, que teria Cristo crucificado. Distinguem-se também o que me parece serem quatro cabeças de outros personagens. Mais à frente encontrei outro nicho, mais pequeno, mais exposto e já sem nenhuma amostra de pintura.

Logo ali encontrei a pequena capela de Santo Cristo. O meu pensamento voou para a Ilha de S. Miguel, nos Açores, onde pude ver a imagem do Senhor Santo Cristo, ao qual a população presta grande culto.
Mais à frente, está um cruzeiro barroco. A protecção metálica que tem não é nada estética, antes pelo contrário. Os mesmos motivos decorativos, cruz, escada, turquês e martelo, encontrei-os, nesse dia, em mais dois ou três cruzeiros.

Subi ao Largo da Capela. Não dispunha de todo o tempo necessário para percorrer toda a aldeia, tinha que fazer opções. Segui pela Rua do Frade até encontrar mais um cruzeiro. Este está muito cuidado, pintado e rodeado de um bonito jardim. Dali vi a Escola Primária, a Ribeira das Olgas, com as ruínas de um moinho, e, algumas hortas. Subi às paredes e senti-me uns séculos atrás. Quantas pessoas já viram passar aquelas paredes? Por instantes imaginei-me numa aldeia medieval.

Em muitos recantos há bonitos exemplares de casas em granito, antigas, a merecerem recuperação. Há muros, casas, caminhos, fontes, pombais, bonitos exemplares do passado que me fascinaram e que prometo explorar com mais pormenor.

Apressado pelo relógio e pela fome, dei o máximo de mim enquanto pedalava até Alagoa. Bem me apeteceu parar e olhar para trás. Valtorno estava pomposo, preparado para a fotografia, deitado qual musa posando para a tela de um artista.

Cheguei a Alagoa. A cereja no cimo do bolo era eu encontrar um dos antigos marcos que sempre fizeram desta terra linha divisória de vários concelhos: Vilarinho da Castanheira, Carrazeda e Vila Flor. Acabei por encontrar as alminhas de Santo António, nas Abessadas, quando me dirigia para Mogo de Ansiães.
O meu trajecto seguiu pelo Mogo de Ansiães e depois Zedes, onde almocei. No regresso a Vila Flor, tive ainda coragem para ir a Samorinha, Carrazeda de Ansiães, Fontelonga, Pena Fria, Alagoa, Valtorno e Carvalho de Egas.
Cheguei a casa bastante cansado. Foi um dia pleno de emoções.

Quilómetros percorridos neste percurso: 70
Total de quilómetros de bicicleta: 819
Total de fotografias: 16 888
1 comentário:
O meu nome é Armandino, natural de Valtorno e por casualidade encontrei o seu blog associado ao nome da minha terra. Fico contente por, tal como eu, ser amante da natureza, da aventura e da fotografia, mas mais ainda porque assim dá a conhecer um mundo diferente para melhor a uma infindavel comunidade cibernauta, que se por curiosidade digitar palavras tao simples como as destas localidades. Parabéns pelo seu trabalho e conte com o meu apoio se for possivel.
Armandino C.
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